{"id":16484,"date":"2013-09-04T13:02:06","date_gmt":"2013-09-04T13:02:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=97704"},"modified":"2013-09-25T17:34:24","modified_gmt":"2013-09-25T17:34:24","slug":"uganda-filma-suas-proprias-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/uganda-filma-suas-proprias-historias\/","title":{"rendered":"Uganda filma suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_97705\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Uganda.jpg\"><img class=\" wp-image-97705 \" alt=\"Uganda Uganda filma suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Uganda.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Uganda filma suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O ator Earnest Sseruaayna, de 36 anos, e o diretor, produtor e roteirista Isaac Godfrey Nabwana, de 40 anos, no assentamento prec\u00e1rio de Wakalinga, em Kampala, Uganda. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 4\/9\/2013 \u2013 Isaac Godfrey Nabwana viveu durante quatro anos da fabrica\u00e7\u00e3o e venda de tijolos no assentamento de Wakalinga, na capital de Uganda. Mas agora trabalha para construir o que, espera, se converter\u00e1 na vers\u00e3o ugandense da Nollywood, a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica da Nig\u00e9ria. \u201cVendia tijolos e gra\u00e7as ao que ganhava comprei uma c\u00e2mera. Trabalhei duro para conseguir\u201d, disse o diretor, produtor e roteirista \u00e0 IPS enquanto mostrava seus est\u00fadios de som e cinema no assentamento.<\/p>\n<p>Nabwana, de 40 anos, fez 35 filmes nos \u00faltimos cinco anos. Atualmente produz \u201centre tr\u00eas e cinco\u201d por ano, todos na l\u00edngua local luganda, com legendas em ingl\u00eas. \u201cTenho um computador que constru\u00ed comprando as pe\u00e7as. Tenho refletores, que n\u00e3o s\u00e3o profissionais, mas funcionam. A ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica em Uganda est\u00e1 come\u00e7ando, \u00e9 incipiente, mas de r\u00e1pido crescimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Sua produtora, a Ramon Films, \u00e9 uma das quatro que funcionam em Wakalinga. Outras est\u00e3o dispersas por Kampala. \u201cCreio que ser\u00e1 a Hollywood de Uganda, e da \u00c1frica, porque fazemos filmes de a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se faz em nenhum outro lugar do continente. Com atores ugandenses, editados por ugandenses e produzidos por ugandenses\u201d, insistiu Nabwana.<\/p>\n<p>No entanto, falta muito ainda para que a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica de Uganda tenha um impacto continental. O setor produz cerca de 30 filmes por ano, enquanto a nigeriana Nollywood ronda os 70 por semana. Mas a Nig\u00e9ria tem 162 milh\u00f5es de habitantes, bem mais do que os 34,5 milh\u00f5es de Uganda. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica local est\u00e1 nas fraldas.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de Comunica\u00e7\u00f5es realizou, de 26 a 31 de agosto, o primeiro Festival de Cinema de Uganda, em Kampala. Durante a semana houve apresenta\u00e7\u00f5es, pain\u00e9is e cursos com mentores da \u00c1frica do Sul, Su\u00e9cia e Nig\u00e9ria. Tamb\u00e9m houve f\u00f3runs de discuss\u00e3o sobre interesses empresariais e foram projetados 189 filmes ao ar livre, em diferentes pontos da capital. \u201cO principal objetivo \u00e9 ver o <i>status<\/i> da ind\u00fastria\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor de programa\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Comunica\u00e7\u00f5es, Jonas Bantulaki.<\/p>\n<p>Uganda n\u00e3o chegou a um acordo sobre um nome para sua ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, disse o jornalista e cr\u00edtico Moses Serugo. \u201cFoi proposto Pearlwood \u2013 porque Uganda \u00e9 chamada de a p\u00e9rola (<i>pearl<\/i>) da \u00c1frica \u2013 mas se ouve muito Ugandawood ou Ugawood\u201d, acrescentou, afirmando que h\u00e1 duas correntes cinematogr\u00e1ficas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A dos \u201ccineastas da parte alta da cidade\u201d, entre os quais h\u00e1 formados pelo Laborat\u00f3rio Maisha Film, uma iniciativa sem fins lucrativos para talentos da \u00c1frica oriental criada em 2004 e que tem \u00e0 frente a diretora indiana Mira Nair, que foi indicada para o Oscar da Academia de Artes e Ci\u00eancias Cinematogr\u00e1ficas dos Estados Unidos. \u201cE tamb\u00e9m existem os da parte baixa, que s\u00e3o mais comerciais e produzem muitos filmes distribu\u00eddos em formato DVD\u201d, explicou Serugo.<\/p>\n<p>No Cineplex, no centro comercial Oasis, de Kampala, est\u00e3o em cartaz <i>Officer Down<\/i>, protagonizado por Stephen Dorff. <i>O Fundamentalista Reticente<\/i>, dirigido por Nair, e <i>Guerra Mundial Z<\/i>, com Brad Pitt. Derrick Musuguya, de 24 anos, que trabalha no cinema h\u00e1 um ano, disse que n\u00e3o s\u00e3o exibidos filmes locais, apesar da boa recep\u00e7\u00e3o que teve uma coprodu\u00e7\u00e3o entre Uganda e Nig\u00e9ria. Talvez o Cineplex comece a apresentar filmes em l\u00edngua luganda no come\u00e7o do pr\u00f3ximo ano, acrescentou o jovem.<\/p>\n<p>\u201cOs filmes ugandenses est\u00e3o decolando\u201d, disse o artista e m\u00fasico Denis Dhikysuuka, de 25 anos, que vai ao cinema pelo menos uma vez na semana. \u201cMas me encantam os filmes ocidentais porque h\u00e1 muito que aprender com eles\u201d, ponderou. Nabwana produz seus filmes com menos de dez milh\u00f5es de chelines ugandenses (US$ 3.875), que financia com seu neg\u00f3cio de venda de tijolos. Uma vez terminada a produ\u00e7\u00e3o, vende as c\u00f3pias em DVD de porta em porta por US$ 1,16 cada. A produ\u00e7\u00e3o e at\u00e9 os atores, que frequentemente devem custar at\u00e9 o transporte, levam seu pr\u00f3prio vestu\u00e1rio e maquiagem, n\u00e3o cobram e recebem algum dinheiro quando os filmes s\u00e3o vendidos.<\/p>\n<p>Nabwana disse que n\u00e3o ganha muito. Pode chegar a investir US$ 4 mil em um filme, mas s\u00f3 recupera um quarto desse soma. Sua \u00faltima produ\u00e7\u00e3o, <i>Revenge<\/i> (Vingan\u00e7a), \u00e9 a hist\u00f3ria de um empres\u00e1rio ugandense de bom cora\u00e7\u00e3o que ajuda os amigos, mas um dia morre v\u00edtima de um golpe e aparece um fantasma para ving\u00e1-lo. \u201cA hist\u00f3ria se baseia em um fato real\u201d, contou o diretor. O filme foi apresentado em um cinema de Likwanga, sub\u00farbio de Kampala, h\u00e1 tr\u00eas semanas.<\/p>\n<p>Earnest Sseruaayana, de 36 anos, interpreta um dos maus de <i>Revenge<\/i>. Vive em Wakalinga com seus dois filhos e antes de alcan\u00e7ar seu sonho de ser ator ganhava a vida como soldador, vendia carv\u00e3o e lavava carros. A filmagem dessa produ\u00e7\u00e3o demorou um ano e ele recebeu US$ 232 por seu trabalho. \u201cGanho muito dinheiro com isso\u201d, disse Sseruaanya, que figurou em 15 produ\u00e7\u00f5es da Ramon Films nos \u00faltimos cinco anos \u201c\u00c9 melhor do que outro trabalho. Mas, nem todos podem viver disto\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Serugo disse que Uganda n\u00e3o tem comiss\u00e3o cinematogr\u00e1fica, apesar de a ind\u00fastria ter condi\u00e7\u00f5es de criar milhares de postos de trabalho para jovens profissionais desempregados. \u201cCreio que precisamos de uma comiss\u00e3o desse tipo. H\u00e1 iniciativas na \u00c1frica do Sul, onde tem o Fundo Nacional de Filmes e V\u00eddeos ou a Comiss\u00e3o Cinematogr\u00e1fica Gauteng\u201d, opinou.<\/p>\n<p>Na vizinha Ruanda o setor n\u00e3o \u00e9 \u201cmais avan\u00e7ado\u201d do que em Uganda, mas conta com \u201cmais iniciativas que reconhecem o cinema como grande contribuinte para a economia criativa\u201d, pontuou. A Junta de Desenvolvimento de Ruanda, pa\u00eds conhecido como \u201ca terra das mil colinas\u201d, financia o setor cinematogr\u00e1fico e criou Hillywood (<i>hill<\/i>, colina em ingl\u00eas), o festival de cinema ruand\u00eas.<\/p>\n<p>Bantulaki concorda que a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o cinematogr\u00e1fica seria uma \u201csitua\u00e7\u00e3o ideal\u201d e que \u00e9 algo \u201cque estudaremos\u201d. Mas a falta de uma comiss\u00e3o reguladora n\u00e3o far\u00e1 com que Nabwana deixe de filmar. \u201cEstamos fazendo, estamos fazendo\u201d, disse orgulhoso. \u201cEm outros pa\u00edses da \u00c1frica, talvez os norte-americanos cheguem com seus projetos. Mas aqui n\u00f3s mesmos fazemos\u201d, comemorou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><object id=\"a8c90829-983b-9183-eb5a-7983d89a8dab\" width=\"0\" height=\"0\" type=\"application\/gas-events-abn\"><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Uganda, 4\/9\/2013 &ndash; Isaac Godfrey Nabwana viveu durante quatro anos da fabrica&ccedil;&atilde;o e venda de tijolos no assentamento de Wakalinga, na capital de Uganda. 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