{"id":15968,"date":"2013-07-15T14:04:25","date_gmt":"2013-07-15T14:04:25","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93129"},"modified":"2013-07-15T14:04:25","modified_gmt":"2013-07-15T14:04:25","slug":"flores-para-romper-o-ciclo-da-pobreza-na-caxemira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/flores-para-romper-o-ciclo-da-pobreza-na-caxemira\/","title":{"rendered":"Flores para romper o ciclo da pobreza na Caxemira"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93130\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/flores.jpg\"><img class=\" wp-image-93130 \" alt=\"flores Flores para romper o ciclo da pobreza na Caxemira\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/flores.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Flores para romper o ciclo da pobreza na Caxemira\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Trabalhador em uma estufa de flores de Rubeena Begum. Foto: Athar Parvaiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Srinagar, \u00cdndia, 15\/7\/2013 \u2013 Rubeena Begum sonhava quando menina em ser m\u00e9dica e obter uma renda decente trabalhando em um dos 30 hospitais do Estado da Caxemira, no norte da \u00cdndia. No entanto, jamais imaginou que acabaria ganhando a vida em um contexto muito mais natural do que centros de sa\u00fade cheirando a desinfetante. Parada diante da bela paisagem criada por suas v\u00e1rias estufas cobertas de polietileno, agora Begum aponta com orgulho para as perfumadas flores de seu interior. \u00c9 que lilases, glad\u00edolos, cravos e outras mudaram sua vida para sempre. N\u00e3o as cultiva apenas por seu perfume ou suas propriedades terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>As flores tamb\u00e9m lhe proporcionam uma renda consider\u00e1vel no mercado local, que j\u00e1 permitiu a Begum pagar boa parte dos empr\u00e9stimos que fez para iniciar seu neg\u00f3cio de flores. Ela come\u00e7ou em 2006 com apenas seis estufas, levantadas em cerca de dois mil metros quadrados de terra no distrito de Budgam, na Caxemira, e em seis anos duplicou a empresa. Os bancos que antes recusavam empr\u00e9stimos a esta jovem empreendedora, pedindo incont\u00e1veis documentos como prova de que poderia pag\u00e1-los, agora se aproximam dela oferecendo quantias ainda maiores para manter seu bem-sucedido empreendimento.<\/p>\n<p>Begum contou \u00e0 IPS que se converteu na personifica\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito empreendedor da Caxemira, onde meio milh\u00e3o dos cerca de dez milh\u00f5es de habitantes est\u00e3o desempregados. Os especialistas culpam por esta situa\u00e7\u00e3o o conflito armado que corroeu cada aspecto da vida neste Estado pitoresco mas atribulado durante duas d\u00e9cadas. Anualmente, cerca de 2.500 jovens se formam nas universidades locais com t\u00edtulos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o consegue um dos poucos empregos que h\u00e1 no setor governamental ou nas ind\u00fastrias do turismo, na agricultura ou no artesanato acaba buscando desesperadamente um trabalho que n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Hoje em dia, a floricultura parece oferecer uma maneira de romper o ciclo de pobreza do qual muitos jovens j\u00e1 temiam nunca poder escapar. Begum estava atenta \u00e0s oportunidades de trabalho quando ouviu um programa de r\u00e1dio onde se elogiava as virtudes dos empreendimentos agr\u00edcolas, e do cultivo de flores em particular. \u201cDesde crian\u00e7a fui apaixonada por flores. As colhia e decorava minha casa com elas. Ent\u00e3o, soube que isto era o que eu precisava fazer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s receber treinamento b\u00e1sico no Instituto de Desenvolvimento Empresarial de Jammu e Caxemira sobre como construir estufas cobertas com polietileno, bem como assessoria do Departamento de Floricultura sobre as t\u00e9cnicas b\u00e1sicas de cultivo e colheita, Begum p\u00f4s m\u00e3os \u00e0 obra. Embora reticente em divulgar detalhes de seus ganhos, ela se apressa a dizer que h\u00e1 pouco ampliou suas opera\u00e7\u00f5es, alugando 23 hectares de terra para cultivar rosas b\u00falgaras e lavanda.<\/p>\n<p>Begum transporta muitas de suas flores e de seus \u00f3leos arom\u00e1ticos a centros de coleta na Caxemira, de onde distribuidores os levam para o outro lado da fronteira, para cidades indianas como Nova D\u00e9lhi, Mumbai ou Hyderabad, onde h\u00e1 uma grande demanda por flores para festivais religiosos, cerim\u00f4nias de casamento e oferendas em templos. Ela tamb\u00e9m vende extratos como \u00f3leo de rosas (usado em perfumaria), \u00e1gua de rosas (para cosm\u00e9ticos e produtos m\u00e9dicos) e \u00f3leo de lavanda (empregado em cosm\u00e9ticos e na medicina alternativa) em sua loja no Aeroporto Internacional de Sheikh-ul-Alam, em Srinagar.<\/p>\n<p>O Instituto Indiano de Medicina Integradora, com sede em Jammu, tamb\u00e9m facilita as vendas de seus produtos, ao coloc\u00e1-la em contato com compradores interessados nas propriedades medicinais das plantas. Segundo especialistas consultados pela IPS, um ramalhete de dez cravos de alta qualidade costuma ser vendido entre US$ 5 e US$ 15, enquanto um quilo de \u00f3leo de rosas permite ganho de at\u00e9 US$ 7 mil no mercado indiano. Estimativas oficiais indicam que a ind\u00fastria das flores na Caxemira tem o potencial de faturar US$ 100 milh\u00f5es anuais, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o local \u00e9 de excepcional qualidade.<\/p>\n<p>Os jovens que incursionam em massa no setor n\u00e3o parecem se importar muito se isto se deve ao ar fresco e limpo da montanha ou ao rico solo do Himalaia. Shahnawaz Rasool Dar, um jovem do centro de Srinagar, come\u00e7ou a cultivar flores h\u00e1 pouco tempo no distrito de Baramulla, em uma \u00e1rea de 1,6 hectare. \u201cTrabalhava em uma empresa privada fora da Caxemira, mas ao ver o potencial da floricultura local me apressei a voltar\u201d, contou \u00e0 IPS em seu estabelecimento, onde crescem g\u00e9rberas, cravos e rosas.<\/p>\n<p>Sua empresa, Bismillah Flora, ainda \u00e9 incipiente, e fatura cerca de US$ 4 mil por ano, mas Dar acredita que pode transform\u00e1-la em uma importante opera\u00e7\u00e3o empresarial. Com estudos e conhecimentos t\u00e9cnicos, Dar passa horas na internet, pesquisando as melhores pr\u00e1ticas cient\u00edficas, como a dist\u00e2ncia ideal entre as fileiras de flores ao plant\u00e1-las e as t\u00e9cnicas \u00f3timas de irriga\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m compra sementes de empresas prestigiadas.<\/p>\n<p>Segundo o Departamento de Floricultura da Caxemira, somente no \u00faltimo ano mais de 1.100 jovens come\u00e7aram a cultivar flores para ganhar a vida. As regi\u00f5es mais populares para esta atividade incluem os distritos de Budgam, Srinagar e Baramulla, no vale da Caxemira, bacia f\u00e9rtil do rio Jhelum, onde o clima \u00e9 ideal para cultivar flores delicadas, segundo Sunil Mistri, diretor desse departamento. \u201cO agricultor m\u00e9dio pode ganhar uma renda extra anual de US$ 3 mil se tamb\u00e9m cultiva flores\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Yavid Ahmad, encarregado de floricultura em Budgam, informou que no \u00faltimo ano chegou a 375 o n\u00famero de agricultores dedicados a esta \u00e1rea. Uma vez registrados junto a esse departamento, eles passam a receber regularmente conselhos de especialistas e empr\u00e9stimos subsidiados que variam entre US$ 3,3 mil e US$ 16 mil, para incentivar mais pessoas a entrarem nessa atividade.<\/p>\n<p>Os empreendimentos individuais t\u00eam um efeito multiplicador sobre o emprego. Por exemplo, atualmente Rubeena Begum contrata 53 trabalhadores para cuidarem da sua produ\u00e7\u00e3o, pagando aos diaristas US$ 5 e aos empregados regulares entre US$ 70 e US$ 100 por m\u00eas. Ansioso por capitalizar estes \u00eaxitos, o governo planeja desenvolver o setor no \u00e2mbito nacional. Mistri disse que o Departamento de Floricultura logo criar\u00e1 instala\u00e7\u00f5es para o armazenamento a frio em v\u00e1rios centros da Caxemira, a fim de garantir que as flores permane\u00e7am frescas at\u00e9 serem compradas pelos clientes finais. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Srinagar, &Iacute;ndia, 15\/7\/2013 &ndash; Rubeena Begum sonhava quando menina em ser m&eacute;dica e obter uma renda decente trabalhando em um dos 30 hospitais do Estado da Caxemira, no norte da &Iacute;ndia. No entanto, jamais imaginou que acabaria ganhando a vida em um contexto muito mais natural do que centros de sa&uacute;de cheirando a desinfetante. 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