{"id":16057,"date":"2013-07-24T12:53:54","date_gmt":"2013-07-24T12:53:54","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=94047"},"modified":"2013-07-24T12:53:54","modified_gmt":"2013-07-24T12:53:54","slug":"entre-sair-e-nao-sair-do-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/entre-sair-e-nao-sair-do-afeganistao\/","title":{"rendered":"Entre sair e n\u00e3o sair do Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_94048\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Afeganistao.jpg\"><img class=\" wp-image-94048 \" alt=\"Afeganistao Entre sair e n\u00e3o sair do Afeganist\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Afeganistao.jpg\" width=\"529\" height=\"349\" title=\"Entre sair e n\u00e3o sair do Afeganist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Traslado do corpo do cabo canadense Byron Greff, que servia como instrutor e assessor de miss\u00e3o no Afeganist\u00e3o, morto em outubro de 2011 em um ataque Talib\u00e3. Foto: U.S. Air Force\/Kat Lynn Justen<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Toronto, Canad\u00e1, 24\/7\/2013 \u2013 Alguns pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan), como o Canad\u00e1, continuar\u00e3o sustentando a ocupa\u00e7\u00e3o militar no Afeganist\u00e3o devido \u00e0 persistente debilidade de Cabul. Apesar de Ottawa ter anunciado para 2014 a retirada de cerca de 900 soldados canadenses que treinavam as for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s, numerosos especialistas preveem que sua colabora\u00e7\u00e3o com a Otan continuar\u00e1 al\u00e9m dessa data.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos preveem retirar no pr\u00f3ximo ano a maioria de suas for\u00e7as, embora deixando cerca de nove mil soldados para treinamento e outro tipo de assist\u00eancia ao ex\u00e9rcito afeg\u00e3o, disse o canadense Graeme Smith, analista do Grupo Internacional de Crise, residente em Cabul. Smith foi correspondente do jornal canadense <i>Globe and Mail<\/i> e \u00e9 autor do livro <i>The Dogs Are Eating Them Now: Our War in Afghanistan<\/i> (Os C\u00e3es Est\u00e3o Comendo-os Agora: Nossa Guerra no Afeganist\u00e3o), que ser\u00e1 publicado em setembro. \u201cOs norte-americanos n\u00e3o explicitaram seu compromisso, e os demais pa\u00edses da Otan esperam (antes de anunciar sua contribui\u00e7\u00e3o). Haver\u00e1 press\u00e3o sobre o Canad\u00e1 para que tenha algo\u201d dispon\u00edvel, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O Canad\u00e1 retirou formalmente em 2011 seus 2,5 mil soldados da prov\u00edncia de Kandahar, ap\u00f3s dez anos colaborando com a miss\u00e3o da Otan liderada pelos Estados Unidos. Mas n\u00e3o conseguiu romper seus v\u00ednculos com Cabul porque, segundo coincidem numerosos especialistas, o governo afeg\u00e3o n\u00e3o sobreviveria \u00e0 retirada total das tropas estrangeiras. As for\u00e7as de seguran\u00e7a do Afeganist\u00e3o s\u00e3o muito dependentes dos Estados Unidos e da Otan, especialmente para apoio log\u00edstico e capacidade a\u00e9rea.<\/p>\n<p>O que mant\u00e9m os Estados Unidos no Afeganist\u00e3o \u00e9 o pesadelo de que a hist\u00f3ria se repita, apontou o professor Anatol Lieven, do King\u2019s College de Londres, se referindo \u00e0 queda de Saigon, que marcou o fim da Guerra do Vietn\u00e3. Em 1975, Washington evacuou o pessoal diplom\u00e1tico e centenas de milhares de seus soldados da capital do Vietn\u00e3 do Sul, Saigon, o que permitiu sua ocupa\u00e7\u00e3o pelo ex\u00e9rcito do Vietn\u00e3 do Norte. A guerra terminou e o Vietn\u00e3 se unificou sob um regime comunista.<\/p>\n<p>\u201cO dilema \u00e9 como equilibrar o desejo de sair do Afeganist\u00e3o com o profundo temor, especialmente do ex\u00e9rcito norte-americano, de sofrer uma \u00f3bvia e humilhante derrota se cair o governo afeg\u00e3o\u201d, explicou Lieven. Os Estados Unidos est\u00e3o indecisos por suas pr\u00f3prias dificuldades or\u00e7ament\u00e1rias e pelo desconfiado governo afeg\u00e3o, que expressou sua rejei\u00e7\u00e3o quando o governo de Barack Obama tentou dialogar com os rebeldes do Talib\u00e3, contou Mark Sedra, presidente do Grupo de Governan\u00e7a para a Seguran\u00e7a e especialista pol\u00edtico da Universidade de Waterloo, de Ont\u00e1rio, Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Um informe do norte-americano Escrit\u00f3rio de Supervis\u00e3o do Governo intitulado <i>Afeganist\u00e3o, Assuntos Fundamentais Descuidados<\/i>, indica que Washington e a Otan n\u00e3o fornecem fundos suficientes para manter as for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s por um per\u00edodo prolongado. O dinheiro dos contribuintes n\u00e3o basta para que o Afeganist\u00e3o pague e mantenha seus efetivos, que agora chegam a 350 mil. Esse pa\u00eds depende do subs\u00eddio dos Estados Unidos em US$ 4 bilh\u00f5es ao ano, detalhou Sedra. Mas esse desembolso, provavelmente, n\u00e3o basta para custear a prote\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do governo do Afeganist\u00e3o e de sua popula\u00e7\u00e3o, prosseguiu.<\/p>\n<p>\u201cA realidade \u00e9 que o tamanho atual das for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s \u00e9 totalmente insustent\u00e1vel. A menos que os subs\u00eddios continuem fluindo por tempo indeterminado, h\u00e1 grandes possibilidades de entrarem em crise, ou mesmo em colapso\u201d, acrescentou Sedra \u00e0 IPS. Entre os cen\u00e1rios poss\u00edveis, ele assinala os isl\u00e2micos voltando ao poder ou que surjam novos conflitos entre os senhores da guerra da Alian\u00e7a do Norte, que lutou contra o regime do Talib\u00e3 (1996-2001) e deu seu apoio para que Hamid Karzai assumisse como presidente no final de 2001.<\/p>\n<p>No entanto, o maior desafio para as for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s n\u00e3o \u00e9 melhorar sua capacidade de combate nem garantir o sal\u00e1rio de seus efetivos, mas acabar com a fragilidade de sua log\u00edstica e do governo civil, especialmente do Minist\u00e9rio da Defesa, opinou David Perry, analista do Instituto da Confer\u00eancia de Associa\u00e7\u00f5es de Defesa, com sede em Ottawa. Levar\u00e1 toda uma \u201cgera\u00e7\u00e3o\u201d resolver estes assuntos, alertou.<\/p>\n<p>\u201cOs afeg\u00e3os carecem de todas as quest\u00f5es institucionais necess\u00e1rias para gerir um ex\u00e9rcito: linhas de fornecimento, uma sede, fun\u00e7\u00f5es de planejamento, esse tipo de coisas, porque n\u00e3o saiu de uma etapa de prepara\u00e7\u00e3o. Necessitam unidades que se encarreguem da gest\u00e3o. O Minist\u00e9rio da Defesa deve ser mais competente em mat\u00e9ria de gest\u00e3o\u201d, afirmou Perry \u00e0 IPS. Outro motivo de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o custo das for\u00e7as de seguran\u00e7a prejudique outras \u00e1reas, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, nas quais pa\u00edses da Otan, como o Canad\u00e1, investiram somas consider\u00e1veis, pontuou o legislador canadense de oposi\u00e7\u00e3o Matthew Kellway, especialista em fornecimentos de defesa de seu Novo Partido Democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cMuitos pa\u00edses se voltaram a construir institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil e de governo no Afeganist\u00e3o. H\u00e1 uma grande interroga\u00e7\u00e3o sobre como o Estado afeg\u00e3o investir\u00e1 em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, etc., ao mesmo tempo em que mant\u00e9m as for\u00e7as de seguran\u00e7a\u201d, disse Kellway \u00e0 IPS. O governo canadense investiu entre US$ 13 bilh\u00f5es e US$ 18 bilh\u00f5es, dos quais US$ 9 bilh\u00f5es foram destinados \u00e0 defesa e o restante \u00e0 assist\u00eancia ao desenvolvimento, segundo estimativas oficiais.<\/p>\n<p>Michael Skinner, pesquisador universit\u00e1rio e doutorando, disse que os planejadores de estrat\u00e9gias geopol\u00edticas de Washington querem se aproveitar do Afeganist\u00e3o, desde a d\u00e9cada de 1990, por sua riqueza mineral (especialmente cobre e ferro) e sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, no centro do continente euro-asi\u00e1tico. Chamada de \u201cnova rota da seda\u201d, a estrat\u00e9gia objetiva destinar milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares ao desenvolvimento de infraestrutura: estradas, ferrovias, rede el\u00e9trica e cabos de fibra \u00f3tica.<\/p>\n<p>Alguns objetivos, segundo Skinner, s\u00e3o \u201ca transmiss\u00e3o de eletricidade da \u00c1sia central para Paquist\u00e3o e \u00cdndia, transporte de g\u00e1s e petr\u00f3leo do Ir\u00e3 e da regi\u00e3o do Mar C\u00e1spio para China, Paquist\u00e3o e \u00cdndia, coloca\u00e7\u00e3o de cabos de fibra \u00f3tica da \u00cdndia \u00e0 R\u00fassia e da China \u00e0 Europa, e melhorias na liga\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria e ferrovi\u00e1ria entre \u00cdndia e R\u00fassia, e China e Europa\u201d. Conscientes do grande potencial, o Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento investiu US$ 17 bilh\u00f5es em sete mil quil\u00f4metros de estradas e ferrovias no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cDo meu ponto de vista, a preocupa\u00e7\u00e3o do governo afeg\u00e3o responde mais a um interesse maior, o de proteger investidores ocidentais, do que a conseguir a governan\u00e7a\u201d, ressaltou Skinner. Definitivamente, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente as for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s protegerem as vias f\u00e9rreas, ou as redes el\u00e9tricas, dos ataques do Talib\u00e3 para beneficiar os investidores. Ironicamente, at\u00e9 as companhias chinesas e indianas se beneficiariam com a perman\u00eancia da Otan no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 prefer\u00edvel, disse Skinner \u00e0 IPS, que o Ocidente chegue a algum tipo de acordo de paz com o movimento isl\u00e2mico. A incerteza em torno do papel futuro dos Estados Unidos p\u00f5e em d\u00favida grande parte desse planejamento. \u201cH\u00e1 uma tend\u00eancia a considerar onde entra o fator petr\u00f3leo e recursos naturais. Mas n\u00e3o estou certo de que neste caso seja um elemento que baste para que Estados Unidos e Otan continuem investindo sangue e dinheiro no Afeganist\u00e3o\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Toronto, Canad&aacute;, 24\/7\/2013 &ndash; Alguns pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan), como o Canad&aacute;, continuar&atilde;o sustentando a ocupa&ccedil;&atilde;o militar no Afeganist&atilde;o devido &agrave; persistente debilidade de Cabul. 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