{"id":16041,"date":"2013-07-22T11:40:16","date_gmt":"2013-07-22T11:40:16","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93772"},"modified":"2013-07-22T11:40:16","modified_gmt":"2013-07-22T11:40:16","slug":"terramerica-nao-comeras-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/terramerica-nao-comeras-carne\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 N\u00e3o comer\u00e1s carne\u2026"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93773\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 340px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/VacasHolsteinBigstock.jpg\"><img class=\" wp-image-93773 \" alt=\"VacasHolsteinBigstock TERRAM\u00c9RICA   N\u00e3o comer\u00e1s carne... \" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/VacasHolsteinBigstock.jpg\" width=\"330\" height=\"220\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   N\u00e3o comer\u00e1s carne... \" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Exemplares de gado Holstein submetidos a cria\u00e7\u00e3o intensiva. Foto: Bigstock<\/p><\/div>\n<p><em>Na obesa sociedade mexicana, o movimento Segunda sem Carne come\u00e7a a sacudir os maus h\u00e1bitos.<\/em><\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 22 de julho de 2013 (Terram\u00e9rica).- O d\u00e9cimo primeiro mandamento poderia ser: \u201cn\u00e3o comer\u00e1s carne&#8230; pelo menos um dia por semana\u201d. Esse objetivo, modesto em um mundo cada vez mais carn\u00edvoro, \u00e9 buscado por um movimento que ganhou for\u00e7a nos Estados Unidos em 2003 e que se estende lentamente na Am\u00e9rica Latina, com presen\u00e7a no M\u00e9xico, Panam\u00e1 e Brasil.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma ferramenta para convidar as pessoas a variarem, de forma simples, sua dieta e diminuir o consumo de carne\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a presidente do cap\u00edtulo mexicano do Segunda sem Carne, Ana Arizmendi. \u201cE chega em um momento muito conjuntural: o pa\u00eds tem uma crise de sa\u00fade p\u00fablica, e tanto os indiv\u00edduos como as inst\u00e2ncias pol\u00edticas e privadas est\u00e3o muito receptivas a se abrirem a alternativas saud\u00e1veis\u201d, acrescentou. Esse problema \u00e9 a obesidade.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds com mais de 118 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 um dos mais gordos do mundo, superando inclusive os Estados Unidos, afirma o documento <i>O Estado Mundial da Agricultura e da Alimenta\u00e7\u00e3o 2013<\/i>, publicado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). A obesidade afeta 32,8% das pessoas adultas, e mais de 30% das crian\u00e7as entre cinco e 11 anos s\u00e3o obesas ou t\u00eam sobrepeso, afirma a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade e Nutri\u00e7\u00e3o 2012. Pelo menos 6,4 milh\u00f5es de mexicanos sofrem de diabete.<\/p>\n<p>\u201cA raiz da obesidade \u00e9 multifatorial, e uma delas \u00e9 balancear muito mais nossa alimenta\u00e7\u00e3o e reduzir o consumo de carne e embutidos\u201d, afirma a nutricionista, formada na Universidade de Le\u00f3n, na Espanha, e respons\u00e1vel pela iniciativa no M\u00e9xico desde 2011. O Segunda sem Carne tem uma origem remota, a Primeira Guerra Mundial (1914-1919), quando o governo dos Estados Unidos come\u00e7ou a promover uma queda no consumo popular de carne e de trigo para aumentar as reservas de suas tropas e aliados.<\/p>\n<p>O ex-publicit\u00e1rio norte-americano Sid Lerner ressuscitou o conceito em 2003, em associa\u00e7\u00e3o com o Center for a Livable Future, da Universidade Johns Hopkins. A campanha defende uma redu\u00e7\u00e3o na ingest\u00e3o de carne vermelha para minimizar o risco de diabetes, hipertens\u00e3o, c\u00e2ncer e doen\u00e7as cardiovasculares, e tamb\u00e9m para reduzir os impactos ambientais da pecu\u00e1ria intensiva.<\/p>\n<p>A FAO estima que a ind\u00fastria de carnes responda por um quinto dos gases-estufa liberados por atividades humanas. O gado necessita de muita mais \u00e1gua do que as hortali\u00e7as e os cereais e sua produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m implica grande consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, na carne \u201cmuitas vezes se usa glutamato monoss\u00f3dico, e esse aditivo cont\u00e9m riscos para a sa\u00fade. Promovemos que se evite o consumo de alimentos e bebidas industrializadas, por conterem quantidades alt\u00edssimas de gordura, sal e a\u00e7\u00facar\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a pesquisadora em sa\u00fade alimentar da organiza\u00e7\u00e3o O Poder do Consumidor, Katia Garc\u00eda. Para ela, se deveria retornar aos h\u00e1bitos da dieta tradicional mexicana, \u201calta em fibra, vitaminas, minerais e prote\u00ednas de grande valor nutritivo, e consumo apenas de \u00e1gua pot\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>O Poder do Consumidor \u00e9 uma das 22 organiza\u00e7\u00f5es que formam a Alian\u00e7a pela Sa\u00fade Alimentar que conduz a campanha contra bebidas gasosas intitulada \u201cVoc\u00ea comeria 12 colheres de a\u00e7\u00facar?\u201d. A aten\u00e7\u00e3o com os diab\u00e9ticos custou aos cofres mexicanos US$ 3,872 bilh\u00f5es em 2012, segundo estimativas da Pesquisa Nacional. Contudo, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mudar os h\u00e1bitos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um estilo alimentar \u00fanico, nossa responsabilidade \u00e9 encontrar o que nos mantenha saud\u00e1veis\u201d, opinou Arizmendi, cujos pacientes s\u00e3o majoritariamente mulheres entre 25 e 45 anos.<\/p>\n<p>Este ano, o Segunda sem Carne prepara um intenso programa de difus\u00e3o por internet e redes sociais, junto com capacita\u00e7\u00e3o para promotores, cursos e pain\u00e9is em escolas e restaurantes de empresas. \u201cAinda n\u00e3o conseguimos que algum munic\u00edpio se comprometesse em ter segundas-feiras sem carne, mas agora queremos fazer esse tipo de difus\u00e3o municipal e em empresas e escolas. \u00c9 algo novo, e tem muito campo para percorrer\u201d, ressaltou Arizmendi, que se declara on\u00edvora.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, o movimento organiza uma campanha dirigida \u00e0 comunidade hisp\u00e2nica, que imitou os maus h\u00e1bitos da mesa norte-americana, repleta de gorduras, sal, a\u00e7\u00facar e farinhas. Deste lado da fronteira, o fen\u00f4meno se repete. Conforme melhorou a renda m\u00e9dia das fam\u00edlias mexicanas nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, aumentou o consumo de carnes, um s\u00edmbolo de ascens\u00e3o social.<\/p>\n<p>Em 1970, o consumo de carnes era de 23 quilos por pessoa, em 1990 subiu para 34, e agora \u00e9 de 63 quilos, segundo o Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00e3o Agroalimentar e Pesqueira. A carne de ave encabe\u00e7a as prefer\u00eancias da dieta carn\u00edvora mexicana, com 29,5 quilos, seguida da bovina, com 17,4, e da su\u00edna, com 15 quilos. Na Am\u00e9rica Latina, o Uruguai \u00e9 o campe\u00e3o do consumo de carnes, com 98 quilos por pessoa, seguido de Argentina, com 96,9, Brasil, com 85,3, e Chile, com 73,9.<\/p>\n<p>A variedade da gastronomia mexicana oferece muitas op\u00e7\u00f5es apetitosas e nutritivas. \u201cPode-se misturar um cereal e uma oleaginosa. Por exemplo, as prote\u00ednas da tortilha e do feij\u00e3o se complementam e aumentam seu valor proteico. \u00c9 importante o consumo de prote\u00edna para evitar algum tipo de defici\u00eancia, e a prote\u00edna vegetal tem maior benef\u00edcio\u201d, afirma Garc\u00eda.<\/p>\n<p>Muitas celebridades aderiram ao Segunda sem Carne, presente em mais de 23 pa\u00edses. E s\u00e3o v\u00e1rias as cidades que adotaram a iniciativa em hospitais, escolas, escrit\u00f3rios e restaurantes. O governo mexicano prepara uma pol\u00edtica espec\u00edfica para a obesidade, que incluir\u00e1 medidas reguladoras para os alimentos. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* O autor \u00e9 correspondente\u00a0da IPS.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LINKS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/noticias\/o-mundo-aponta-para-o-metano\/\" >O mundo aponta para o metano<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/terramerica\/terramerica-%E2%80%93-venenos-ocultos\/\" >Venenos ocultos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2010\/08\/comida-chatarra-pervive-en-colegios-de-mexico\/\" >Comida \u201cchatarra\u201d sobrevive em escolas do M\u00e9xico, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2010\/05\/paliativos-contra-una-epidemia-agobiante-en-mexico\/\" >Paliativos contra uma epidemia inquietante no M\u00e9xico, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.tierramerica.info\/nota.php?lang=port&amp;idnews=3369&amp;olt=457\" >Em busca de uma pecu\u00e1ria sem metano<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2008\/07\/salud-mexico-los-genes-de-la-obesidad-propia\/\" >Os genes da obesidade pr\u00f3pria, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.tierramerica.info\/nota.php?lang=port&amp;idnews=2838&amp;olt=373\" >Como expiar os pecados da carne bovina<\/a><\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na obesa sociedade mexicana, o movimento Segunda sem Carne come&ccedil;a a sacudir os maus h&aacute;bitos. 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