{"id":16352,"date":"2013-08-15T14:35:27","date_gmt":"2013-08-15T14:35:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=96153"},"modified":"2013-08-15T14:35:27","modified_gmt":"2013-08-15T14:35:27","slug":"america-latina-deve-render-mais-em-direitos-reprodutivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/america-latina-deve-render-mais-em-direitos-reprodutivos\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina deve render mais em direitos reprodutivos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_96156\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mulheres2.jpg\"><img class=\" wp-image-96156 \" alt=\"mulheres2 Am\u00e9rica Latina deve render mais em direitos reprodutivos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mulheres2.jpg\" width=\"529\" height=\"307\" title=\"Am\u00e9rica Latina deve render mais em direitos reprodutivos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres ind\u00edgenas de Chiapas. Foto: Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, agosto\/2013 \u2013 Na \u00faltima d\u00e9cada v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe registraram crescimento econ\u00f4mico e criaram pol\u00edticas fiscais para redistribuir a riqueza e reduzir a pobreza e a desigualdade, bem como para melhorar a cobertura e a qualidade da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>Entretanto, existe na regi\u00e3o uma significativa brecha em mat\u00e9ria de sa\u00fade e direitos reprodutivos, especialmente com rela\u00e7\u00e3o a alguns dos principais objetivos do Programa de A\u00e7\u00e3o (surgido da Confer\u00eancia Internacional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, realizada em 1994 no Cairo).<\/p>\n<p>Se tomarmos um dos indicadores b\u00e1sicos de sa\u00fade reprodutiva como a mortalidade materna, sua redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta para garantir o cumprimento em 2015 de uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>A mortalidade materna m\u00e9dia da regi\u00e3o \u00e9 de 80 mortes para cada cem mil nascidos vivos, segundo estimativas de 2011 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) e Banco Mundial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 desigualdades significativas entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Por exemplo, a mortalidade materna no Uruguai foi de 29 em cada cem mil nascidos vivos em 2010, enquanto na Guatemala chegou a 120. O Haiti \u00e9 o pa\u00eds em pior situa\u00e7\u00e3o, com 350 mortes.<\/p>\n<p>Uma propor\u00e7\u00e3o significativa dos falecimentos se deve a abortos praticados em condi\u00e7\u00f5es inseguras, uma importante causa de preocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Estima-se que em 2008 o n\u00famero de abortos foi de 31 para cada mil mulheres entre 15 e 44 anos. Al\u00e9m disso, 12% das 1.100 perderam a vida por interromperem a gravidez em condi\u00e7\u00f5es inseguras, segundo a OMS.<\/p>\n<p>O aborto s\u00f3 \u00e9 legal em seis pa\u00edses, que juntos concentram menos de 5% das mulheres entre 15 e 44 anos, segundo dados de 2012 do Instituto Guttmacher.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das diferen\u00e7as em mat\u00e9ria de mortalidade materna e possibilidades de abortar em condi\u00e7\u00f5es seguras de um pa\u00eds para outro, tamb\u00e9m h\u00e1 desigualdades internas.<\/p>\n<p>Por exemplo, a fertilidade caiu de forma consider\u00e1vel na Bol\u00edvia (DHA, 2008), mas nos setores sem educa\u00e7\u00e3o foi de 6,1 em compara\u00e7\u00e3o com 1,9 em setores escolarizados; e a diferen\u00e7a entre cidades e zonas rurais foi de 2,8 e 4,9, respectivamente. No Panam\u00e1, a mortalidade materna \u00e9 cinco vezes maior entre as ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>E o mais tr\u00e1gico \u00e9 que Am\u00e9rica Latina e Caribe ocupam o segundo lugar em quantidade de gravidezes adolescentes em escala mundial, aproximadamente 70 nascidos vivos para cada mil meninas entre 15 e 19 anos.<\/p>\n<p>Cerca de 38% das mulheres engravidam antes dos 20 anos e quase 20% dos nascidos vivos t\u00eam m\u00e3es adolescentes.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 clara: o acesso universal a servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva est\u00e1 longe de ser uma realidade na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando os sete componentes do Programa de A\u00e7\u00e3o do Cairo, os pa\u00edses da regi\u00e3o conseguiram maior preval\u00eancia de anticoncepcionais do que \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Por exemplo, em 2012 a preval\u00eancia de anticoncepcionais entre as mulheres casadas na \u00c1frica foi de 26%, enquanto na \u00c1sia chegou a 47%, sem contar a China. Por\u00e9m, na Am\u00e9rica Latina e no Caribe foi de 67%, segundo dados do Population Reference Bureau.<\/p>\n<p>Com disse antes, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe diminu\u00edram a mortalidade materna regional para 80 em cada cem mil nascidos vivos, uma melhora significativa, especialmente se comparada com a \u00c1frica subsaariana, onde houve 500 mortes, ou a \u00c1sia meridional, com 220, segundo dados do Unicef de 2010.<\/p>\n<p>Mas em outras categorias do Programa de A\u00e7\u00e3o do Cairo, como na express\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos direitos sexuais e reprodutivos, que inclui o acesso a abortos seguros e a cuidados posteriores \u00e0 interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, bem como em quest\u00f5es de identidade de g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual, ainda h\u00e1 muito por fazer.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es dos avan\u00e7os na Am\u00e9rica Latina e no Caribe j\u00e1 foram mencionadas: desenvolvimento geral, alta taxa de escolaridade e acesso a anticoncepcionais, que significaram uma ajuda consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o esque\u00e7amos que a falta de progressos em sa\u00fade sexual e reprodutiva e, em particular, em mat\u00e9ria de abortos seguros se deve ao fato de uma grande quantidade de pa\u00edses da regi\u00e3o ter reservas formais a muitos dos elementos do Programa de A\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As retic\u00eancias t\u00eam a ver com o pr\u00f3prio aborto, com a cren\u00e7a nacional e\/ou leis sobre a necessidade de proteger a vida desde o momento da concep\u00e7\u00e3o e com preocupa\u00e7\u00f5es por configura\u00e7\u00f5es familiares distintas do casamento entre homem e mulher.<\/p>\n<p>Embora v\u00e1rios pa\u00edses de outras regi\u00f5es tenham expressado reservas semelhantes, especialmente muitos Estados isl\u00e2micos e cat\u00f3licos, s\u00f3 um pa\u00eds africano e um asi\u00e1tico (Djibuti e Filipinas) apresentaram reservas formais a respeito.<\/p>\n<p>Estas reservas continuam sendo obst\u00e1culos para o avan\u00e7o em certas \u00e1reas e s\u00e3o respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o que se observa atualmente. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <\/i><b><i>Purnima Mane <\/i><\/b><i>\u00e9 presidente e diretora-executiva do Pathfinder International, l\u00edder mundial em sa\u00fade sexual e reprodutiva.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, agosto\/2013 &ndash; Na &uacute;ltima d&eacute;cada v&aacute;rios pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe registraram crescimento econ&ocirc;mico e criaram pol&iacute;ticas fiscais para redistribuir a riqueza e reduzir a pobreza e a desigualdade, bem como para melhorar a cobertura e a qualidade da sa&uacute;de, da educa&ccedil;&atilde;o e dos servi&ccedil;os sociais. 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