{"id":16066,"date":"2013-07-26T12:42:40","date_gmt":"2013-07-26T12:42:40","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=94352"},"modified":"2013-07-26T12:42:40","modified_gmt":"2013-07-26T12:42:40","slug":"descontentamento-no-quenia-sem-forca-para-parir-uma-primavera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/07\/ultimas-noticias\/descontentamento-no-quenia-sem-forca-para-parir-uma-primavera\/","title":{"rendered":"Descontentamento no Qu\u00eania sem for\u00e7a para parir uma primavera"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_94353\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Quenia1.jpg\"><img class=\" wp-image-94353 \" alt=\"Quenia1 Descontentamento no Qu\u00eania sem for\u00e7a para parir uma primavera\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Quenia1.jpg\" width=\"529\" height=\"360\" title=\"Descontentamento no Qu\u00eania sem for\u00e7a para parir uma primavera\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nos primeiros cem dias do governo de Kenyatta houve v\u00e1rios protestos de rua e amea\u00e7as de greves no setor p\u00fablico. Foto: Miriam Gathigah\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 26\/7\/2013 \u2013 A pol\u00edcia do Qu\u00eania investiga o surgimento de um grupo denominado Movimento 4 de Mar\u00e7o (M4M), que recruta jovens para organizar protestos semelhantes aos realizados no Egito nos \u00faltimos anos. Por\u00e9m, dirigentes pol\u00edticos e analistas n\u00e3o acreditam que esse movimento tenha envergadura suficiente para desatar uma \u201cPrimavera da \u00c1frica oriental\u201d. \u201cAs manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o um bom indicador do grau de insatisfa\u00e7\u00e3o entre os cidad\u00e3os, mas n\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds na \u00c1frica oriental com consci\u00eancia pol\u00edtica para sustentar o tipo de protesto que vimos no mundo \u00e1rabe\u201d, disse \u00e0 IPS o parlamentar Gideon Ochanda, do distrito de Bondo, na prov\u00edncia de Nyanza.<\/p>\n<p>Esta semana o ativista Okiya Omtatah, que reivindica a cria\u00e7\u00e3o do movimento, foi intimado pela pol\u00edcia para depor. Anteriormente acreditava-se que o fundador do M4M era Eliud Owalo, conselheiro do ex-primeiro-ministro Raila Odinga (2008-2013). Segundo a imprensa local, o M4M procura explorar o descontentamento entre os quenianos, muitos dos quais est\u00e3o insatisfeitos pelo aumento nos pre\u00e7os dos alimentos, e querem derrubar o presidente Uhuru Kenyatta. Acredita-se que o grupo estaria planejando protestos nacionais semelhantes aos ocorridos este m\u00eas no Egito, que derivaram em um golpe militar contra Mohammad Morsi, o primeiro presidente eleito democraticamente no pa\u00eds. Em 2011, mobiliza\u00e7\u00f5es em massa derrubaram o regime do presidente eg\u00edpcio Hosni Mubarak, que governava desde 1981.<\/p>\n<p>Nos primeiros cem dias do governo de Kenyatta, de 9 de abril a 19 deste m\u00eas, houve uma s\u00e9rie de protestos nas ruas e amea\u00e7as de greves no setor p\u00fablico, mas nunca atingiram a magnitude das eg\u00edpcias. Entre 25 de junho e o dia 17 deste m\u00eas, 280 mil professores quenianos participaram de uma greve, mas esta terminou quando o governo amea\u00e7ou congelar seus sal\u00e1rios. O Sindicato Nacional de Enfermeiras e Enfermeiros do Qu\u00eania anunciou, no dia 5, uma greve de 21 dias, mas ainda n\u00e3o fixou a data para inici\u00e1-la.<\/p>\n<p>Ativistas de todo o pa\u00eds come\u00e7aram, em junho, a fazer campanha contra o novo projeto de Lei de Imposto de Valor Agregado, conhecido popularmente como \u201cprojeto do imposto unga\u201d. A iniciativa objetiva gravar em 16% o valor de produtos b\u00e1sicos at\u00e9 agora livres de impostos, como arroz, p\u00e3o, farinha de milho, leite processado e papel higi\u00eanico. Esta instabilidade permite tra\u00e7ar paralelos com a que experimentavam alguns pa\u00edses onde se registrou a Primavera \u00c1rabe, especialmente o Egito.<\/p>\n<p>No entanto, Cyprian Nyamwamu, diretor-executivo da East African Democracy Foundation, disse que \u201cas massas pobres n\u00e3o podem sustentar a\u00e7\u00f5es em massa\u201d, acrescentando que, \u201cquando uma grande quantidade de pessoas vive com o m\u00ednimo, n\u00e3o podem se dar ao luxo de permanecer nas ruas muito tempo\u201d. O analista explicou que a Primavera \u00c1rabe foi impulsionada pela classe m\u00e9dia, cujas lutas eram fundamentalmente pol\u00edticas, enquanto as reclama\u00e7\u00f5es dos quenianos s\u00e3o, na sua grande maioria, econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>A revista <i>The African Economist <\/i>indica que o Egito \u00e9 a quarta maior economia africana, com produto interno bruto de US$ 111,8 bilh\u00f5es, enquanto o Qu\u00eania \u00e9 a d\u00e9cima primeira, com US$ 24,8 bilh\u00f5es. Nyamwamu explicou que a classe m\u00e9dia no mundo \u00e1rabe possui moradia e goza de relativa seguran\u00e7a financeira, enquanto \u201cuma grande parte da classe m\u00e9dia no Qu\u00eania paga aluguel\u201d. \u00c9 por isto que, por exemplo, os professores quenianos n\u00e3o podem manter por muito tempo um protesto se n\u00e3o receberem seus sal\u00e1rios, pois n\u00e3o teriam como cumprir com suas obriga\u00e7\u00f5es mensais, como o pagamento do aluguel.<\/p>\n<p>Para expressar seu descontentamento com a crescente alta no pre\u00e7o dos alimentos, Felix Omondi sempre participa dos protestos com <i>ugali<\/i>, prato t\u00edpico \u00e0 base de milho. \u201cUm pacote de farinha de milho de dois quilos deve baixar dos US$ 2 atuais para menos de um d\u00f3lar\u201d, reclamou Omondi, membro do grupo juvenil de press\u00e3o Revolu\u00e7\u00e3o Unga, em entrevista \u00e0 IPS. Peter Kimani, membro do mesmo grupo, disse \u00e0 IPS que \u201cvamos realizar manifesta\u00e7\u00f5es, e inclusive expulsar este governo se continuar surdo \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es do povo\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, Jennifer Massis, do partido Ford Kenya, na regi\u00e3o do Vale do Rift, alertou que o projeto de lei sobre valor agregado poder\u00e1 desatar mais mobiliza\u00e7\u00f5es. \u201cEstamos entre os cidad\u00e3os com maiores impostos na \u00c1frica, e nossos parlamentares est\u00e3o entre os mais bem pagos. As pessoas est\u00e3o descontentes\u201d, disse \u00e0 IPS. Por\u00e9m, Nyamwamu afirmou que \u201cos protestos de rua n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o. O sistema judicial foi reformado. Os quenianos devem aprender a levar suas lutas aos tribunais\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, Ochanda disse que os manifestantes do Qu\u00eania carecem de um ponto de concentra\u00e7\u00e3o, como a emblem\u00e1tica Pra\u00e7a Tahrir, no Cairo. \u201cNos fatos, s\u00e3o os pobres que se manifestam, e tendem a ser reacion\u00e1rios em seus protestos. A classe m\u00e9dia, com consci\u00eancia pol\u00edtica e capaz de desatar uma s\u00e9rie de movimentos que reorganizem o poder e responsabilizem seus l\u00edderes, atua como se n\u00e3o precisasse do governo\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 26\/7\/2013 &ndash; A pol&iacute;cia do Qu&ecirc;nia investiga o surgimento de um grupo denominado Movimento 4 de Mar&ccedil;o (M4M), que recruta jovens para organizar protestos semelhantes aos realizados no Egito nos &uacute;ltimos anos. 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