{"id":16218,"date":"2013-08-05T12:58:20","date_gmt":"2013-08-05T12:58:20","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=95278"},"modified":"2013-08-05T12:58:20","modified_gmt":"2013-08-05T12:58:20","slug":"menos-paises-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/menos-paises-mais-pobres\/","title":{"rendered":"Menos pa\u00edses mais pobres"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_95279\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Angola.jpg\"><img class=\" wp-image-95279 \" alt=\"Angola Menos pa\u00edses mais pobres\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Angola.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Menos pa\u00edses mais pobres\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Menina carregando um beb\u00ea em Luanda. Angola deixar\u00e1 de integrar a lista de pa\u00edses menos adiantados em 2015. Foto: Louise Redvers\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 5\/8\/2013 \u2013 A quantidade de pa\u00edses menos adiantados (PMA) come\u00e7a a diminuir lentamente. Botsuana, Cabo Verde e Maldivas se \u201cgraduaram\u201d e passaram a ser considerados pa\u00edses em desenvolvimento. O n\u00famero de PMA aumentava desde 1971, quando somavam 24. Hoje s\u00e3o 49. Se a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desses pa\u00edses continuar melhorando, pelo menos outros seis \u2013 Angola, Guin\u00e9 Equatorial, Kiribati, Samoa, Tuvalu, Vanuatu \u2013 tamb\u00e9m poder\u00e3o deixar o grupo dos mais pobres em 2015.<\/p>\n<p>No entanto, outros s\u00e3o reticentes e buscam adiar a mudan\u00e7a de <i>status<\/i> por causa dos benef\u00edcios que os PMA recebem, como tarifas preferenciais para exporta\u00e7\u00f5es e maior assist\u00eancia ao desenvolvimento. A lista de poss\u00edveis \u201cgraduados\u201d coincide com a divulga\u00e7\u00e3o de um informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), segundo o qual o fluxo de investimento estrangeiro direto para esses pa\u00edses aumentou 20% no \u00faltimo ano, atingindo a marca de US$ 26 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es que mais capital receberam foram Camboja, na \u00c1sia, e cinco pa\u00edses da \u00c1frica: Lib\u00e9ria, Maurit\u00e2nia, Mo\u00e7ambique, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) e Uganda, todos PMA. O informe sobre os Investimentos no Mundo, deste ano, elaborado pela Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad), com sede em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, diz que o crescimento foi devido a importantes ganhos obtidos pelo Camboja, onde o fluxo de investimentos foi de 73%, bem como pela RDC (96%), Lib\u00e9ria (167%), Maurit\u00e2nia (105%), Mo\u00e7ambique (96%) e Uganda (93%).<\/p>\n<p>Contudo, em 20 PMA diminuiu o investimento estrangeiro direto, particularmente em Angola, Burundi, Mali e Ilhas Salom\u00e3o. Considerados os mais pobres dos pobres, os PMA se caracterizam por terem extrema pobreza e uma estrutura econ\u00f4mica fr\u00e1gil. A isso se somam dificuldades geof\u00edsicas, limitada capacidade de crescimento e desenvolvimento, e vulnerabilidade diante de golpes externos, segundo a Unctad. O \u00faltimo pa\u00eds a entrar na lista \u00e9 o Sud\u00e3o do Sul, que se converteu em membro 193 da ONU em julho de 2011.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o est\u00e1 totalmente claro\u201d se o aumento do investimento estrangeiro direto nos PMA \u00e9 uma nova tend\u00eancia ou um fen\u00f4meno pontual, disse \u00e0 IPS Arjun Karki, coordenador internacional da LDC Watch, alian\u00e7a global dedicada a quest\u00f5es de desenvolvimento nesses pa\u00edses. A redu\u00e7\u00e3o do fluxo de capitais para os pa\u00edses ricos colocou os PMA no radar desses fundos, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cSe observarmos a tend\u00eancia, os PMA com uma grande riqueza, como RDC, Lib\u00e9ria, Maurit\u00e2nia, Mo\u00e7ambique e Uganda, s\u00e3o os que est\u00e3o recebendo fundos\u201d, pontuou Karki. Ao que parece, os investimentos tendem a se concentrar no setor das ind\u00fastrias extrativistas, acrescentou. \u201cDo ponto de vista do desenvolvimento, n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia muito animadora, pois refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de um crescimento baseado na produ\u00e7\u00e3o dos PMA, o que n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea da ONU de Pol\u00edticas de Desenvolvimento costuma definir a \u201celegibilidade\u201d dos pa\u00edses para lhes conferir o <i>status<\/i> de PMA em fun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores, como popula\u00e7\u00e3o, renda e outros indicadores econ\u00f4micos, mas a decis\u00e3o final fica nas m\u00e3os das pr\u00f3prias na\u00e7\u00f5es implicadas. O Zimb\u00e1bue, por exemplo, n\u00e3o quis unir-se ao grupo PMA apesar de ter as condi\u00e7\u00f5es para isso.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o aumento do investimento estrangeiro direto coincide com um \u201cmomento importante\u201d, quando a comunidade internacional faz um esfor\u00e7o final para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio em 2015. Um dos objetivos emblem\u00e1ticos \u00e9 erradicar a extrema pobreza e a fome, dois dos principais problemas dos PMA. Atualmente, a ONU trabalha para definir uma agenda de desenvolvimento para depois de 2015.<\/p>\n<p>Karki disse \u00e0 IPS que o novo Programa de A\u00e7\u00e3o de Istambul dirigido aos PMA, para a d\u00e9cada 2011-2020, representa uma leve mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de um crescimento baseado em melhorar a capacidade produtiva desses pa\u00edses para conseguir uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural de sua economia. Deve-se aplaudir os investimentos estrangeiros diretos nos PMA se apontarem para os setores fabril e de servi\u00e7os b\u00e1sicos e de infraestrutura, como sa\u00fade, \u00e1gua e saneamento, eletricidade e comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema principal dos capitais irem para a ind\u00fastria extrativista \u00e9 que os benef\u00edcios n\u00e3o s\u00e3o distribu\u00eddos. As grandes multinacionais e as elites locais ficam com o dinheiro em preju\u00edzo dos setores mais pobres, marginalizados e vulner\u00e1veis, observou Karki. A quest\u00e3o crucial da amplia\u00e7\u00e3o da brecha da desigualdade e da redistribui\u00e7\u00e3o dos recursos continua sendo um dos grandes desafios do desenvolvimento\u201d, opinou o coordenador da LDC Watch, afirmando que \u201cisto ficou patente em minha \u00faltima visita a Lib\u00e9ria e Serra Leoa, dois PMA com muitos recursos, mas, infelizmente, com as popula\u00e7\u00f5es mais pobres\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>\u201cA triste ironia levou nossos colaboradores da sociedade civil a propor que os ricos permanecessem na terra porque de todo modo n\u00e3o podiam garantir \u00e0s pessoas o direito a um desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, destacou Karki. O crescimento negativo, especialmente em Angola, Burundi e Mali, pode ser atribu\u00eddo \u00e0 sua instabilidade pol\u00edtica, que n\u00e3o \u00e9 atraente para a chegada de capitais. \u201cDito isto, \u00e9 interessante assinalar que o investimento estrangeiro direto \u00e9 importante tanto em regimes autorit\u00e1rios como onde h\u00e1 governos vulner\u00e1veis, como ocorre na \u00c1frica e \u00c1sia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro direto \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o de alguns governos que promovem o desenvolvimento e tentam preservar os interesses nacionais e o direito dos povos frente \u00e0 amea\u00e7a do puro lucro e dos saques. \u201cSe isso for realmente correto, ent\u00e3o os governos dos PMA est\u00e3o no caminho certo para aliviar suas popula\u00e7\u00f5es das causas estruturais da pobreza, das priva\u00e7\u00f5es e das injusti\u00e7as\u201d, ressaltou Karki. A quest\u00e3o da soberania \u00e9 fundamental em termos de se respeitar e se ajustar ao sistema de cada pa\u00eds. Do contr\u00e1rio, est\u00e1 provado que o investimento estrangeiro direto \u00e9 a perdi\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel, mais do que uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 5\/8\/2013 &ndash; A quantidade de pa&iacute;ses menos adiantados (PMA) come&ccedil;a a diminuir lentamente. Botsuana, Cabo Verde e Maldivas se &ldquo;graduaram&rdquo; e passaram a ser considerados pa&iacute;ses em desenvolvimento. O n&uacute;mero de PMA aumentava desde 1971, quando somavam 24. Hoje s&atilde;o 49. 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