{"id":16474,"date":"2013-09-02T13:12:49","date_gmt":"2013-09-02T13:12:49","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=97468"},"modified":"2013-09-25T17:35:01","modified_gmt":"2013-09-25T17:35:01","slug":"terramerica-compartilhar-nao-comprar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/terramerica-compartilhar-nao-comprar\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Compartilhar, n\u00e3o comprar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_97471\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 350px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ArgentinaGratiferia.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-97471\" alt=\"ArgentinaGratiferia TERRAM\u00c9RICA   Compartilhar, n\u00e3o comprar\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ArgentinaGratiferia.jpg\" width=\"340\" height=\"227\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Compartilhar, n\u00e3o comprar\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nada est\u00e1 \u00e0 venda nesta feira da Plaza It\u00e1lia, no bairro de Palermo, em Buenos Aires. Foto: Juan Moseinco\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Em meio a uma intensa onda de consumismo, alguns argentinos come\u00e7am a experimentar as vantagens de compartilhar objetos e servi\u00e7os, em lugar de compr\u00e1-los.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 2 de setembro de 2013 (Terram\u00e9rica).- Desencantados com uma economia que promove o individualismo e o consumo predador, milhares de argentinos se somam \u00e0s feiras nas quais os objetos s\u00e3o presenteados, compartilham viagens de carro com desconhecidos e oferecem alojamento gratuito a viajantes estrangeiros. S\u00e3o tend\u00eancias incipientes neste pa\u00eds, mas que crescem apoiadas nas plataformas 2.0.<\/p>\n<p>Os usu\u00e1rios compartilham uma mesma preocupa\u00e7\u00e3o pelo cuidado ambiental e certa rejei\u00e7\u00e3o ao consumismo. Al\u00e9m de sua vontade de aumentar o contato comunit\u00e1rio e de incentivar a confian\u00e7a entre as pessoas.\u201cNecessitamos muito menos do que consumimos. Por isso a base de nossas feiras \u00e9 o desapego, a necessidade de liberar objetos do conceito de propriedade privada\u201d, explicou Ariel Rodr\u00edguez, criador da La Gratiferia, que tem o lema \u201ctraga o que quiser (ou nada) e leve o que quiser (ou nada)\u201d.<\/p>\n<p>A iniciativa come\u00e7ou em 2010. A primeira feira foi em sua casa, no bairro portenho de Liniers. Rodr\u00edguez colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de amigos e vizinhos, livros, discos, roupas, m\u00f3veis e outros bens que acumulava e n\u00e3o precisava. Tamb\u00e9m preparou algo para comer e beber. Com o tempo, houve quem o imitasse e, recordou, a feira n\u00famero 13 \u201csaiu \u00e0 rua e explodiu\u201d com a difus\u00e3o nas redes sociais. \u201c\u00c9 algo que rompe com os esquemas\u201d, observou Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>Os visitantes se aproximam incr\u00e9dulos, sem saber se t\u00eam o direito de pegar objetos sem deixar nada em troca. As pessoas podem ir a uma gratifeira com objetos dos quais deseja se livrar e n\u00e3o tem de se preocupar se algu\u00e9m os levar. A ideia \u00e9 justamente que encontrem um interessado em prolongar sua vida \u00fatil, em lugar de comprar um novo. \u201c\u00c9 como um reordenamento dos objetivos que tamb\u00e9m gera uma socializa\u00e7\u00e3o interessante, porque surge um patrim\u00f4nio que agora \u00e9 comunit\u00e1rio\u201d, explicou Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>As gratifeiras se estenderam para cidades de algumas prov\u00edncias e tamb\u00e9m para o Chile, M\u00e9xico e outros pa\u00edses, assegurou seu criador. Este fen\u00f4meno n\u00e3o nasce, segundo Rodr\u00edguez, em um contexto de crise, com o sistema de troca, muito popular diante do colapso social e econ\u00f4mico do final de 2001. \u201cIsto \u00e9 uma tentativa de responder a uma crise mais longa de nossa rela\u00e7\u00e3o com o material\u201d, apontou. A pr\u00e1tica se espalhou para outros contextos.<\/p>\n<p>Na Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires, um grupo de estudantes organiza este m\u00eas uma feira de apostilas para compartilhar, gratuitamente, material de estudo j\u00e1 utilizado. \u201cA ideia vem com o \u00e2nimo das gratifeiras e deveria ser um movimento mais amplo incluindo outras faculdades, mas agora queremos que se firme na Engenharia\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o estudante Santiago Trejo, um dos organizadores da feira, que coleta material e o coloca em circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o modalidades <i>sui generis<\/i> do consumo colaborativo, express\u00e3o cunhada no come\u00e7o de 2000, nos Estados Unidos, para identificar mecanismos para compartilhar ou trocar aparelhos eletr\u00f4nicos, livros, roupas, cal\u00e7ados, instrumentos, m\u00f3veis, bicicletas e at\u00e9 autom\u00f3veis. Em 2011, a revista <i>Time<\/i> definiu o consumo colaborativo como uma das dez ideias capazes de mudar o mundo.<\/p>\n<p>Propostas semelhantes surgiram entre os que consideram que viajar n\u00e3o \u00e9 apenas se deslocar de um lugar a outro, mas viver uma experi\u00eancia humana e social com pessoas que vivem em outro lugar do planeta. \u201cQuando fui \u00e0 Europa, fiquei em <i>hostels<\/i> e ao voltar me dei conta de que n\u00e3o tinha muita ideia de como viviam as pessoas desses pa\u00edses, ou o que pensavam do nosso\u201d, contou ao Terram\u00e9rica a jovem Aranzaz\u00fa Dobant\u00f3n, de 24 anos, que trabalha e estuda cinema.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro anos registrou seu perfil na plataforma internacional Couchsurfing, que aproxima pessoas dispostas a alojar em suas casas visitantes estrangeiros. A opera\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a com a troca de e-mails e um encontro pr\u00e9vio, se concretiza sem dinheiro, apenas compartilhando teto e experi\u00eancia. O grupo local tem mais de cinco mil pessoas registradas. \u201cAt\u00e9 agora recebi cerca de 15 pessoas de diferentes partes do mundo. Muitas da Dinamarca, tamb\u00e9m do M\u00e9xico, das Filipinas, da Fran\u00e7a, um turco que vivia na Alemanha\u201d, contou Dobant\u00f3n. Como anfitri\u00e3, ela estabelece as condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se conhecem pela internet e j\u00e1 em Buenos Aires se encontram primeiro em um local p\u00fablico. \u201cOs que ficam s\u00e3o muito dispostos. \u00c0s vezes cozinho para eles, outras vezes eles preparam a refei\u00e7\u00e3o. Se d\u00e3o conta de que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil quando se trabalha. S\u00e3o pessoas normais, que t\u00eam as mesmas inquieta\u00e7\u00f5es, mas que vivem outra realidade\u201d, observou Dobant\u00f3n. Os visitantes depois escrevem em seu perfil como se sentiram ficando em sua casa, e esses coment\u00e1rios fazem outras pessoas desejarem a mesma experi\u00eancia. Ou n\u00e3o. Ela, por sua vez, tamb\u00e9m pode fazer uso dessa rede para se hospedar na casa de algu\u00e9m quando viajar. At\u00e9 agora s\u00f3 o fez no Uruguai.<\/p>\n<p>O consumo colaborativo \u00e9 uma modalidade da economia do compartilhar, que est\u00e1 crescendo tanto nos Estados Unidos que a empresa de corretagem e servi\u00e7os financeiros ConvergEx alerta em um artigo que poderia ter efeitos \u201ccatastr\u00f3ficos\u201d na economia capitalista tradicional. Seu maior desenvolvimento ocorre quanto \u00e0s viagens de autom\u00f3vel. Com a ideia de poupar dinheiro e reduzir a polui\u00e7\u00e3o e os congestionamentos, v\u00e1rias plataformas conectam pessoas dispostas a compartilhar o ve\u00edculo, a viagem e os gastos.<\/p>\n<p><i>Vayamos Juntos <\/i>e <i>En Camello<\/i> s\u00e3o duas destas redes argentinas onde cada interessado publica sua oferta ou demanda de viagem, ponto a ponto. H\u00e1 quem busca compartilhar a viagem de casa ao trabalho, os que precisam ir de uma prov\u00edncia a outra, ou quem deseja ver um espet\u00e1culo musical ou um jogo de futebol.<\/p>\n<p>Em outros pa\u00edses, como o M\u00e9xico, o transporte compartilhado tem v\u00e1rias modalidades, como o autom\u00f3vel multiusu\u00e1rio, que permite ter acesso a um ve\u00edculo quando necess\u00e1rio, pagando por hora, ou com mensalidade anual ou mensal. Como com as bicicletas p\u00fablicas, \u00e9 preciso pegar o carro em uma esta\u00e7\u00e3o e deix\u00e1-lo em outra. Na Argentina, cada uma das propostas j\u00e1 tem milhares de usu\u00e1rios registrados, e v\u00e3o aumentando as opini\u00f5es sobre a experi\u00eancia de compartilhar. (Envolverde\/Terram\u00e9rica)<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p><strong>LINKS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-consumo-colaborativo-e-sustentabilidade\/\" >Consumo colaborativo e sustentabilidade<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-carros-compartilhados-sao-tendencia\/\" >Carros compartilhados s\u00e3o tend\u00eancia<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/reportagem-a-troca-navega-contra-a-crise\/\" >A troca navega contra a crise<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a uma intensa onda de consumismo, alguns argentinos come&ccedil;am a experimentar as vantagens de compartilhar objetos e servi&ccedil;os, em lugar de compr&aacute;-los.&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 2 de setembro de 2013 (Terram&eacute;rica).- Desencantados com uma economia que promove o individualismo e o consumo predador, milhares de argentinos se somam &agrave;s feiras nas quais os [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/terramerica-compartilhar-nao-comprar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,978,1],"tags":[979,1536,1138],"class_list":["post-16474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-terramerica","category-ultimas-noticias","tag-argentina","tag-consumismo","tag-crise"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16474"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16522,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16474\/revisions\/16522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}