{"id":16124,"date":"2007-06-04T14:00:02","date_gmt":"2007-06-04T14:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=16124"},"modified":"2013-08-12T19:38:08","modified_gmt":"2013-08-12T19:38:08","slug":"energia-china-o-exportador-de-represas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/audios\/energia-china-o-exportador-de-represas-2\/","title":{"rendered":"Energia: China, o exportador de represas"},"content":{"rendered":"<p>Brasil, 31\/05\/07 &#8211; A China emerge como novo patrocinador internacional de projetos hidrel\u00e9tricos, enquanto ambientalistas alertam para o risco que implicam estas obras para os recursos naturais e o patrim\u00f4nio cultural das \u00e1reas onde s\u00e3o constru\u00eddos. Este gigante asi\u00e1tico possui a metade das represas existentes no planeta e pretende duplicar sua capacidade de gerar energia hidrel\u00e9trica at\u00e9 2020 com a constru\u00e7\u00e3o de mais usinas em todo seu territ\u00f3rio. Por\u00e9m, mais significativo ainda \u00e9 que nos \u00faltimos anos Pequim financia e constr\u00f3i complexos hidrel\u00e9tricos em pa\u00edses vizinhos e em meia d\u00fazia de na\u00e7\u00f5es africanas. <!--more--> As autoridades chinesas visam o rio Nu, o \u00faltimo grande curso fluvial da \u00c1sia sem represas e o segundo mais longo da regi\u00e3o, compartilhado por Birm\u00e2nia e Tail\u00e2ndia, onde \u00e9 conhecido como rio Salween. H\u00e1 planos para construir cerca de 13 hidrel\u00e9tricas ao longo do rio e Pequim j\u00e1 assinou um acordo com o governo birman\u00eas para erguer outra dentro de seu territ\u00f3rio. Outros projetos semelhantes est\u00e3o previstos para os vizinhos Camboja e Laos e ainda h\u00e1 planos de longo prazo para construir represas do lado chin\u00eas de alguns rios internacionais como o Mekong.<\/p>\n<p>\u201cAntes, n\u00e3o tinham tecnologia nem experi\u00eancia, agora, vemos uma participa\u00e7\u00e3o cada vez maior da China em projetos hidrel\u00e9tricos em todo o mundo\u201d, disse Peter Brosshard, diretor de pol\u00edtica da n\u00e3o-governamental Rede Internacional de Rios, com sede na Calif\u00f3rnia (EUA). O ponto de inflex\u00e3o talvez seja a constru\u00e7\u00e3o do maior projeto hidrel\u00e9trico do mundo, a represa das Tr\u00eas Gargantas no rio Yangtz\u00e9. A usina, de 185 metros de altura no maior rio da \u00c1sia \u00e9 considerado um marco na hist\u00f3ria deste pa\u00eds em mat\u00e9ria de inova\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>A estrutura terminou de ser feita em 2006 e toda a central estar\u00e1 pronta at\u00e9 2009. As companhias chinesas envolvidas nesse mega projeto e suas s\u00f3cias estrangeiras se beneficiaram dos requisitos de transfer\u00eancia de tecnologia impostos pelo governo. Os novos conhecimentos e aptid\u00f5es acompanhados de um grande financiamento e apoio de grupos financeiros estatais transformam a China em uma pot\u00eancia na mat\u00e9ria. Mas assim como \u00e9 uma fonte de orgulho e confian\u00e7a para as autoridades chinesas, a represa de Tr\u00eas Gargantas tamb\u00e9m \u00e9 um s\u00edmbolo da reprimida oposi\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>A maior obra de infra-estrutura constru\u00edda at\u00e9 agora foi projetada e erguida sem a participa\u00e7\u00e3o das comunidades afetadas. Sua constru\u00e7\u00e3o for\u00e7ou a sa\u00edda de quase um milh\u00e3o de pessoas de seus lugares ancestrais, destruiu antiguidades \u00fanicas e submergiu ambientes naturais. Os cr\u00edticos da represa dizem que os custos sociais e ambientais n\u00e3o compensar\u00e3o os benef\u00edcios da energia nem o controle de inunda\u00e7\u00f5es, como afirmam as autoridades.<\/p>\n<p>\u201cA China prefere uma pol\u00edtica vertical na constru\u00e7\u00e3o de suas represas, segundo a qual as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas pelas autoridades e se exclui a popula\u00e7\u00e3o local\u201d, disse Ali Askouri, presidente do Grupo Pankhi de Investiga\u00e7\u00e3o, com sede em Londres. \u201c\u00c9 um enfoque perigoso em qualquer lado, mas, sobretudo na \u00c1frica, porque pode provocar muitos conflitos sociais\u201d, afirmou. A China est\u00e1 envolvida em pelo menos 10 projetos de represas na \u00c1frica, algumas delas em Gana, Eti\u00f3pia, Mo\u00e7ambique, Nig\u00e9ria, Rep\u00fablica do Congo, Sud\u00e3o e Z\u00e2mbia.<\/p>\n<p>Quase todos foram financiados gra\u00e7as \u00e0 China Exim Bank, a ag\u00eancia oficial de cr\u00e9ditos para exporta\u00e7\u00f5es, comumente parte de grandes pacotes de coopera\u00e7\u00e3o que incluem acordos em mat\u00e9ria de energia e extra\u00e7\u00e3o de minerais. O desenfreado investimento da China na \u00c1frica \u00e9 seguida de perto por v\u00e1rios observadores internacionais porque afeta as tentativas das na\u00e7\u00f5es ocidentais de melhorar a governabilidade e combater a corrup\u00e7\u00e3o nesse continente. Por exemplo, para ter acesso aos ricos recursos petrol\u00edferos do Sud\u00e3o a China negou-se a censurar o regime de Cartum.<\/p>\n<p>Por outro lado, em Angola, o maior fornecedor de petr\u00f3leo dos chineses, preocupa que a pol\u00edtica de investimento \u201csem ataduras\u201d de Pequim desfa\u00e7a os esfor\u00e7os realizados por organismos multilaterais de cr\u00e9dito para fortalecer a transpar\u00eancia. O investimento chin\u00eas, com poucos par\u00e2metros em mat\u00e9ria de direitos humanos e boa governabilidade, desatou uma controv\u00e9rsia pelo suposto desprezo das quest\u00f5es ambientais e a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o dos deslocados mostrada por Pequim. Um desses casos \u00e9 a represa de Merowe, no Sud\u00e3o, constru\u00edda por duas empresas chinesas e financiada pela China Exim Bank, que for\u00e7ou a retirada de aproximadamente 50 mil moradores das f\u00e9rteis terras do vale do rio Nilo para o deserto de N\u00fabia.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o contra essa retirada for\u00e7ada \u00e0s margens da nova represa foi reprimida com viol\u00eancia. Os ambientalistas dizem que suas advert\u00eancias sobre o impacto negativo das represas chinesas na \u00c1frica n\u00e3o foram ouvidas. A represa de Mpanda Nkuwa, que a China Exim Bank concordou em financiar em maio de 2006, ter\u00e1 grandes conseq\u00fc\u00eancias ambientais no delta do rio Zambeze, um local protegido pelo Conv\u00eanio de Ramsar, assinado em 1971 nessa cidade iraniana, par a conserva\u00e7\u00e3o e o uso racional dos mangues. A usina de Bui, em Gana, vai inundar quase um quarto do parque nacional de Bui e destruir o habitat de raros hipop\u00f3tamos, al\u00e9m de obrigar o reassentamento de 2.600 pessoas.<\/p>\n<p>\u201cCom a chegada dos chineses, os requisitos sociais de di\u00e1logo com as comunidades afetadas diminu\u00edram e o projeto foi acelerado\u201d, disse Daniel Ribeiro, especialista da Justi\u00e7a Ambiental, uma ONG de Mo\u00e7ambique. A seguran\u00e7a \u00e9 outro fator que preocupa os especialistas. Este pa\u00eds admitiu em abril que muitas de suas represas eram \u201cbombas-rel\u00f3gio\u201d que amea\u00e7avam a vida e a propriedade das popula\u00e7\u00f5es que vivem rio abaixo. O subsecret\u00e1rio de Recursos H\u00eddricos, Jiao Yong, disse que o custo de reparar as estruturas prec\u00e1rias das centrais estaria em torno de US$ 700 milh\u00f5es anuais nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>As autoridades chinesas consideram a energia hidrel\u00e9trica uma prioridade estrat\u00e9gica para seu r\u00e1pido desenvolvimento econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m h\u00e1 sinais de que est\u00e3o ficando mais receptivos \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es em torno de grandes projetos de infra-estrutura local. O ministro da \u00c1gua, Wang Shucheng, h\u00e1 pouco se mostrou contra \u201cprojetos espetaculares e n\u00e3o cient\u00edficos\u201d na administra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e que \u00e9 mais importante qu construir \u201cuma sociedade que economize \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>A press\u00e3o p\u00fablica levou Pequim a abandonar os planos de fazer uma represa na pitoresca Garganta do Salto do Tigre no rio Jinsha. A oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m atrasou a aprova\u00e7\u00e3o de algumas represas no rio Salwen e ficou em suspenso um plano de desenvolvimento de recursos h\u00eddricos. O despertar da consci\u00eancia verde na China \u00e9 algo aplaudido por especialistas e ativistas de todas as partes. \u201cS\u00f3 esperamos que o que Pequim faz no \u00e2mbito local com ajuda de organiza\u00e7\u00f5es ambientais tamb\u00e9m aplique na \u00c1frica e em outras partes onde as companhias chinesas constroem represas\u201d, disse Bosshard. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>[podcast]http:\/\/ipsnoticias.net\/portuguese\/audio\/radio\/2742_705300800.mp3[\/podcast]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil, 31\/05\/07 &#8211; A China emerge como novo patrocinador internacional de projetos hidrel\u00e9tricos, enquanto ambientalistas alertam para o risco que implicam estas obras para os recursos naturais e o patrim\u00f4nio cultural das \u00e1reas onde s\u00e3o constru\u00eddos. 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