{"id":15962,"date":"2013-07-15T14:45:14","date_gmt":"2013-07-15T14:45:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93038"},"modified":"2013-07-15T14:45:14","modified_gmt":"2013-07-15T14:45:14","slug":"terramerica-brasil-cozinha-superalimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/terramerica-brasil-cozinha-superalimentos\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Brasil cozinha superalimentos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93039\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/BrasilRJ_HortaBiofortificad.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-93039\" alt=\"BrasilRJ HortaBiofortificad 300x199 TERRAM\u00c9RICA   Brasil cozinha superalimentos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/BrasilRJ_HortaBiofortificad-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Brasil cozinha superalimentos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cultivo de alimentos biofortificados na horta municipal de Itagua\u00ed. Foto: Cortesia Embrapa<\/p><\/div>\n<p><em>O teor de v\u00e1rios nutrientes aumenta de forma acentuada em oito cultivos b\u00e1sicos desenvolvidos no Brasil.<\/em><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15 de julho de 2013 (Terram\u00e9rica).- Em menos de dez anos os consumidores brasileiros ter\u00e3o \u00e0 m\u00e3o oito superalimentos desenvolvidos por cientistas do pa\u00eds. A iniciativa-piloto j\u00e1 \u00e9 aplicada em 15 munic\u00edpios. A biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma melhora gen\u00e9tica convencional que eleva as concentra\u00e7\u00f5es de micronutrientes em alimentos b\u00e1sicos mediante t\u00e9cnicas de laborat\u00f3rio e de campo. A ideia \u00e9 simples: combater a defici\u00eancia de micronutrientes, que pode causar anemia, cegueira, problemas imunol\u00f3gicos e atraso no desenvolvimento.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), dois bilh\u00f5es de pessoas t\u00eam esta car\u00eancia em todo o mundo. H\u00e1 uma d\u00e9cada, a estatal Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) iniciou esta linha de trabalho com o projeto BioFORT, como parte de uma alian\u00e7a internacional para desenvolver variedades com grande conte\u00fado de micronutrientes. A Embrapa escolheu os alimentos preferidos nas mesas brasileiras: arroz, feij\u00e3o, feij\u00e3o de corda, mandioca, batata doce, milho, ab\u00f3bora e trigo.<\/p>\n<p>\u201cProcuramos aumentar os teores de ferro, zinco e provitamina A. S\u00e3o os nutrientes que mais faltam, n\u00e3o apenas no Brasil, mas na Am\u00e9rica Latina e no mundo, causadores do que chamamos de fome oculta\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica a engenheira de alimentos Mar\u00edlia Nutti, coordenadora do BioFORT. O ferro \u00e9 fundamental. Metade da popula\u00e7\u00e3o infantil do Brasil apresenta algum grau de defici\u00eancia deste elemento, afirmou. O trabalho \u00e9 feito com o cruzamento de plantas da mesma esp\u00e9cie, selecionando as sementes que apresentam melhores caracter\u00edsticas de micronutrientes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 transgenia. Queremos uma dieta variada. A biofortifica\u00e7\u00e3o ataca a raiz do problema e tem por objetivo as popula\u00e7\u00f5es mais pobres. \u00c9 cientificamente vi\u00e1vel e tamb\u00e9m em termos de custos\u201d, detalhou Mar\u00edlia. O programa tem apoio do HarvestPlus e do AgroSalud, cons\u00f3rcios de pesquisa que operam na Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia com recursos financeiros da Funda\u00e7\u00e3o Bill e Melinda Gates, do Banco Mundial e de outras ag\u00eancias internacionais de desenvolvimento.<\/p>\n<p>No entanto, quanto mais nutritivos s\u00e3o estes novos alimentos? O feij\u00e3o, por exemplo, passa de ter 50 miligramas de ferro por quilo para 90 miligramas por quilo. E a mandioca, quase desprovida de betacaroteno, passa a conter nove microgramas deste composto promotor da vitamina A para cada grama de alimento. J\u00e1 na batata doce, os dez microgramas de betacaroteno por grama passam a ser 115. E o arroz experimenta aumento de 12 para 18 miligramas de zinco por quilo.<\/p>\n<p>Em Itagua\u00ed, munic\u00edpio industrial 70 quil\u00f4metros ao sul do Rio de Janeiro, quase oito mil pr\u00e9-escolares se beneficiam destes alimentos supernutritivos. Com cerca de 110 mil habitantes, Itagua\u00ed tem produto interno bruto anual de US$ 14 mil por pessoa, e a maioria dos assalariados recebe o sal\u00e1rio m\u00ednimo. Era o cen\u00e1rio ideal para a Embrapa iniciar o projeto, distribuindo os alimentos \u00e0 rede de escolas p\u00fablicas, que os utilizam na merenda escolar. Atualmente o munic\u00edpio planta batata doce, ab\u00f3bora, feij\u00e3o e mandioca em um terreno de um hectare que tamb\u00e9m \u00e9 usado para capacitar os agricultores familiares que abastecem as escolas.<\/p>\n<p>\u201cItagua\u00ed \u00e9 um munic\u00edpio modelo. \u00c9 o terceiro ano consecutivo que ganhamos o pr\u00eamio para melhor gest\u00e3o da merenda escolar. Temos projetos muito audaciosos para alcan\u00e7ar rapidamente toda a rede municipal de ensino em associa\u00e7\u00e3o com todos os agricultores familiares\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a secret\u00e1ria municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, Ivana Neves Couto. Esta rede \u00e9 formada por 62 escolas e 17 mil alunos. Em 2010, a prefeitura adotou os alimentos enriquecidos em micronutrientes em 13 unidades pr\u00e9-escolares, com quase oito mil meninos e meninas.<\/p>\n<p>A meta \u00e9 incluir todos os agricultores familiares do munic\u00edpio e, no prazo de dois anos, oferecer alimentos biofortificados a todas as escolas, al\u00e9m de mercados e feiras p\u00fablicas da cidade. Um elemento a favor \u00e9 a curiosidade infantil. \u201cQuando dizemos que s\u00e3o alimentos com mais vitaminas, as crian\u00e7as se animam ao verem as cores mais fortes, o que desperta seu interesse e incentiva o consumo\u201d, contou Ivana.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que trabalha com oito cultivos. Bangladesh, Col\u00f4mbia, \u00cdndia, Mo\u00e7ambique, Nicar\u00e1gua, Paquist\u00e3o, Peru, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Uganda investem cada um em um alimento. Segundo Mar\u00edlia, o desafio \u00e9 que a biofortifica\u00e7\u00e3o seja uma pol\u00edtica nacional de seguran\u00e7a alimentar, tendo como exemplo o Panam\u00e1, que j\u00e1 a introduziu na agenda de governo.<\/p>\n<p>A iniciativa brasileira est\u00e1 na fase-piloto de cultivo e presente em 11 Estados, nos quais cerca de 15 munic\u00edpios empregam estes alimentos na merenda escolar. Embora tenha come\u00e7ado em Itagua\u00ed, o olhar est\u00e1 voltado para Estados do Nordeste, como Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e Sergipe, que s\u00e3o os mais pobres. No total, h\u00e1 67 unidades de cultivo e 1.860 agricultores familiares que trabalham diretamente nesta produ\u00e7\u00e3o, segundo Mar\u00edlia. A escala \u00e9 bastante reduzida para um pa\u00eds com 5.570 munic\u00edpios e popula\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dos 200 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>As dietas pobres em ferro e zinco podem causar anemia, redu\u00e7\u00e3o da capacidade de trabalho, problemas no sistema imunol\u00f3gico, atraso no desenvolvimento e at\u00e9 morte. A anemia \u00e9 o maior problema nutricional do Brasil. Com investimento de quase US$ 10 milh\u00f5es, este projeto re\u00fane 15 universidades, al\u00e9m de centros de pesquisa e prefeituras. No ano que vem, a Embrapa pretende desenvolver um teste de impacto nutricional na popula\u00e7\u00e3o, para medir os resultados de seus alimentos em compara\u00e7\u00e3o com os convencionais. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p><strong>LINKS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/biofortificacao-para-combater-a-fome-oculta\/\" >Biofortifica\u00e7\u00e3o para combater a \u201cfome oculta\u201d<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/noticias\/um-cardapio-de-microproblemas\/\" >Um card\u00e1pio de microproblemas<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2003\/10\/alimentacion-tecnologia-contra-el-hambre\/\" >Tecnologia contra a fome, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/noticias\/tematicas\/desarrollo-y-ayuda\/alimentacion-y-agricultura\/\" >Alimenta\u00e7\u00e3o e agricultura \u2013 Cobertura especial da IPS, em espanhol<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O teor de v&aacute;rios nutrientes aumenta de forma acentuada em oito cultivos b&aacute;sicos desenvolvidos no Brasil. 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