{"id":15989,"date":"2013-06-27T12:16:18","date_gmt":"2013-06-27T12:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=15989"},"modified":"2013-07-17T12:16:38","modified_gmt":"2013-07-17T12:16:38","slug":"jovem-ugandesa-cria-frangos-para-sair-da-pobreza-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/06\/africa\/jovem-ugandesa-cria-frangos-para-sair-da-pobreza-2\/","title":{"rendered":"Jovem ugandesa cria frangos para sair da pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda, 27\/6\/2013, (IPS) &#8211; Eunice Namugerwa, de 18 anos, moradora do assentamento irregular de Kisenyi, na capital de Uganda, decidiu iniciar um neg\u00f3cio para ajudar sua fam\u00edlia. Escreveu tr\u00eas ideias em um peda\u00e7o de papel: cria\u00e7\u00e3o de porcos, de frango ou uma loja de roupas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_15990\" style=\"width: 186px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/eunice0.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15990\" class=\"size-full wp-image-15990\" alt=\"Cr\u00e9dito: Amy Fallon\/IPS Eunice Namugerwa, moradora do assentamento irregular de Kinsenyi, na capital de Uganda, come\u00e7ou a criar frangos para ajudar no sustento da fam\u00edlia.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/eunice0.jpg\" width=\"176\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15990\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Amy Fallon\/IPS<br \/>Eunice Namugerwa, moradora do assentamento irregular de Kinsenyi, na capital de Uganda, come\u00e7ou a criar frangos para ajudar no sustento da fam\u00edlia.<\/p><\/div>\n<p>Nunca suspeitou que seu esp\u00edrito empreendedor a levaria a receber um convite para falar em um encontro de Tecnologia, Entretenimento e Projeto, destinado a difundir e compartilhar ideias, para inspirar outras pessoas.<\/p>\n<p>Namugerwa come\u00e7ou seu neg\u00f3cio por necessidade. Seu pai, o sustento da fam\u00edlia, morreu de aids em 2004. Em 2012, sua m\u00e3e estava muito doente para continuar trabalhando. &#8220;Foi realmente muito dif\u00edcil, porque encontrei muitos obst\u00e1culos&#8221;, contou \u00e0 IPS sobre sua experi\u00eancia desde que, em agosto do ano passado, colocou suas ideias no papel. &#8220;H\u00e1 abuso infantil. O ambiente em que vivemos n\u00e3o \u00e9 bom, muito sujo. Sempre aparece alguma doen\u00e7a. Poder\u00edamos ter morrido de fome em casa. N\u00e3o queria isso, nem mendigar, e busquei uma sa\u00edda&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>As tr\u00eas ideias eram dif\u00edceis e Namugerwa teve que superar v\u00e1rias barreiras antes de poder concretizar uma. Apesar de ter sido obrigada a abandonar v\u00e1rias vezes a escola porque sua fam\u00edlia n\u00e3o podia pagar, aprendeu a tocar flauta e viol\u00e3o gra\u00e7as ao Projeto Mariposa, que capacita os jovens para iniciarem um neg\u00f3cio pr\u00f3prio. Ap\u00f3s descobrir seu talento para o canto, o projeto decidiu financiar seus estudos na Escola de M\u00fasica de Kampala.<\/p>\n<p>Em 2011, come\u00e7ou seu pr\u00f3prio projeto de ajuda a meninos e meninas pobres, ensinando-os a cantar, dan\u00e7ar, atuar e praticar esportes. Mas seu empreendimento seguinte teve de ser para sua fam\u00edlia. Realizou tr\u00eas or\u00e7amentos para cada uma de suas ideias. A jovem n\u00e3o estava segura de haver mercado para uma loja de roupa e pensou que comprar leit\u00f5es para criar sairia muito caro. Assim, decidiu-se pela cria\u00e7\u00e3o de frangos por exigir menos capital.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca conheceu Tiarna Elmer, uma professora brit\u00e2nica e volunt\u00e1ria da Mengo Youth Development Link, que trabalha em favelas de Kampala melhorando a educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o esportiva das crian\u00e7as. Elmer deu a Namugerwa o equivalente a US$ 576 para comprar frangos e alugar um pequeno terreno no distrito de Wakiso, a 30 minutos do assentamento onde vive.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias do ano passado, comprou frangos e, depois, poedeiras. &#8220;Atualmente, em Uganda os ovos custam caro&#8221;, cada um chega a US$ 0,15, contou Namugerwa. Agora ela tem 200 frangos e trabalha no criadouro nos finais de semana e nas f\u00e9rias. Nos outros dias, seu irm\u00e3o de 23 anos cuida da cria\u00e7\u00e3o. O aluguel do terreno lhe custa US$ 11 por m\u00eas. Al\u00e9m disso, junto com uma irm\u00e3 de 22 anos, iniciou um neg\u00f3cio de DVD perto da granja.<\/p>\n<p>A empreendedora ainda n\u00e3o obteve lucro, mas espera come\u00e7ar a receber cerca de US$ 385 mensais dentro de uns dois meses. O dinheiro ser\u00e1 para sua m\u00e3e, que antes sustentava a fam\u00edlia com a fritura de batata, que vendia em um mercado local. Mas agora est\u00e1 de cama. &#8220;Continua muito doente, mas disse que est\u00e1 contente com a ideia porque j\u00e1 n\u00e3o temos que nos preocupar com a comida&#8221;, detalhou Namugerwa, que continua vivendo em Kisenyi. &#8220;A maioria dos meus amigos est\u00e1 orgulhosa do que fa\u00e7o, e alguns dizem que querem fazer o mesmo que eu&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Namugerwa enfrentou v\u00e1rios desafios, como as doen\u00e7as dos frangos e o elevado custo da ra\u00e7\u00e3o. &#8220;Gostaria que houvesse mais mulheres trabalhando em granjas e cuidando de neg\u00f3cios. Gosto de incentivar as ugandenses a encontrarem solu\u00e7\u00f5es para seus problemas. \u00c9 muito importante que as jovens possam se sustentar&#8221;, afirmou a jovem. Muitas de suas amigas deixaram a escola e engravidaram.<\/p>\n<p>Estima-se que quatro em cada cinco mulheres trabalham no setor agr\u00edcola em Uganda, segundo uma Pesquisa de Produtividade e G\u00eanero, realizada pelo Centro de Pesquisa em Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, em 2008. A organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica Send a Cow, que oferece capacita\u00e7\u00e3o, gado, sementes e apoio familiar em sete pa\u00edses africanos, afirmou que a maioria dos agricultores \u00e9 de mulheres, pois s\u00e3o elas que tradicionalmente se dedicam \u00e0 terra e ao sustento da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Richie Alford, diretor de impacto e desenvolvimento da Send a Cow, disse \u00e0 IPS que criar frangos \u00e9 uma boa forma para crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s melhorarem e diversificarem sua dieta com prote\u00edna animal e come\u00e7arem a gerar uma renda sustent\u00e1vel a partir de ovos e frangos. &#8220;As fezes do frango tamb\u00e9m podem servir de adubo nos jardins, pois aumenta a fertilidade do solo e sua reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>O diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura, Jos\u00e9 Graziano da Silva, declarou, no come\u00e7o do ano, durante visita ao pa\u00eds, que se d\u00e1 pouca aten\u00e7\u00e3o ao papel das camponesas em garantir o sustento de suas fam\u00edlias, apesar de desempenharem um papel fundamental na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e na alimenta\u00e7\u00e3o de seus familiares.<\/p>\n<p>A popular artista ugandense Annet Nandujja \u00e9 um exemplo para Namugerwa. Esta mulher dedicada \u00e0 m\u00fasica, com cerca de 50 anos, teve uma granja de frangos em Kampala por oito anos. Em geral, os m\u00fasicos n\u00e3o gostam de se envolver com o pouco charmoso mundo da agricultura, disse \u00e0 IPS. &#8220;Todos os dias incentivamos as mulheres dizendo que n\u00e3o esperem sentadas seus maridos darem o que precisam. Devem abrir caminho fazendo algo assim. Uma mulher pode querer ficar em casa, mas tamb\u00e9m pode faz\u00ea-lo dedicando-se a isto&#8221;, acrescentou. Envolverde\/IPS (FIN\/2013)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda, 27\/6\/2013, (IPS) &#8211; Eunice Namugerwa, de 18 anos, moradora do assentamento irregular de Kisenyi, na capital de Uganda, decidiu iniciar um neg\u00f3cio para ajudar sua fam\u00edlia. 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