{"id":16264,"date":"2013-08-09T12:41:19","date_gmt":"2013-08-09T12:41:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=95749"},"modified":"2013-08-09T12:41:19","modified_gmt":"2013-08-09T12:41:19","slug":"aumenta-o-trabalho-infantil-no-libano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/aumenta-o-trabalho-infantil-no-libano\/","title":{"rendered":"Aumenta o trabalho infantil no L\u00edbano"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_95750\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/florista-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-95750 \" alt=\"florista 629x419 Aumenta o trabalho infantil no L\u00edbano\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/florista-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Aumenta o trabalho infantil no L\u00edbano\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Abudi, de 12 anos, passa seus dias vendendo flores diante dos bares de Beirute. Seus pais ficaram em sua cidade natal, Alepo, na S\u00edria. Foto: Sam Tarling\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Beirute, L\u00edbano, 9\/8\/2013 \u2013 Cada vez mais meninos e meninas se integram ao mercado de trabalho no L\u00edbano, pa\u00eds que se racha sob a press\u00e3o do conflito na vizinha S\u00edria e de uma economia vacilante em meio a um vazio pol\u00edtico. Al\u00e9m das disputas sect\u00e1rias que o caracterizam, este pa\u00eds est\u00e1 sem primeiro-ministro desde mar\u00e7o. Os legisladores n\u00e3o chegaram a um acordo sobre uma lei para realizar as elei\u00e7\u00f5es previstas para junho. O L\u00edbano tamb\u00e9m est\u00e1 dividido entre os que s\u00e3o a favor do regime de Bashar al Assad, na S\u00edria, e os que apoiam a oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas precisas sobre emprego infantil, mas o Minist\u00e9rio do Trabalho elevou sua estimativa de cem mil menores no mercado de trabalho em 2006 para 180 mil atualmente. O n\u00famero verdadeiro \u00e9 \u201csignificativamente maior\u201d devido \u00e0s extraordin\u00e1rias circunst\u00e2ncias dos \u00faltimos dois anos, disse \u00e0 IPS a diretora da unidade de trabalho infantil do Minist\u00e9rio, Nazha Shallita. Este pa\u00eds tem 4,2 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto o L\u00edbano se esfor\u00e7a para lidar com o enorme fluxo de refugiados s\u00edrios, al\u00e9m do decl\u00ednio de<br \/>\nsua economia e da deteriora\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a, para n\u00e3o mencionar a falta de governo, vemos que cada vez mais crian\u00e7as s\u00e3o obrigadas a trabalhar\u201d, apontou Hayat Osseiran, consultora no L\u00edbano da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) e do Programa Internacional para a Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Infantil, em entrevista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Todas as noites pode-se ver menores no centro de Beirute vagando entre os que se divertem vendendo colares de rosas ou gard\u00eanias, at\u00e9 a madrugada. O aumento do n\u00famero de crian\u00e7as na rua vendendo de tudo, de flores a quadros, talvez seja o mais vis\u00edvel e comum do trabalho infantil, mas n\u00e3o passa da ponta do iceberg, observou Osseiran. \u201c\u00c9 duro, n\u00e3o gosto, mas tenho que fazer isso por minha fam\u00edlia\u201d, disse Jihad, de 11 anos, carregando um monte de rosas de pl\u00e1stico para oferecer do lado de fora dos bares de Beirute. \u201cSe minha m\u00e3e, meu pai e meu irm\u00e3o pudessem vir, eu poderia voltar \u00e0 escola, mas ficaram em Alepo (cidade s\u00edria) e n\u00e3o podem vir\u201d, contou.<\/p>\n<p>Uma multid\u00e3o de meninos e meninas trabalhadores inundam as ruas do L\u00edbano h\u00e1 cerca de dois anos, quando a encarni\u00e7ada guerra civil na S\u00edria expulsou dezenas de milhares de fam\u00edlias pobres e despossu\u00eddas. Mas o problema existe desde antes do conflito no pa\u00eds vizinho, e costuma ter um cen\u00e1rio mais sinistro do que o de menores pobres perambulando pela rua para ajudar suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201cMuitas das crian\u00e7as n\u00e3o vendem s\u00f3 flores, sendo que bandos de delinquentes os obrigam a trabalhar vendendo muitas coisas e os organizando\u201d, disse Khaled Merheb, advogado e defensor dos direitos da inf\u00e2ncia, em entrevista \u00e0 IPS. \u201cChegam de \u00f4nibus, que ao final da jornada noturna regressa e os leva\u201d, afirmou. As For\u00e7as de Seguran\u00e7a Interna s\u00e3o respons\u00e1veis por evitar a explora\u00e7\u00e3o de menores na rua, mas reconhecem que n\u00e3o \u00e9 muito o que podem fazer sem um mecanismo adequado para tir\u00e1-los da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 um centro espec\u00edfico para alojar os que conseguem recuperar, mas praticamente n\u00e3o oferece servi\u00e7os de reabilita\u00e7\u00e3o, tem car\u00eancia cr\u00f4nica de fundos e \u00e9 incapaz de manter os menores se um familiar pede sua libera\u00e7\u00e3o, mesmo se h\u00e1 suspeitas de explora\u00e7\u00e3o. As for\u00e7as de seguran\u00e7a n\u00e3o t\u00eam o n\u00famero de adultos que exploram menores, mas reconhece que h\u00e1 grupos de criminosos organizando o trabalho. Meninos e meninas costumam se queixar dos maus tratos por parte dos oficiais, pontuou Merheb. Quase todos os casos contra os adultos que fazem menores trabalhar n\u00e3o \u201cchegam \u00e0 justi\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das crian\u00e7as que est\u00e3o na rua, dezenas de milhares de adolescentes abandonam os estudos e n\u00e3o h\u00e1 oferta de trabalho nem empregos de ver\u00e3o logo ali, na esquina. O trabalho infantil costuma deixar os menores expostos a abusos f\u00edsicos, sexuais e psicol\u00f3gicos, os impede de continuar estudando e coloca em risco sua sa\u00fade, seguran\u00e7a e moral. Os menores trabalham em f\u00e1bricas, bord\u00e9is, escrit\u00f3rios, planta\u00e7\u00e3o de tabaco e lix\u00f5es. O L\u00edbano assinou numerosos tratados internacionais sobre o trabalho infantil e tomou algumas medidas para mudar a legisla\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas nacionais para cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A mais relevante foi em 1996, quando foi elevada a idade m\u00ednima para trabalhar de nove para 14 anos para projetos industriais e atividades que exigem esfor\u00e7o f\u00edsico ou s\u00e3o prejudiciais \u00e0 sa\u00fade. A lei vigora, mas quase n\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o. O Minist\u00e9rio do Trabalho tem uma equipe de 70 inspetores em todo o pa\u00eds. Um projeto-piloto da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental holandesa War Child descobriu que 19 dos inspetores nem mesmo conheciam a unidade especial do Minist\u00e9rio dedicada ao assunto.<\/p>\n<p>Em uma esquina de um assentamento prec\u00e1rio de Beirute, adolescentes entre 12 e 15 anos deixaram a escola e fazem diversos trabalhos, como embalar veneno de rato. Costumam trabalhar seis dias por semana, entre oito e 12 horas di\u00e1rias por US$ 60 semanais. \u201cPensava que esse trabalho seria melhor do que ir \u00e0 escola, mas estava errado. A escola \u00e9 melhor do que trabalhar. Lamento tanto ter deixado de estudar, mas agora \u00e9 muito tarde\u201d, disse Haydar, um dos adolescentes.<\/p>\n<p>A enorme deser\u00e7\u00e3o escolar, especialmente em \u00e1reas marginalizadas \u00e9 um grande problema. Uma lei aprovada em 1998 estabelece a educa\u00e7\u00e3o gratuita e obrigat\u00f3ria at\u00e9 os 12 anos, mas nunca foi colocada em pr\u00e1tica. \u201cA educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem gratuita nem obrigat\u00f3ria em muitas regi\u00f5es\u201d, disse \u00e0 IPS Lala Arabia, diretora-executiva e coordenadora de prote\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o Insan, que trabalha com menores de rua.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes dizem \u00e0s fam\u00edlias que n\u00e3o h\u00e1 lugares suficientes. Como ser\u00e1 obrigat\u00f3rio? Os estrangeiros s\u00e3o os que mais sofrem\u201d, enfatizou Arabia. O fr\u00e1gil e fraturado Estado liban\u00eas descuidou muito das zonas pobres do pa\u00eds. Atualmente, com a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da seguran\u00e7a e em meio \u00e0 crise de refugiados s\u00edrios, cada vez mais meninos e meninas escapam do sistema. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Beirute, L&iacute;bano, 9\/8\/2013 &ndash; Cada vez mais meninos e meninas se integram ao mercado de trabalho no L&iacute;bano, pa&iacute;s que se racha sob a press&atilde;o do conflito na vizinha S&iacute;ria e de uma economia vacilante em meio a um vazio pol&iacute;tico. 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