{"id":16222,"date":"2013-08-05T13:09:24","date_gmt":"2013-08-05T13:09:24","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=95287"},"modified":"2013-08-05T13:09:24","modified_gmt":"2013-08-05T13:09:24","slug":"grupos-de-base-haitianos-contra-atraente-lei-de-mineracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/grupos-de-base-haitianos-contra-atraente-lei-de-mineracao\/","title":{"rendered":"Grupos de base haitianos contra \u201catraente\u201d lei de minera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_95288\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Haiti.jpg\"><img class=\" wp-image-95288 \" alt=\"Haiti Grupos de base haitianos contra \u201catraente\u201d lei de minera\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Haiti.jpg\" width=\"529\" height=\"308\" title=\"Grupos de base haitianos contra \u201catraente\u201d lei de minera\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cidad\u00e3os reunidos perto da mina de Grand Bois para analisar os projetos de minera\u00e7\u00e3o. Foto: HGW\/Lafontaine Orvild<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Porto Pr\u00edncipe, Haiti, 5\/8\/2013 \u2013 Enquanto o governo do Haiti prepara uma \u201clei com incentivos que atrair\u00e3o investidores\u201d para o setor da minera\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil se mobilizam e formam redes para defender os recursos naturais de seu pa\u00eds. Um ter\u00e7o do norte do Haiti j\u00e1 \u00e9 objeto de pesquisas e explora\u00e7\u00e3o por parte de firmas estrangeiras, e cerca de 2.400 quil\u00f4metros quadrados j\u00e1 foram destinados a companhias haitianas que representam interesses norte-americanos e canadenses.<\/p>\n<p>Alguns estimam que a riqueza mineral do Haiti, principalmente, ouro, cobre e prata, pode chegar a US$ 20 bilh\u00f5es. As concess\u00f5es s\u00e3o dadas em negocia\u00e7\u00f5es a portas fechadas, o que provoca mal-estar entre muitos haitianos, que temem que o governo esteja permitindo um saque sistem\u00e1tico dos recursos naturais. Mas a ag\u00eancia mineradora governamental disse \u00e0 Haiti Grassroots Watch (HGW) que seu objetivo \u00e9 conseguir que o pa\u00eds seja mais \u201catrativo\u201d para potenciais investidores.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de uma lei que seja atraente\u201d, disse Ludner Remarais, diretor da Ag\u00eancia de Energia e Minera\u00e7\u00e3o (BME). \u201cUma lei que seduza os investidores\u201d, destacou. A atual legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 obsoleta, segundo ele. O Haiti vive uma \u201cfebre de ouro\u201d h\u00e1 cerca de cinco anos, quando o pre\u00e7o desse e de outros minerais aumentou. No dia 20 de fevereiro, ap\u00f3s uma investiga\u00e7\u00e3o revelar que 15% do territ\u00f3rio haitiano estava licitado, o Senado adotou uma resolu\u00e7\u00e3o demandando que cessassem todas as atividades de explora\u00e7\u00e3o e prospec\u00e7\u00e3o para permitir um debate nacional sobre os contratos.<\/p>\n<p>\u201cEstamos respeitando escrupulosamente essa decis\u00e3o\u201d, informou Remarais, mas, acrescentou que a resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode anular os direitos j\u00e1 concedidos. Organiza\u00e7\u00f5es de camponeses e grupos defensores dos direitos humanos, da soberania alimentar e do meio ambiente temem os potenciais efeitos da ind\u00fastria mineradora na qualidade da \u00e1gua e da terra. Estes grupos formaram o Coletivo Contra a Minera\u00e7\u00e3o, que ajuda outras associa\u00e7\u00f5es locais com informa\u00e7\u00e3o e campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 5 de julho, mais de 200 agricultores da \u00e1rea vizinha \u00e0 mina de Grand Bois, se reuniram em uma igreja local para discutir o futuro das opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o. \u201cQuando algu\u00e9m fala sobre minera\u00e7\u00e3o, nossa hist\u00f3ria nos faz pensar em escravid\u00e3o, na ocupa\u00e7\u00e3o de nossas terras\u201d, disse Willy Pierre, professor de ci\u00eancias sociais em uma escola pr\u00f3xima. \u201cPoder\u00edamos perder nossos campos f\u00e9rteis. Nos expulsar\u00e3o de nossa terra. Por que dever\u00edamos partir?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>A mina de Grand Bois \u00e9 rica em ouro e cobre, segundo os \u00faltimos estudos realizados pela empresa canadense Eurasian Minerals. A firma tem a concess\u00e3o da BME por interm\u00e9dio de sua subsidi\u00e1ria haitiana Soci\u00e9t\u00e9 Mini\u00e8re Citadelle S.A. No encontro, muitos presentes disseram estar nervosos com os projetos. \u201cO neg\u00f3cio da minera\u00e7\u00e3o deve ser uma li\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s\u201d, disse Jean Vilm\u00e9, agricultor da regi\u00e3o de Bog\u00e9. \u201cN\u00e3o pereceremos apenas n\u00f3s, que vivemos pr\u00f3ximo \u00e0 mina, mas todo o pa\u00eds ser\u00e1 absorvido\u201d, alertou.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, cerca de 50 organiza\u00e7\u00f5es locais e nacionais se reuniram na localidade de Jean Rabel, no departamento Noroeste, que carece de ruas, servi\u00e7o de \u00e1gua e instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Os participantes assistiram e debateram um v\u00eddeo sobre minera\u00e7\u00e3o no Haiti e discutiram os passos a seguir. No come\u00e7o deste m\u00eas, cerca de 60 representantes das associa\u00e7\u00f5es que formam o Coletivo organizaram uma reuni\u00e3o de um dia em Montrouis, nordeste de Porto Pr\u00edncipe. Nela discutiram formas de proteger a \u00e1gua subterr\u00e2nea, a soberania alimentar, a agricultura, a biodiversidade, a sa\u00fade e a propriedade da terra.<\/p>\n<p>Cl\u00e9b\u00e9rt Duval, membro da associa\u00e7\u00e3o de camponeses T\u00e8t Kole Ti Peyizan Ayisyen (\u201cpequenos produtores haitianos que trabalham unidos\u201d, em creole), disse que um Estado que defende seu povo deve usar os recursos minerais para \u201cmudar as condi\u00e7\u00f5es das massas, dos agricultores, das pessoas vulner\u00e1veis. Isso daria um novo rosto ao pa\u00eds\u201d. Por\u00e9m, Duval disse que, \u201cse o Estado \u00e9, na realidade, um predador que trabalha para as multinacionais e para o sistema capitalista que, como est\u00e1 em crise, monopoliza a riqueza dos pa\u00edses pobres, ent\u00e3o sempre estimular\u00e1 a minera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Duval acrescentou que \u201ctodo o dinheiro que deveria ir para as pessoas acaba nas companhias estrangeiras, exceto as migalhas que recebem os intermedi\u00e1rios. As mineradoras ficar\u00e3o com toda a riqueza, como aconteceu no passado\u201d. Muitos rejeitam o argumento do governo de que a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a economia e o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cEm 2012, algumas empresas fizeram prospec\u00e7\u00f5es\u201d, disse Vernicia Phillus, da coordenadoria de mulheres da T\u00e8t Kole, em Baie de Henne. \u201cLevaram amostras de solo e rochas\u201d, afirmou. \u201cN\u00f3s, em Baie de Henne, estamos contra a minera\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o obtivemos nenhum ganho. Ter\u00e1 um impacto prejudicial e destruir\u00e1 nossas terras f\u00e9rteis e nossas \u00e1rvores frut\u00edferas, e secar\u00e1 nossos aqu\u00edferos\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* A Haiti Grassroots Watch \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o entre a AlterPresse, a Sociedade de Anima\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o Social (Saks), a Rede de Mulheres de R\u00e1dios Comunit\u00e1rias (Refraka), r\u00e1dios comunit\u00e1rias e estudantes do Laborat\u00f3rio de Jornalismo da Universidade do Estado do Haiti.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Porto Pr&iacute;ncipe, Haiti, 5\/8\/2013 &ndash; Enquanto o governo do Haiti prepara uma &ldquo;lei com incentivos que atrair&atilde;o investidores&rdquo; para o setor da minera&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil se mobilizam e formam redes para defender os recursos naturais de seu pa&iacute;s. 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