{"id":16394,"date":"2013-08-10T11:15:06","date_gmt":"2013-08-10T11:15:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=16394"},"modified":"2013-08-22T11:16:05","modified_gmt":"2013-08-22T11:16:05","slug":"grandes-sonhos-mas-quem-vai-financiar-os-planos-infra-estruturais-da-africa-austral-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/africa\/grandes-sonhos-mas-quem-vai-financiar-os-planos-infra-estruturais-da-africa-austral-2\/","title":{"rendered":"Grandes Sonhos \u2013 Mas Quem Vai Financiar os Planos Infra-Estruturais da \u00c1frica Austral?"},"content":{"rendered":"<p>MAPUTO,\u00a0 08\/08\/2013\u2013 Mont\u00edculos de areia e entulho \u00e9 o que resta de partes da estrada marginal em Maputo \u00e0 medida que escavadoras, conduzidas por trabalhadores de constru\u00e7\u00e3o chineses, v\u00e3o destruindo a estrada que est\u00e1 a ser reconstru\u00edda. A \u00c1frica Austral est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o e os avisos est\u00e3o por todo o lado.<\/p>\n<p><!--more-->Entre o p\u00f3 e equipamento de terraplanagem, delegados da regi\u00e3o da \u00c1frica Austral reuniram-se na capital mo\u00e7ambicana entre 27-28 de Junho no encontro sobre Investimentos em Infra-estruturas da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC) para tentar angariar o financiamento necess\u00e1rio para uma ambiciosa rede de infra-estruturas transfronteiri\u00e7as que ir\u00e1 ajudar a regi\u00e3o a tornar-se globalmente competitiva.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos 15 anos, a SADC quer impulsionar uma extensa renova\u00e7\u00e3o das infra-estruturas existentes, construir uma nova log\u00edstica, inclu\u00edndo barragens hidroel\u00e9ctricas, linhas de transmiss\u00e3o, estradas e caminhos-de-ferro, e ainda aumentar a conectividade \u00e0 internet e o acesso \u00e0 banda larga em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio obter, com urg\u00eancia, 64 bili\u00f5es de d\u00f3lares para financiar a primeira fase do \u201cPlano Director de Infra-estruturas\u201d que a SADC adoptou na cimeira de 2012 em Maputo e que deseja come\u00e7ar a p\u00f4r em pr\u00e1tica. Nos pr\u00f3ximos 15 anos, o custo total dos projectos de infra-estruturas pode chegar aos 500 bili\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>\u201cEste n\u00famero pode parecer assustador, mas se n\u00e3o investirmos agora, poderemos comprometer a nossa capacidade comercial,\u201d afirmou Tomaz Salom\u00e3o, Secret\u00e1rio-Geral da SADC. \u201cDecidimos faz\u00ea-lo agora.\u201d<\/p>\n<p>As infra-estruturas prec\u00e1rias s\u00e3o vistas como o maior obst\u00e1culo ao crescimento econ\u00f3mico da regi\u00e3o. Os investidores queixam-se que as fracas infra-estruturas constituem uma das principais desvantagens de operar na regi\u00e3o. Em 2009, o Banco Mundial calculou que a \u201clacuna das infra-estruturas\u201d tinha reduzido o crescimento nacional em dois por cento na regi\u00e3o por ano.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 saber como a SADC vai angariar fundos para financiar o que \u00e9 necess\u00e1rio. V\u00e1rios pa\u00edses j\u00e1 reservaram valores consider\u00e1veis destinados \u00e0s infra-estruturas. Em 2012 a \u00c1frica do Sul prometeu disponibilizar 400 bili\u00f5es de d\u00f3lares. A integra\u00e7\u00e3o regional \u00e9 uma forma \u00f3bvia de reduzir os custos da actividade econ\u00f3mica para todos.<\/p>\n<p>Para os financiadores do desenvolvimento como o Banco de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral, a garantia que os governos est\u00e3o dispostos a trabalhar em conjunto nos principais projectos transfronteiri\u00e7os \u00e9 metade da batalha ganha.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, banqueiros, este \u00e9 um aspecto cr\u00edtico. Quando olhamos para os projectos a primeira coisa que verificamos \u00e9 se contam com o apoio dos diversos governos. Se isso existir, fica prenchido um requisito importante,\u201d disse \u00e0 IPS Mohale Rakgate, Director-Geral do Fundo para Projectos do Banco de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral.<\/p>\n<p>As necessidades s\u00e3o enormes e isso \u00e9 mais aparente na rede de energia el\u00e9ctrica. Em termos de acesso \u00e0 electricidade, a regi\u00e3o est\u00e1 atrasada em rela\u00e7\u00e3o ao Ocidente e \u00e0 \u00c1frica Oriental. S\u00f3 24 por cento dos seus habitantes t\u00eam acesso \u00e0 electricidade, e nas zonas rurais, essa propor\u00e7\u00e3o aproxima-se mais dos cinco por cento.<\/p>\n<p>O Malawi, Angola e a Tanz\u00e2nia ainda n\u00e3o se encontram ligados a um agrupamento de energia comum, o Grupo de Energia da \u00c1frica Austral, constitu\u00eddo pelas companhias de electricidade nacionais em 1995 com o objectivo de criar um mercado comum para a electricidade na regi\u00e3o. A sua inclus\u00e3o faz parte dos objectivos de desenvolvimento das infra-estruturas da SADC a curto prazo.<\/p>\n<p>A \u00c1frica Austral nunca esteve t\u00e3o bem posicionada como agora para conseguir financiar os seus objectivos mais ambiciosos. Os pa\u00edses na regi\u00e3o t\u00eam revelado uma capacidade de resist\u00eancia not\u00e1vel face ao abrandamento econ\u00f3mico mundial. Segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a regi\u00e3o registou um crescimento robusto de 5.1 por cento em 2012, que poder\u00e1 acelerar at\u00e9 5.4 por cento este ano.<\/p>\n<p>De acordo com o FMI, a procura de produtos de base da regi\u00e3o est\u00e1 a impulsionar parcialmente o crescimento.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 apenas uma parte da hist\u00f3ria. A \u00c1frica Austral \u00e9 mais est\u00e1vel politicamente agora do que h\u00e1 muitas d\u00e9cadas, os jovens aproveitam cada vez as vantagens porporcionadas pelas novas oportunidades econ\u00f3micas \u2013 especialmente as apresentadas pelas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o \u2013 e as pol\u00edticas or\u00e7amentais prudentes por parte dos governos ajudaram os pa\u00edses a amortecer o impacto da crise e a aumentar as reservas de moeda estrangeira.<\/p>\n<p>\u201cEstes pa\u00edses t\u00eam agora bastante capacidade para obter empr\u00e9stimos. A quest\u00e3o \u00e9 saber quanto e se \u00e9 sustent\u00e1vel?\u201d disse \u00e0 IPS Graham Smith, gestor de programas da Trademark Southern Africa, programa financiado pelo Reino Unido para ajudar a fomentar a integra\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>Uma fonte \u00f3bvia de financiamento para infra-estruturas \u00e9 o Banco Africano de Desenvolvimento. O componente das infra-estruturas j\u00e1 constitui mais de 30 por cento da sua carteira, mas os governos e o banco, por si s\u00f3, n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura de mobilizar o tipo de financiamento que agora se revela necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O banco est\u00e1 em vias de criar o fundo \u201c\u00c1frica 50\u201d, que espera poder utilizar para alavancar cerca de 100 bili\u00f5es de d\u00f3lares para financiar as infra-estruturas no continente. Segundo o banco, \u00e9 este o momento de lan\u00e7ar a iniciativa. A flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa na Europa e nos Estados Unidos vai tornar os investimentos em infra-estruturas no mundo em desenvolvimento mais atractivos.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a olhar para retornos de um a dois d\u00edgitos durante um longo per\u00edodo, como os obtidos em projectos rodovi\u00e1rios ou de energia,\u201d disse \u00e0 IPS Ebrima Faal, Director Regional do Banco Africano de Desenvolvimento,.<\/p>\n<p>Faal acredita que o investimento vir\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 do exterior mas do pr\u00f3prio continente.<\/p>\n<p>\u201cVemos um potencial enorme nos fundos de pens\u00f5es. Tamb\u00e9m vemos um grande potencial nas reservas dos bancos centrais e no investimento noutros fundos soberanos,\u201d declarou.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do financiamento para o desenvolvimento, a SADC est\u00e1 a trabalhar afincadamente na cria\u00e7\u00e3o do que designa por \u201cparcerias p\u00fablico-privadas.\u201d<\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique, a aus\u00eancia de infra-estruturas ferrovi\u00e1rias dificulta uma corrida ao carv\u00e3o na prov\u00edncia de Tete, no nordeste do pa\u00eds. A Vale, empresa de carv\u00e3o brasileira, n\u00e3o teve outra alternativa que financiar a renova\u00e7\u00e3o de uma antiga via f\u00e9rrea atrav\u00e9s do Malawi e em direc\u00e7\u00e3o a um porto de \u00e1guas profundas na costa mo\u00e7ambicana, para poder retirar o seu carv\u00e3o. A empresa declarou que iria gastar 6.5 bili\u00f5es de d\u00f3lares na constru\u00e7\u00e3o da via f\u00e9rrea e do porto.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes as pessoas pensam que \u00e9 f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Por cada d\u00f3lar que investimos na nossa mina, temos de investir outro d\u00f3lar em infra-estruturas para que o projecto seja vi\u00e1vel,\u201d afirmou \u00e0 IPS Ricardo Saad, Director Executivo da Vale em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da via f\u00e9rrea da Vale, o Malawi, pa\u00eds interior, poder\u00e1 transportar os seus produtos mais facilmente para a costa, uma vez que a capacidade adicional est\u00e1 reservada a passageiros e mercadorias. E a via f\u00e9rrea oferece a possibilidade de liga\u00e7\u00f5es ao Zimbabwe e \u00e0 Z\u00e2mbia.<\/p>\n<p>A rede ferrovi\u00e1ria da regi\u00e3o \u00e9 uma am\u00e1lgama de sistemas insulares com fraca manuten\u00e7\u00e3o que precisam de ser cuidadosamente modernizados e ligados uns aos outros para que os corredores de desenvolvimento se possam tornar uma realidade.<\/p>\n<p>E as concession\u00e1rias raramente est\u00e3o preparadas para assumir todos os riscos envolvidos na constru\u00e7\u00e3o de infra-estruturas, a menos que estejam envolvidas em actividades de alto rendimento, como a extrac\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs portos e os projectos de energia s\u00e3o os que mais provavelmente conseguir\u00e3o atrair parcerias p\u00fablico-privadas, porque \u00e9 poss\u00edvel delimitar receitas a longo prazo,\u201d disse Smith. O resto, acrescentou, \u201cvai ser financiado pelo sector p\u00fablico.\u201d<\/p>\n<p>O papel cada vez mais preponderante da China no sector das infra-estruturas n\u00e3o foi uma quest\u00e3o amplamente discutida em Maputo. Segundo um relat\u00f3rio de 2012 da \u00a0Ernst &amp; Young, empresa de consultores empresariais, o gigante asi\u00e1tico j\u00e1 tem 20 por cento da quota do mercado dos contratos de infra-estruturas. Os empr\u00e9stimos chineses destinados a infra-estruturas est\u00e3o a aumentar e, em 2011, foram garantidos perto de 15 bili\u00f5es de d\u00f3lares de compromissos chineses para projectos infra-estruturais em todo o continente.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a ponderar a colabora\u00e7\u00e3o em projectos de transportes e energia. \u00c9 um grande mercado do ponto de vista empresarial,\u201d disse \u00e0 IPS um funcion\u00e1rio do Banco de Desenvolvimento da China, Jon Lee. A presen\u00e7a do banco em Maputo constitu\u00edu o \u00fanico sinal do crescente e real envolvimento chin\u00eas no continente.<\/p>\n<p>\u201cVamos envolver a China em grande escala,\u201d disse Remmy Makumbe, Director de Infra-estruturas e Servi\u00e7os da SADC, \u00e0 IPS. \u201cA nossa \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o com a China \u00e9 o facto de estar principalmente envolvida em acordos bilaterais em vez de acordos regionais. N\u00e3o temos nenhum problema com isso desde que os chineses se envolvam em projectos bilaterais que tenham em conta o enquadramento regional.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MAPUTO,\u00a0 08\/08\/2013\u2013 Mont\u00edculos de areia e entulho \u00e9 o que resta de partes da estrada marginal em Maputo \u00e0 medida que escavadoras, conduzidas por trabalhadores de constru\u00e7\u00e3o chineses, v\u00e3o destruindo a estrada que est\u00e1 a ser reconstru\u00edda. 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