{"id":164,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=164"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-natal-de-fome-para-fundamentalistas-cristos-em-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-natal-de-fome-para-fundamentalistas-cristos-em-uganda\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Natal de fome para fundamentalistas crist&atilde;os em Uganda"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 23\/01\/2005 &ndash; A popula&ccedil;&atilde;o do norte de Uganda teme que o est&ocirc;mago leve os fundamentalistas crist&atilde;os do Ex&eacute;rcito de Resist&ecirc;ncia do Senhor (LRA) a ignorar o cessar-fogo e atacar os povoados em busca de comida para a ceia de Natal. &quot;Me agrada o fato de o presidente ter estendido o cessar-fogo at&eacute; o fim do m&ecirc;s. Isso demonstra seu compromisso para resolver pacificamente o conflito no norte&quot;, disse &agrave; IPS o vice-presidente da Iniciativa de L&iacute;deres Religiosos Acholi pela Paz, Macleord Ocholla. &quot;Nosso temor &eacute; que alguns rebeldes que n&atilde;o s&atilde;o fi&eacute;is a Joseph Kony possam atacar a popula&ccedil;&atilde;o. Os rebeldes est&atilde;o famintos e n&atilde;o sabemos se vir&atilde;o buscar comida por ocasi&atilde;o do Natal&quot;, acrescentou Ocholla desde sua resid&ecirc;ncia na cidade de Gulu.<br \/> <!--more--> <br \/> O ex-seminarista cat&oacute;lico e autoproclamado profeta Joseph Koni &eacute; o l&iacute;der do LRA, organiza&ccedil;&atilde;o que h&aacute; 18 anos luta contra o governo de Yoweri Museveni com o objetivo de instaurar um estado teocr&aacute;tico baseado nos 10 mandamentos da B&iacute;blia. Apesar de sua religiosidade, o LRA &eacute; mais conhecido por seus abusos contra os direitos humanos do que por sua piedade. Seus integrantes costumam amputar l&aacute;bios, nariz e membros dos que resistem ao recrutamento for&ccedil;ado. A organiza&ccedil;&atilde;o seq&uuml;estrou milhares de crian&ccedil;as para for&ccedil;&aacute;-las a lutar, e milhares de meninas para transform&aacute;-las em escravas sexuais.<\/p>\n<p> Entretanto, as for&ccedil;as do governo tamb&eacute;m recrutam crian&ccedil;as que escaparam do cativeiro do LRA e as obrigam a participar de opera&ccedil;&otilde;es contra os fundamentalistas, segundo a Coaliz&atilde;o contra o Uso de Crian&ccedil;as-Soldado. &quot;O governo afirma que os recrutamentos s&atilde;o feitos pelas unidades locais de defesa, que n&atilde;o fazem parte da pol&iacute;cia, mas sabemos claramente que n&atilde;o &eacute; assim&quot;, disse Geofferey Oyat, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Save the Children. O LRA, com bases no sul do Sud&atilde;o, combate as tropas do governo nos distritos ugandenses de Gulu e Kitgum, conhecidos como Acholiland.<\/p>\n<p> Acredita-se que o LRA utiliza armas fornecidas pelo governo sudan&ecirc;s, e esse apoio seria pelo fato de Uganda, por sua vez, apoiar o rebelde Ex&eacute;rcito Popular de Liberta&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o (SPLA). O SPLA luta contra o regime isl&acirc;mico e de hegemonia &aacute;rabe de Cartum pela autonomia do sul, de popula&ccedil;&atilde;o majoritariamente negra, animista e crist&atilde;. Por&eacute;m, os rebeldes ugandenses podem ficar &agrave; deriva caso seja conclu&iacute;do o processo de paz entre o SPLA e o governo do Sud&atilde;o, que conta com intenso patroc&iacute;nio internacional. Cartum e o SPLA se comprometeram em novembro, diante de representantes do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, concluir suas negocia&ccedil;&otilde;es antes do final do ano.<\/p>\n<p> O Escrit&oacute;rio da ONU para a Coordena&ccedil;&atilde;o de Assuntos Humanit&aacute;rios (OCHA) e a Rede Integrada de Informa&ccedil;&atilde;o Regional informou este ano que mulheres e crian&ccedil;as sofreram abusos por parte do LRA. &quot;Os seq&uuml;estrados s&atilde;o obrigados a transportar pesadas cargas por longos percursos. Os que se atrasam ou ficam doentes s&atilde;o golpeados ou assassinados. Alguns s&atilde;o for&ccedil;ados a matar, mutilar, golpear ou seq&uuml;estrar pessoas inocentes, ou assistir como tais abusos s&atilde;o cometidos&quot;, relatou a OCHA. Al&eacute;m disso, &quot;a viol&ecirc;ncia sexual contra meninas e mulheres &eacute; crescente. Elas s&atilde;o usadas como empregadas ou escravas sexuais dos comandantes do LRA. Assim, s&atilde;o v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es, gravidez indesejada e cont&aacute;gios, inclusive pelo v&iacute;rus causador da aids&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p> Segundo a OCHA, mais de 20 mil crian&ccedil;as e adolescentes foram seq&uuml;estrados desde o in&iacute;cio da guerra, h&aacute; 16 anos. Segundo funcion&aacute;rios da ONU, o conflito empurrou mais de um milh&atilde;o de pessoas para acampamentos de refugiados que carecem de &aacute;gua pot&aacute;vel e saneamento. A guerra afeta particularmente o grupo &eacute;tnico acholi. De um total de 1,2 milh&otilde;es, at&eacute; 850 mil acholis tiveram de abandonar suas casas, segundo ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias. Os primeiros combatentes do LRA eram membros de um culto religioso do Movimento do Esp&iacute;rito Santo, fundado em 1986 por Alice Lakwena, uma prima de Kony que se autoconsiderava uma sacerdotisa. Lakwena afirmava que recebera instru&ccedil;&otilde;es divinas para avan&ccedil;ar at&eacute; Kampala e tomar o poder. Milhares de fi&eacute;is a seguiram at&eacute; sua morte.<\/p>\n<p> Combatentes do movimento costumavam untar o peito com certo &quot;&oacute;leo sagrado&quot; para se protegerem das balas inimigas e se armavam com pedras e garrafas que, segundo acreditavam, se converteriam em granadas quando jogadas contra os soldados do governo. Lakwena foi derrotada em 1987, um ano e meio depois de iniciada sua luta, a 160 quil&ocirc;metros de Kampala, quando avan&ccedil;a sobre a capital &agrave; frente de 20 mil combatentes. Desde ent&atilde;o, vive exilada em um acampamento de refugiados no Qu&ecirc;nia. Kony, que n&atilde;o terminou o curso prim&aacute;rio, se considera o herdeiro espiritual de sua prima e iniciou sua luta no ano seguinte &agrave; derrota do Movimento do Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p> No ano passado, o presidente Museveni convenceu Lakwena a regressar do Qu&ecirc;nia e se beneficiar das sucessivas anistias que estabeleceu desde 2000 para acelerar a paz, com a finalidade de reincorpor&aacute;-la ao processo. O conflito obriga fam&iacute;lias inteiras a caminhar longas dist&acirc;ncias desde &aacute;reas rurais para passar a noite em escolas, igrejas e hospitais, onde h&aacute; menos risco de sofrer ataques rebeldes. A incerteza agravou o fen&ocirc;meno. &quot;Estive no povoado de Kitgum na semana passada, e a quantidade de pessoas dormindo em institui&ccedil;&otilde;es era esmagadora. De seis &agrave;s oito da manh&atilde;, a estrada fica cheia de gente que passou a noite nas ruas&quot;, disse Ocholla. No dia 16 de dezembro, Museveni anunciou que estenderia te o final do m&ecirc;s o cessar-fogo decretado no dia 15 de novembro.<\/p>\n<p> A medida foi questionada pelas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, que se chocaram com o LRA em &aacute;reas n&atilde;o cobertas pelo cessar-fogo. Nos combates morreram 16 rebeldes, segundo diversos informes. &quot;Os rebeldes tiveram um m&ecirc;s desde a declara&ccedil;&atilde;o do cessar-fogo, mas nada fizeram desde ent&atilde;o. Inclusive, abandonaram a zona de paz&quot;, disse &agrave; IPS, em Kampala, o porta-voz do ex&eacute;rcito, major Shaban Bantariza. Representantes do LRA se reuniram no m&ecirc;s passado com Betty Bigombe, uma ex-ministra que atua como mediadora, segundo a imprensa. Centenas de combatentes aceitaram a anistia de Museveni, segundo Ocholla. &quot;Mais de 400, entre eles crian&ccedil;as, regressaram nos &uacute;ltimos meses. Estamos otimistas&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 23\/01\/2005 &ndash; A popula&ccedil;&atilde;o do norte de Uganda teme que o est&ocirc;mago leve os fundamentalistas crist&atilde;os do Ex&eacute;rcito de Resist&ecirc;ncia do Senhor (LRA) a ignorar o cessar-fogo e atacar os povoados em busca de comida para a ceia de Natal. &quot;Me agrada o fato de o presidente ter estendido o cessar-fogo at&eacute; o fim do m&ecirc;s. Isso demonstra seu compromisso para resolver pacificamente o conflito no norte&quot;, disse &agrave; IPS o vice-presidente da Iniciativa de L&iacute;deres Religiosos Acholi pela Paz, Macleord Ocholla. &quot;Nosso temor &eacute; que alguns rebeldes que n&atilde;o s&atilde;o fi&eacute;is a Joseph Kony possam atacar a popula&ccedil;&atilde;o. 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