{"id":16058,"date":"2013-07-24T12:50:03","date_gmt":"2013-07-24T12:50:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=94044"},"modified":"2013-10-03T17:21:11","modified_gmt":"2013-10-03T17:21:11","slug":"mutilacao-genital-feminina-perde-apoio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/mutilacao-genital-feminina-perde-apoio\/","title":{"rendered":"Mutila\u00e7\u00e3o genital feminina perde apoio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_94045\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/MujeresTravisLupick.jpg\"><img class=\" wp-image-94045 \" alt=\"MujeresTravisLupick Mutila\u00e7\u00e3o genital feminina perde apoio\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/MujeresTravisLupick.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Mutila\u00e7\u00e3o genital feminina perde apoio\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A abla\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema tabu na Lib\u00e9ria, e as mulheres correm perigo se falam sobre ele. Foto: Travis Lupick\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 24\/7\/2013 \u2013 Mais de 125 milh\u00f5es de mulheres e meninas foram v\u00edtimas da mutila\u00e7\u00e3o genital na \u00c1frica e \u00c1sia, e outras 30 milh\u00f5es correm risco de sofrer essa pr\u00e1tica na pr\u00f3xima d\u00e9cada, segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). Por\u00e9m, a pr\u00e1tica lentamente parece perder popularidade. Essa ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) divulgou um informe que constitui o ponto culminante de 20 anos de pesquisa em 29 pa\u00edses desses dois continentes, com base em pesquisas nacionais.<\/p>\r\n<p>O Egito \u00e9 onde h\u00e1 mais mulheres entre 15 e 49 anos que foram submetidas a essa pr\u00e1tica: 27,2 milh\u00f5es. Apesar de ser ilegal, uma esmagadora maioria de casos de abla\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds \u00e9 realizada por pessoal m\u00e9dico. A mutila\u00e7\u00e3o genital feminina \u00e9 quase universal em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, segundo o informe, divulgado no dia 22. Na Som\u00e1lia, a propor\u00e7\u00e3o de mulheres nessa faixa et\u00e1ria que foram mutiladas \u00e9 de 98%, a maior do mundo, e em Guin\u00e9 e Djibuti os \u00edndices s\u00e3o de 96% e 93%, respectivamente.<\/p>\r\n<p>A probabilidade de uma menina ser submetida \u00e0 abla\u00e7\u00e3o \u00e9 maior se sua m\u00e3e tamb\u00e9m sofreu essa experi\u00eancia. Mas as novas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam menos probabilidades de sofrer a pr\u00e1tica por serem mais conscientes de suas consequ\u00eancias negativas, como complica\u00e7\u00f5es no parto, infec\u00e7\u00f5es, sangramentos e danos psicol\u00f3gicos, destacou \u00e0 IPS Claudia Cappa, autora do informe e especialista em estat\u00edsticas do Unicef. \u201cAs meninas podem ser importantes agentes de mudan\u00e7a ao longo das gera\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\r\n<p>O documento do Unicef cont\u00e9m a primeira informa\u00e7\u00e3o publicada sobre o Iraque, que s\u00f3 come\u00e7ou a elaborar estat\u00edsticas sobre a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina em 2010, destacou Cappa. Nesse pa\u00eds, meninas que foram mutiladas \u201ctiveram a oportunidade de interagir com outras que n\u00e3o foram, e se deram conta de que n\u00e3o eram estigmatizadas\u201d socialmente, explicou.<\/p>\r\n<p>Uma das conclus\u00f5es mais importantes do informe \u00e9 que a incorpora\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o masculina na luta contra a abla\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Muitos homens e jovens nos 29 pa\u00edses estudados est\u00e3o a favor de acabar com essa pr\u00e1tica. O Unicef agora pretende tornar mais vis\u00edvel esta perda de popularidade da pr\u00e1tica e influenciar as sociedades para que a abandonem por completo.<\/p>\r\n<p>A abla\u00e7\u00e3o continua sendo praticada sob diferentes e duvidosas desculpas: higiene, \u201cpreserva\u00e7\u00e3o da virgindade\u201d e reputa\u00e7\u00e3o social. Em alguns pa\u00edses, estimula-se a pr\u00e1tica porque os homens sentem maior prazer ao manterem rela\u00e7\u00f5es sexuais com uma mulher que foi submetida \u00e0 abla\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 algo que est\u00e1 sempre presente\u201d, disse em entrevista coletiva Francesca Moneti, conselheira em prote\u00e7\u00e3o infantil para o Unicef. \u201cA menina chega \u00e0 idade de ser mutilada, e \u00e9 mutilada\u201d. Quando se submetem a essa pr\u00e1tica, as meninas ganham maior reputa\u00e7\u00e3o social e \u201cboa consci\u00eancia\u201d, diz o informe.<\/p>\r\n<p>Efua Dorkenoo, diretora do projeto contra a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina da organiza\u00e7\u00e3o Equality Now, destacou a necessidade de serem adotadas medidas mais fortes de prote\u00e7\u00e3o nas comunidades onde a pr\u00e1tica persiste, bem como programas de apoio para as meninas que fogem de suas fam\u00edlias para escapar da abla\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 importante que as organiza\u00e7\u00f5es, incluindo o Unicef, se deem conta de que \u00e9 preciso um enfoque em v\u00e1rios n\u00edveis, incluindo trabalhadores da sa\u00fade e as autoridades, al\u00e9m de promover uma mudan\u00e7a de costumes nas comunidades, pontuou a diretora.<\/p>\r\n<p>\u201cA mudan\u00e7a de comportamento nas comunidades \u00e9 um processo de longo prazo\u201d, afirmou Dorkenoo, acrescentando que a abla\u00e7\u00e3o diretamente constitui viol\u00eancia contra as mulheres e tem origem em desejos de controle sexual, social e de g\u00eanero. Entretanto, a pr\u00e1tica est\u00e1 muito arraigada e, portanto, n\u00e3o basta as comunidades declararem que a abandonaram. \u201c\u00c9 muito simplista acreditar que tais declara\u00e7\u00f5es signifiquem que a abla\u00e7\u00e3o terminou. Isso serve apenas para fazer o p\u00fablico no Ocidente se sentir bem\u201d, opinou. E ressaltou que n\u00e3o havia um \u00fanico modelo para enfrentar essa pr\u00e1tica nos diversos pa\u00edses.<\/p>\r\n<p>Quando as comunidades fazem uma declara\u00e7\u00e3o desse tipo \u00e9 significativo, mas depois \u00e9 dif\u00edcil constatar se realmente a pr\u00e1tica foi erradicada, afirmou Cappa. Dorkenoo reconheceu os esfor\u00e7os do Unicef em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o nas comunidades, com \u00eanfase em democracia e direitos humanos, o que tamb\u00e9m contribui para erradicar pr\u00e1ticas como a abla\u00e7\u00e3o, mas lembrou que se deve fazer algo mais em n\u00edvel estrutural. \u201c\u00c9 muito simplista pensar que se pode ir a uma comunidade durante 30 anos, falar sobre direitos humanos e democracia, e esperar por uma mudan\u00e7a\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 24\/7\/2013 &ndash; Mais de 125 milh&otilde;es de mulheres e meninas foram v&iacute;timas da mutila&ccedil;&atilde;o genital na &Aacute;frica e &Aacute;sia, e outras 30 milh&otilde;es correm risco de sofrer essa pr&aacute;tica na pr&oacute;xima d&eacute;cada, segundo o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef). Por&eacute;m, a pr&aacute;tica lentamente parece perder popularidade. 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