{"id":16497,"date":"2013-09-06T17:51:03","date_gmt":"2013-09-06T17:51:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=97891"},"modified":"2013-09-25T17:34:22","modified_gmt":"2013-09-25T17:34:22","slug":"menos-siria-mais-soria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/menos-siria-mais-soria\/","title":{"rendered":"Menos S\u00edria, mais S\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Siria.jpg\"><img class=\"alignleft size-full wp-image-97893\" alt=\"Siria Menos S\u00edria, mais S\u00f3ria\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Siria.jpg\" width=\"300\" height=\"226\" title=\"Menos S\u00edria, mais S\u00f3ria\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p>Miami, Estados Unidos, setembro\/2013 \u2013 Dizem as cr\u00f4nicas da mudan\u00e7a de s\u00e9culo, na metade da aparentemente impar\u00e1vel hegemonia do primeiro-ministro da Espanha, Jos\u00e9 Mar\u00eda Aznar (1996-2004), que ele recebeu uma advert\u00eancia: \u201cMenos S\u00edria, mais S\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>O engenhoso conselho se referia \u00e0 conveni\u00eancia, com a finalidade de capturar a reelei\u00e7\u00e3o em 2000 e a consequente maioria absoluta, de dedicar maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica interna do que aos temas externos, aos quais Aznar se sentia irresistivelmente inclinado.<\/p>\n<p>Segundo as fontes, o autor foi seu ministro de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Jes\u00fas Posada, atual presidente da C\u00e2mara dos Deputados, nascido na capital castelhana de S\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em todo caso, o ocorrido passou para a linguagem pol\u00edtica, ilustrando, por um lado, a prudente op\u00e7\u00e3o a ser tomada por todo governante de escolher prestar aten\u00e7\u00e3o aos problemas de ordem interna (S\u00f3ria). Afinal, \u201ctoda pol\u00edtica \u00e9 local\u201d, segundo o ditado anglo-americano.<\/p>\n<p>Por outro lado, pode ser irresist\u00edvel inclinar-se pelos movimentos \u00e0 luz dos refletores das rela\u00e7\u00f5es internacionais, em terrenos desconhecidos (S\u00edria), ombro a ombro com as m\u00e1ximas figuras mundiais.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que Aznar desfrutou de um impressionante \u00eaxito ao se mover na ampla \u201cS\u00edria\u201d aberta de modo sangrento pelo 11 de setembro de 2001, pela interven\u00e7\u00e3o de repres\u00e1lia no Afeganist\u00e3o e pela aventura no Iraque, \u00e0 qual acudiu sem o consentimento de 90% da \u201cS\u00f3ria\u201d natural, pela qual demonstrou ter um desprezo t\u00e3o not\u00e1vel quanto o deslumbramento de aparecer na foto feita nos A\u00e7ores, junto com Tony Blair e George W. Bush.<\/p>\n<p>Em contraste, ao ter causado, com sua irrespons\u00e1vel manipula\u00e7\u00e3o da autoria do ataque terrorista de mar\u00e7o de 2004 em Madri, a derrota de seu sucessor Mariano Rajoy (que se refugiava em sua \u201cS\u00f3ria\u201d galega), abriu a porta para a ascens\u00e3o de Jos\u00e9 Luis Rodr\u00edguez Zapatero, que, por sua vez, de forma natural para sua personalidade e inclina\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, decide rapidamente pela retirada das simb\u00f3licas tropas do Iraque. Assim resistiu at\u00e9 que o apoio de \u201cS\u00f3ria\u201d se esgotou devido \u00e0 crise econ\u00f4mica, e se traspassou para Rajoy.<\/p>\n<p>Barack Obama chegou \u00e0 Casa Branca convencido de que deveria ouvir a voz de sua \u201cS\u00f3ria\u201d natural, e estabelecer um plano para ir saindo da \u201cS\u00edria\u201d, que se abrira desde o come\u00e7o da Primavera \u00c1rabe, com a \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos jasmins\u201d na Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>No entanto, ap\u00f3s ter sobrevivido com sua t\u00e1tica de liderar por tr\u00e1s, sobretudo na L\u00edbia, o desafio do uso das armas qu\u00edmicas na S\u00edria real o colocou em um beco sem sa\u00edda: repres\u00e1lia ou paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tendo por pano de fundo a decis\u00e3o de seu colega brit\u00e2nico David Cameron de se ater aos desejos de seus \u201csorianos\u201d, que lhe vetaram intervir em uma a\u00e7\u00e3o contra Bashar al Assad, Obama mant\u00e9m a amea\u00e7a de castigar o crime do ditador s\u00edrio, mas decidiu ouvir os representantes de seus \u201csorianos\u201d no Congresso.<\/p>\n<p>Com esta decis\u00e3o Obama optou, no momento, por ouvir a advert\u00eancia de uma opini\u00e3o p\u00fablica que em quase 80% n\u00e3o apoia a interven\u00e7\u00e3o. Assim se ratifica, neste cap\u00edtulo, o isolacionismo inato dos norte-americanos, que somente se aventuram em um apoio maci\u00e7o \u00e0s interven\u00e7\u00f5es exteriores em contadas ocasi\u00f5es, como ap\u00f3s o ataque a Pearl Harbour ou a queda das Torres G\u00eameas.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos dias ser\u00e1 crucial observar qual \u00e9 o poder real dos \u201csorianos\u201d dos Estados Unidos, e qual \u00e9 a atitude diante das travessuras dos s\u00edrios reais. O problema para Obama \u00e9 que tampouco sabem bem como explicar que a possibilidade de expulsar o l\u00edder s\u00edrio pode provocar a ascens\u00e3o ao poder de uma parte da oposi\u00e7\u00e3o que compartilha com Assad igual \u00f3dio pelos Estados Unidos, pelo mundo ocidental e por Israel.<\/p>\n<p>No momento, a retirada t\u00e1tica de Obama beneficia Cameron e o deixa respirar. Justifica sua aparentemente irrespons\u00e1vel op\u00e7\u00e3o por acelerar um voto de seu Parlamento. Embora (temporariamente?) tenha violado a sacrossanta \u201crela\u00e7\u00e3o especial\u201d, que sempre se aplica quando se trata de temas fundamentais, a lentid\u00e3o de Obama o justifica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o alto pre\u00e7o a pagar pode ser um dano irrepar\u00e1vel ao s\u00f3lido v\u00ednculo aliado entre os dois pa\u00edses. Resta, por outro lado, o papel secund\u00e1rio (mas tamb\u00e9m importante) a ser jogado pelo presidente franc\u00eas, Fran\u00e7ois Hollande (l\u00edder da pot\u00eancia colonial que construiu a atual S\u00edria), que prometera seu apoio \u00e0 arriscada opera\u00e7\u00e3o anunciada por Obama.<\/p>\n<p>Agora, todos esperam ansiosos se os congressistas e senadores norte-americanos resgatar\u00e3o Obama de um rid\u00edculo que se mant\u00e9m perigosamente como poss\u00edvel. O resultado de todo este drama continuar\u00e1 colocando sobre a mesa o dilema de optar por \u201cS\u00f3ria\u201d ou \u201cS\u00edria\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <b>Joaqu\u00edn Roy<\/b> \u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu).\u00a0 \u00a0<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, setembro\/2013 &ndash; Dizem as cr&ocirc;nicas da mudan&ccedil;a de s&eacute;culo, na metade da aparentemente impar&aacute;vel hegemonia do primeiro-ministro da Espanha, Jos&eacute; Mar&iacute;a Aznar (1996-2004), que ele recebeu uma advert&ecirc;ncia: &ldquo;Menos S&iacute;ria, mais S&oacute;ria&rdquo;. 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