{"id":16360,"date":"2013-08-19T13:29:37","date_gmt":"2013-08-19T13:29:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=96352"},"modified":"2013-08-19T13:29:37","modified_gmt":"2013-08-19T13:29:37","slug":"terramerica-conciliar-agricultura-e-conservacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/terramerica-conciliar-agricultura-e-conservacao\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Conciliar agricultura e conserva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_96353\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 350px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/RioDeJaneiroPlantacao.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-96353\" alt=\"RioDeJaneiroPlantacao TERRAM\u00c9RICA   Conciliar agricultura e conserva\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/RioDeJaneiroPlantacao.jpg\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Conciliar agricultura e conserva\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Propriedade particular no Estado do Rio de Janeiro com um sistema de planta\u00e7\u00e3o que se adapta \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es locais da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Fabiola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Destacados cientistas e l\u00edderes de organiza\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 biodiversidade se lan\u00e7am em um esfor\u00e7o para promover uma nova agricultura.<\/em><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 19 de agosto de 2013 (Terram\u00e9rica).- O Brasil demorou quatro d\u00e9cadas para superar a inseguran\u00e7a alimentar e projetar-se como grande fornecedor global de alimentos. Agora suas experi\u00eancias far\u00e3o parte dos testes de uma iniciativa de cientistas e dirigentes que buscam conciliar a agricultura e a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica. \u201cApesar dos que consideram que a agricultura brasileira \u00e9 agressiva e destrutiva, queremos compartilhar outra vis\u00e3o para o resto do cintur\u00e3o tropical, onde est\u00e3o os pa\u00edses mais pobres e que sofrem grande inseguran\u00e7a alimentar\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Maur\u00edcio Lopes.<\/p>\n<p>A rede Bridging Agriculture and Conservation (Estender Pontes Entre a Agricultura e a Conserva\u00e7\u00e3o) come\u00e7ou a funcionar em julho no Rio de Janeiro, com especialistas e pensadores mundiais sobre agricultura, conserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade. Lopes \u00e9 um deles. Esta rede foi criada pela Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (FBDS) e pela Bioversity International, uma entidade de pesquisa sem fins lucrativos que tem sua sede em Roma.<\/p>\n<p>A meta \u00e9 reunir, ao longo de dois anos, evid\u00eancias cient\u00edficas a partir do trabalho de 25 pesquisadores de diferentes lugares do mundo e apresentar \u00e0 comunidade internacional e aos governos medidas economicamente vi\u00e1veis. Segundo Lopes, \u201co Brasil conseguiu transformar grandes extens\u00f5es de solos pobres e \u00e1ridos em \u00e1reas f\u00e9rteis. Essa foi nossa primeira revolu\u00e7\u00e3o. Depois \u2018tropicalizamos\u2019 os cultivos: trouxemos recursos gen\u00e9ticos de diversas partes do mundo e criamos um conceito de agricultura tropical\u201d. O atual desafio brasileiro \u00e9 promover uma grande revolu\u00e7\u00e3o integrando sistemas agropecu\u00e1rios e silv\u00edcolas.<\/p>\n<p>\u201cO pa\u00eds ainda tem 60% de florestas naturais virgens, e queremos mant\u00ea-las assim, manejando-as de maneira inteligente. Nenhum pa\u00eds tem uma agricultura que caminha de forma t\u00e3o determinante na dire\u00e7\u00e3o da sustentabilidade como o Brasil\u201d, destacou Lopes. A Embrapa estima que entre 50 milh\u00f5es e 60 milh\u00f5es de hectares de pastagens degradadas (zonas que foram ocupadas entre os anos 1970 e 1990) s\u00e3o agora reincorporadas ao processo produtivo com tecnologias de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA quase todos os pa\u00edses africanos em desenvolvimento foram apresentadas solu\u00e7\u00f5es baseadas no modelo cl\u00e1ssico de agricultura industrial. Contudo, a grande maioria dos agricultores \u00e9 de pequenos produtores, e as respostas at\u00e9 agora n\u00e3o levaram em conta suas necessidades. Eles continuam sendo pobres\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o ex-diretor geral da Bioversity International, Emile Frison. N\u00e3o h\u00e1 \u201csolu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas\u201d que possam ser implantadas em todos os lados. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 uma nova abordagem na intera\u00e7\u00e3o de cientistas e agricultores, pontuou.<\/p>\n<p>Segundo Ann Tutwiler, que sucedeu Frison na dire\u00e7\u00e3o da Bioversity International, \u00e9 preciso pensar em diferentes solu\u00e7\u00f5es. A proposta deveria \u201cajudar a resolver mais de uma equa\u00e7\u00e3o nos planos local e mundial. Podemos identificar pr\u00e1ticas produtivas para conservar a biodiversidade, reduzir o impacto ambiental e manter ou melhorar os cultivos, bem como encontrar e sugerir sementes ou planta\u00e7\u00f5es que contribuam para a nutri\u00e7\u00e3o e prestem servi\u00e7os ecol\u00f3gicos\u201d, afirmou Tutwiler ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>A representante da Bioversity International criticou a separa\u00e7\u00e3o \u201cartificial\u201d entre a comunidade que prega a conserva\u00e7\u00e3o da natureza e o setor agr\u00edcola que quer garantir alimentos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mundial. Um dos pontos em comum \u00e9 a necessidade de proporcionar uma agenda com incentivos e pol\u00edticas de governo. \u201cSe n\u00e3o conseguirmos esse apoio para a pol\u00edtica em meio ambiente e agricultura, ser\u00e1 muito dif\u00edcil comprometer empres\u00e1rios e agricultores\u201d, admitiu Tutwiler.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7os anteriores fracassaram. Entre 2005 e 2008, foi feito um estudo pioneiro, a Avalia\u00e7\u00e3o Internacional do Conhecimento, da Ci\u00eancia e da Tecnologia no Desenvolvimento Agr\u00edcola (IAASTD), aprovado por 60 governos para promover pol\u00edticas guiadas pelo melhor conhecimento cient\u00edfico dispon\u00edvel. Por\u00e9m, logo caiu no esquecimento. Para o presidente da FBDS, Israel Klabin, a IAASTD e as pol\u00edticas que recomendou foram um passo na dire\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>\u201cServiu para fundamentar novas pol\u00edticas em v\u00e1rios pa\u00edses e certamente nas ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas, no GEF (Fundo para o Meio Ambiente Mundial) e no Banco Mundial. Mas o processo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 de longo prazo e deve ser refor\u00e7ado continuamente\u201d, disse Klabin ao Terram\u00e9rica. \u201cH\u00e1 v\u00e1rias propostas em andamento, com as mesas-redondas sobre soja ou carne bovina, que re\u00fanem diferentes partes interessadas \u2013 inclu\u00edda a ind\u00fastria \u2013 para promover uma produ\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel que n\u00e3o prejudique a natureza nem as pessoas\u201d, acrescentou Klabin.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um dilatado processo de consultas, a IAASTD apresentou diferentes op\u00e7\u00f5es e cen\u00e1rios e enfatizou a necessidade de repensar a ci\u00eancia agr\u00edcola, n\u00e3o s\u00f3 para elevar os rendimentos e reduzir os custos da agricultura em grande escala, mas para colocar a pesquisa agr\u00edcola a servi\u00e7o das necessidades dos pequenos agricultores em ecossistemas diversos e zonas de grandes car\u00eancias.<\/p>\n<p>Klabin observou que uma diferen\u00e7a com a IAASTD \u00e9 que agora se trata de um esfor\u00e7o de baixo para cima \u2013 a partir de cientistas, empresas e institui\u00e7\u00f5es dedicadas a estes temas \u2013, e n\u00e3o hier\u00e1rquico, isto \u00e9, nascido dos governos ou da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). \u201cNos baseamos na melhor ci\u00eancia existente tanto em tecnologias agr\u00edcolas como nos elementos ambientais, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a descarboniza\u00e7\u00e3o da economia agr\u00edcola e a modifica\u00e7\u00e3o da oferta de fertilizantes, dos quais os mais prejudiciais s\u00e3o os nitrogenados\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Tutwiler, \u201c\u00e9 importante comprometermos os grandes agricultores comerciais. H\u00e1 maneiras de mudar suas pr\u00e1ticas e de fazer melhor uso da biodiversidade. Existem solu\u00e7\u00f5es, mas ser\u00e1 preciso mudar a mentalidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Marion Guillou, do conselho diretor do Grupo Consultivo para a Pesquisa Agr\u00edcola Internacional (CGIAR), o primeiro passo ser\u00e1 superar obst\u00e1culos, desafios e riscos. \u201cDepois, teremos que decidir o que fazer como corpo original e encontrar uma liga\u00e7\u00e3o entre agricultura e biodiversidade, reuniremos evid\u00eancias cient\u00edficas sobre os pontos nos quais podemos insistir e, ao final, vamos elaborar uma lista de recomenda\u00e7\u00f5es\u201d, indicou.<\/p>\n<p>O grupo se reunir\u00e1 nos f\u00f3runs de discuss\u00e3o da comunidade internacional e aspira influir nos debates sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e o Conv\u00eanio sobre a Diversidade Biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cNos pr\u00f3ximos anos haver\u00e1 discuss\u00f5es sobre estes temas, e teremos algo a dizer. Sabemos que reunir tudo isso levar\u00e1 pelo menos dois anos\u201d, enfatizou Guillou. A novidade \u00e9 integrar a conserva\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura e evitar um conflito que \u201cempobre\u00e7a o futuro do planeta e a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o bi\u00f3logo norte-americano Thomas Lovejoy, que introduziu a express\u00e3o \u201cdiversidade biol\u00f3gica\u201d na comunidade cient\u00edfica em 1980.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 ver a agricultora inserida em uma paisagem natural, afirmou Lovejoy, presidente de Biodiversidade no Centro Heinz para a Economia, a Ci\u00eancia e o Meio Ambiente. \u201cTemos que produzir sistemas mais inter-relacionados. A agricultura ideal \u00e9 aquela que produz sem gerar desperd\u00edcio ou contamina\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a grande quest\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que influi nos ciclos hidrol\u00f3gicos e cria zonas degradadas sem oxig\u00eanio\u201d, destacou. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LINKS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/desenvolvimento-pautas-para-a-agricultura-do-seculo-xxi\/\" >Pautas para a agricultura do s\u00e9culo XXI<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/agricultura-como-aumentar-a-producao-agricola-sem-prejudicar-o-meio-ambiente\/\" >Como aumentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sem prejudicar o meio ambiente<\/a><\/p>\n<p><a style=\"font-size: 13px;\" href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/agricultura-tecnologia-agricola-brasileira-para-a-africa\/\" >Tecnologia agr\u00edcola brasileira para a \u00c1frica<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Destacados cientistas e l&iacute;deres de organiza&ccedil;&otilde;es dedicadas &agrave; biodiversidade se lan&ccedil;am em um esfor&ccedil;o para promover uma nova agricultura. 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