{"id":16216,"date":"2013-08-02T12:46:59","date_gmt":"2013-08-02T12:46:59","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=95127"},"modified":"2013-08-02T12:46:59","modified_gmt":"2013-08-02T12:46:59","slug":"biocarvao-pode-fazer-retroceder-o-relogio-climatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/biocarvao-pode-fazer-retroceder-o-relogio-climatico\/","title":{"rendered":"Biocarv\u00e3o pode fazer retroceder o rel\u00f3gio clim\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_95128\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/biocarv%C3%A3o.jpg\"><img class=\" wp-image-95128 \" alt=\"biocarv\u00e3o Biocarv\u00e3o pode fazer retroceder o rel\u00f3gio clim\u00e1tico\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/biocarv%C3%A3o.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Biocarv\u00e3o pode fazer retroceder o rel\u00f3gio clim\u00e1tico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O biocarv\u00e3o ajuda a fertilizar o solo e melhora sua qualidade de reter a \u00e1gua. Foto: Rob Goodier\/E4C\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 2\/8\/2013 \u2013 Enquanto pol\u00edticos em todo o mundo se perguntam como reduzir as futuras emiss\u00f5es contaminantes, alguns cientistas e ambientalistas se centram em definir maneiras seguras e eficientes de reduzir o di\u00f3xido de carbono que j\u00e1 est\u00e1 na atmosfera. O biocarv\u00e3o, ou \u201cbiochar\u201d, \u00e9 uma delas. Trata-se de uma antiga pr\u00e1tica de fertiliza\u00e7\u00e3o que implica fabricar carv\u00e3o a partir dos cultivos do ano anterior, e mistur\u00e1-lo no solo para nutrir a terra para o ano seguinte.<\/p>\n<p>O biochar impede que chegue \u00e0 atmosfera o di\u00f3xido de carbono emitido pelas plantas quando morrem e se decomp\u00f5em naturalmente. Em maio, uma esta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica norte-americana anunciou que, pela primeira vez, as concentra\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de di\u00f3xido de carbono haviam ultrapassado as 400 partes por milh\u00e3o (ppm). Os especialistas clim\u00e1ticos alertam h\u00e1 anos que n\u00edveis superiores a 350 ppm podem gerar um \u201cponto de inflex\u00e3o\u201d que acelere o derretimento dos gelos polares, elevando as temperaturas mundiais e os eventos meteorol\u00f3gicos extremos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de modelo em nosso enfoque para o clima, para mudar realmente a forma como olhamos o que significa uma solu\u00e7\u00e3o. A maior parte do debate se centra n\u00e3o s\u00f3 no setor energ\u00e9tico, mas tamb\u00e9m nas emiss\u00f5es atuais\u201d, apontou Mark Hertsgaard, um jornalista que nas \u00faltimas d\u00e9cadas se dedicou a assuntos clim\u00e1ticos, perante uma audi\u00eancia em Washington. \u201cAs emiss\u00f5es em curso, as atuais e as futuras, acrescentam cerca de dois ppm de di\u00f3xido de carbono \u00e0 atmosfera por ano, mas o que pauta o problema s\u00e3o as 400 ppm que j\u00e1 est\u00e3o na atmosfera.<\/p>\n<p>Embora atualmente toda a discuss\u00e3o seja sobre essas duas ppm, tamb\u00e9m temos que levar a s\u00e9rio as 400 ppm e ver como extrair di\u00f3xido de carbono da atmosfera\u201d, acrescentou Hertsgaard. O jornalista indicou um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), segundo o qual na d\u00e9cada anterior a 2010 houve uma quantidade sem precedentes de \u201ceventos meteorol\u00f3gicos extremos\u201d. Mesmo se repentinamente se detivessem todas as novas emiss\u00f5es, os cientistas sugerem que as temperaturas mundiais continuar\u00e3o aumentando durante pelo menos outras tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Contudo, segundo uma quantidade cada vez maior de pesquisadores do solo, cientistas clim\u00e1ticos e outros, o biocarv\u00e3o pode oferecer uma oportunidade de reduzir esses n\u00edveis mundiais pr\u00e9-existentes de di\u00f3xido de carbono. Por meio da fotoss\u00edntese, todas as plantas absorvem naturalmente o di\u00f3xido de carbono do ar como parte integral de seu pr\u00f3prio ciclo vital. Em circunst\u00e2ncias normais, esse carbono volta a ser liberado na atmosfera quando a planta morre e se decomp\u00f5e, mas a ideia que h\u00e1 por tr\u00e1s do biocarv\u00e3o \u00e9 consolidar esse carbono de uma forma s\u00f3lida que possa ser colocado debaixo da terra e, assim, fora da atmosfera, pelo menos por algum tempo.<\/p>\n<p>A parte central do processo implica queimar a planta \u2013 talvez cultivos que morreram, ou \u00e1rvores que fizerem o mesmo por causa de uma infesta\u00e7\u00e3o, ou algo plantado especificamente para este fim \u2013 em um fogo baixo em oxig\u00eanio, e convert\u00ea-la em carv\u00e3o. O biocarv\u00e3o resultante pode ser usado como um fertilizante de alta pot\u00eancia, oferecendo benef\u00edcios tanto para os agricultores como para a luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Segundo estimativas de Johannes Lehmann, pesquisador em ci\u00eancias agr\u00edcolas da Universidade de Cornell, o mundo poder\u00e1 compensar plenamente suas emiss\u00f5es anuais de gases-estufa se o biochar for adicionado a cerca de 10% das \u00e1reas agr\u00edcolas existentes. Em todo caso, essa \u00e9 a ideia. No momento, inclusive para os que consideram este m\u00e9todo relativamente s\u00f3lido, o potencial de aumentar a uma escala significativa o uso de biocarv\u00e3o no mundo ainda est\u00e1 longe de ser atingido.<\/p>\n<p>\u201cPersistem muitas perguntas, mas o fundamental aqui \u00e9 que precisamos ampliar nosso olhar para fazer com que a agricultura esteja no centro do debate sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, opinou Hertsgaard. \u201cNa teoria, o biocarv\u00e3o pode ser um meio de fazer retroceder o rel\u00f3gio do clima. Sem d\u00favida, a agricultura pode ser uma parte crucial da solu\u00e7\u00e3o para que o problema d\u00ea marcha \u00e0 r\u00e9\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, o financiamento e o apoio pol\u00edtico para o biocarv\u00e3o est\u00e3o sumidos, apesar de haver claro interesse governamental nos Estados Unidos e na Uni\u00e3o Europeia. O Departamento de Agricultura norte-americano talvez tenha mostrado o maior interesse institucional at\u00e9 o momento, financiando uma s\u00e9rie regular de pequenos subs\u00eddios para que prossiga a pesquisa sobre o biocarv\u00e3o, particularmente em universidades. Embora no Congresso dos Estados Unidos se tenha feito tentativas para garantir o financiamento em importante legisla\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, isso ainda n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o Banco Mundial e a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) tamb\u00e9m promovem e estudam uma s\u00e9rie de projetos, mas alguns observadores sugerem que a maioria dos doadores ainda adota um enfoque de esperar e ver. Atualmente, h\u00e1 v\u00e1rias dezenas de projetos-piloto e de pequena escala que avan\u00e7am em pa\u00edses em desenvolvimento, principalmente na \u00cdndia.<\/p>\n<p>Na verdade, embora o debate internacional sobre o clima ofere\u00e7a um potencial tentador, mas ainda remoto para o biocarv\u00e3o, as necessidades de seguran\u00e7a alimentar dos pa\u00edses pobres constituem a oportunidade mais tang\u00edvel para este enfoque. Est\u00e1 dispon\u00edvel uma s\u00e9rie de projetos simples e baratos para criar biocarv\u00e3o, a maioria dos quais criados a partir de recipientes de 208 litros.<\/p>\n<p>\u201cOs habitantes de pa\u00edses em desenvolvimento costumam estar limitados pela pobreza de seus solos, que s\u00e3o \u00e1cidos ou pobres em nutrientes, e \u00e9 ali onde a adi\u00e7\u00e3o de biocarv\u00e3o tende a mostrar o maior aumento nos \u00edndices de crescimento\u201d, revelou Thayer Tomlinson, diretora de comunica\u00e7\u00f5es na Iniciativa Internacional do Biochar (IBI), uma organiza\u00e7\u00e3o com sede nos Estados Unidos, em conversa com a IPS.<\/p>\n<p>\u201cParte da import\u00e2ncia disto \u00e9 que as comunidades possam usar res\u00edduos agr\u00edcolas em lugar de lenha, e converter isso em produtos \u00fateis. Estes benef\u00edcios significativos para o solo podem ser proporcionados sem cortar florestas, sem depender tanto dos fertilizantes comerciais e usando apenas produtos que de outro modo poderiam ser descartados\u201d, detalhou Tomlinson.<\/p>\n<p>A IBI existe desde 2007 e, segundo Tomlinson, nesse tempo o interesse no biocarv\u00e3o aumentou notoriamente, a partir da ind\u00fastria, dos empres\u00e1rios, dos especialistas em desenvolvimento e outros. \u201cObservando as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas ao biocarv\u00e3o, se v\u00ea que houve grande aumento ano a ano\u201d, destacou. Embora esse tema tenda a incluir v\u00e1rios grupos de interesses, claramente h\u00e1 um interesse comercial cada vez maior, enfatizou.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a ind\u00fastria trabalha para padronizar os produtos deste pujante setor. No ano passado, a IBI apresentou padr\u00f5es iniciais para definir o biocarv\u00e3o, e h\u00e1 dois meses divulgou um novo programa de certifica\u00e7\u00e3o para produtores da Am\u00e9rica do Norte. Em abril, a organiza\u00e7\u00e3o apresentou um protocolo de \u201ccompensa\u00e7\u00e3o de carbono\u201d junto a reguladores dos Estados Unidos, para quantificar quanto carbono h\u00e1 no biocarv\u00e3o e as emiss\u00f5es que seu uso acarretaria. Agora o documento est\u00e1 aberto a coment\u00e1rios p\u00fablicos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 2\/8\/2013 &ndash; Enquanto pol&iacute;ticos em todo o mundo se perguntam como reduzir as futuras emiss&otilde;es contaminantes, alguns cientistas e ambientalistas se centram em definir maneiras seguras e eficientes de reduzir o di&oacute;xido de carbono que j&aacute; est&aacute; na atmosfera. O biocarv&atilde;o, ou &ldquo;biochar&rdquo;, &eacute; uma delas. 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