{"id":16345,"date":"2013-08-14T12:57:51","date_gmt":"2013-08-14T12:57:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=96058"},"modified":"2013-08-14T12:57:51","modified_gmt":"2013-08-14T12:57:51","slug":"criticos-da-fratura-hidraulica-pedem-trava-financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/criticos-da-fratura-hidraulica-pedem-trava-financeira\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticos da fratura hidr\u00e1ulica pedem trava financeira"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_96059\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 382px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/satelite.jpg\"><img class=\"wp-image-96059 \" alt=\"satelite Cr\u00edticos da fratura hidr\u00e1ulica pedem trava financeira\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/satelite.jpg\" width=\"372\" height=\"372\" title=\"Cr\u00edticos da fratura hidr\u00e1ulica pedem trava financeira\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Imagem obtida por sat\u00e9lite do Golfo de San Jorge, na Patag\u00f4nia argentina, que abriga grandes riquezas de g\u00e1s de xisto e contribui para formar a segunda maior reserva mundial, atr\u00e1s da China, segundo a Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o de Energia, dos Estados Unidos. Foto: IPS\/Photostock<\/p><\/div>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 14\/8\/2013 \u2013 Organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais pressionam os organismos financeiros multilaterais para que n\u00e3o financiem a produ\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos obtidos mediante fratura hidr\u00e1ulica (<i>fracking<\/i>), por entenderem que este procedimento apresenta altos custos ambientais. \u201cMe parece terr\u00edvel, pois o <i>fracking<\/i> \u00e9 uma das t\u00e9cnicas de maior risco para a disponibilidade de \u00e1gua pot\u00e1vel. \u00c9 preciso abortar essa inten\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 absolutamente incongruente\u201d, disse \u00e0 IPS a coordenadora geral da Rede de A\u00e7\u00e3o pela \u00c1gua no M\u00e9xico (Fanmex), Nathalie Seguin.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 h\u00e1 experi\u00eancias em v\u00e1rias partes do mundo, com pesquisas cient\u00edficas s\u00f3lidas, que marcam claramente um alto risco de vazamentos nos po\u00e7os verticais, que s\u00e3o os que atravessam os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos\u201d, ressaltou Seguin. A fratura hidr\u00e1ulica \u00e9 a tecnologia utilizada para extrair hidrocarbonos n\u00e3o convencionais presos em rochas, como o g\u00e1s de xisto, para assim liber\u00e1-los em grande escala. Esse recurso exige grandes volumes de \u00e1gua e a escava\u00e7\u00e3o e fratura geram enormes quantidades de res\u00edduos l\u00edquidos, que podem conter subst\u00e2ncias qu\u00edmicas dissolvidas e outros contaminantes que requerem tratamento antes de seu descarte.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas institui\u00e7\u00f5es internacionais est\u00e3o abertas para financiar o <i>fracking<\/i>. \u00c9 um risco real investirem\u201d nesse m\u00e9todo, alertou Timoth\u00e9 Feodoroff, do programa de justi\u00e7a agr\u00e1ria da rede n\u00e3o governamental Trasnational Institute (TNI), com sede em Amsterd\u00e3. Feodoroff \u00e9 autor, junto com seus colegas Jennifer Franco e Ana Mar\u00eda Rey, do relat\u00f3rio, publicado em janeiro, <i>Hist\u00f3ria Velha, Amea\u00e7a Nova: Fracking e a Posse Global da Terra<\/i>, que revela que, \u201catr\u00e1s dos bastidores da disputa mundial pela explora\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s n\u00e3o convencional, h\u00e1 um amplo espectro de atores p\u00fablicos e transnacionais privados, bem como nacionais e institucionais\u201d.<\/p>\n<p>Nessa rede operam empresas fornecedoras de tecnologia, petroleiras, financeiras, governos, firmas de <i>lobby<\/i> e inclusive organiza\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. A TNI publicar\u00e1 em setembro novo informe abordando a bolha financeira alimentada por bancos e fundos privados de investimento em torno do g\u00e1s de xisto. \u201cDescobrimos que o dinheiro foi dado pelas firmas de Wall Street, h\u00e1 muita especula\u00e7\u00e3o com o <i>fracking<\/i>. Com a crise imobili\u00e1ria de 2007 fizeram o mesmo. H\u00e1 muitos bancos de investimento envolvidos\u201d, revelou Feodoroff \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A Corpora\u00e7\u00e3o Financeira Internacional, bra\u00e7o privado do Banco Mundial, assegurou \u00e0 IPS n\u00e3o ter planos de conceder nenhum empr\u00e9stimo para a fratura hidr\u00e1ulica. No entanto, essa entidade possui 10% do cons\u00f3rcio Agiba Petroleum, tamb\u00e9m formado pela Corpora\u00e7\u00e3o Geral Eg\u00edpcia de Petr\u00f3leo, pela italiana Eni SPA e pela russa Lukoil, que pratica o <i>fracking<\/i> nos campos Falak e Dorra, no deserto do Egito.<\/p>\n<p>O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que n\u00e3o respondeu \u00e0 consulta da IPS sobre planos de financiar fratura hidr\u00e1ulica, publicou em dezembro o estudo <i>A Nova Paisagem Energ\u00e9tica: G\u00e1s de Xisto na Am\u00e9rica Latina<\/i>, de David Mares, que n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para consulta p\u00fablica. Mas o trabalho de julho passado <i>G\u00e1s de Xisto na Am\u00e9rica Latina: Oportunidades e Desafios<\/i>, desse mesmo consultor, apresenta algumas ideias a respeito da situa\u00e7\u00e3o do novo hidrocarbono na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs temas centrais que determinar\u00e3o quais pa\u00edses latino-americanos s\u00e3o parte da revolu\u00e7\u00e3o do g\u00e1s de xisto giram em torno das necessidades dos investidores, da situa\u00e7\u00e3o do debate ambiental e da habilidade do Estado para dar seguran\u00e7a \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz o texto publicado pelo n\u00e3o governamental Di\u00e1logo Interamericano, com sede em Washington. Mares argumenta que o desenvolvimento do recurso vai variar segundo o pa\u00eds, e que o financiamento poder\u00e1 vir de fontes locais, investimento estrangeiro direto, um portf\u00f3lio de investimentos, investimentos estatais e empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>A estatal Petr\u00f3leos Mexicanos perfurou neste pa\u00eds, desde 2001, pelo menos seis po\u00e7os em rochas de xisto nos Estados de Nuevo Le\u00f3n e Coahuila, e prepara uma nova excurs\u00e3o geol\u00f3gica no norte do Estado de Veracruz, ao custo de US$ 245 milh\u00f5es por 18 meses, encabe\u00e7ada pelo tamb\u00e9m estatal Instituto Mexicano do Petr\u00f3leo. Esta companhia nacional pretende perfurar 20 po\u00e7os at\u00e9 2016, com investimento superior a US$ 2 bilh\u00f5es, e projeta para os pr\u00f3ximos 50 anos operar 6.500 po\u00e7os em escala comercial.<\/p>\n<p>A norte-americana Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o e Energia (EIA) coloca o M\u00e9xico em sexto lugar global de g\u00e1s tecnicamente recuper\u00e1vel, atr\u00e1s de China, Argentina, Arg\u00e9lia, Estados Unidos e Canad\u00e1, em um estudo de 137 dep\u00f3sitos em 42 pa\u00edses. Nessa mesma escala, este pa\u00eds ocupa o oitavo lugar quanto a petr\u00f3leo na mesma situa\u00e7\u00e3o. As organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais n\u00e3o descartam lan\u00e7ar uma campanha internacional contra o financiamento desse m\u00e9todo e preparam a\u00e7\u00f5es globais para o Dia Mundial Contra o <i>Fracking<\/i>, 19 de outubro.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 a press\u00e3o das empresas privadas e dos governos para financiar essas atividades\u201d, explicou Seguin. \u201cO interesses dos \u00f3rg\u00e3os multilaterais \u00e9 emprestar dinheiro, apostam em megainfraestruturas porque \u00e9 a forma mais f\u00e1cil de endividar os pa\u00edses e se manter. Esse financiamento contradiz seus pr\u00f3prios padr\u00f5es ambientais e sociais. Por que vamos explorar g\u00e1s de xisto, quando \u00e9 uma amea\u00e7a muito grande?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Ao menos seis organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 formaram a Alian\u00e7a Mexicana Contra o Fracking, que ainda n\u00e3o definiu se pedir\u00e1 uma morat\u00f3ria da atividade ou uma proibi\u00e7\u00e3o expressa em um pr\u00f3ximo relat\u00f3rio sobre as arestas energ\u00e9ticas, econ\u00f4micas, sociais e ambientais do recurso. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que os grandes bancos influenciem nas ag\u00eancias multilaterais. Alertamos sobre o poder corporativo para influir em suas decis\u00f5es\u201d, afirmou Feodoroff.<\/p>\n<p>O holand\u00eas Rabobank Group, especializado em mat\u00e9ria-prima e produtos agr\u00edcolas, anunciou que n\u00e3o por\u00e1 dinheiro na explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto, um movimento que os especialistas esperam seja imitado por outras institui\u00e7\u00f5es privadas. A an\u00e1lise de Mares prev\u00ea que \u201co desenvolvimento do potencial de g\u00e1s de xisto da Am\u00e9rica Latina enfrenta desafios importantes e n\u00e3o est\u00e1 claro se a regi\u00e3o os abordar\u00e1 com sucesso\u201d. Por isso prognostica uma perspectiva problem\u00e1tica para M\u00e9xico, Argentina e Brasil. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 14\/8\/2013 &ndash; Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais pressionam os organismos financeiros multilaterais para que n&atilde;o financiem a produ&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonos obtidos mediante fratura hidr&aacute;ulica (fracking), por entenderem que este procedimento apresenta altos custos ambientais. &ldquo;Me parece terr&iacute;vel, pois o fracking &eacute; uma das t&eacute;cnicas de maior risco para a disponibilidade de &aacute;gua pot&aacute;vel. 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