{"id":16504,"date":"2013-09-09T20:02:05","date_gmt":"2013-09-09T20:02:05","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=97931"},"modified":"2013-09-25T17:33:59","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:59","slug":"cabras-pashminas-congelam-no-teto-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/cabras-pashminas-congelam-no-teto-do-mundo\/","title":{"rendered":"Cabras pashminas congelam no teto do mundo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_97932\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pashminas640.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-97932\" alt=\"pashminas640 Cabras pashminas congelam no teto do mundo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pashminas640.jpg\" width=\"629\" height=\"472\" title=\"Cabras pashminas congelam no teto do mundo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma mulher changpa conduz suas cabras pashminas perto de Jarnak, na Cachemira. Foto: Athar Parvaiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Changthang, \u00cdndia, 9\/9\/2013 \u2013 O famoso xale de pashmina, que combate o frio com estilo e alto pre\u00e7o, pode acabar v\u00edtima do inverno. Milhares de cabras, com cuja l\u00e3 s\u00e3o feitos estes tecidos de caxemira, morreram devido \u00e0s temperaturas raramente baixas associadas \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A pashmina \u00e9 obtida da l\u00e3 de cabras changras, que habitam a regi\u00e3o de Ladaj, no Estado indiano de Jammu e Caxemira, e que faz parte da meseta tibetana, a mais de quatro mil metros de altitude, lugar conhecido como \u201cteto do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Pouca vegeta\u00e7\u00e3o cresce nestas \u00e1reas, onde a temperatura pode cair para 25 graus negativos. Os n\u00f4mades changpa vivem de seus rebanhos de ovelhas, iaques e cabras. Em Changthang, tamb\u00e9m na meseta tibetana, n\u00e3o \u00e9 comum a ocorr\u00eancia de nevadas intensas. Mas isso est\u00e1 mudando. Este ano houve algumas que privaram os changpas de forragem para seus animais.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 a segunda vez nos \u00faltimos cinco anos que vejo uma nevada t\u00e3o forte\u201d, contou Bihkit Angmo, uma pastora de 53 anos, que falou \u00e0 IPS ao lado de sua barraca em Jarnak, um assentamento n\u00f4made que fica 173 quil\u00f4metros a leste de Leh, capital de Ladaj. Esta tend\u00eancia de nevadas em zonas altas preocupa os moradores do lugar, acrescentou.<\/p>\n<p>O \u00faltimo ver\u00e3o j\u00e1 trouxe seus pr\u00f3prios problemas, como a seca que deixou \u00e1reas ressecadas e inclusive desertas. \u201cFoi terr\u00edvel, tivemos que percorrer longas dist\u00e2ncias para encontrar pastagem adequada\u201d, acrescentou Angmo. A neve derretida neste ver\u00e3o fez com que voltasse parte da vegeta\u00e7\u00e3o, mas ent\u00e3o as perdas j\u00e1 eram grandes. O Escrit\u00f3rio Distrital de Cria\u00e7\u00e3o de Ovelhas de Leh afirma que morreram 24.624 cabe\u00e7as de gado devido \u00e0s inclem\u00eancias do tempo.<\/p>\n<p>Assim, o neg\u00f3cio das pashminas ficou em s\u00e9rio risco. A l\u00e3 obtida das cabras \u00e9 muito quente, para o animal poder sobreviver ao intenso frio. Com di\u00e2metro de 14 e 19 micras, os filamentos de pashmina s\u00e3o seis vezes mais finos do que o cabelo humano. Gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, os artes\u00e3os caxemiras usam esta fibra para elaborar o famoso xale, tecido \u00e0 m\u00e3o e frequentemente enfeitado com delicados bordados. Um destes mantos de pashmina originais pode custar entre US$ 200 e US$ 600.<\/p>\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o de pashmina atingiu US$ 160 milh\u00f5es na temporada 2011-2012, segundo um estudo econ\u00f4mico do governo estadual. Agora, com os extremos do ver\u00e3o e do inverno, as cabras morrem de fome ou de frio. A fam\u00edlia de Angmo \u00e9 uma das poucas que ficaram em Jarnak para continuar criando cabras. Das 98 fam\u00edlias originais, 83 emigraram, segundo Mohammad Sharief, funcion\u00e1rio do Escrit\u00f3rio Distrital. \u201cNossos estudos mostram que entre cinco e dez fam\u00edlias da \u00e1rea de Changthang emigram a cada ano para a cidade de Leh\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Segundo Sharief, h\u00e1 2.500 fam\u00edlias changpas que criam cerca de 200 mil cabras em Changthang. Cada uma produz 250 gramas de l\u00e3 por temporada, que s\u00e3o vendidos a cerca de US$ 35 o quilo. Os n\u00f4mades de Changthang criaram seu pr\u00f3prio bairro em Leh, chamado Jarnak Ling. \u201cTodas as fam\u00edlias que emigraram de Jarnak e de outros cintur\u00f5es de Changthang se instalaram aqui\u201d, contou.<\/p>\n<p>Motub Angmo, de 43 anos, est\u00e1 entre os que deixaram Jarnak h\u00e1 quatro anos para se estabelecerem em Leh. Estava cansado da dura vida na montanha, explicou, e partiu com a fam\u00edlia ap\u00f3s vender suas 300 cabras. \u201cAgora n\u00e3o temos gado, trabalhamos como pe\u00f5es\u201d, explicou \u00e0 IPS. Seus cinco filhos estudam em uma escola normal em Leh. As escolas m\u00f3veis que o governo criou para os n\u00f4mades nas montanhas n\u00e3o tiveram \u00eaxito.<\/p>\n<p>Se as coisas continuarem desta maneira, Sharief acredita que a cria\u00e7\u00e3o de cabras pashminas chegar\u00e1 ao fim nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. Isso tamb\u00e9m significar\u00e1 o fim do sustento para cerca de 300 mil pessoas do Estado indiano de Jammu e Caxemira, que dependem direta ou indiretamente das pashminas, segundo Shariq Farooqi, diretor do Instituto de Desenvolvimento de Artesanatos de Srinagar, capital de ver\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>\u201cTodos dependemos da pashmina para fabricar xales\u201d, disse \u00e0 IPS o vendedor de roupas Ashraf Banday. \u201cQualquer amea\u00e7a \u00e0 sua elabora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a ao nosso sustento\u201d, ressaltou. A ind\u00fastria das pashminas da Caxemira j\u00e1 sofre porque h\u00e1 no mercado de xales aqueles que n\u00e3o s\u00e3o aut\u00eanticos\u201d. Se diminuir a produ\u00e7\u00e3o de pashminas, o setor ficar\u00e1 ainda mais vulner\u00e1vel\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Segundo Sharief, o minist\u00e9rio de produtos t\u00eaxteis da \u00cdndia sabe do problema que representa a emigra\u00e7\u00e3o dos changpas e est\u00e1 tomando medidas para que retornem. \u201cContamos com or\u00e7amento de US$ 1,2 milh\u00e3o para armazenar alimentos em bancos de forragem para usar no inverno. Tamb\u00e9m pretendemos distribuir barracas de campanha e abrigos aos n\u00f4mades\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Seu departamento tenta recolocar em Changthang fam\u00edlias que emigraram para Leh. \u201cNo ano passado reassentamos duas fam\u00edlias de Jarnak e criamos minigranjas para elas, dando a cada uma 50 animais sem custo\u201d, disse Sharief. T\u00e3o logo tenham se estabelecido, ser\u00e3o retiradas algumas cabras para dar a outras fam\u00edlias. Sharief espera que o ciclo possa se reproduzir at\u00e9 que a maioria das fam\u00edlias esteja reassentada.<\/p>\n<p>O desaparecimento de cabras pashminas tamb\u00e9m pode significar o fim da cultura \u00fanica dos changpas, enfatizou Sharief. A maioria \u00e9 seguidora do budismo tibetano e tem uma complexa s\u00e9rie de tradi\u00e7\u00f5es centradas em seu gado. Os n\u00f4mades tamb\u00e9m praticavam a poliandria, embora esse costume esteja mudando entre as gera\u00e7\u00f5es mais jovens. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Changthang, &Iacute;ndia, 9\/9\/2013 &ndash; O famoso xale de pashmina, que combate o frio com estilo e alto pre&ccedil;o, pode acabar v&iacute;tima do inverno. Milhares de cabras, com cuja l&atilde; s&atilde;o feitos estes tecidos de caxemira, morreram devido &agrave;s temperaturas raramente baixas associadas &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. 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