{"id":16062,"date":"2013-07-25T12:44:05","date_gmt":"2013-07-25T12:44:05","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=94214"},"modified":"2013-07-25T12:44:05","modified_gmt":"2013-07-25T12:44:05","slug":"imigrantes-ilegais-entre-o-abuso-e-a-esperanca-nos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/imigrantes-ilegais-entre-o-abuso-e-a-esperanca-nos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Imigrantes ilegais entre o abuso e a esperan\u00e7a nos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_94215\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/imigrantes.jpg\"><img class=\"wp-image-94215 \" alt=\"imigrantes 300x225 Imigrantes ilegais entre o abuso e a esperan\u00e7a nos Estados Unidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/imigrantes-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"Imigrantes ilegais entre o abuso e a esperan\u00e7a nos Estados Unidos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Kazi Fouia na rua onde sofreu um acidente em 2010. Apesar de apresentar m\u00faltiplas fraturas em um dos ombros, s\u00f3 recebeu analg\u00e9sicos, porque na \u00e9poca n\u00e3o tinha documentos. Foto: Silvia Romanelli\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 25\/7\/2013 \u2013 Ataur, natural de Bangladesh, tinha 18 anos quando chegou aos Estados Unidos sem documentos, em 1991. Trabalhava em dois lugares e ganhava US$ 35 por dia. O chin\u00eas Vincent entrou nos Estados Unidos clandestinamente em 2001. Suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho foram ainda piores do que as de Ataur dez anos antes. Trabalhou em v\u00e1rios restaurantes chineses, entre 60 e 70 horas semanais, por US$ 300 mensais, com m\u00e9dia de um d\u00f3lar por hora. Ambos pediram para n\u00e3o serem identificados por seus nomes verdadeiros.<\/p>\n<p>\u201cEm Nova York, se algu\u00e9m sair \u00e0s ruas e perguntar a dez pessoas, estou certo de que pelo menos cinco ou seis n\u00e3o t\u00eam documentos legais\u201d, disse Vincent \u00e0 IPS, tomando um caf\u00e9 no bairro chin\u00eas desta cidade. Nos Estados Unidos vivem mais de 11 milh\u00f5es de trabalhadores ilegais, e estima-se que dois milh\u00f5es de imigrantes trabalhem em Nova York. S\u00e3o taxistas, dom\u00e9sticas, empregados de restaurantes, na constru\u00e7\u00e3o e no com\u00e9rcio varejista. Cobram menos do que os US$ 7,25 por hora que \u00e9 o sal\u00e1rio m\u00ednimo local, e frequentemente sofrem maus tratos por parte dos empregadores.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, suas vidas podem mudar drasticamente se a C\u00e2mara de Representantes dos Estados Unidos aprovar o projeto de lei de imigra\u00e7\u00e3o, ao qual o Senado deu luz verde no final de junho. A iniciativa oferece aos imigrantes ilegais a possibilidade de tramitar a cidadania, mas tamb\u00e9m refor\u00e7a a seguran\u00e7a na fronteira e permite que as empresas revisem os n\u00fameros de assist\u00eancia social dos trabalhadores mediante um programa de verifica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>O programa colocar\u00e1 \u201ccada pessoa ilegal a um clique de dist\u00e2ncia de sua notifica\u00e7\u00e3o ou deporta\u00e7\u00e3o\u201d, segundo Monami Maulik, diretora-executiva da Desis Rising Up and Moving (Drum), uma organiza\u00e7\u00e3o de imigrantes de baixa renda procedentes da \u00c1sia meridional, localizada em Jackson Heights, no bairro do Queens, e que conta com dois mil integrantes. \u201cNossos membros e muitos de outras comunidades de imigrantes est\u00e3o realmente desiludidos com esta lei. Est\u00e1 ficando cada vez mais repressiva, com medidas mais duras. A acompanhamos de perto\u201d, disse Maulik. Depois dos latino-americanos, os sul-asi\u00e1ticos s\u00e3o o maior grupo de ilegais em Nova York, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cOs empregadores tendem a dizer: contrato voc\u00ea, apesar de estar ilegal, assim, deveria agradecer sem se preocupar com quanto lhe pago\u201d, contou Vincent \u00e0 IPS. Como h\u00e1 tantas pessoas ilegais dispostas a trabalhar em troca de sal\u00e1rios extremamente baixos, outros trabalhadores necessitados sentem a press\u00e3o de aceitar as mesmas condi\u00e7\u00f5es, independente de quais sejam seus <i>status<\/i> imigrat\u00f3rios e nacionalidade. A irm\u00e3 de Ataur, Amana, chegou legalmente aos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m recebeu abaixo do sal\u00e1rio m\u00ednimo durante oito anos.<\/p>\n<p>A press\u00e3o mental no lugar de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 enorme. \u201cQuando algu\u00e9m chega tarde, \u00e9 demitido. Quando fica doente, \u00e9 demitido. Quando se queixa de algo, eles podem demiti-lo\u201d, detalhou Vincent. Maulik disse \u00e0 IPS que \u201cfrequentemente os patr\u00f5es passam uma semana, ou at\u00e9 meses, sem pagar seus trabalhadores. Em certa ocasi\u00e3o, ficaram um ano sem pagar. Eles fazem coisas como reter os passaportes ou amea\u00e7ar chamar a Imigra\u00e7\u00e3o se reclamam dos sal\u00e1rios\u201d atrasados.<\/p>\n<p>Em 2009, a Drum lan\u00e7ou as \u201ccl\u00ednicas de direitos dos trabalhadores\u201d, encontros mensais para ajudar os imigrantes a reclamarem os sal\u00e1rios roubados e para conscientizar sobre seus pr\u00f3prios direitos. Por telefone, Sayma Jun, de Bangladesh, contou \u00e0 IPS como fez para recuperar, com ajuda da Drum, US$ 5 mil que seu empregador lhe devia. De modo semelhante, em 2008, Vincent, junto com outros 35 companheiros de trabalho, apresentou uma queixa contra seu patr\u00e3o, neste caso com a ajuda da Associa\u00e7\u00e3o de Pessoal e Trabalhadores Chineses (CSWA), com sede no bairro chin\u00eas de Nova York.<\/p>\n<p>Contudo, t\u00e3o logo apresentaram a queixa, o restaurante fechou. Reabriu tempos depois em um lugar diferente e com outro nome, estrat\u00e9gia amplamente utilizada por propriet\u00e1rios chineses para evitarem processos, segundo Vincent. \u201cPelas leis federais, isto n\u00e3o deve ocorrer. Inclusive os trabalhadores ilegais est\u00e3o protegidos pelas leis trabalhistas do pa\u00eds no tocante a um sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d, apontou Maulik \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para iniciar uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o respeito dos direitos dos trabalhadores, o Departamento do Trabalho precisa de certa quantidade de den\u00fancias individuais. Por\u00e9m, frequentemente, os empregados s\u00e3o reticentes em apresent\u00e1-las por medo de que seus patr\u00f5es adotem repres\u00e1lias e de serem deportados.<\/p>\n<p>O marido de Nadera Kashem, de Bangladesh, que integra a Drum, corre o risco de ser deportado desde que foi pego, no ano passado, durante uma opera\u00e7\u00e3o policial na perfumaria onde trabalhava. Como n\u00e3o tinha documentos, foi enviado para um centro de deten\u00e7\u00e3o de imigrantes, onde est\u00e1 h\u00e1 17 meses. Nestes casos \u201co empregador deve ser punido, mas isso sempre significa que \u00e9 o trabalhador que recebe o castigo\u201d, destacou Maulik.<\/p>\n<p>No plano local, s\u00e3o os policiais que fazem cumprir as leis de imigra\u00e7\u00e3o, e as organiza\u00e7\u00f5es de direitos dos imigrantes costumam acus\u00e1-los de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cO maior medo de uma pessoa ilegal \u00e9 o policial local, porque \u00e9 quem vai det\u00ea-lo, pedir sua identifica\u00e7\u00e3o e, possivelmente, deport\u00e1-lo\u201d, explicou Maulik. Em junho, o Conselho da Cidade de Nova York aprovou dois projetos de Lei de Seguran\u00e7a Comunit\u00e1ria que estabelecem mecanismos de responsabilidade para o Departamento de Pol\u00edcia local e que permitem aos cidad\u00e3os apresentarem den\u00fancias por m\u00e1 conduta dos policiais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vemos um futuro. Por que ainda trabalhamos como escravos? \u00c9 por isso que organizei meus companheiros de trabalho. Quer\u00edamos melhorar as condi\u00e7\u00f5es trabalhistas, e n\u00e3o apenas para n\u00f3s\u201d, afirmou Vincent \u00e0 IPS. Antes de integrar-se \u00e0 CSWA, explicou, nem mesmo sabia que existia um sal\u00e1rio m\u00ednimo ou o que significava \u201chora extra\u201d. Kazi Fouzia, uma ativista comunit\u00e1ria nascida em Bangladesh, que se uniu \u00e0 Drum em 2010, costuma dizer aos demais trabalhadores imigrantes: \u201cSe organizem para se proteger, e nunca se meta em problemas\u201d. Seu objetivo \u00e9 incentiv\u00e1-los a falar e apresentar suas reclama\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fouzia trabalhava em uma loja que vendia saris, em Jackson Heights, no Queens. Seu empregador tinha tr\u00eas lojas. Um dia pediu que ela fosse buscar algumas pe\u00e7as na loja que ficava em frente. Enquanto atravessava a rua foi atropelada por um carro que a jogou a quase quatro metros de dist\u00e2ncia. Seu empregador n\u00e3o permitiu que chamasse o 911 porque n\u00e3o tinha documentos. Sofreu m\u00faltiplas fraturas no ombro, mas n\u00e3o tinha seguro, por isso lhe deram apenas uns analg\u00e9sicos. No dia seguinte descobriu que estava despedida. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 25\/7\/2013 &ndash; Ataur, natural de Bangladesh, tinha 18 anos quando chegou aos Estados Unidos sem documentos, em 1991. Trabalhava em dois lugares e ganhava US$ 35 por dia. O chin&ecirc;s Vincent entrou nos Estados Unidos clandestinamente em 2001. Suas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho foram ainda piores do que as de Ataur dez [&#8230;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/imigrantes-ilegais-entre-o-abuso-e-a-esperanca-nos-estados-unidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1441,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1072,992,1225,989,3178],"class_list":["post-16062","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-estados-unidos","tag-eua","tag-imigrantes-ilegais","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16062","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1441"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16062"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16062\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}