{"id":16462,"date":"2013-08-29T12:49:49","date_gmt":"2013-08-29T12:49:49","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=97220"},"modified":"2013-09-25T17:35:07","modified_gmt":"2013-09-25T17:35:07","slug":"israel-quer-manter-supremacia-regional-com-ajuda-dos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/israel-quer-manter-supremacia-regional-com-ajuda-dos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Israel quer manter supremacia regional com ajuda dos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_97221\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 510px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/assentamento.jpg\"><img class=\" wp-image-97221 \" alt=\"assentamento Israel quer manter supremacia regional com ajuda dos Estados Unidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/assentamento.jpg\" width=\"500\" height=\"301\" title=\"Israel quer manter supremacia regional com ajuda dos Estados Unidos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Assentamento ilegal de Israel no territ\u00f3rio palestino da Cisjord\u00e2nia sob ocupa\u00e7\u00e3o. Foto: Libertinus\/CC by 2.0<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 29\/8\/2013 \u2013 Assegurar a superioridade militar de Israel no Oriente M\u00e9dio \u00e9 o argumento central do <em>lobby<\/em> judeu em Washington, que j\u00e1 come\u00e7ou a exigir do governo de Barack Obama um novo pacote de ajuda por dez anos, devendo entrar em vigor em 2017. O grupo de press\u00e3o israelense usa a Lei de Transfer\u00eancia de Navios de Guerra, aprovada pelo Congresso norte-americano em 2008.<\/p>\n<p>A lei determina que a ajuda militar dos Estados Unidos a Israel deve garantir a \u201cvantagem militar qualitativa\u201d (QME) do Estado judeu sobre qualquer combina\u00e7\u00e3o de atores estatais e n\u00e3o estatais. Washington sempre se comprometeu a garantir a superioridade militar de Israel no Oriente M\u00e9dio, e desde 2008 est\u00e1 obrigado por lei a fazer isso. A cada quatro anos Obama deve informar ao Congresso o estado dessa vantagem comparativa.<\/p>\n<p>\u201cEstamos vendo o Oriente M\u00e9dio de uma perspectiva geral, que inclui o crescimento do arsenal de m\u00edsseis no L\u00edbano e no territ\u00f3rio palestino de Gaza\u201d, afirmou Michael Oren, embaixador de Israel nos Estados Unidos ao seman\u00e1rio <i>Defense News<\/i>. Ele tamb\u00e9m mencionou a situa\u00e7\u00e3o atual na pen\u00ednsula do Sinai e na S\u00edria.<\/p>\n<p>Israel n\u00e3o se op\u00f5e a que os Estados Unidos vendam armas aos Estados \u00e1rabes considerados \u201cmoderados\u201d, mas insiste que o compense com equipamentos de melhor qualidade. \u201cSe os Estados Unidos n\u00e3o venderem outros vender\u00e3o\u201d, pontuou Oren, acrescentando que \u201ctamb\u00e9m entendemos que essas vendas contribuem para a cria\u00e7\u00e3o de centenas ou milhares de empregos nos Estados Unidos, e nos interessa que sua economia seja forte e vital\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a ajuda pode ser afetada pelas dificuldades econ\u00f4micas dos Estados Unidos. Washington reduziu seu or\u00e7amento no come\u00e7o deste ano e isso gerou um debate dentro do <i>lobby<\/i> israelense sobre a conveni\u00eancia de pressionar para que se mantenha o pacote de ajuda. A discuss\u00e3o deixou clara uma das preocupa\u00e7\u00f5es dos grupos de press\u00e3o pr\u00f3-Israel: a de equilibrar sua miss\u00e3o de defender o Estado judeu sem parecer que se preocupam mais por esse pa\u00eds do que com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Historicamente, a ajuda a Israel permaneceu inalterada apesar das dificuldades econ\u00f4micas nos Estados Unidos. Contudo, desta vez, h\u00e1 outros fatores em jogo. Por exemplo, a lei de 2008 n\u00e3o menciona a responsabilidade de Israel em garantir sua vantagem militar comparativa. Por outro lado, obriga os Estados Unidos a equilibrarem a venda de armas para cobrir as necessidades israelenses e defender sua superioridade.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento de defesa de Israel este ano gera d\u00favidas sobre o motivo de pedir mais ajuda quando diminui seus pr\u00f3prios fundos. O corte foi de US$ 820 milh\u00f5es, mais de 25% da ajuda anual que recebe atualmente. A quest\u00e3o ganha maior relev\u00e2ncia porque a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4micos (OCDE) projetou em maio crescimento de 3,9% para Israel este ano e de 3,4% para 2014. O crescimento m\u00e9dio nos pa\u00edses da OCDE para os dois anos \u00e9 de 1,2% e 2,3%, respectivamente.<\/p>\n<p>Tal como disse Oren, o fato de os Estados Unidos passarem de uma crise a outra representa problemas pol\u00edticos para os grupos de press\u00e3o que pedem mais ajuda. Mas o fato de a vantagem comparativa ser obrigat\u00f3ria por lei, na realidade, os incentiva. J\u00e1 n\u00e3o t\u00eam que argumentar que os Estados Unidos est\u00e3o comprometidos politicamente a dar recursos adicionais para garantir a superioridade militar, porque agora \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n<p>Israel n\u00e3o s\u00f3 ter\u00e1 que explicar o motivo de reduzir seu or\u00e7amento de defesa quando pede mais ajuda, como tamb\u00e9m ter\u00e1 que justificar a expans\u00e3o dos assentamentos ilegais no territ\u00f3rio palestino da Cisjord\u00e2nia. Durante anos, os Estados Unidos fizeram vista grossa para a constru\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias judias na Cisjord\u00e2nia e s\u00f3 as considerou \u201cobst\u00e1culos para a paz\u201d, mas n\u00e3o pressionou Israel. O secret\u00e1rio de Estado, John Kerry, tenta lidar com esse assunto, pois para os palestinos a expans\u00e3o dos assentamentos enfraquece o processo de paz.<\/p>\n<p>De fato, era o principal obst\u00e1culo para que a Autoridade Nacional Palestina se sentasse \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es. Mas esta quest\u00e3o apresenta outro assunto no contexto do pedido de assist\u00eancia. Se os Estados Unidos questionam a pol\u00edtica israelense nos assentamentos e acredita que complicam o processo de paz, n\u00e3o deveria esperar que Israel priorizasse seu pr\u00f3prio or\u00e7amento de defesa que, dadas \u00e0s circunst\u00e2ncias descritas por Oren, seria mais imprescind\u00edvel do que destinar fundos para as col\u00f4nias?<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro quanto se gasta na constru\u00e7\u00e3o. Em 2005, o governo israelense ordenou uma investiga\u00e7\u00e3o dos fundos destinados aos chamados \u201cpostos ilegais de avan\u00e7ada\u201d, col\u00f4nias criadas sem autoriza\u00e7\u00e3o do Estado judeu. O estudo concluiu que, entre 2000 e 2004, o Minist\u00e9rio de Constru\u00e7\u00e3o e Habita\u00e7\u00e3o destinou US$ 20 milh\u00f5es a esses postos de avan\u00e7ada sem autoriza\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n<p>A autora da investiga\u00e7\u00e3o, Talia Sasson, lamentou a impossibilidade de obter informa\u00e7\u00e3o fidedigna e estimou que a \u201csoma verdadeira poderia superar consideravelmente a que figura no informe, pois o montante n\u00e3o inclui o que o Minist\u00e9rio pagou por infraestrutura, pr\u00e9dios p\u00fablicos e planejamento nos postos de avan\u00e7ada n\u00e3o autorizados\u201d. Segundo dados da central de estat\u00edsticas de Israel, de 2011, o gasto nos assentamentos autorizados aumentou 38% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior e superou os US$ 400 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o israelense de aumentar seu gasto em assentamentos e paralelamente pedir mais ajuda militar aos Estados Unidos pode ser usada como ferramenta para pressionar o Estado judeu, segundo Stephen Walt, professor de assuntos internacionais da Escola Kennedy de Governo, na norte-americana Universidade de Harvard. \u201cA garantia de dez anos pedida por Israel d\u00e1 a Obama e a Kerry uma ferramenta de press\u00e3o se tiverem a vontade pol\u00edtica de utiliz\u00e1-la\u201d, argumentou Walt \u00e0 IPS. \u201cDeveriam deixar bem claro que Israel s\u00f3 ter\u00e1 essa garantia se, e somente se, puser fim \u00e0 expans\u00e3o de assentamentos e concordar com a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino vi\u00e1vel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma ferramenta de press\u00e3o \u00fatil porque Israel quer mais ajuda, mas, na realidade, n\u00e3o necessita\u201d, apontou Walt. \u201cManteria sua vantagem militar durante anos, mesmo se os Estados Unidos cancelassem toda ajuda\u201d, ressaltou. \u201cObama e Kerry poderiam recorrer a essa press\u00e3o sem colocar em risco a seguran\u00e7a de Israel. Na verdade, pressionando esse pa\u00eds para que acabe com a ocupa\u00e7\u00e3o, estariam melhorando-a\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Assuntos P\u00fablicos Estados Unidos-Israel (Aipac) foi criado para promover a ajuda norte-americana a esse pa\u00eds, e continua sendo seu fim fundamental. O Congresso norte-americano, onde \u00e9 forte a influ\u00eancia da Aipac, \u00e9 definitivamente quem ter\u00e1 que decidir se o presidente cumpre a lei de 2008 de garantir a vantagem militar comparativa de Israel. A lei pode chegar a desempenhar um papel fundamental na hora de superar o que parecem ser mais barreiras para o aumento da ajuda \u00e0s quais o Aipac est\u00e1 acostumado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 29\/8\/2013 &ndash; Assegurar a superioridade militar de Israel no Oriente M&eacute;dio &eacute; o argumento central do lobby judeu em Washington, que j&aacute; come&ccedil;ou a exigir do governo de Barack Obama um novo pacote de ajuda por dez anos, devendo entrar em vigor em 2017. 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