{"id":15969,"date":"2013-07-15T15:00:37","date_gmt":"2013-07-15T15:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93138"},"modified":"2013-07-15T15:00:37","modified_gmt":"2013-07-15T15:00:37","slug":"ativistas-lutam-para-que-meninas-nao-sejam-noivas-no-sudao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/ativistas-lutam-para-que-meninas-nao-sejam-noivas-no-sudao\/","title":{"rendered":"Ativistas lutam para que meninas n\u00e3o sejam noivas no Sud\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93139\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Sudao1.jpg\"><img class=\" wp-image-93139 \" alt=\"Sudao1 Ativistas lutam para que meninas n\u00e3o sejam noivas no Sud\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Sudao1.jpg\" width=\"529\" height=\"315\" title=\"Ativistas lutam para que meninas n\u00e3o sejam noivas no Sud\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma menina sudanesa com um beb\u00ea no acampamento de refugiados de al Salam. Foto: Sven Torfinn\/CC BY 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cartum, Sud\u00e3o, 15\/7\/2013 \u2013 Advogados e ativistas pelos direitos humanos reclamam uma mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o sudanesa, que permite o casamento de meninas de apenas dez anos de idade. Alertam que \u00e9 hora de se reconhecer a igualdade de g\u00eanero para que elas possam assumir o controle de suas vidas e deixar para tr\u00e1s o ciclo de matrim\u00f4nios precoces e de abusos. A Lei de Status Pessoal dos Mu\u00e7ulmanos, de 1991, n\u00e3o concede \u00e0s mulheres os mesmos direitos que d\u00e1 aos homens. O Artigo 40, em particular, n\u00e3o fixa idade m\u00ednima para o casamento e s\u00f3 indica que as menores devem contar com \u201cautoriza\u00e7\u00e3o de um juiz\u201d.<\/p>\n<p>Para a ativista Jadija al-Dowahi, da Organiza\u00e7\u00e3o para a Investiga\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento (Sord), dedicada ao estudo dos casamentos precoces, \u201cessa lei, basicamente, estabelece que as meninas podem se casar quando t\u00eam idade suficiente para compreender\u201d. Al\u00e9m disso, o Sud\u00e3o n\u00e3o ratificou a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Contra a Mulher, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). O Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) estima que uma em cada tr\u00eas mulheres sudanesas que atualmente t\u00eam entre 20 e 24 anos se casou antes dos 18. Nas zonas rurais, onde o problema \u00e9 maior, o casamento precoce chega a 39%, bem mais do que os 22% registrados em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p>Uma visita ao hospital de Cartum mostra claramente a amplitude do fen\u00f4meno no Sud\u00e3o. Este centro de sa\u00fade conta com uma sala inteira para realizar cirurgias de f\u00edstula obst\u00e9trica. A maioria das pacientes s\u00e3o m\u00e3es jovens, cujos corpos n\u00e3o est\u00e3o totalmente desenvolvidos para parir e s\u00e3o propensas a sofrerem rompimento dos tecidos brandos que conectam a vagina com a bexiga ou com o reto.<\/p>\n<p>Amel al-Zein, advogada que investigou os casamentos precoces, questiona a lei de <i>status<\/i> pessoal. \u201cAo contr\u00e1rio de outros pa\u00edses da regi\u00e3o, ou outros isl\u00e2micos, a lei n\u00e3o especifica uma idade m\u00ednima para o casamento, que \u00e9 a \u00fanica garantia para controlar o matrim\u00f4nio precoce\u201d, advertiu al-Zein \u00e0 IPS, acrescentando que as mulheres n\u00e3o podem recorrer \u00e0 justi\u00e7a para tramitar o div\u00f3rcio nem empreender a\u00e7\u00f5es legais antes dos 18 anos, o que contradiz o fato de meninas de apenas dez anos poderem se casar.<\/p>\n<p>\u201cQuando come\u00e7amos a estudar quest\u00f5es de justi\u00e7a de g\u00eanero, vimos at\u00e9 que ponto o casamento precoce est\u00e1 inter-relacionado com muitos dos assuntos que as mulheres devem enfrentar\u201d, observou al-Dowahi, cuja organiza\u00e7\u00e3o prop\u00f4s v\u00e1rias reformas legais. \u201cAs que recorrem \u00e0 justi\u00e7a para lutar pela cust\u00f3dia dos filhos e se divorciar apenas descobrem o quanto \u00e9 terr\u00edvel e discriminat\u00f3ria a legisla\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou. A Sord criou, h\u00e1 tr\u00eas meses, um centro de assist\u00eancia legal para mulheres discriminadas pela lei de <i>status<\/i> pessoal, e j\u00e1 recebeu 46 casos.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Conselho de Eruditos Sudaneses, um prestigioso \u00f3rg\u00e3o religioso, gera controv\u00e9rsia. No ano passado, seu secret\u00e1rio-geral, professor Mohammad Osman Salah, falou a favor do casamento precoce, gerando profundo mal-estar entre os opositores. Salah declarou \u00e0 imprensa, em outubro de 2012: \u201cO Isl\u00e3 incentiva o casamento de menores para salv\u00e1-las da pervers\u00e3o ou de qualquer perigo derivado da condi\u00e7\u00e3o de solteira, bem como para faz\u00ea-las felizes e preservar a reprodu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, nem todos os eruditos compartilham sua opini\u00e3o, porque o casamento precoce no Sud\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia de tradi\u00e7\u00f5es culturais e sociais, n\u00e3o s\u00f3 de valores religiosos. Por exemplo, Sarah Mohammad, foi for\u00e7ada a casar aos 13 anos porque a escola secund\u00e1ria feminina mais pr\u00f3xima ficava muito longe de sua aldeia. A falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o faz com que os pais sejam menos propensos a manter suas filhas em casa. N\u00e3o \u00e9 uma idade incomum para que uma menina se casar em sua pequena aldeia de Karko, no Cordof\u00e3o do Sul. \u201cLembro o quanto me senti confusa. N\u00e3o tinha ideia do que era o casamento. Era uma crian\u00e7a\u201d, recordou Sarah, que completou 30 anos h\u00e1 duas semanas e \u00e9 m\u00e3e de cinco filhos. O primeiro teve aos 16 anos.<\/p>\n<p>Rana Ahmed (nome fict\u00edcio) teve uma experi\u00eancia diferente. Tinha 15 anos quando sua m\u00e3e descobriu que era noiva de um rapaz da regi\u00e3o, ap\u00f3s encontr\u00e1-la falando com ele pelo telefone. \u201cFicou muito brava e me disse que ia procurar um marido para mim antes que eu fizesse algo realmente errado. Me disse que dessa forma deixaria de brincar\u201d, disse \u00e0 IPS Rana, agora com 24 anos. Seu marido, que na \u00e9poca tinha mais de 35 anos, a levou por cinco anos ao estrangeiro, onde ele trabalhava como m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Quando regressaram ao Sud\u00e3o, com seus dois filhos, ela sentiu que queria viver de novo. \u201cEstava aborrecida e descontente com minha vida. Queria viver como outras mo\u00e7as da minha idade. Queria ter liberdade para sair com rapazes e me divertir\u201d, contou Rana, agora divorciada. Al-Dowahi disse que a hist\u00f3ria de Rana n\u00e3o \u00e9 \u00fanica. As adolescentes n\u00e3o est\u00e3o preparadas para as responsabilidades familiares ou para as rela\u00e7\u00f5es sexuais. Algumas conseguem voltar a estudar, mas outras n\u00e3o podem seguir em frente e acabam tendo amantes e levando uma vida bem diferente.<\/p>\n<p>Com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Sud\u00e3o em cont\u00ednua deteriora\u00e7\u00e3o, os ativistas afirmam que as cidades se tornam semelhantes \u00e0s zonas rurais: o casamento precoce se torna um problema angustiante, mesmo em ambientes urbanos e com estudos. A pesquisa da Sord mostra que em acampamentos de refugiados e no leste do Sud\u00e3o costuma haver maior n\u00famero de casamentos precoces, em rela\u00e7\u00e3o a outros ambientes. O div\u00f3rcio na mais precoce idade foi concedido no leste do Sud\u00e3o a uma menina de nove anos. A tradi\u00e7\u00e3o de sua comunidade indica que beb\u00eas de dois meses do sexo feminino s\u00e3o entregues em casamento, passando a viver com seu marido quando completam dez anos.<\/p>\n<p>Lakshmi Sundaram, coordenadora da Girls Not Brides (Meninas, N\u00e3o Noivas), uma associa\u00e7\u00e3o global para acabar com o casamento precoce, acredita que \u00e9 uma quest\u00e3o do valor que se d\u00e1 \u00e0 menina. \u201cDevemos desafiar a concep\u00e7\u00e3o de que a menina se converte, ainda que com seu consentimento, em um bem econ\u00f4mico. Devemos atentar para um aspecto fundamental, que tem um valor intr\u00ednseco enquanto ser humano, n\u00e3o por seu valor econ\u00f4mico\u201d, opinou \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cartum, Sud&atilde;o, 15\/7\/2013 &ndash; Advogados e ativistas pelos direitos humanos reclamam uma mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o sudanesa, que permite o casamento de meninas de apenas dez anos de idade. 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