{"id":16516,"date":"2013-09-11T12:23:48","date_gmt":"2013-09-11T12:23:48","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98000"},"modified":"2013-09-25T17:33:55","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:55","slug":"os-jornais-estao-se-convertendo-em-brinquedo-de-multimilionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/os-jornais-estao-se-convertendo-em-brinquedo-de-multimilionarios\/","title":{"rendered":"Os jornais est\u00e3o se convertendo em brinquedo de multimilion\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_98031\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/jornal.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-98031\" alt=\"jornal 300x200 Os jornais est\u00e3o se convertendo em brinquedo de multimilion\u00e1rios\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/jornal-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" title=\"Os jornais est\u00e3o se convertendo em brinquedo de multimilion\u00e1rios\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Internet<\/p><\/div>\n<p>San Salvador, Bahamas, setembro\/2013 \u2013 Atualmente poucas pessoas sabem que quando foram criadas as primeiras ag\u00eancias de not\u00edcias, no s\u00e9culo 19, a Havas francesa e a brit\u00e2nica Reuters dividiram o mundo entre elas. A divis\u00e3o seguiu as fronteiras dos dois imp\u00e9rios coloniais.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina foi parar nas m\u00e3os da Havas, enquanto a Reuters ficou com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A primeira ag\u00eancia norte-americana que rompeu o monop\u00f3lio foi a United Press International (UPI), alegando que os Estados Unidos n\u00e3o podiam ser vistos atrav\u00e9s dos olhos brit\u00e2nicos, um argumento muito parecido \u00e0 queixa do Terceiro Mundo contra o monop\u00f3lio de informa\u00e7\u00e3o do Norte.<\/p>\n<p>No mundo da m\u00eddia, esta ag\u00eancia era considerada um gigante, por isso foi uma surpresa quando, em 1986, um milion\u00e1rio mexicano, Mario V\u00e1zquez Ra\u00f1a, comprou a UPI por US$ 41 milh\u00f5es e pronunciou a c\u00e9lebre frase: \u201cEu tinha dois jatos Falcon. Vendi um e comprei a UPI\u201d.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o a concentra\u00e7\u00e3o de meios de comunica\u00e7\u00e3o em m\u00e3os de multimilion\u00e1rios proliferou. Os casos de Murdoch e Berlusconi s\u00e3o os mais famosos. Alguns observadores veem nisto um giro \u00e0 direita, impulsionado pelos que t\u00eam dinheiro. N\u00e3o se trata de uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o. Simplesmente, cem possuidores de uma Ferrari tendem a ter uma vis\u00e3o mais coincidente sobre as coisas do que, por exemplo, os donos de cem Volkswagen.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o um bom observat\u00f3rio no mundo da informa\u00e7\u00e3o. Na verdade, o termo meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa foi cunhado nos Estados Unidos, porque as vendas dos ve\u00edculos deveriam ser grandes para serem considerados vi\u00e1veis. Na Europa, a m\u00eddia n\u00e3o se dirigia \u00e0 massas. O famoso <i>Times<\/i> de Londres (agora em m\u00e3os de Murdoch) vendia cerca de 50 mil exemplares, e seus leitores eram a elite do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico. Os jornais europeus eram culturais, com artigos longos e bastante anal\u00edticos. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o norte-americanos partiram na dire\u00e7\u00e3o oposta e assim nasceram os <i>mass midia<\/i>.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, uma impressionante s\u00e9rie de prestigiosos jornais norte-americanos foi comprada por milion\u00e1rios. O caso mais conhecido \u00e9 o do <i>Washington Post<\/i>, considerado o jornal mais influente junto com o <i>New York Times<\/i>.<\/p>\n<p>Durante os \u00faltimos 80 anos, o <i>Post<\/i> esteve nas m\u00e3os da mesma fam\u00edlia, os Graham. Jeffrey Bezos, fundador da Amazon, o comprou por US$ 250 milh\u00f5es, cifra que representa 1% dos 25 bilh\u00f5es de sua fortuna pessoal (a Amazon conta com uma capitaliza\u00e7\u00e3o de mercado de US$ 128,37 bilh\u00f5es). A venda incluiu no pacote v\u00e1rios outros jornais locais, avaliados h\u00e1 dez anos em US$ 5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Este fato \u00e9 um golpe de morte definitivo para os jornais de propriedade familiar. Houve um tempo em que os Chandler eram propriet\u00e1rios do <i>Los Angeles Times<\/i>, os Copley do <i>San Diego Tribune<\/i>, os Cowles do <i>Minneapolis Star Tribune<\/i>, e os Bancroft do <i>Wall Street Journal<\/i> (WSJ).<\/p>\n<p>Aquelas fam\u00edlias defenderam a independ\u00eancia e a identidade de seus jornais. \u00c9 patente a diferen\u00e7a entre o WSJ dos tempos dos Bancroft e o de agora, propriedade do onipresente Murdoch.<\/p>\n<p>O <i>Boston Globe<\/i> foi comprado por outro multimilion\u00e1rio, John Henry, por apenas US$ 70 milh\u00f5es. O <i>New York Times<\/i> (NYT) pagou US$ 1,1 bilh\u00e3o em 1993 pelo <i>Globe<\/i>.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando o NYT continuar\u00e1 sendo a \u00faltima refer\u00eancia do jornal familiar, neste caso propriedade de quatro gera\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia Sulzberger, desde 1896? O NYT n\u00e3o sofre perdas, mas n\u00e3o deixa de ser um peixinho em um mundo de tubar\u00f5es. Tem uma capitaliza\u00e7\u00e3o de mercado de US$ 1,67 bilh\u00e3o contra os US$ 56,663 bilh\u00f5es de ativos da Murdoch News Corporation, os US$ 27 bilh\u00f5es da fam\u00edlia Bloomberg, os US$ 93,86 bilh\u00f5es do Facebook, ou os 284,04 bilh\u00f5es do Google. Dito de outra forma, hoje em dia a palavra est\u00e1 com o dinheiro. E, segundo parece, a batalha pelo futuro ser\u00e1 travada na internet.<\/p>\n<p>A Alian\u00e7a de Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Auditados informou recentemente sobre uma queda dr\u00e1stica nas vendas de revistas. A <i>Newssweek<\/i> foi comprada em 2010 por um d\u00f3lar pela IBT Media, uma companhia pouco conhecida, enquanto outras revistas, como <i>Vogue<\/i>, <i>Vanity Fair<\/i>, <i>Metropolitan<\/i> e <i>People<\/i> seguem pelo mesmo caminho. Segundo a mesma fonte, nos Estados Unidos as assinaturas online aumentaram de 5,4 milh\u00f5es para 10,2 milh\u00f5es no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>O <i>New York Times<\/i> j\u00e1 superou os 60 mil assinantes gra\u00e7as a uma agressiva campanha de assinaturas online. Est\u00e3o seguros de que isto garantir\u00e1 a viabilidade do jornal no longo prazo e dessa forma descartam a possibilidade de venda.<\/p>\n<p>No entanto, o que se avizinha no horizonte \u00e9 que a linha que separava os meios de comunica\u00e7\u00e3o, quanto ao conte\u00fado, das redes de distribui\u00e7\u00e3o, est\u00e1 ficando apagada. Google, Facebook, Microsoft e Yahoo buscam mais not\u00edcias para transmitir, e mais publicidade. Com a compra do YouTube e do Zagat, o Google entrou com tudo no campo do conte\u00fado.<\/p>\n<p>O Yahoo comprou um novo sistema de microblogging, que permite que 119 milh\u00f5es de usu\u00e1rios publiquem rapidamente palavras e imagens, por US$ 1,1 bilh\u00e3o, mais que o triplo dos pre\u00e7os combinados das vendas do <i>Post<\/i> e do <i>Globe<\/i>. Nada mais demonstrativo de como os nomes de prest\u00edgio est\u00e3o a pre\u00e7o de banana.<\/p>\n<p>Entretanto, os assinantes online representam uma mudan\u00e7a antropol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o ao antigo leitor. As suas s\u00e3o mentes inquietas, ansiosas por mudar de p\u00e1gina, e isto far\u00e1 com que reduzam progressivamente os artigos extensos e as an\u00e1lises. Este processo se acentuar\u00e1 na medida em que avan\u00e7ar a mudan\u00e7a geracional.<\/p>\n<p>Um detalhado estudo da Universidade de Paris indica que entre as pessoas na faixa dos 14 aos 16 anos observa-se um per\u00edodo de aten\u00e7\u00e3o menor do que o de seus pais, algo que qualquer professor pode confirmar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para os jovens est\u00e1 desaparecendo a fronteira entre o jornalismo tradicional e profissional e o chamado jornalismo-cidad\u00e3o, realizado por qualquer pessoa que queira publicar not\u00edcias e fotos na rede. Como resultado, qualquer texto com mais de 850 palavras (como este artigo muito resumido, com mil palavras) \u00e9 considerado excessivamente longo para ser publicado. Isto faz prever um mundo melhor informado e mais consciente?<\/p>\n<p><b><i>*<\/i><\/b><i> <b>Roberto Savio<\/b>, fundador e presidente em\u00e9rito da ag\u00eancia de not\u00edcias IPS (Inter Press Service) e editor do Other News.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; San Salvador, Bahamas, setembro\/2013 &ndash; Atualmente poucas pessoas sabem que quando foram criadas as primeiras ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias, no s&eacute;culo 19, a Havas francesa e a brit&acirc;nica Reuters dividiram o mundo entre elas. A divis&atilde;o seguiu as fronteiras dos dois imp&eacute;rios coloniais. 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