{"id":16049,"date":"2013-07-23T13:14:04","date_gmt":"2013-07-23T13:14:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=93923"},"modified":"2013-07-23T13:14:04","modified_gmt":"2013-07-23T13:14:04","slug":"tortura-importada-atormenta-a-polonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/tortura-importada-atormenta-a-polonia\/","title":{"rendered":"Tortura importada atormenta a Pol\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_93924\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Guantanamo-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-93924 \" alt=\"Guantanamo 629x419 Tortura importada atormenta a Pol\u00f4nia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Guantanamo-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Tortura importada atormenta a Pol\u00f4nia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Foi descoberto que a Pol\u00f4nia abrigou uma pris\u00e3o secreta da CIA. Em Guant\u00e2namo, Cuba, os Estados Unidos mant\u00eam outro centro ilegal de deten\u00e7\u00e3o. Protestos por ocasi\u00e3o dos dez anos dessa pris\u00e3o, em janeiro de 2012. Foto: Anistia Internacional\/Christoph Koettl\/CC By 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vars\u00f3via, Pol\u00f4nia, 23\/7\/2013 \u2013 O \u00fanico sinal vital do \u201caeroporto internacional\u201d de Szymany s\u00e3o os mosquitos que se lan\u00e7am sobre o raro visitante. O port\u00e3o est\u00e1 fechado com um cadeado e uma corrente enferrujada. A evid\u00eancia indica que os \u00faltimos viajantes que passaram por aqui foram agentes da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) dos Estados Unidos e seus prisioneiros. Isso foi em 2003. Pouco depois, este aeroporto, que fica 180 quil\u00f4metros ao norte de Vars\u00f3via, no pitoresco bosque de Mazury, foi desativado.<\/p>\n<p>Obrigadas pela lei de liberdade de informa\u00e7\u00e3o, as autoridades aeron\u00e1uticas da Pol\u00f4nia revelaram que pelo menos 11 avi\u00f5es da CIA aterrissaram em Szymany e que alguns de seus passageiros permaneceram neste pa\u00eds. A Organiza\u00e7\u00e3o Europeia para a Seguran\u00e7a da Navega\u00e7\u00e3o A\u00e9rea (Eurocontrol) n\u00e3o foi informada sobre esses voos. De Szymany os prisioneiros eram levados para uma academia de intelig\u00eancia pr\u00f3xima, em Stare Kiejkuty, onde a CIA contava com instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Em 2006, alguns meses depois de ficar conhecido que a Pol\u00f4nia abrigava uma pris\u00e3o secreta da CIA, o ombudsman (defensor do povo) Janusz Kochanowski visitou o lugar e descobriu que seus pavilh\u00f5es estavam completamente reformados. Segundo uma fonte de intelig\u00eancia citada pelo jornal <i>The New York Times<\/i>, a pris\u00e3o polonesa foi a mais importante desses locais secretos da CIA, onde supostos suspeitos de terrorismo eram submetidos a interrogat\u00f3rios com torturas proibidas nos Estados Unidos. A fonte afirmou que a Pol\u00f4nia foi escolhida \u201cporque seus oficiais de intelig\u00eancia estavam desejosos para cooperar\u201d.<\/p>\n<p>Rom\u00eania e Litu\u00e2nia s\u00e3o outros dois pa\u00edses europeus com pris\u00f5es secretas conhecidas, mas n\u00e3o confirmadas. As demais estavam na \u00c1sia e no norte da \u00c1frica. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos acreditam que cerca de oito presos permaneceram na Pol\u00f4nia, entre eles Jalid Sheij Mohammad, o paquistan\u00eas que confessou ser o c\u00e9rebro dos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. Para outros dois homens, atualmente presos na base militar de Guant\u00e2namo, foi reconhecido seu <i>status<\/i> de \u201cpessoas feridas\u201d no curso da atual investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 Abd al-Rahim al-Nashiri, um saudita que supostamente organizou em 2000 a explos\u00e3o do navio norte-americano USS Cole. Ele denunciou que, nos sete meses que passou em Stare Kiejkuty, seus captores o mantiveram nu, encapuzado e acorrentado, o submeteram a simula\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o e amea\u00e7aram violar membros de sua fam\u00edlia. O segundo, um palestino conhecido como Abu Zubaydah, denunciou que sofreu castigos f\u00edsicos muito dolorosos, torturas psicol\u00f3gicas e simula\u00e7\u00f5es de afogamento.<\/p>\n<p>As autoridades polonesas que aceitaram estas pr\u00e1ticas norte-americanas violaram a Constitui\u00e7\u00e3o ao ceder o controle sobre uma parte do territ\u00f3rio nacional a um poder estrangeiro e ao permitirem que ali fossem cometidos crimes. As cr\u00edticas se dirigem principalmente ao atual presidente da opositora Alian\u00e7a da Esquerda Democr\u00e1tica, Leszek Miller, que foi primeiro-ministro entre 2001 e 2004. H\u00e1 quem pe\u00e7a que ele seja submetido a um tribunal especial para julgar altos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>As autoridades abriram uma investiga\u00e7\u00e3o penal em mar\u00e7o de 2008. \u201cIsto indica que na Pol\u00f4nia rege o Estado de direito\u201d, disse \u00e0 IPS o senador Jozef Pinior. \u201cPor\u00e9m, \u00e9 preocupante a demora. O caso j\u00e1 passou por tr\u00eas escrit\u00f3rios de promotores. Parece que tentam ganhar tempo\u201d, alertou. Pinior, um dos dirigentes do movimento opositor Solidariedade, da d\u00e9cada de 1980, e mais tarde membro do Parlamento Europeu, h\u00e1 tempos pressiona para que se investigue a fundo o que a CIA fazia neste pa\u00eds e se apresentou como testemunha em duas ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Pinior garante ter visto um documento sobre uma pris\u00e3o da CIA com a assinatura do ent\u00e3o primeiro-ministro Miller. \u201cO governo polon\u00eas, e Miller em especial, devia saber que a exist\u00eancia desses locais no territ\u00f3rio nacional n\u00e3o tinham base legal\u201d, pontuou. \u201cTamb\u00e9m deveriam saber das torturas. A Pol\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 uma rep\u00fablica bananeira, nossos servi\u00e7os de seguran\u00e7a n\u00e3o fazem tais coisas pelas costas do governo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro quanto as autoridades sabiam sobre Stare Kiejkuty. Alguns ex-funcion\u00e1rios negam com veem\u00eancia sua exist\u00eancia, enquanto outros a admitem, mas recha\u00e7ando toda responsabilidade. \u201cNaturalmente que tudo o que aconteceu foi com meu conhecimento\u201d, disse o ex-presidente Aleksander Kwasniewski (1995-2005) em uma entrevista ao jornal <i>Gazeta Wyborcza<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cO presidente e o primeiro-ministro aceitaram cooperar com os servi\u00e7os secretos dos Estados Unidos porque assim exigia o interesse nacional. A decis\u00e3o de cooperar com a CIA trazia consigo o risco de eles usarem m\u00e9todos inaceit\u00e1veis. Mas, se um agente da CIA trata brutalmente um prisioneiro em um hotel da rede Marriott de Vars\u00f3via, voc\u00ea acusaria os diretores do hotel?\u201d, perguntou Kwasniewski.<\/p>\n<p>At\u00e9 a agora a Pol\u00f4nia \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que investiga as pris\u00f5es secretas. A Litu\u00e2nia encerrou sua investiga\u00e7\u00e3o sem chegar a conclus\u00e3o alguma. Os funcion\u00e1rios asseguram que os atrasos se devem \u00e0 falta de coopera\u00e7\u00e3o do governo norte-americano. Em uma pesquisa feita pela consultoria SW Research em junho, 82% das pessoas entrevistadas disseram que este assunto deve ser esclarecido e 78% afirmaram que os respons\u00e1veis por abusos e por violar a Constitui\u00e7\u00e3o devem ser julgados.<\/p>\n<p>\u201cNos Estados Unidos se faz vista grossa. Inclusive, se houve torturas n\u00e3o t\u00eam vontade de ir atr\u00e1s dos criminosos. Portanto, a Pol\u00f4nia tem uma enorme responsabilidade em prosseguir a investiga\u00e7\u00e3o e encontrar os culpados. Seria um exemplo inspirador para o resto do mundo\u201d, disse \u00e0 IPS o advogado Ramzi Kassem, defensor de v\u00e1rios presos de Guant\u00e2namo. Kassem acrescentou que, do contr\u00e1rio, a Pol\u00f4nia se mostrar\u00e1 como um \u201cgoverno t\u00edtere, pronto para fazer o trabalho sujo dos Estados Unidos, tal como faziam na \u00e9poca Jord\u00e2nia, Egito e outras ditaduras, detendo e torturando gente porque Washington pedia\u201d.<\/p>\n<p>Embora nenhum dos grandes partidos pol\u00edticos da Pol\u00f4nia queira que saia \u00e0 luz a coopera\u00e7\u00e3o com a CIA, o senador Pinior se manifesta \u201ccautelosamente otimista\u201d. Segundo ele, \u201cqualquer tentativa de encobrimento seria uma enorme vergonha. Creio que a democracia e as institui\u00e7\u00f5es polonesas s\u00e3o muito fortes para serem manipuladas\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, 23\/7\/2013 &ndash; O &uacute;nico sinal vital do &ldquo;aeroporto internacional&rdquo; de Szymany s&atilde;o os mosquitos que se lan&ccedil;am sobre o raro visitante. O port&atilde;o est&aacute; fechado com um cadeado e uma corrente enferrujada. 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