{"id":15977,"date":"2013-07-16T12:57:35","date_gmt":"2013-07-16T12:57:35","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93204"},"modified":"2013-07-16T12:57:35","modified_gmt":"2013-07-16T12:57:35","slug":"brasil-desarmado-diante-da-invasao-cibernetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/brasil-desarmado-diante-da-invasao-cibernetica\/","title":{"rendered":"Brasil desarmado diante da invas\u00e3o cibern\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93206\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px\"><img class=\"size-medium wp-image-93206\" alt=\"size 590 virus de computador 300x225 Brasil desarmado diante da invas\u00e3o cibern\u00e9tica\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/size_590_virus-de-computador-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"Brasil desarmado diante da invas\u00e3o cibern\u00e9tica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Internet<\/p><\/div>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 16\/7\/2013 \u2013 Como um dos supostos principais alvos do controle cibern\u00e9tico norte-americano, o Brasil tenta destrinchar uma trama de espionagem de tecnologia de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o com recursos artesanais semelhantes aos descritos nas novelas do ingl\u00eas John le Carr\u00e9. O especialista brasileiro em assuntos internacionais Marcos Azambuja disse \u00e0 IPS estar surpreso pelo alcance da opera\u00e7\u00e3o de espionagem de Washington sobre o Brasil, revelada pelo jornal O Globo a partir de informa\u00e7\u00f5es do ex-contratado de intelig\u00eancia norte-americana Edward Snowden.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 viola\u00e7\u00f5es \u00e0 privacidade e interven\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, telegr\u00e1ficas, de emails, e s\u00e3o t\u00e3o vastas e t\u00e3o invasivas que \u00e9 dif\u00edcil encontrar algum paralelo no passado\u201d, afirmou Azambuja, que, entre 1989 e 2003, chefiou a delega\u00e7\u00e3o brasileira para assuntos de desarmamento e direitos humanos junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em Genebra, foi secret\u00e1rio-geral da Chancelaria e embaixador na Argentina e na Fran\u00e7a. \u201cAntes, a espionagem tinha um alvo determinado. Era quase uma atividade artesanal e se agia diante de suspeitas\u201d, recordou. \u201cAgora, as novelas de le Carr\u00e9 parecem escritas na Idade M\u00e9dia. Estamos diante de uma mudan\u00e7a qualitativa e quantitativa da espionagem\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Diante da extrema gravidade da descoberta, o governo brasileiro e dos demais pa\u00edses sul-americanos reagiram duramente. Bras\u00edlia pediu explica\u00e7\u00f5es ao embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon, e iniciou investiga\u00e7\u00f5es para determinar a cumplicidade das empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es em territ\u00f3rio brasileiro. Tamb\u00e9m informou que promover\u00e1 em n\u00edvel internacional o aperfei\u00e7oamento das regras multilaterais sobre a seguran\u00e7a das comunica\u00e7\u00f5es e que apresentar\u00e1 na ONU iniciativas \u201ccom o objetivo de proibir abusos e impedir a invas\u00e3o da privacidade de usu\u00e1rios das redes virtuais\u201d e da soberania.<\/p>\n<p>Entretanto, tudo parece pouco, como admitiu o pr\u00f3prio ministro da Defesa, Celso Amorim, ao ser interpelado pelo parlamento. Em mat\u00e9ria de defesa cibern\u00e9tica, o Brasil ainda \u201cest\u00e1 na inf\u00e2ncia\u201d, afirmou. O or\u00e7amento para a \u00e1rea este ano \u00e9 inferior a US$ 44 milh\u00f5es, um quarto do que destina, por exemplo, a Gr\u00e3-Bretanha. Os documentos divulgados pelo jornal <i>O Globo<\/i> indicam que, na \u00faltima d\u00e9cada, a Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional dos Estados Unidos (NSA) e empresas estrangeiras instaladas no Brasil vigiaram pessoas residentes ou em tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Em janeiro, o Brasil ficou atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos, com 2,3 bilh\u00f5es de telefonemas e emails vigiados por meio de pelo menos tr\u00eas programas de computa\u00e7\u00e3o, situando-se, assim, com um dos alvos de espionagem preferidos de Washington, equipar\u00e1vel a China, R\u00fassia, Ir\u00e3 e Paquist\u00e3o, todos \u201cmais problem\u00e1ticos\u201d para a pot\u00eancia do Norte. Al\u00e9m disso, e pelo menos at\u00e9 2002, afirma-se que Bras\u00edlia foi uma base de espionagem por sat\u00e9lite da NSA e da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA), um \u201cprivil\u00e9gio\u201d de apenas outros 15 centros mundiais e a \u00fanica na Am\u00e9rica do Sul, embora tamb\u00e9m os vizinhos do Brasil tenham sido rastreados.<\/p>\n<p>\u201cEstou surpreso com essa hierarquiza\u00e7\u00e3o do Brasil, que est\u00e1 \u00e0 margem da luta antiterrorista\u201d, afirmou Azambuja. Existe apenas a quest\u00e3o da Tr\u00edplice Fronteira, zona compartilhada por Brasil, Argentina e Paraguai que sempre preocupa Washington pela suposta presen\u00e7a de grupos isl\u00e2micos, negada sistematicamente pelos tr\u00eas pa\u00edses envolvidos. Mas o crime que os Estados Unidos cometem seria mais grave, segundo o diplomata, se a espionagem tiver objetivos ainda \u201cmenos justific\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 a sexta economia mundial, descobriu grandes reservas de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal do Oceano Atl\u00e2ntico, desenvolve alta tecnologia nuclear para fins pac\u00edficos, sua din\u00e2mica ind\u00fastria aeron\u00e1utica compete em licita\u00e7\u00f5es internacionais e tem outras empresas no exterior em \u00e1reas como hidrocarbonos, minera\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o. Cl\u00f3vis Brigag\u00e3o, da Faculdade C\u00e2ndido Mendes, aponta para o papel internacional do Brasil. O motivo pode ser a \u201cpostura independente de Bras\u00edlia em pol\u00edtica internacional\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Brigag\u00e3o acrescentou que Washington pode ter \u201cencontrado neste pa\u00eds outro inimigo fantasma\u201d, por sua pretens\u00e3o de obter um lugar permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU ou por sua postura diante de Turquia e Ir\u00e3. Tamb\u00e9m h\u00e1 as mat\u00e9rias-primas, \u201cque no Brasil envolvem recursos estrat\u00e9gicos\u201d, e a \u201cobsess\u00e3o\u201d de Washington por \u201cmanter sua hegemonia nessa \u00e1rea\u201d. Por sua vez, Celso Pereira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sup\u00f5e que a espionagem seria pelo \u201cpeso internacional do Brasil e pelo tamanho de sua economia\u201d.<\/p>\n<p>O \u201cgoverno brasileiro n\u00e3o \u00e9 irrespons\u00e1vel, tem rela\u00e7\u00f5es normais com o Ir\u00e3 e os pa\u00edses \u00e1rabes\u201d, ao mesmo tempo em que mant\u00e9m \u201cestreitas rela\u00e7\u00f5es com Venezuela, Equador e Bol\u00edvia\u201d, todos com \u201clit\u00edgios importantes com os Estados Unidos\u201d, pontuou Pereira \u00e0 IPS. \u201cN\u00e3o \u00e9 que seja diferente da \u00e9poca da Guerra Fria. A novidade \u00e9 que estamos diante de um novo instrumento de espionagem pela internet, que facilita a invas\u00e3o da soberania e da privacidade das pessoas, e n\u00e3o s\u00f3 dos Estados Unidos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cQuais s\u00e3o as regras deste novo jogo eu n\u00e3o sei\u201d, disse Azambuja. \u201cAntes, a espionagem era contra pa\u00edses rivais, de um car\u00e1ter quase artesanal, mas agora vivemos um momento in\u00e9dito das rela\u00e7\u00f5es internacionais marcado pela capacidade de penetra\u00e7\u00e3o do sistema mundial de comunica\u00e7\u00f5es, por interm\u00e9dio de supercomputadores\u201d, ponderou. \u00c9 uma nova ordem ou \u201cdesordem\u201d internacional, segundo o diplomata, que exige maior desenvolvimento tecnol\u00f3gico nacional, primeiro para determinar o alcance da espionagem.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Brasil aposta em instrumentos como o lan\u00e7amento de um sat\u00e9lite nacional, cabos submarinos \u00f3pticos e um centro de dados de informa\u00e7\u00f5es por internet. Ainda assim h\u00e1 riscos de invas\u00e3o cibern\u00e9tica. O embaixador norte-americano, que negou as den\u00fancias, teria admitido que seu pa\u00eds tem registro de \u201cmetadados\u201d, como os de hor\u00e1rio, frequ\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o de chamadas, e at\u00e9 de tr\u00e1fego de emails, embora supostamente sem aceder ao seu conte\u00fado.<\/p>\n<p>\u201cPor mais que tenhamos prote\u00e7\u00e3o de dados por criptografia, a simples detec\u00e7\u00e3o sobre este tipo de contato j\u00e1 \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o de valor anal\u00edtico para um eventual advers\u00e1rio do pa\u00eds\u201d, explicou o ministro Amorim. Concluindo, Brigag\u00e3o acredita que a regi\u00e3o est\u00e1 diante de um novo crime internacional de \u201cciberespionagem\u201d que exige ser colocado na agenda mundial. Por\u00e9m, Pereira se mostra pessimista a respeito. \u201cNa Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o temos as condi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que possuem os Estados Unidos para espionar e contra-espionar. Isto vai continuar\u201d, opinou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 16\/7\/2013 &ndash; Como um dos supostos principais alvos do controle cibern&eacute;tico norte-americano, o Brasil tenta destrinchar uma trama de espionagem de tecnologia de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o com recursos artesanais semelhantes aos descritos nas novelas do ingl&ecirc;s John le Carr&eacute;. 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