{"id":16372,"date":"2013-08-20T13:38:36","date_gmt":"2013-08-20T13:38:36","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=96461"},"modified":"2013-08-20T13:38:36","modified_gmt":"2013-08-20T13:38:36","slug":"milhares-desaparecem-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/milhares-desaparecem-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Milhares desaparecem no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_96462\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Elizabeth.jpg\"><img class=\" wp-image-96462 \" alt=\"Elizabeth Milhares desaparecem no Rio de Janeiro\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Elizabeth.jpg\" width=\"529\" height=\"253\" title=\"Milhares desaparecem no Rio de Janeiro\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Elizabeth Gomes da Silva, mulher de Amarildo Dias de Souza, desaparecido desde 14 de julho, na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IP<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/8\/2013 \u2013 Em duas d\u00e9cadas, o Estado do Rio de Janeiro registrou quase 92 mil pessoas desaparecidas, afirma um estudo independente. A maioria dos casos ficou sem resposta e acabaram como muitos crimes n\u00e3o esclarecidos: arquivados. Amarildo Dias de Souza, de 43 anos, vivia na Rocinha, uma das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro. Mais precisamente em um beco no alto do morro conhecido como Roupa Suja. Sua casa de apenas dez metros quadrados abrigava seis filhos.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ali n\u00e3o h\u00e1 ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica nem nenhum outro tipo de infraestrutura urbana, como saneamento, \u00e1gua pot\u00e1vel ou coleta de lixo. Para manter sua fam\u00edlia, inclu\u00edda sua mulher com quem estava casado h\u00e1 30 anos, Amarildo trabalhava como ajudante de pedreiro e fazia pequenos trabalhos para conseguir algum dinheiro. Quando n\u00e3o trabalhava, ia pescar. No dia 14 de julho, um domingo, regressou da pesca e na porta de sua casa foi abordado por um grupo de 20 policiais militares, que queriam lev\u00e1-lo para uma averigua\u00e7\u00e3o na sede da Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">As UPP foram criadas pelo governo estadual para ocupar favelas de forma permanente e libert\u00e1-las do narcotr\u00e1fico. A a\u00e7\u00e3o policial \u00e9 seguida de programas sociais. A Rocinha foi \u201cpacificada\u201d em setembro de 2012, quando a pol\u00edcia ocupou esse enorme conjunto de favelas e expulsou um grupo de traficantes que controlavam a \u00e1rea e costumavam andar fortemente armados.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Amarildo foi visto pela \u00faltima vez entrando na viatura policial. Seu caso foi mais um motivo para os protestos que acontecem quase diariamente nesta cidade. Seu rosto aparece estampado em cartazes espalhados pelo Rio de Janeiro com a pergunta \u201cOnde est\u00e1 Amarildo?\u201d. \u201cH\u00e1 uma s\u00e9rie de irregularidades na forma como a pol\u00edcia atuou. Se era para uma averigua\u00e7\u00e3o, bastaria que fosse \u00e0 delegacia e n\u00e3o \u00e0 sede da UPP. S\u00e3o equ\u00edvocos da atua\u00e7\u00e3o policial que por si s\u00f3 merecem ser investigados\u201d, disse \u00e0 IPS a assessora em ativismo e mobiliza\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio da Anistia Internacional no Brasil, Jandira Queiroz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A Anistia est\u00e1 solicitando aos seus tr\u00eas milh\u00f5es de filiados em todo o mundo que enviem cartas ao governador do Rio de Janeiro e \u00e0 Secretaria da Seguran\u00e7a pedindo uma investiga\u00e7\u00e3o completa do caso, prote\u00e7\u00e3o para as testemunhas e identifica\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o para os respons\u00e1veis. \u201cA pol\u00edcia diz que o libertou. At\u00e9 agora n\u00e3o foi encontrado nada, nem provas de onde poderia estar, nem o corpo. Se morreu, a fam\u00edlia quer pelo menos lhe dar um enterro digno\u201d, destacou Jandira. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">As c\u00e2meras de controle da base da UPP, que poderiam confirmar a vers\u00e3o oficial, n\u00e3o funcionavam naquela noite. E os equipamentos de GPS das viaturas que foram buscar Amarildo estavam desligados. A Pol\u00edcia Civil trabalha com a hip\u00f3tese de assassinato, cometido tanto por policiais quanto por traficantes de drogas. A fam\u00edlia tem cada vez menos esperan\u00e7a de encontr\u00e1-lo com vida. O clima onde ele morava \u00e9 de desamparo e impunidade. <\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os policiais da UPP levaram meu marido e seus documentos. Ele desapareceu h\u00e1 um m\u00eas, e n\u00e3o tenho dinheiro. Pelo menos quero seus ossos para enterrar. Quero uma resposta: onde est\u00e1 Amarildo?\u201d, disse, indignada, sua mulher, Elizabeth Gomes da Silva. O caso trouxe \u00e0 tona dezenas de outras pessoas que desapareceram sem deixar rastros e ca\u00edram no esquecimento. Muitos desses incidentes tinham agentes policiais como principais suspeitos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Segundo o Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica, no Estado do Rio de Janeiro desaparecem, em m\u00e9dia, 15 pessoas por dia. As causas mais comuns s\u00e3o assassinatos, disputas familiares e problemas mentais. J\u00e1 na cidade do Rio de Janeiro essa m\u00e9dia \u00e9 de seis por dia. Mas estas estat\u00edsticas n\u00e3o s\u00e3o depuradas quando, por exemplo, um desaparecimento se transforma em homic\u00eddio, ao aparecer o cad\u00e1ver.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Uma pesquisa feita pelo soci\u00f3logo F\u00e1bio Ara\u00fajo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentou como resultado 91.807 desaparecimentos registrados entre 1991 e maio deste ano. Em 2011, o registro mencionava 5.482 casos e em 2012 5.934. A maioria \u00e9 de homens e moradores de favelas ou sub\u00farbios pobres. \u201cA atua\u00e7\u00e3o policial \u00e9 violent\u00edssima, bem como a das mil\u00edcias (grupos parapoliciais ou paramilitares dedicados \u00e0 extors\u00e3o e ao crime) e a do narcotr\u00e1fico. Estes atores ora disputam ora colaboram para fazer desaparecer corpos\u201d, explicou Ara\u00fajo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No dia 13, familiares de desaparecidos e movimentos sociais se reuniram em uma audi\u00eancia p\u00fablica organizada pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. \u201cO carro da minha irm\u00e3 foi baleado pela pol\u00edcia e ela est\u00e1 desaparecida h\u00e1 cinco anos. Creio que nunca mais a veremos. Nossa fam\u00edlia n\u00e3o p\u00f4de encerrar o ciclo, n\u00e3o temos corpo para enterrar\u201d, disse \u00e0 IPS Adriano Aimeiro, irm\u00e3o da engenheira Patr\u00edcia Amieiro de 24 anos. Ela desapareceu em junho de 2008.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No Senado tramita um projeto de lei que prop\u00f5e incluir no C\u00f3digo Penal uma artigo que tipifique o crime de desaparecimento for\u00e7ado. O costume de ocultar cad\u00e1veres \u00e9 comum neste pa\u00eds, porque, quando o corpo da v\u00edtima n\u00e3o \u00e9 encontrado, as autoridades deixam de investigar o caso. <\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Este \u00e9 um pa\u00eds de impunidade com rela\u00e7\u00e3o aos crimes contra a vida. Milhares de pessoas desaparecem e as autoridades n\u00e3o se preocupam com seu paradeiro. Muitos nem mesmo chegam a ser registrados nas delegacias, e algumas dessas pr\u00e1ticas s\u00e3o executadas por policiais\u201d, afirmou \u00e0 IPS o presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Rio de Paz, Ant\u00f4nio Carlos Costa. Para Costa, a quantidade de assassinatos \u00e9 maior do que a divulgada e h\u00e1 cemit\u00e9rios clandestinos dispersos pela regi\u00e3o metropolitana do Rio. \u201cIsso torna a estat\u00edstica assombrosa e humilhante. Vivemos em uma cultura de banaliza\u00e7\u00e3o da vida humana que se reflete no poder p\u00fablico\u201d, ressaltou.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, deputado Marcelo Freixo, apontou \u201cprofundas contradi\u00e7\u00f5es\u201d nas investiga\u00e7\u00f5es sobre o paradeiro de Amarildo de Souza e enviou na segunda semana deste m\u00eas um of\u00edcio para que a promotoria e a pol\u00edcia civil esclare\u00e7am as diverg\u00eancias. Em sua opini\u00e3o, a vers\u00e3o policial associando Amarildo ao tr\u00e1fico na Rocinha \u00e9 uma tentativa de \u201cdesqualificar a v\u00edtima e a den\u00fancia\u201d. Freixo disse \u00e0 IPS que n\u00e3o h\u00e1 nenhum ind\u00edcio que comprove que Amarildo ou sua fam\u00edlia estivessem envolvidos com o narcotr\u00e1fico. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O deputado prop\u00f4s criar um grupo de trabalho no qual se associem a Promotoria e as secretarias de Seguran\u00e7a, Assist\u00eancia Social e Direitos Humanos para acompanhar os casos de desaparecimento no Estado. Envolverde\/IPS<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 20\/8\/2013 &ndash; Em duas d&eacute;cadas, o Estado do Rio de Janeiro registrou quase 92 mil pessoas desaparecidas, afirma um estudo independente. A maioria dos casos ficou sem resposta e acabaram como muitos crimes n&atilde;o esclarecidos: arquivados. 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