{"id":1604,"date":"2006-03-22T00:00:00","date_gmt":"2006-03-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1604"},"modified":"2006-03-22T00:00:00","modified_gmt":"2006-03-22T00:00:00","slug":"agua-a-tecnologia-nao-basta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/03\/america-latina\/agua-a-tecnologia-nao-basta\/","title":{"rendered":"\u00c1gua: A tecnologia n\u00e3o basta"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 22\/03\/2006 &ndash; Depois de trocar as bombas a motor para extrair \u00e1gua em zonas rurais da Nicar\u00e1gua por outras \u00e0 base de corda e manivela, mais baratas e de f\u00e1cil instala\u00e7\u00e3o, o abastecimento h\u00eddrico aumentou 23% nesse pa\u00eds, tr\u00eas vezes mais r\u00e1pido do que seus vizinhos. Esse exemplo, entre outros, foi divulgado no IV F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, que acontece no M\u00e9xico, onde 320 empresas de 27 pa\u00edses apresentaram seus produtos e servi\u00e7os, muitos dos quais est\u00e3o nas zonas mais pobres do mundo, mas sempre com \u00eaxito. <!--more--> &quot;H\u00e1 tecnologias para enfrentar os problemas de \u00e1gua e saneamento que s\u00e3o baratas e sustent\u00e1veis, mas n\u00e3o funcionam para todos os casos, pois n\u00e3o consideram o contexto e as pessoas&quot;, disse \u00e1 IPS o peruano Fernando Chanduvi, um ex-funcion\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO). Chanduvi promoveu no F\u00f3rum o uso de bombas movidas a pedais para extrair \u00e1gua de po\u00e7o, cujo custo \u00e9 de aproximadamente US$ 100. Em um pequeno espa\u00e7o nos corredores do local onde acontece o F\u00f3rum, o peruano explica a centenas de visitantes o funcionamento da bomba, instalada em 500 mil pontos de regi\u00f5es pobres de Bangladesh.<\/p>\n<p>Alice Bouman, presidente do n\u00e3o-governamental Women for Water Partnership, com sede na Holanda, disse \u00e0 IPS que os avan\u00e7os na tecnologia relacionada \u00e0 \u00e1gua e ao saneamento s\u00e3o &quot;incr\u00edveis&quot;, mas advertiu que n\u00e3o servem de nada &quot;se n\u00e3o forem parte de planos definidos pelas pr\u00f3prias comunidades&quot;. No mundo, quatro em cada 10 pessoas carecem de acesso a uma latrina e duas em cada 10 n\u00e3o contam com \u00e1gua pot\u00e1vel. Al\u00e9m disso, somente a metade da popula\u00e7\u00e3o tem \u00e1gua pr\u00f3pria para beber dentro de suas casas e entre 30% e 40% desse recurso se perde nas redes por vazamentos nas tubula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A falta de acesso \u00e0 \u00e1gua e ao saneamento \u00e9 um drama para os pobres. Oitenta por cento das doen\u00e7as que se apresentam em pa\u00edses em desenvolvimento est\u00e3o vinculadas \u00e1 \u00e1gua, como c\u00f3lera, tifo, doen\u00e7a do verme da Guin\u00e9 e diarr\u00e9ia. Mais de um milh\u00e3o de pessoas morrem por ano somente por causa da mal\u00e1ria, enfermidade transmitida por mosquitos que incubam seus ovos em \u00e1gua parada. Com as t\u00e9cnicas existentes se poderia fazer muito para minimizar esses problemas, mas estas nem sempre chegam e, quando chegam, podem n\u00e3o ser \u00fateis.<\/p>\n<p>As bombas de corda e manivela que funcionaram muito bem na Nicar\u00e1gua, extraindo \u00e1gua de at\u00e9 35 metros de profundidade, n\u00e3o tiveram sucesso em pa\u00edses da \u00c1frica, como reconhece em documento divulgado no M\u00e9xico a Netherlands Water Partnership da Holanda, que promove o uso desta tecnologia. A organiza\u00e7\u00e3o informou que na Nicar\u00e1gua, nos anos 90, foram instaladas 50 mil bombas de corda fabricadas pelos pr\u00f3prios moradores, que substitu\u00edram as importadas movidas a motor. Gra\u00e7as a essa mudan\u00e7a, a extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em zonas rurais aumentou 23% na \u00faltima d\u00e9cada, tr\u00eas vezes mais r\u00e1pido do que nos demais pa\u00edses centro-americanos.<\/p>\n<p>Segundo essa organiza\u00e7\u00e3o, &quot;um dos obst\u00e1culos para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio no tocante \u00e0 \u00e1gua e a redu\u00e7\u00e3o da pobreza est\u00e1 na escolha errada das tecnologias&quot;, que podem ser muito caras ou complexas para os usu\u00e1rios. Entre esses objetivos, adotados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 2000, os governos do mundo se comprometeram a reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o de pessoas sem \u00e1gua pot\u00e1vel, at\u00e9 2015. Chanduvi, aposentado da FAO que agora promove uma bomba semelhante \u00e0 usada na Nicar\u00e1gua, mas n\u00e3o com pedal, n\u00e3o concorda totalmente com o ponto de vista da Netherlands Water Partnerships.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o relacionada apenas \u00e0 tecnologia que se usa, disse. &quot;Se n\u00e3o se adaptarem os avan\u00e7os, sejam quais forem, \u00e0 realidade de cada comunidade e as pessoas participarem, o fracasso est\u00e1 garantido&quot;, afirmou. O stand de Chanduvi, que trabalha para a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental su\u00ed\u00e7a \u00c1gua para o Terceiro Mundo, foi um dos mais concorridos no F\u00f3rum. Camponeses e delegados governamentais se juntavam periodicamente em torno dele para ver sua demonstra\u00e7\u00e3o da bomba de pedal instalada em volta alguns recipientes de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Outro stand muito visitado foi o dos chamados banheiros inteligentes, da empresa norte-americana Waterless. Esta companhia \u00e9 pioneira na fabrica\u00e7\u00e3o de sanit\u00e1rios que n\u00e3o precisam de \u00e1gua, os quais, segundo a firma, economizam mais de cem mil litros de \u00e1gua, que \u00e9 o que consome um sanit\u00e1rio normal em um ano. &quot;Quando a urina cai no recipiente atravessa o l\u00edquido especial (biodegrad\u00e1vel e com uma gravidade espec\u00edfica) este flutua sobre a urina, a qual \u00e9 expulsa pelo sistema normal de drenagem sem necessidade de \u00e1gua&quot;, explicou Chirstoph Kubtiza, gerente de vendas internacionais da empresa.<\/p>\n<p>&quot;Nos Estados Unidos demoramos sete anos para convencer as pessoas de que estes sanit\u00e1rios s\u00e3o ecol\u00f3gicos, higi\u00eanicos e n\u00e3o necessitam de \u00e1gua. Agora, estamos fazendo isso em outras partes do mundo&quot;, disse. No F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua foram divulgadas tecnologias como essa, e outras, bem como purificadores solares, banheiros que n\u00e3o precisam de \u00e1gua e latrinas que s\u00e3o instaladas em duas horas. Tamb\u00e9m houve novidades duvidosas, como sistemas digitais para determinar vazamentos e outros problemas na rede de \u00e1gua, tubula\u00e7\u00f5es especiais de grande resist\u00eancia e sistemas automatizados de purifica\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise da \u00e1gua. Participaram do F\u00f3rum, que come\u00e7ou quinta-feira passada e termina nesta quarta-feira, cerca de 13 mil pessoas entre delegados de governos, empres\u00e1rios e especialistas da ONU. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 22\/03\/2006 &ndash; Depois de trocar as bombas a motor para extrair \u00e1gua em zonas rurais da Nicar\u00e1gua por outras \u00e0 base de corda e manivela, mais baratas e de f\u00e1cil instala\u00e7\u00e3o, o abastecimento h\u00eddrico aumentou 23% nesse pa\u00eds, tr\u00eas vezes mais r\u00e1pido do que seus vizinhos. 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