{"id":16033,"date":"2013-07-18T12:47:33","date_gmt":"2013-07-18T12:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93506"},"modified":"2013-07-18T12:47:33","modified_gmt":"2013-07-18T12:47:33","slug":"quenia-agricola-entre-a-tradicao-e-a-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/quenia-agricola-entre-a-tradicao-e-a-inovacao\/","title":{"rendered":"Qu\u00eania agr\u00edcola entre a tradi\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93507\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Quenia.jpg\"><img class=\" wp-image-93507 \" alt=\"Quenia Qu\u00eania agr\u00edcola entre a tradi\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Quenia.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Qu\u00eania agr\u00edcola entre a tradi\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A pequena agricultura do Qu\u00eania est\u00e1 em risco por consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, como a falta de \u00e1gua. Foto: Miriam Gathigah\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 18\/7\/2013 \u2013 No atual contexto em que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica representa uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e ao sustento dos pequenos agricultores, o Qu\u00eania tem a op\u00e7\u00e3o de apelar para novas tecnologias ou voltar-se ao conhecimento tradicional e se apoiar na biodiversidade local. Dados do Minist\u00e9rio da Agricultura indicam que cerca de cinco milh\u00f5es dos oito milh\u00f5es de fam\u00edlias do pa\u00eds dependem diretamente desta atividade para sobreviver. Contudo, os produtores, especialmente os de pequena escala, vivem tempos de incerteza devido aos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos. Os informes da \u00faltima safra reafirmam a preocupante tend\u00eancia dos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>\u201cUma grande quantidade de rios e riachos atualmente t\u00eam menos \u00e1gua ou secam totalmente quando n\u00e3o chove\u201d, disse \u00e0 IPS Joshua Kosgei, respons\u00e1vel de extens\u00e3o agr\u00edcola em Elburgon, na prov\u00edncia Vale do Rift. O documento preparado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) para este pa\u00eds indica que as chuvas que ca\u00edram entre outubro e dezembro do ano passado foram bem menores do que a m\u00e9dia. \u201cV\u00e1rios po\u00e7os secos prejudicaram a germina\u00e7\u00e3o, o que exigiu que se voltasse a plantar (at\u00e9 tr\u00eas vezes), e os cultivos murcharam e secaram\u201d, acrescenta o informe.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto de Pesquisa Agr\u00edcola do Qu\u00eania (Kari), mais de dez milh\u00f5es dos 40 milh\u00f5es de quenianos sofrem inseguran\u00e7a alimentar, a maioria deles vivendo da assist\u00eancia. O setor agr\u00edcola representa 25% do produto interno bruto e pelo menos 60% das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Estat\u00edsticas oficiais mostram que a produ\u00e7\u00e3o de pequena escala representa 75% do total e 70% do que se comercializa. O ch\u00e1, um dos principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o, que gera cerca de US$ 1,17 bilh\u00e3o, segundo o Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas, \u00e9 um dos cultivos que corre maior risco. Especialistas estimam que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica poder\u00e1 custar aos produtores 30% de sua renda.<\/p>\n<p>Kiama Njoroge, respons\u00e1vel de extens\u00e3o agr\u00edcola na prov\u00edncia Central, disse \u00e0 IPS que \u201co ch\u00e1 \u00e9 um produto muito sens\u00edvel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Isso faz com que cerca de 500 mil pequenos agricultores vivam na incerteza\u201d. Joel Nduati, pequeno agricultor desta prov\u00edncia, ressaltou que \u201ca falta de informa\u00e7\u00e3o sobre interven\u00e7\u00f5es para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 nosso principal problema\u201d. Outra dificuldade \u00e9 o estresse h\u00eddrico: \u201cmuita \u00e1gua quando n\u00e3o precisamos e depois per\u00edodos prolongados de po\u00e7os secos. Necessitamos variedade de cultivos que possam aguentar as mudan\u00e7as\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Kosgei, j\u00e1 foram desenvolvidas interven\u00e7\u00f5es contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o que falta \u00e9 uma forma efetiva de pass\u00e1-las aos agricultores. \u201cPor exemplo, a Funda\u00e7\u00e3o para a Pesquisa do Ch\u00e1 do Qu\u00eania desenvolveu 45 variedades, mas os agricultores ainda n\u00e3o as adotaram porque nem mesmo sabem que existem\u201d, pontuou. O Kari criou cinco novas variedades de batata e v\u00e1rias outras de couve. \u201cPor\u00e9m, quantos agricultores est\u00e3o inteirados de sua exist\u00eancia, quanto mais pensar em adot\u00e1-las?\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A difus\u00e3o deste tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil pela falta de trabalhadores de extens\u00e3o. A FAO recomenda que haja um para cada 400 produtores, mas o Qu\u00eania tem um para cada 1.500, segundo a Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Rural e Agr\u00edcola Internacional. Os pequenos agricultores quenianos produzem apenas um quinto de sua capacidade, contou Kosgei. Entretanto, nem todos concordam com a avalia\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA solu\u00e7\u00e3o \u00e9 voltar ao conhecimento ind\u00edgena, promovido por um amplo movimento agroecol\u00f3gico local\u201d, disse \u00e0 IPS Gathuru Mburu, coordenador da Rede de Biodiversidade Africana. \u201c\u00c9 um enfoque que combina estrat\u00e9gias agr\u00edcolas sem produtos qu\u00edmicos\u201d, acrescentou. \u201cN\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o adequada porque s\u00e3o usados muitos qu\u00edmicos. A agroecologia utiliza adubo animal. As sobras da colheita anterior tamb\u00e9m podem servir como adubo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Njoroge concordou, e acrescentou que pa\u00edses como Ruanda, Eti\u00f3pia e Gana est\u00e3o conseguindo avan\u00e7os significativos em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a alimentar e na melhoria do sustento mediante o conhecimento ind\u00edgena. Para alguns especialistas, no entanto, a agroecologia se assemelha a dar \u00e0s costas \u00e0s novas tecnologias que t\u00eam enorme potencial. \u201cCriminalizar os qu\u00edmicos n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o\u201d, opinou John Kamangu, pesquisador especializado em biodiversidade, consultado pela IPS. \u201cPrecisamos de modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que nos permitam produzir sementes que suportem temperaturas mais altas e chuvas mais forte\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Mburu se op\u00f5e a depender das grandes multinacionais da agroind\u00fastria para desenvolver estrat\u00e9gias contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e alertou que esse caminho n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fico para a \u00c1frica. \u201cOs governos africanos entregam a responsabilidade que t\u00eam pelo setor agr\u00edcola e criam um espa\u00e7o para que as multinacionais ofere\u00e7am financiamento enquanto exploram o continente\u201d, afirmou. \u201cEssas empresas desenvolvem e vendem qu\u00edmicos. Suas sementes costumam precisar de muitos desses produtos para se desenvolverem e s\u00f3 prosperam em \u00e1reas espec\u00edficas\u201d, advertiu Mburu.<\/p>\n<p>Kosgei concorda que a agroind\u00fastria se preocupa com o lucro, n\u00e3o com alimentar a popula\u00e7\u00e3o africana. Para Mburu, \u00e9 preocupante que, ao deixar o caminho livre para as multinacionais, o governo adote pol\u00edticas que prejudiquem os pequenos agricultores, que continuam produzindo pelo menos 70% dos alimentos deste pa\u00eds. \u201cAs multinacionais est\u00e3o por tr\u00e1s de v\u00e1rias pol\u00edticas para criminalizar os pequenos agricultores. Algumas das medidas previstas s\u00e3o uma lei de sementes e outra contra as falsifica\u00e7\u00f5es\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Esse \u00faltimo projeto de lei \u201cpromove as sementes certificadas. Nosso povo que usa as aut\u00f3ctones (n\u00e3o certificadas) j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e1 faz\u00ea-lo quando a lei estiver vigorando\u201d, alertou Mburu. \u201cEssas sementes nada t\u00eam a ver com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. S\u00e3o controladas por seis grandes transnacionais e representam investimento milion\u00e1rio, al\u00e9m de n\u00e3o serem adequadas para nosso ecossistema em compara\u00e7\u00e3o com as aut\u00f3ctones\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 18\/7\/2013 &ndash; No atual contexto em que a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica representa uma amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a alimentar e ao sustento dos pequenos agricultores, o Qu&ecirc;nia tem a op&ccedil;&atilde;o de apelar para novas tecnologias ou voltar-se ao conhecimento tradicional e se apoiar na biodiversidade local. 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