{"id":16466,"date":"2013-08-30T11:58:07","date_gmt":"2013-08-30T11:58:07","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=97344"},"modified":"2013-09-25T17:35:05","modified_gmt":"2013-09-25T17:35:05","slug":"estados-unidos-e-onu-em-dialogo-de-surdos-sobre-a-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/08\/ultimas-noticias\/estados-unidos-e-onu-em-dialogo-de-surdos-sobre-a-siria\/","title":{"rendered":"Estados Unidos e ONU em di\u00e1logo de surdos sobre a S\u00edria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_97346\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 510px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/EUAONU.jpg\"><img class=\" wp-image-97346 \" alt=\"EUAONU Estados Unidos e ONU em di\u00e1logo de surdos sobre a S\u00edria\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/EUAONU.jpg\" width=\"500\" height=\"360\" title=\"Estados Unidos e ONU em di\u00e1logo de surdos sobre a S\u00edria\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os Estados Unidos n\u00e3o podem intervir militarmente na S\u00edria sem o apoio do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Foto: Bomoon Lee\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 30\/8\/2013 \u2013 Dezoito meses depois que o governo de George W. Bush lan\u00e7ou a guerra contra o Iraque, em mar\u00e7o de 2003, o ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Kofi Annan, qualificou a invas\u00e3o de \u201cilegal\u201d e de \u201cviola\u00e7\u00e3o da Carta\u201d do f\u00f3rum mundial, pois Washington n\u00e3o tinha autoriza\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Annan pagou um alto pre\u00e7o por essas palavras, recordou James A. Paul, que h\u00e1 dez anos \u00e9 observador na ONU como diretor do Global Policy Forum, com sede em Nova York. O governo de Bush (2001-2009) ficou de tal modo encolerizado que colocou Annan sob intenso ataque. Praticamente toda sua equipe de colaboradores foi obrigada a renunciar por press\u00f5es de Washington, afirmou Paul.<\/p>\n<p>Poderia o atual secret\u00e1rio-geral, Ban Ki-moon, seguir os passos de Annan, se os Estados Unidos atacarem a S\u00edria sem o sinal verde do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU? A resposta de Paul \u00e0 IPS foi categ\u00f3rica: \u201cEmbora se pisoteie boa parte do direito internacional, podemos esperar que Ban aja com cautela e n\u00e3o diga nada de concreto. Essa \u00e9 sua inclina\u00e7\u00e3o natural. E, al\u00e9m disso, seguramente olha para tr\u00e1s e recorda o que aconteceu com seu antecessor\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto o governo de Obama j\u00e1 faz soar os tambores de guerra, especula-se se os Estados Unidos tentar\u00e3o passar por cima do Conselho de Seguran\u00e7a, pois qualquer resolu\u00e7\u00e3o invocando o Cap\u00edtulo 7 da Carta da ONU, que autoriza a\u00e7\u00f5es militares, contaria com veto da R\u00fassia e, provavelmente, tamb\u00e9m da China. A Gr\u00e3-Bretanha fez circular um projeto de resolu\u00e7\u00e3o sobre a S\u00edria, cujo governo \u00e9 acusado de ter lan\u00e7ado, no dia 21 deste m\u00eas, um suposto ataque qu\u00edmico contra popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Entretanto, o rascunho pode morrer de morte natural antes que o Conselho se re\u00fana formalmente ou acabe vitimado por um veto. A R\u00fassia, que continua prestando apoio ao sitiado presidente s\u00edrio, Bashar al Assad, j\u00e1 fez uso do veto em tr\u00eas ocasi\u00f5es, junto com a China, para impedir san\u00e7\u00f5es contra Damasco. A ONU como tal tamb\u00e9m parece estar em rumo de colis\u00e3o com os Estados Unidos, que j\u00e1 declararam que a S\u00edria usou armas qu\u00edmicas, passando por cima de uma equipe de inspetores das Na\u00e7\u00f5es Unidas que est\u00e3o em territ\u00f3rio s\u00edrio tentando determinar o que aconteceu.<\/p>\n<p>Em entrevista coletiva no Pal\u00e1cio da Paz, em Haia, Ban disse que o uso de armamento qu\u00edmico por parte de quem quer que seja, pelas raz\u00f5es que forem e sob qualquer circunst\u00e2ncia, constitui uma viola\u00e7\u00e3o atroz do direito internacional. Por\u00e9m, \u00e9 essencial estabelecer os fatos, acrescentou o secret\u00e1rio-geral, se distanciando dos Estados Unidos. \u201cUma equipe de investiga\u00e7\u00e3o da ONU est\u00e1 agora no terreno fazendo precisamente isso\u201d, destacou. Apenas um dia depois do suposto ataque, a equipe recolheu amostras valiosas e entrevistou v\u00edtimas e testemunhas. Mas precisa de tempo para realizar seu trabalho, afirmou Ban.<\/p>\n<p>Esta reclama\u00e7\u00e3o aparece em meio a informes de que Washington j\u00e1 solicitou ao secret\u00e1rio-geral que retire sua miss\u00e3o de inspetores. O ataque qu\u00edmico e os debates em torno do Conselho de Seguran\u00e7a recordam epis\u00f3dios anteriores nos quais Washington buscou apoio para suas guerras, apontou Paul. \u201cQuem pode esquecer a apresenta\u00e7\u00e3o sobre o Iraque por parte do ent\u00e3o secret\u00e1rio de Estado, Collin Powell, no dia 5 de fevereiro de 2003, repleta de falsidades e sobre a qual mais tarde se manifestou arrependido?\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>O chefe da miss\u00e3o de inspe\u00e7\u00e3o da ONU no Iraque naquela \u00e9poca, Hans Blix, se referiu com eloqu\u00eancia \u00e0 pressa para iniciar a guerra contra a S\u00edria. Em rela\u00e7\u00e3o a como Washington e Londres se adiantaram ao processo de inspe\u00e7\u00e3o, Blix alertou que \u201cdesta vez n\u00e3o podemos confiar nos pronunciamentos interessados de Estados poderosos. Os fatos devem ser considerados de maneira desapaixonada\u201d. Os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o a pol\u00edcia do mundo, ressaltou.<\/p>\n<p>Em Haia, Ban exortou de forma impl\u00edcita por uma a\u00e7\u00e3o contra a S\u00edria adotada pelo Conselho de Seguran\u00e7a, e n\u00e3o de forma unilateral. \u201cRespeitemos a Carta da ONU\u201d, afirmou. \u00c9 preciso perseverar em todos os caminhos que levem as partes \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o, afirmou o secret\u00e1rio-geral. O enviado da ONU e da Liga \u00c1rabe, Lakhdar Brahimi, prossegue em sua tarefa, indicou. Contudo, insistiu, acima de tudo, o Conselho de Seguran\u00e7a deve honrar suas responsabilidades morais e pol\u00edticas estabelecidas na Carta.<\/p>\n<p>Perante jornalistas em Genebra, Brahimi foi mais categ\u00f3rico. \u201cO direito internacional estabelece que a a\u00e7\u00e3o militar deve ser tomada por decis\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a. O que acontecer\u00e1 depois? N\u00e3o sei\u201d, afirmou, atenuando seus coment\u00e1rios ao afirmar que \u201co presidente Obama e o governo norte-americano n\u00e3o s\u00e3o conhecidos por seu gatilho f\u00e1cil\u201d.<\/p>\n<p>Para Paul, a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria sob as normas internacionais \u00e9 clara. A Carta da ONU autoriza apenas dois tipos de interven\u00e7\u00e3o militar contra um Estado: em defesa pr\u00f3pria diante de um ataque e em resposta a uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a. Nenhum dos dois se aplica neste caso, porque uma resolu\u00e7\u00e3o, se for proposta, ser\u00e1 vetada, opinou Paul. Portanto, Washington est\u00e1 em busca de outras justificativas e revisa interven\u00e7\u00f5es passadas para reciclar argumentos.<\/p>\n<p>Um deles se refere \u00e0 pol\u00edtica moral e \u00e0 \u201cguerra justa\u201d, que promoveu o ex-primeiro-ministro brit\u00e2nico Tony Blair (1997-2007), no famoso discurso que fez em 1999 em Chicago, defendendo os bombardeios contra a Iugosl\u00e1via, ent\u00e3o em guerra com sua prov\u00edncia aut\u00f4noma de Kosovo. Este perigoso enfoque habilita pa\u00edses poderosos a atacarem outros com base em supostos julgamentos morais, \u201cjulgamentos que, sabemos, sempre t\u00eam origem em seus pr\u00f3prios interesses\u201d, enfatizou Paul.<\/p>\n<p>Outra linha de argumenta\u00e7\u00e3o, menos atraente, indica que a a\u00e7\u00e3o militar \u00e9 ilegal, mas leg\u00edtima. Foi esgrimida depois da guerra de Kosovo, por um grupo de juristas, mas acabou considerada perigosamente vaga e subjetiva. Um terceiro arrazoamento, que agora parece mais ef\u00eamero, toca na \u201cresponsabilidade de proteger\u201d: se os Estados Unidos falham na prote\u00e7\u00e3o de seus cidad\u00e3os, a comunidade internacional deve agir.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui o terreno \u00e9 escorregadio, afirmou Paul. A responsabilidade de proteger, articulada em 2005, \u00e9 confusa e n\u00e3o justifica agir sem autoriza\u00e7\u00e3o da ONU. Por isso Washington est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o embara\u00e7osa, agravada pelo fato de a Liga \u00c1rabe proporcionar uma justificativa regional para a a\u00e7\u00e3o militar, acrescentou.<\/p>\n<p>Toda discuss\u00e3o sobre a paralisia do Conselho de Seguran\u00e7a ignora a quest\u00e3o do veto que, usado como amea\u00e7a, bloqueia as a\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o quase diariamente, e \u00e9 intensamente brandido pelos Estados Unidos, como pelos demais membros permanentes (China, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia). \u201cMais bombas n\u00e3o resolver\u00e3o os problemas da S\u00edria, nem colocar\u00e3o em marcha um governo novo e mais respons\u00e1vel. Somente prolongar\u00e1 a matan\u00e7a\u201d, concluiu Paul. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 30\/8\/2013 &ndash; Dezoito meses depois que o governo de George W. 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