{"id":16514,"date":"2013-09-11T12:32:17","date_gmt":"2013-09-11T12:32:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98006"},"modified":"2013-09-25T17:33:54","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:54","slug":"camaroneses-entre-doencas-e-remedios-falsificados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/camaroneses-entre-doencas-e-remedios-falsificados\/","title":{"rendered":"Camaroneses entre doen\u00e7as e rem\u00e9dios falsificados"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_98007\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/camerun640.jpg\"><img class=\" wp-image-98007 \" alt=\"camerun640 Camaroneses entre doen\u00e7as e rem\u00e9dios falsificados\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/camerun640.jpg\" width=\"529\" height=\"362\" title=\"Camaroneses entre doen\u00e7as e rem\u00e9dios falsificados\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nos mercados e na beira de estradas de Yaound\u00e9, os rem\u00e9dios ilegais se acumulam em mesas e estantes de madeira, \u00e0 vista de todos. Foto: Monde Kingsley Nfor\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Yaound\u00e9, Costa do Marfim, 11\/9\/2013 \u2013 Quando o camaron\u00eas Fran\u00e7ois Biloa contraiu mal\u00e1ria, sua fam\u00edlia fez o que sempre fazia: deu antibi\u00f3ticos e outros medicamentos comprados no mercado local. S\u00f3 quando sua situa\u00e7\u00e3o piorou e ele ficou inconsciente e prostrado na cama foi que seus parentes o levaram a uma cl\u00ednica na capital. Segundo o assistente da cl\u00ednica, antes de darem entrada, seis em cada dez pacientes usam rem\u00e9dios ilegais ou falsificados, f\u00e1ceis de encontrar no mercado desta na\u00e7\u00e3o da \u00c1frica ocidental.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s compramos rem\u00e9dios em uma loja porque isso funcionou com ataques anteriores de mal\u00e1ria, e s\u00e3o muito baratos. Com apenas US$ 2 podemos comprar um pacote de Coartem (falso), que \u00e9 um tratamento completo\u201d contra a doen\u00e7a, explica Biloa \u00e0 IPS em sua cama no hospital. Nas farm\u00e1cias, um pacote de Coartem custa entre US$ 7 e US$ 8, enquanto no mercado ilegal um pacote do mesmo rem\u00e9dio pode ser comprado por menos de US$ 3. Uma consulta m\u00e9dica custa US$ 4, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>\u201cMas neste hospital agora me dizem que a conta passa dos US$ 75. O m\u00e9dico disse que tenho um tipo resistente de mal\u00e1ria, al\u00e9m de febre tifoide\u201d, contou Biloa. \u201cSenti como se estivesse morrendo durante a tentativa de tratamento em casa. S\u00f3 comecei a recuperar energia e consci\u00eancia depois de hospitalizado\u201d, detalhou. Em mercados de beira de estrada em Yaound\u00e9, rem\u00e9dios falsificados e ilegais est\u00e3o empilhados em mesas e estantes de madeira, exibidos abertamente para a venda.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio destes medicamentos \u00e9 ilegal. Se est\u00e3o dispon\u00edveis \u00e9 consequ\u00eancia de uma fiscaliza\u00e7\u00e3o fraca, de servi\u00e7os de sa\u00fade de m\u00e1 qualidade e dos elevados custos m\u00e9dicos. N\u00e3o h\u00e1 dados precisos sobre a quantidade de rem\u00e9dios ilegais que entram no pa\u00eds, mas at\u00e9 70% dos rem\u00e9dios vendidos em Camar\u00f5es s\u00e3o comercializados clandestinamente, disse Christophe Ampoam, do Conselho Nacional da Sociedade Farmac\u00eautica de Camar\u00f5es. Segundo o funcion\u00e1rios, este com\u00e9rcio est\u00e1 t\u00e3o bem organizado que nem funcion\u00e1rios do governo nem a pol\u00edcia conseguem det\u00ea-lo.<\/p>\n<p>\u201cO com\u00e9rcio de rem\u00e9dios ilegais em Camar\u00f5es funciona como uma rede muito poderosa, semelhante \u00e0 m\u00e1fia, que \u00e9 muito dif\u00edcil de desmantelar. Estima-se que a venda desses medicamentos seja cinco vezes mais lucrativa do que a do sistema regular. Os funcion\u00e1rios locais t\u00eam horror de desmantelar a rede porque est\u00e1 infiltrada tamb\u00e9m no sistema judicial e aduaneiro\u201d, explicou Ampoam \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cOs sistemas regulat\u00f3rio e legal corruptos s\u00e3o facilmente explorados por contrabandistas, e as regras adicionais s\u00f3 aumentam a corrup\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Ampoam. Ele acrescentou que a maioria dos rem\u00e9dios falsificados \u00e9 produzida no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1sia oriental e meridional, embora muitas tenham a inscri\u00e7\u00e3o \u201cFabricado na Alemanha\u201d. Entram clandestinamente em Camar\u00f5es por mar e pelas porosas fronteiras com Nig\u00e9ria e Rep\u00fablica Centro-Africana.<\/p>\n<p>\u201cEmbora seja dif\u00edcil oferecer uma estat\u00edstica exata sobre a porcentagem de rem\u00e9dios ilegais atualmente existentes nos mercados, sua disponibilidade nesses locais, em lojas improvisadas nas ruas e ao longo de estradas mostra a deplor\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds vive\u201d, destacou Ampoam. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que em todo o mundo poderiam ser prevenidas 200 mil mortes por ano se os pacientes n\u00e3o usassem rem\u00e9dios falsificados.<\/p>\n<p>Um informe da International Policy Network estima que s\u00f3 os medicamentos adulterados contra tuberculose e mal\u00e1ria matam por ano 700 mil pessoas no mundo. \u201cA maioria dos rem\u00e9dios em circula\u00e7\u00e3o foi proibida em certos pa\u00edses porque s\u00e3o t\u00f3xicos ou falsos. Alguns t\u00eam os ingredientes corretos, mas em dosagem baixa. Alguns s\u00e3o amostras ou rem\u00e9dios doados por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais\u201d, explicou Ampoan.<\/p>\n<p>Marlise Loudang, diretora do servi\u00e7o de inspe\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica no Minist\u00e9rio de Sa\u00fade P\u00fablica, disse que equipes do governo tomam medidas dr\u00e1sticas em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds contra o com\u00e9rcio ilegal, mas at\u00e9 agora os esfor\u00e7os n\u00e3o tiveram resultados. \u201cA automedica\u00e7\u00e3o com esses rem\u00e9dios \u00e9 um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica no pa\u00eds, que afeta quase todas as fam\u00edlias. Isto tem origem na facilidade de acesso a medicamentos de origem e qualidade duvidosas em todo o territ\u00f3rio nacional\u201d, acrescentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Marcel Olinga, vendedor de rem\u00e9dios falsos e ilegais, disse que, apesar de as autoridades realizarem blitzen, n\u00e3o o convenceu a parar. \u201cDe vez em quando a pol\u00edcia aparece e confisca meus rem\u00e9dios, mas \u00e9 um risco que vale a pena correr, porque essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o habituais e nossas principais reservas nunca est\u00e3o no mesmo lugar onde vendemos\u201d, explicou. Olinga disse \u00e0 IPS que ganha US$ 40 por dia. \u201cRecebemos muitos clientes diariamente. Alguns v\u00eam com receita m\u00e9dica, outros buscam nossa ajuda antes de comprar, e alguns simplesmente pedem o que querem\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a OMS, para cada m\u00e9dico h\u00e1 13.514 pacientes em Camar\u00f5es, embora alguns digam que a prote\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, especialmente nas \u00e1reas rurais. A pobreza tamb\u00e9m limita muitos na hora de buscar medicamentos em hospitais e cl\u00ednicas. \u201cAlguns pacientes fogem dos custos das consultas em hospitais e caem nas m\u00e3os de comerciantes ilegais, que est\u00e3o prontos para vender medicamentos a pre\u00e7os muito menores do que os do mercado legal\u201d, disse \u00e0 IPS Williams Takang, do Hospital Universit\u00e1rio de Yaound\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cA automedica\u00e7\u00e3o com rem\u00e9dios impr\u00f3prios causa problemas de sa\u00fade comuns nos hospitais locais, e os piores casos ocorrem nos bairros pobres e em comunidades rurais, onde o n\u00edvel de pobreza \u00e9 muito alto e o acesso a um m\u00e9dico \u00e9 caro\u201d, ressaltou Takang. \u201cA ingest\u00e3o de medicamentos inadequados pode p\u00f4r em risco a vida, especialmente em casos de doen\u00e7as com alta mortalidade, como a mal\u00e1ria. Lamentavelmente, a maioria dos pacientes que sofrem destas doen\u00e7as comuns se medica sem realizar nenhuma consulta m\u00e9dica\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><object id=\"4a8b28ab-594b-bd89-eab8-9ba1fabc9687\" width=\"0\" height=\"0\" type=\"application\/gas-events-abn\"><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Yaound&eacute;, Costa do Marfim, 11\/9\/2013 &ndash; Quando o camaron&ecirc;s Fran&ccedil;ois Biloa contraiu mal&aacute;ria, sua fam&iacute;lia fez o que sempre fazia: deu antibi&oacute;ticos e outros medicamentos comprados no mercado local. S&oacute; quando sua situa&ccedil;&atilde;o piorou e ele ficou inconsciente e prostrado na cama foi que seus parentes o levaram a uma cl&iacute;nica na capital. 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