{"id":15967,"date":"2013-07-15T15:21:21","date_gmt":"2013-07-15T15:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93144"},"modified":"2013-07-15T15:21:21","modified_gmt":"2013-07-15T15:21:21","slug":"vinhas-da-ira-sao-bom-negocio-para-o-vinho-da-cisjordania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/vinhas-da-ira-sao-bom-negocio-para-o-vinho-da-cisjordania\/","title":{"rendered":"Vinhas da ira s\u00e3o bom neg\u00f3cio para o vinho da Cisjord\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93145\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/bodega640.jpg\"><img class=\" wp-image-93145 \" alt=\"bodega640 Vinhas da ira s\u00e3o bom neg\u00f3cio para o vinho da Cisjord\u00e2nia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/bodega640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Vinhas da ira s\u00e3o bom neg\u00f3cio para o vinho da Cisjord\u00e2nia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Trabalhadora palestina na adega de um colono na Cisjord\u00e2nia. Foto: Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Psagot, Palestina, 15\/7\/2013 \u2013 Boa parte do culto ao vinho se relaciona com a terra de origem de suas uvas. O r\u00f3tulo diz \u201cProduto de Israel\u201d, mas n\u00e3o se deixe enganar. Este Cabernet Sauvignon \u00e9 elaborado em territ\u00f3rio palestino ocupado. A Alemanha, o mais estreito aliado de Israel na Uni\u00e3o Europeia (UE), est\u00e1 em vias de fazer um acordo com outros pa\u00edses do bloco para a ado\u00e7\u00e3o de normas para a rotulagem de produtos feitos em assentamentos judeus. De modo que o r\u00f3tulo \u201cFeito em Israel\u201d s\u00f3 ser\u00e1 aceito para produtos manufaturados dentro das fronteiras que este pa\u00eds tinha em 1967.<\/p>\n<p>Yaakov Berg criou a \u201cadega butique\u201d de Psagot em 2009. Plantou sua primeira vinha em 2003, enquanto constru\u00eda a casa de seus sonhos ao p\u00e9 das colinas do assentamento de Psagot na Cisjord\u00e2nia, bem perto da cidade palestina de Ramal\u00e1. \u201cIsto nunca foi Palestina. \u00c9 a terra de nossos pais\u201d, afirma Berg enquanto revisa os r\u00f3tulos. Passa por alto quanto ao fato de a Cisjord\u00e2nia, ocupada por Israel desde 1967, agora ser reconhecida no mundo como parte da futura Palestina e que ilegais s\u00e3o os assentamentos, segundo o direito internacional.<\/p>\n<p>Enquanto os postos de controle, as torres de observa\u00e7\u00e3o e os muros forem obst\u00e1culos para a vista a partir de Ramal\u00e1 e restringirem o movimento de\u00a0 trabalhadores e mercadorias da Palestina, colonos como Berg podem continuar elaborando seu vinho e travando com seus vinhedos uma silenciosa batalha pela supremacia em terras p\u00fablicas e privadas. A Cisjord\u00e2nia ocupada cresce e segue rumo a se converter em um pa\u00eds do vinho. Pelo menos 29 adegas operam nos assentamentos da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>No prazo de dez anos, Berg ampliou de cinco para 25 hectares suas vinhas. \u201cOrgulhoso das profundas ra\u00edzes judias na terra\u201d onde crescem suas uvas, Berg gosta de mostrar aos visitantes uma prensa de dois mil anos de antiguidade, \u201cdo per\u00edodo do Segundo Templo\u201d, que encontrou em uma cova que descobriu sob sua casa. \u201c\u00c9 muito importante conhecer a origem do vinho, sua qualidade, sua singularidade. Tudo vem da terra\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Entretanto, como rotular esse produto da terra est\u00e1 se convertendo em um tema espinhoso. A amea\u00e7a de \u201cfruto proibido\u201d se ergue sobre este vinho. \u00c9 prov\u00e1vel que, em sua pr\u00f3xima reuni\u00e3o, os ministros de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da UE considerem um acordo para rotular mercadorias feitas por colonos judeus em territ\u00f3rios ocupados. Berg sabe que um r\u00f3tulo como \u201cFeito nas Colinas da Judeia\u201d pode causar pouqu\u00edssima diferen\u00e7a na Europa, e acrescenta que \u201cTerrit\u00f3rio Ocupado\u201d \u00e9 \u201capenas uma defini\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, uma advert\u00eancia\u201d que n\u00e3o significa \u201cn\u00e3o o compre\u201d.<\/p>\n<p>O Acordo de Livre Com\u00e9rcio de Israel com a Europa exclui mercadorias das col\u00f4nias porque n\u00e3o s\u00e3o consideradas israelenses. A UE \u00e9 o destino de 20% das exporta\u00e7\u00f5es israelenses, mas os n\u00fameros sobre a ind\u00fastria dos assentamentos s\u00e3o deliberadamente ofuscados. Embora a a\u00e7\u00e3o proposta pela Uni\u00e3o Europeia seja limitada, tem preocupado os diplomatas israelenses. \u201cN\u00e3o creio que seja uma medida construtiva. Realmente, espero que n\u00e3o ocorra\u201d, disse Paul Hirshon, porta-voz da chancelaria. \u201cH\u00e1 disputas agr\u00e1rias em todo o mundo. Se forem marcar apenas Israel, e s\u00f3 as comunidades israelenses na Cisjord\u00e2nia e seus produtos, ser\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Berg reage com uma linguagem menos diplom\u00e1tica, dizendo que \u201cao longo da hist\u00f3ria, quiseram nos rotular. \u2018Judeu\u2019, dizia a ins\u00edgnia amarela (imposta pelos nazistas). Agora \u00e9 o boicote. Confio que a Alemanha n\u00e3o se atrever\u00e1 a voltar a nos marcar como judeus\u201d. Um documento interno do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel afirma que \u201cesta medida prejudicar\u00e1, de fato, os palestinos\u201d. O informe intitulado <i>Os Efeitos de Rotular os Produtos dos Assentamentos sobre a Economia Palestina<\/i> indica que cerca de 22.500 palestinos trabalham para os colonos israelenses.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental israelense Kav LaOved (Assist\u00eancia Telef\u00f4nica aos Trabalhadores) e sindicatos palestinos estimam que outros dez mil trabalhem sem autoriza\u00e7\u00e3o nos assentamentos. As estimativas indicam que a renda desses trabalhadores somem aproximadamente US$ 277 milh\u00f5es, o que equivale a 9% do or\u00e7amento de 2012 da Autoridade Nacional Palestina. A adega de Berg d\u00e1 trabalho a sete palestinos. \u201cOs palestinos n\u00e3o deveriam trabalhar nos assentamentos, n\u00e3o deveriam apoiar os colonos. \u00c9 como dar um tiro no pr\u00f3prio p\u00e9. Devem parar. Isto vai contra o direito palestino \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e a um Estado\u201d, protestou Mahdi Abdul Hadi, da Sociedade Acad\u00eamica Palestina para o Estudo de Assuntos Internacionais.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o proposta pela UE responde, em parte, \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o de ativistas palestinos que realizam a campanha n\u00e3o violenta Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS) contra Israel, at\u00e9 que este pa\u00eds ponha fim \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o. O movimento que promove a BDS destila de modo lento, mas seguro, seus princ\u00edpios em todo o mundo. No m\u00eas passado, Dinamarca e \u00c1frica do Sul, pa\u00eds que sofreu na carne um boicote internacional em raz\u00e3o de seu regime segregacionista do <i>apartheid<\/i>, decidiram rotular os produtos feitos nas col\u00f4nias judias.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o dos dirigentes israelenses \u00e9 que, se fracassar o esfor\u00e7o do secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, para retomar as negocia\u00e7\u00f5es de paz com os palestinos, a Uni\u00e3o Europeia siga o exemplo e acabe aderindo \u00e0 BDS. Ent\u00e3o, nesse caso, Israel sentir\u00e1 o peso do isolamento. Enquanto isso, o trabalho segue sem pausa na adega. Hiba Abu Shusheh, uma palestina divorciada, mant\u00e9m seus g\u00eameos gra\u00e7as ao emprego no assentamento. \u201cEm Ramal\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 trabalho\u201d, afirma. Na adega ganha US$ 40 por dia. Para ela \u00e9 simplesmente uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A adega de Psagot produz 200 mil garrafas por ano. Cada uma custa entre US$ 30 e US$ 60. \u00c9 um neg\u00f3cio din\u00e2mico que gera cerca de US$ 10 milh\u00f5es ao ano. Setenta por cento do vinho \u00e9 exportado, principalmente para Estados Unidos, Austr\u00e1lia e Europa. Como o vinho \u00e9 <i>kosher<\/i> (outro r\u00f3tulo, neste caso indicando que foi elaborado segundo os preceitos da religi\u00e3o judia), seu principal p\u00fablico \u00e9 a di\u00e1spora. Portanto, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que uma mudan\u00e7a nas normas de rotulagem afete seriamente a ind\u00fastria vin\u00edcola dos colonos.<\/p>\n<p>Berg disse que os chamados de boicote ao seu vinho s\u00f3 fazem aumentar a demanda. Um colono que trabalha como supervisor est\u00e1 ansioso para demonstrar que a adega tamb\u00e9m \u00e9 uma ilha de coexist\u00eancia entre judeus e \u00e1rabes. \u201cVoc\u00ea \u00e9 meu vizinho, meu amigo, meu irm\u00e3o\u201d, insiste, dando um abra\u00e7o de urso em um palestino que trabalha na adega. \u201cCom certeza\u201d, responde o envergonhado trabalhador, como que destacando sua depend\u00eancia dos donos da terra. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Psagot, Palestina, 15\/7\/2013 &ndash; Boa parte do culto ao vinho se relaciona com a terra de origem de suas uvas. O r&oacute;tulo diz &ldquo;Produto de Israel&rdquo;, mas n&atilde;o se deixe enganar. Este Cabernet Sauvignon &eacute; elaborado em territ&oacute;rio palestino ocupado. 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