{"id":16429,"date":"2013-08-26T13:30:04","date_gmt":"2013-08-26T13:30:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=96895"},"modified":"2013-08-26T13:30:04","modified_gmt":"2013-08-26T13:30:04","slug":"parque-yasuni-enfrenta-governo-e-sociedade-no-equador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/parque-yasuni-enfrenta-governo-e-sociedade-no-equador\/","title":{"rendered":"Parque Yasun\u00ed enfrenta governo e sociedade no Equador"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_96896\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ecossistema.jpg\"><img class=\" wp-image-96896 \" alt=\"ecossistema Parque Yasun\u00ed enfrenta governo e sociedade no Equador\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ecossistema.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Parque Yasun\u00ed enfrenta governo e sociedade no Equador\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O ecossistema do Parque Yasun\u00ed e seus povos ind\u00edgenas est\u00e3o em perigo, denunciam ambientalistas. Foto: Iniciativa Yasun\u00ed-ITT<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quito, Equador, 26\/8\/2013 \u2013 A decis\u00e3o do governo do Equador de dar os primeiros passos para explorar parte do petr\u00f3leo de uma das zonas mais biodiversas do planeta, o Parque Nacional Yasun\u00ed, fez soar o alarme geral entre ambientalistas e ind\u00edgenas, que querem um referendo a respeito. O presidente do pa\u00eds, Rafael Correa, ordenou, no dia 15 de agosto, o arquivamento da Iniciativa Yasun\u00ed ITT, destinada a deixar no subsolo a riqueza hidrocarbon\u00edfera do parque amaz\u00f4nico em troca de uma compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica internacional, devido \u00e0 falta de contribui\u00e7\u00e3o ao fundo aberto para esse fim.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o d\u00e1 luz verde \u00e0 estatal Petroamazonas para iniciar opera\u00e7\u00f5es explorat\u00f3rias no Parque, segundo o decreto que p\u00f5e fim \u00e0 Iniciativa. Os que est\u00e3o contra a explora\u00e7\u00e3o alertam para o impacto que sofreriam a fauna, a flora e os povos em isolamento volunt\u00e1rio (tagaeri e taromenane) se for concretizada a incurs\u00e3o petroleira na maior \u00e1rea protegida do Equador, com 982 mil hectares.<\/p>\n<p>Por isso, no dia 22, a Confedera\u00e7\u00e3o de Nacionalidades Ind\u00edgenas (Conaie), a Confedera\u00e7\u00e3o Kichwa do Equador (Ecuarunari), a Confedera\u00e7\u00e3o de Estudantes Universit\u00e1rios e a A\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica, entre outras organiza\u00e7\u00f5es, apresentaram ao Tribunal Constitucional sua proposta de referendo, que para ser aceita exige o apoio de 584.116 assinaturas, 5% do padr\u00e3o eleitoral. A pergunta a ser feita seria: \u201cVoc\u00ea concorda que o governo equatoriano mantenha o petr\u00f3leo da ITT, conhecido como bloco 43, indefinidamente no subsolo?\u201d.<\/p>\n<p>Correa exortou a popula\u00e7\u00e3o a recolher as assinaturas e disse ter a seguran\u00e7a de que sua proposta de extrair petr\u00f3leo do Yasun\u00ed, para incrementar a obra p\u00fablica com esse dinheiro, seria vencedora. O governo assegura que haver\u00e1 interven\u00e7\u00e3o somente em uma extens\u00e3o inferior a um por mil do Parque, situado no norte do pa\u00eds, e que n\u00e3o incidir\u00e1 na vida dos povos isolados, j\u00e1 que os campos a serem explorados \u2013 Ishpingo, Tambococha e Tiputini (ITT) \u2013 est\u00e3o longe da chamada zona intang\u00edvel, onde habitam essas nacionalidades.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Lema, presidente do Col\u00e9gio de Engenheiros Ge\u00f3logos do Equador, disse \u00e0 IPS que \u00e9 poss\u00edvel a extra\u00e7\u00e3o ocorrer como pretende o governo. Como antecedente, citou os trabalhos da Petroamazonas no campo Pa\u00f1acocha, situado em outra reserva natural, que recebeu reconhecimentos internacionais por suas boas pr\u00e1ticas ambientais. \u201cA Petroamazonas desenvolve trabalhos semelhantes nessa \u00e1rea, onde existe um impacto tempor\u00e1rio, somente enquanto se constr\u00f3i o oleoduto\u201d, afirmou Lema.<\/p>\n<p>O especialista considera que primeiro se deve realizar uma nova avalia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para redesenhar o plano de explora\u00e7\u00e3o. \u201cPode mudar, porque a metodologia usada em um princ\u00edpio (1993) foi uma s\u00edsmica 2D, que determinou um n\u00edvel de reservas de 920 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo\u201d, afirmou. \u201cMas, quando se tiver uma informa\u00e7\u00e3o mais detalhada, com uma valoriza\u00e7\u00e3o volum\u00e9trica, se conhecer\u00e1 um volume mais real e, seguramente, ser\u00e1 maior do que o identificado\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para Lema, o principal ser\u00e1 a adequa\u00e7\u00e3o das plataformas que j\u00e1 existem no Parque e a maneira de introduzir os equipamentos para a instala\u00e7\u00e3o. Depois vir\u00e1 a perfura\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os e a constru\u00e7\u00e3o das tubula\u00e7\u00f5es. \u201cDeve-se considerar que todo projeto tem uma altera\u00e7\u00e3o, o objetivo \u00e9 reduzi-la ao m\u00e1ximo com o uso da melhor tecnologia\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Wilson P\u00e1stor, ex-ministro de Recursos N\u00e3o Renov\u00e1veis do governo esquerdista moderado de Correa, no poder desde 2007, acredita que o alarme \u00e9 infundado, porque j\u00e1 existe explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Yasun\u00ed. \u201cO bloco 31 foi explorado pela Petrobras, hoje \u00e9 da Petroamazonas e fica dentro do Parque\u201d, explicou. Al\u00e9m disso, em Pa\u00f1acocha s\u00e3o produzidos 18 mil barris di\u00e1rios, mas o \u00f3leo n\u00e3o \u00e9 processado nem tocado dentro da \u00e1rea, recordou.<\/p>\n<p>\u201cO mesmo se far\u00e1 com o ITT, primeiro porque j\u00e1 h\u00e1 sete plataformas realizadas\u201d e ser\u00e3o perfurados po\u00e7os em conjunto. \u201cAntes se fazia um po\u00e7o por plataforma, agora se faz 25 po\u00e7os em cada lugar, de maneira que n\u00e3o se ocupa mais espa\u00e7o\u201d, afirmou P\u00e1stor. O mais contaminante s\u00e3o as instala\u00e7\u00f5es de tratamento e separa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, do g\u00e1s e do petr\u00f3leo, o que implicaria \u201cpraticamente fazer uma refinaria e essa refinaria n\u00e3o ser\u00e1 feita no ITT\u201d, por isso \u201co impacto total da interven\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 190 hectares\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Tampouco ser\u00e1 gerada eletricidade no campo e o oleoduto passar\u00e1 \u201ctotalmente\u201d \u00e0 margem do Parque, em um caminho de tr\u00eas metros de largura com material biodegrad\u00e1vel para enterrar a tubula\u00e7\u00e3o. Com se v\u00ea, os planos j\u00e1 existiam. O ex-ministro garante que a explora\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um benef\u00edcio adicional para o Parque. \u201cHoje o Yasun\u00ed n\u00e3o tem institui\u00e7\u00f5es fortes que controlem o acesso ao local, mas se a Petroamazonas entrar haver\u00e1 recursos para proteg\u00ea-lo\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>O governo prev\u00ea que o campo Tiputini produzir\u00e1 seus primeiros barris em dois anos, Tambococha 12 meses mais tarde, e Ishpingo outro ano depois. Por\u00e9m, as organiza\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o aceitam os argumentos de Correa e seu governo. Mar\u00eda Paula Romo, ex-constituinte do partido Ruptura 25, afirmou \u00e0 IPS que o governo deixou de lado o Artigo 57 da Constitui\u00e7\u00e3o, que pro\u00edbe os processos extrativistas em zonas onde vivem povos isolados.<\/p>\n<p>Esse Artigo diz que \u201cos territ\u00f3rios dos povos em isolamento volunt\u00e1rio s\u00e3o de posse ancestral irredut\u00edvel e intang\u00edvel, e neles estar\u00e1 vedado todo tipo de atividade extrativista. O Estado adotar\u00e1 medidas para garantir suas vidas, fazer respeitar sua autodetermina\u00e7\u00e3o e vontade de permanecer em isolamento e garantir a observ\u00e2ncia de seus direitos\u201d. E acrescenta que \u201ca viola\u00e7\u00e3o destes direitos constituir\u00e1 crime de etnoc\u00eddio, que ser\u00e1 tipificado em lei\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, pontuou Romo, \u201cantes de falar das especifica\u00e7\u00f5es dos po\u00e7os, primeiro se deve perguntar como se justificar\u00e1 diante da Constitui\u00e7\u00e3o entrar em um territ\u00f3rio proibido\u201d. O ministro da Justi\u00e7a, Len\u00edn Lara, garantiu que n\u00e3o h\u00e1 povos isolados nos campos onde se pretende extrair petr\u00f3leo, mas ambientalistas e antrop\u00f3logos os desmentiram. \u201cOs taromenanes est\u00e3o sendo cercados por todas as partes e, embora os trabalhos se fa\u00e7am com a melhor tecnologia, v\u00e3o gerar press\u00e3o nesses povos\u201d, advertiu o jornalista e cineasta Carlos Andr\u00e9s Vera.<\/p>\n<p>Correa decidiu arquivar sua Iniciativa ITT porque, dos US$ 3,6 bilh\u00f5es previstos desde sua abertura em 2007, foram obtidos apenas US$ 13,3 milh\u00f5es de empresas, pessoas f\u00edsicas e pa\u00edses em um fundo administrado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o surpreende\u201d que pa\u00edses ricos n\u00e3o tenham cumprido sua parte nesta iniciativa, disse \u00e0 IPS a analista de pol\u00edtica internacional da Amigos da Terra, Karen Orenstein. \u201cBasta olhar os cofres quase vazios do Fundo Verde para o Clima para ver que os Estados industrializados n\u00e3o cumprem o que prometem quando se trata de dinheiro para as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento enfrentarem a crise clim\u00e1tica que eles criaram\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cIsto \u00e9 especialmente certo para os Estados Unidos, historicamente o principal contaminador do clima, mas miser\u00e1vel quando se trata de finan\u00e7as clim\u00e1ticas internacionais\u201d, afirmou Orenstein. As pot\u00eancias industriais aceitaram dotar de US$ 100 bilh\u00f5es o Fundo Verde para o Clima, criado em 2010 pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para ajudar os pa\u00edses pobres a mitigar e se adaptarem \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O Fundo j\u00e1 estabeleceu uma secretaria na Coreia do Sul e entraria em opera\u00e7\u00f5es no final de 2014, mas a arrecada\u00e7\u00e3o de recursos segue extremamente lenta e a maioria das contribui\u00e7\u00f5es foi gasta na implanta\u00e7\u00e3o da iniciativa. Mesmo assim alguns mant\u00eam a esperan\u00e7a de que ocorram aportes significativos at\u00e9 o final do ano, durante a confer\u00eancia das partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Contudo, al\u00e9m dos question\u00e1veis aspectos financeiros, \u201cextrair petr\u00f3leo do Yasun\u00ed ser\u00e1 uma bofetada nos movimentos sociais e ecol\u00f3gicos do Equador e do mundo que promoveram a iniciativa\u201d, ressaltou Orenstein. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Com colabora\u00e7\u00e3o de Carey L. Biron (Washington).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Quito, Equador, 26\/8\/2013 &ndash; A decis&atilde;o do governo do Equador de dar os primeiros passos para explorar parte do petr&oacute;leo de uma das zonas mais biodiversas do planeta, o Parque Nacional Yasun&iacute;, fez soar o alarme geral entre ambientalistas e ind&iacute;genas, que querem um referendo a respeito. 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