{"id":16274,"date":"2013-08-12T13:30:27","date_gmt":"2013-08-12T13:30:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=95880"},"modified":"2013-08-12T13:30:27","modified_gmt":"2013-08-12T13:30:27","slug":"trabalhadores-espanhois-vitimas-de-disputa-entre-madri-e-gibraltar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/trabalhadores-espanhois-vitimas-de-disputa-entre-madri-e-gibraltar\/","title":{"rendered":"Trabalhadores espanh\u00f3is v\u00edtimas de disputa entre Madri e Gibraltar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_95881\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/trabalhadores1.jpg\"><img class=\" wp-image-95881 \" alt=\"trabalhadores1 Trabalhadores espanh\u00f3is v\u00edtimas de disputa entre Madri e Gibraltar\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/trabalhadores1.jpg\" width=\"529\" height=\"369\" title=\"Trabalhadores espanh\u00f3is v\u00edtimas de disputa entre Madri e Gibraltar\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Sem di\u00e1logo n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, afirmam os trabalhadores espanh\u00f3is diante da barreira fronteiri\u00e7a com Gibraltar. Foto: Alberto Pradilla\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>La L\u00ednea de la Concepci\u00f3n, Espanha, 12\/8\/2013 \u2013 \u201cA situa\u00e7\u00e3o chegou ao limite. A Espanha est\u00e1 a um passo do levante civil e o governo busca desviar a aten\u00e7\u00e3o\u201d, aumentando os controles na fronteira com o rochedo para provocar tens\u00e3o entre as partes, acusou Manuel M\u00e1rquez, delegado da Associa\u00e7\u00e3o Sociocultural de Trabalhadores Espanh\u00f3is em Gibraltar (Astecg).<\/p>\n<p>M\u00e1rquez deu esta declara\u00e7\u00e3o junto a v\u00e1rios companheiros que protestavam diante do controle que a Guarda Civil e outro ramo policial mant\u00eam na fronteira entre La L\u00ednea de la Concepci\u00f3n, pequena localidade do extremo sul da Espanha, e Gibraltar, o territ\u00f3rio aut\u00f4nomo em poder da Gr\u00e3-Bretanha, de apenas 6,8 quil\u00f4metros quadrados. A Espanha historicamente reivindica sua soberania sobre este lugar, conquistado pelos brit\u00e2nicos no come\u00e7o do s\u00e9culo 18, embora seus habitantes tenham demonstrado em reiteradas ocasi\u00f5es sua vontade de continuar dependendo de Londres.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es cresceram na \u00e1rea nos \u00faltimos dias, depois que o governo do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, do direitista Partido Popular, aumentou o controle na fronteira, provocando longas filas de at\u00e9 sete horas para cruz\u00e1-la. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa. Por um lado est\u00e1 a quest\u00e3o da soberania reclamada por Madri, e por outro a dif\u00edcil conviv\u00eancia entre espanh\u00f3is e \u201cllanitos\u201d, como s\u00e3o chamados por seus vizinhos os habitantes de Gibraltar, situado em uma min\u00fascula sali\u00eancia de terra voltada para o mar e cuja maior parte do territ\u00f3rio \u00e9 ocupado por um rochedo.<\/p>\n<p>Neste complexo contexto muitos se perguntam pelo motivo da escalada neste momento. Embora o governo da Espanha tenha dito que a origem do problema \u00e9 o conflito pesqueiro, que come\u00e7ou no final de julho, quando Gibraltar lan\u00e7ou blocos de concreto no mar para criar um arrecife, existe a sensa\u00e7\u00e3o generalizada na \u00e1rea, especialmente entre os sindicalistas, de que Rajoy usa esta crise para desviar a aten\u00e7\u00e3o do esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o que o afeta e da crise econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No entanto, os mais prejudicados s\u00e3o, precisamente, todos aqueles cuja subsist\u00eancia depende de cruzar a fronteira diariamente para irem de casa ao trabalho. \u201cIsto n\u00e3o serve para nada. La L\u00ednea e Gibraltar sempre tiveram boa rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 o governo que deveria solucionar o problema\u201d, queixou-se Jos\u00e9 Antonio Garc\u00eda, que, quando conversou com a IPS, estava h\u00e1 mais de uma hora e meia esperando em seu carro para atravessar a fronteira e abastecer o ve\u00edculo.<\/p>\n<p>\u00c9 que em Gibraltar os pre\u00e7os s\u00e3o menores do que na Espanha porque o territ\u00f3rio n\u00e3o paga impostos, o que o leva a ser classificado como para\u00edso fiscal, j\u00e1 que tamb\u00e9m existe um regime especial para os bancos. \u201cEstou desempregado, tenho seis netos e preciso dar comida a eles. Esperarei o que precisar, porque com um pacote de tabaco fa\u00e7o o dia (de venda)\u201d, explicou \u00e0 IPS um homem com mais de 70 anos, que pediu para n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p>O contrabando de tabaco \u00e9 um dos neg\u00f3cios ilegais mais lucrativos. Um pacote com dez ma\u00e7os de cigarros, que habitualmente pode custar 40 euros na Espanha, em Gibraltar custa a metade. Por essa raz\u00e3o a lei de aduanas s\u00f3 permite cruzar a fronteira na regi\u00e3o com um pacote por dia, embora os grupos de pessoas sentadas junto \u00e0 fronteira, deixando o tempo passar, evidenciem que o fluxo de cigarros \u00e9 constante.<\/p>\n<p>Desde que Madri decidiu aumentar os controles, tanto para entrar quanto para sair de Gibraltar, o colapso \u00e9 total na fronteira. Come\u00e7ou h\u00e1 uma semana e provocou o registro de intermitentes aglomera\u00e7\u00f5es de at\u00e9 sete horas. Estas s\u00e3o agravadas por temperaturas que em certas horas do dia podem chegar aos 40 graus. \u201cPensava passar o final de semana com minha fam\u00edlia, mas, ap\u00f3s receber a not\u00edcia, fui, com v\u00e1rios companheiros, ajudar os que estavam esperando\u201d, contou M\u00e1rquez \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Fontes do governo aut\u00f4nomo de Gibraltar confirmaram \u00e0 IPS que chegaram a entregar 11 mil garrafas de \u00e1gua para as pessoas enfrentarem o calor, o que n\u00e3o evitou que muitas, especialmente idosos, tivessem de ser atendidos em hospitais pr\u00f3ximos. Esta crise afeta mais os trabalhadores espanh\u00f3is que passam diariamente para o territ\u00f3rio brit\u00e2nico. \u201cEste \u00e9 um pa\u00eds de ideologia fascista, onde o patriotismo d\u00e1 votos. Por isso, nenhum partido quer solucionar o problema\u201d, ressaltou M\u00e1rquez, que trabalhou toda sua vida no estaleiro de Gibraltar.<\/p>\n<p>Na mesma linha, Miguel \u00c1ngel Zoilo, usando seu uniforme de vigilante, insiste na tese da \u201ccortina de fuma\u00e7a\u201d, afirmando que \u201cisto \u00e9 uma cortina com as cores patri\u00f3ticas, mas que provoca divis\u00e3o\u201d. Depois, Zoilo foi a p\u00e9 at\u00e9 a fronteira. Nesse momento n\u00e3o havia fila, assim evitava as poss\u00edveis aglomera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode esquecer que pelo menos sete mil moradores de La L\u00ednea de la Concepci\u00f3n entram diariamente em Gibraltar para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o ou em servi\u00e7os. Um b\u00e1lsamo para uma popula\u00e7\u00e3o de 64 mil habitantes em que pelo menos 11 mil est\u00e3o desempregados.<\/p>\n<p>Assim, os sal\u00e1rios procedentes de Gibraltar s\u00e3o b\u00e1sicos para sua subsist\u00eancia. Nestas circunst\u00e2ncias, os habitantes de Gibraltar n\u00e3o entendem a posi\u00e7\u00e3o de Madri. \u201c\u00c9 idiota. Est\u00e3o prejudicando seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os\u201d, disse a residente Occa Harris, que ressaltou que o rochedo \u201cnunca\u201d passar\u00e1 \u00e0 soberania espanhola. Em uma conversa n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil distinguir um \u201cllanito\u201d, que se entrega por uma linguagem particular que mescla castelhano e ingl\u00eas. A teoria da manobra de distra\u00e7\u00e3o chega inclusive at\u00e9 os corpos policiais.<\/p>\n<p>\u201cDesviam a aten\u00e7\u00e3o, mas isto tem que ter uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, disse \u00e0 IPS o secret\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia de C\u00e1diz do Sindicato Unificado de Pol\u00edcia (SUP), Jos\u00e9 Gonz\u00e1lez. O SUP se concentrou no dia 7 diante da fronteira para denunciar as press\u00f5es sofridas desde o Rochedo de Gibraltar, onde se chegou a publicar uma p\u00e1gina na internet com fotos dos agentes que trabalham na passagem de fronteira. Por outro lado, os pescadores s\u00e3o, provavelmente, um dos poucos setores que cerraram fileiras com o governo espanhol.<\/p>\n<p>Leoncio Fern\u00e1ndez, da Confraria de La L\u00ednea de la Concepci\u00f3n, argumentou sobre seu apoio \u00e0s decis\u00f5es de Madri e exortou Gibraltar a retirar os blocos de concreto. Claro que reconhecendo que, no m\u00e1ximo, apenas uma dezena de barcos pode chegar a trabalhar em \u00e1guas de Gibraltar, que a Espanha reclama como suas. Londres, por\u00e9m, anunciou o envio de um navio de guerra \u00e0 \u00e1rea. Novos passos em uma escalada cujas principais v\u00edtimas s\u00e3o os que, como M\u00e1rquez, reivindicam uma mesa na qual os principais atores sentem e dialoguem. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; La L&iacute;nea de la Concepci&oacute;n, Espanha, 12\/8\/2013 &ndash; &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o chegou ao limite. 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