{"id":16427,"date":"2013-08-26T14:11:23","date_gmt":"2013-08-26T14:11:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=96910"},"modified":"2013-08-26T14:11:23","modified_gmt":"2013-08-26T14:11:23","slug":"egito-se-interpoe-entre-estados-unidos-e-arabia-saudita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/egito-se-interpoe-entre-estados-unidos-e-arabia-saudita\/","title":{"rendered":"Egito se interp\u00f5e entre Estados Unidos e Ar\u00e1bia Saudita"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_96911\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 510px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Saudita.jpg\"><img class=\" wp-image-96911 \" alt=\"Saudita Egito se interp\u00f5e entre Estados Unidos e Ar\u00e1bia Saudita\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Saudita.jpg\" width=\"500\" height=\"299\" title=\"Egito se interp\u00f5e entre Estados Unidos e Ar\u00e1bia Saudita\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O chefe de opera\u00e7\u00f5es navais dos Estados Unidos, almirante Jonathan Greenert, \u00e9 recebido pelo pr\u00edncipe saudita Salman bin Abdulaziz, em fevereiro. Foto: U. S. Navy Imagery\/CC by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 26\/8\/2013 \u2013 Enquanto o presidente Barack Obama continua avaliando como reagir diante do golpe militar no Egito e da viol\u00eancia que provocou, funcion\u00e1rios governamentais e analistas independentes est\u00e3o cada vez mais preocupados pelo poss\u00edvel efeito da crise eg\u00edpcia nas rela\u00e7\u00f5es entre Estados Unidos e Ar\u00e1bia Saudita. Especialistas em pol\u00edtica externa consideram que o decisivo apoio de Riad ao golpe permitiu ao novo homem forte eg\u00edpcio, general Abdel Fatah al Sisi, reprimir livremente os seguidores da Irmandade Mu\u00e7ulmana e resistir \u00e0 press\u00e3o do Ocidente.<\/p>\n<p>Imediatamente ap\u00f3s a derrubada do presidente Mohammad Morsi, em 3 de julho, a Ar\u00e1bia Saudita, apoiada por Emirados \u00c1rabes Unidos e Kuwait, prometeu ao Cairo uma ajuda financeira de US$ 12 bilh\u00f5es. Com se fosse pouco, expressou sua disposi\u00e7\u00e3o de tamb\u00e9m suprir a ajuda de US$ 1,5 bilh\u00e3o que Washington entrega ao Egito anualmente, caso o governo de Obama decida suspend\u00ea-la como condena\u00e7\u00e3o ao golpe e \u00e0 morte de aproximadamente mil manifestantes.<\/p>\n<p>Talvez o mais preocupante para alguns analistas seja a linguagem excepcionalmente dura usada por funcion\u00e1rios sauditas contra os que, como os Estados Unidos, questionam a a\u00e7\u00e3o de Al Sisi. Desse severo discurso participa o pr\u00f3prio rei saudita, Abdal\u00e1 bin Abdelaziz al Saud, que no dia 16 disse que seu governo se colocar\u00e1 \u201ccontra todos os que tentam interferir neste assunto interno\u201d do Egito. E acrescentou que aqueles que criticam a resposta do ex\u00e9rcito eg\u00edpcio simplesmente est\u00e3o ajudando os \u201cterroristas\u201d.<\/p>\n<p>Bruce Ridel, ex-analista de temas do Oriente M\u00e9dio na Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA), disse que esses coment\u00e1rios \u201cn\u00e3o t\u00eam precedentes\u201d, ainda que o rei n\u00e3o tenha mencionado explicitamente Washington. Chas Freeman, veterano diplomata e ex-embaixador norte-americano em Riad durante a Guerra do Golfo de 1991, concorda com essa avalia\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o me lembro de nenhuma declara\u00e7\u00e3o t\u00e3o cr\u00edtica como essa\u201d, afirmou \u00e0 IPS, lembrando que se tratava da culmina\u00e7\u00e3o de duas d\u00e9cadas de crescente exaspera\u00e7\u00e3o saudita com a pol\u00edtica externa dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Riad est\u00e1 descontente com Washington por n\u00e3o ter freado as incurs\u00f5es militares de Israel nos territ\u00f3rios palestinos ocupados, bem como por ter permitido o fortalecimento da comunidade xiita no Iraque logo depois da invas\u00e3o desse pa\u00eds em 2003, al\u00e9m de ter abandonado o presidente Hosni Mubarak no Egito, derrubado em 2011, e aprovar a Primavera \u00c1rabe.<\/p>\n<p>\u201cNas \u00faltimas sete d\u00e9cadas os sauditas viam os norte-americanos como seus patr\u00f5es, que manejavam os desafios estrat\u00e9gicos em sua regi\u00e3o\u201d, pontuou Freeman. Para ele, \u201cagora a sociedade de Al Saud com os Estados Unidos n\u00e3o s\u00f3 perdeu a maior parte de seu encanto e utilidade como, do ponto de vista de Riad, se converteu em algo quase contraproducente em todos os sentidos\u201d.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, Riad agora aposta em uma \u201cativa defesa de seus interesses regionais\u201d, op\u00e7\u00e3o que poderia desencadear grandes mudan\u00e7as geoestrat\u00e9gicas no Oriente M\u00e9dio, opinou Freeman, lembrando que \u201ca Ar\u00e1bia Saudita j\u00e1 n\u00e3o considera os Estados Unidos um protetor confi\u00e1vel, por isso agora pensa por si mesma e atua em consequ\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Para muitos analistas, incluindo Freeman, n\u00e3o passou despercebida a reuni\u00e3o do dia 31 de julho em Moscou, entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o pr\u00edncipe Bandar bin Sultan, chefe do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional e dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia da Ar\u00e1bia Saudita. Segundo a ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters, Bandar, que foi embaixador saudita em Washington por mais de duas d\u00e9cadas, ofereceu comprar armas russas no valor de US$ 15 bilh\u00f5es e tamb\u00e9m coordenar uma pol\u00edtica energ\u00e9tica com os russos.<\/p>\n<p>Riad se comprometeria a reduzir as exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s natural do Catar para a Europa (que atravessa o territ\u00f3rio saudita e compete com o russo), enquanto Moscou diminuiria substancialmente ou poria fim ao seu apoio ao regime de Bashar al Assad na S\u00edria. Embora Putin n\u00e3o tenha assumido explicitamente esse compromisso, Bandar abandonou Moscou entusiasmado pela possibilidade de uma maior coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, segundo informes de imprensa que causaram preocupa\u00e7\u00e3o em Washington.<\/p>\n<p>\u201cAo que parece, os Estados Unidos est\u00e3o ficando \u00e0 margem, apesar de Riad ter sido um estreito s\u00f3cio diplom\u00e1tico durante d\u00e9cadas e vital para bloquear a influ\u00eancia russa no Oriente M\u00e9dio\u201d, escreveu Simon Henderson, analista no pr\u00f3-israelense Washington Institute for Near East Policy. \u201cSeria bom acreditar que a reuni\u00e3o de Moscou reduzir\u00e1 significativamente o apoio da R\u00fassia a Assad. No entanto, Putin abrir\u00e1 uma brecha entre Riad e Washington\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A brecha se ampliou depois da sangrenta repress\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a eg\u00edpcias contra membros da Irmandade Mu\u00e7ulmana e ap\u00f3s Washington demonstrar condena\u00e7\u00e3o ao golpe. Os Estados Unidos cancelaram os exerc\u00edcios militares conjuntos previstos com o Egito para o pr\u00f3ximo m\u00eas. Al\u00e9m disso, suspenderam o envio ao Cairo de avi\u00f5es F-16 e poder\u00e1 fazer o mesmo com um embarque de helic\u00f3pteros Apache.<\/p>\n<p>Por sua vez, Moscou, apesar de unir-se ao Ocidente no pedido de modera\u00e7\u00e3o e de solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o violentas na crise eg\u00edpcia, n\u00e3o criticou as for\u00e7as armadas desse pa\u00eds. Pelo contr\u00e1rio, legisladores russos questionaram Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia por apoiarem a Irmandade Mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 claro que R\u00fassia e Ar\u00e1bia Saudita preferem que haja estabilidade no Egito e apostam em que os militares prevalecer\u00e3o na atual crise\u201d, segundo editorial publicado no dia 18 no site de not\u00edcias Alarabiya.net. Alguns observadores dizem que Moscou e Riad compartilham objetivos comuns, como conter o Ir\u00e3, reduzir a influ\u00eancia da Turquia no Oriente M\u00e9dio e cooperar em temas energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Ambos est\u00e3o dispostos a fortalecer regimes autocr\u00e1ticos a fim de impedir o acesso de partidos isl\u00e2micos, particularmente da Irmandade Mu\u00e7ulmana. Por\u00e9m, Mark N. Katz, especialista na influ\u00eancia da R\u00fassia no Oriente M\u00e9dio e professor na norte-americana Universidade George Mason, tem d\u00favidas sobre o \u00eaxito de uma alian\u00e7a entre Moscou e Riad.<\/p>\n<p>O analista observou que Bandar j\u00e1 tentara forjar la\u00e7os com o governo russo, mas sem obter sucesso. \u201cN\u00e3o digo que n\u00e3o possa funcionar, mas esse tem sido seu cavalo de batalha\u201d por anos, afrimou \u00e0 IPS. \u201cN\u00e3o importa o que aconte\u00e7a com os Estados Unidos, os sauditas n\u00e3o confiam nos russos e n\u00e3o querem que se intrometa na regi\u00e3o. Tudo o que tem a ver com os russos os desagrada\u201d, afirmou Katz, para quem as duras cr\u00edticas do rei saudita s\u00e3o apenas um \u201cchamado de aten\u00e7\u00e3o\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 26\/8\/2013 &ndash; Enquanto o presidente Barack Obama continua avaliando como reagir diante do golpe militar no Egito e da viol&ecirc;ncia que provocou, funcion&aacute;rios governamentais e analistas independentes est&atilde;o cada vez mais preocupados pelo poss&iacute;vel efeito da crise eg&iacute;pcia nas rela&ccedil;&otilde;es entre Estados Unidos e Ar&aacute;bia Saudita. 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