{"id":16521,"date":"2013-09-12T12:40:14","date_gmt":"2013-09-12T12:40:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98121"},"modified":"2013-09-25T17:33:52","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:52","slug":"agricultores-africanos-buscam-dinheiro-privado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/agricultores-africanos-buscam-dinheiro-privado\/","title":{"rendered":"Agricultores africanos buscam dinheiro privado"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_98122\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/agricultores640.jpg\"><img class=\" wp-image-98122 \" alt=\"agricultores640 Agricultores africanos buscam dinheiro privado\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/agricultores640.jpg\" width=\"529\" height=\"356\" title=\"Agricultores africanos buscam dinheiro privado\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O mo\u00e7ambicano Jos\u00e9 Ricardo, produtor de batata-doce, em Maputo. A \u00c1frica importa alimentos por quase US$ 40 milh\u00f5es, mas especialistas afirmam que deve se tornar mais autossuficiente. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Maputo, Mo\u00e7ambique, 12\/9\/2013 \u2013 A \u00c1frica importa quase US$ 40 bilh\u00f5es em alimentos por ano, mas deveria implantar medidas para atrair investimentos do setor privado na agricultura, para reduzir essas compras e aumentar sua autossufic\u00eancia, afirmaram \u00e0 IPS especialistas do setor. \u201cNos pr\u00f3ximos dez anos, os pa\u00edses africanos n\u00e3o deveriam depender da ajuda alimentar, mas produzir seus pr\u00f3prios alimentos e, quando estes terminarem, compr\u00e1-los dentro da \u00c1frica\u201d, disse \u00e0 IPS o professor Mandivamba Rukuni, pesquisador em agricultura e diretor do Barefoot Education for Africa Trust.<\/p>\n<p>\u201cA autodepend\u00eancia alimentar significa gera\u00e7\u00e3o de riqueza, e os agricultores deveriam estar diretamente vinculados aos mercados. Mais pessoas ter\u00e3o mais dinheiro nos bolsos se mais pequenos agricultores cultivarem com rentabilidade, e isto pode ser feito\u201d, afirmou Rukuni. Segundo o <i>Informe de Estat\u00edsticas sobre Agricultura Africana<\/i> da Alian\u00e7a para a Revolu\u00e7\u00e3o Verde na \u00c1frica (Agra), apresentado no dia 4 em Maputo, os pa\u00edses do continente produziram 157 milh\u00f5es de toneladas de cereais e importaram 66 milh\u00f5es em 2010.<\/p>\n<p>Em agosto, o F\u00f3rum para a Pesquisa Agr\u00edcola na \u00c1frica calculou as atuais importa\u00e7\u00f5es de alimentos do continente em mais de US$ 40 bilh\u00f5es, dinheiro que, se afirma, seria melhor gasto se fosse para permitir que os agricultores africanos se tornassem autossuficientes. Na Declara\u00e7\u00e3o de Maputo de 2003, os chefes de Estado e de governo da \u00c1frica se comprometeram a melhorar o desenvolvimento agr\u00edcola e rural no continente. O documento inclu\u00eda o ambicioso objetivo de os governos destinarem pelo menos 10% de seus or\u00e7amentos nacionais para essa finalidade.<\/p>\n<p>Entretanto, nos \u00faltimos dez anos, apenas alguns dos 54 Estados membros da Uni\u00e3o Africana (UA) concretizaram esse investimento, entre eles Burkina Faso, Gana, Guin\u00e9 Equatorial, Mali, N\u00edger e Senegal. Outros 27 desenvolveram planos formais de investimento em agricultura e seguran\u00e7a alimentar por meio de pactos nacionais, resultado de mesas-redondas que re\u00fanem os atores mais importantes do setor, e nas quais se busca acordar prioridades.<\/p>\n<p>Um dos poucos pa\u00edses que priorizam os investimentos em agricultura \u00e9 a Nig\u00e9ria. Nessa na\u00e7\u00e3o do ocidente africano o governo desenvolveu o Sistema de Risco Compartilhado para Empr\u00e9stimos Rurais baseado na Iniciativa da Nig\u00e9ria (Nirsal), que busca reduzir o risco na cadeia de valor agr\u00edcola, criando capacidade no longo prazo e institucionalizando incentivos para os cr\u00e9ditos no setor. O objetivo do Nirsal \u00e9 expandir os empr\u00e9stimos banc\u00e1rios na cadeia de valor agr\u00edcola.<\/p>\n<p>O ministro de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Nig\u00e9ria, Akinwumi Adesina, disse \u00e0 IPS que o pa\u00eds est\u00e1 obtendo US$ 3,5 bilh\u00f5es para o setor dos bancos locais. O governo assume o risco em uma tentativa de atrair a participa\u00e7\u00e3o dos privados. \u201cDesenvolvemos um enfoque para que o setor privado tenha acesso \u00e0s finan\u00e7as, porque sem elas n\u00e3o se pode fazer muito\u201d, ressaltou \u00e0 IPS. \u201cTrabalhamos em novos instrumentos de financiamento que permitir\u00e3o aos nossos mercados de capitais trabalharem para a agricultura. Esta representa 44% de nosso produto interno bruto e 70% de todo o emprego, mas obt\u00e9m apenas 2% de todos os empr\u00e9stimos banc\u00e1rios na Nig\u00e9ria\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Rukuni disse \u00e0 IPS que, embora a maioria dos pa\u00edses africanos n\u00e3o possa comprometer 10%, considera-se s\u00e1bio faz\u00ea-lo. \u201cEmbora 10% seja uma linda cifra sobre a qual se falar, n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica. O mais importante \u00e9 promover um financiamento p\u00fablico catalisador, onde o governo, seus especialistas, agricultores e o setor privado trabalhem juntos e entendam realmente que \u00e9 fundamental impulsionar os investimentos do setor privado\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Citando China, \u00cdndia e Brasil como exemplos de associa\u00e7\u00f5es p\u00fablico-privadas, Rukuni disse que j\u00e1 \u00e9 tempo de os africanos compreenderem que a agricultura n\u00e3o ser\u00e1 competitiva sem que governos e empres\u00e1rios estabele\u00e7am objetivos conjuntos em mat\u00e9ria de desenvolvimento de infraestrutura, por exemplo. \u201cO segredo est\u00e1 no setor privado colocar mais dinheiro na agricultura\u201d, opinou Rukuni. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum lugar no mundo hoje onde algu\u00e9m possa fazer com que o governo ou a ind\u00fastria avancem se n\u00e3o trabalharem junto com o setor privado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O informe da Agra diz que, apesar de mais de 70% da terra de qualidade da \u00c1frica estar ainda sem cultivar, as fazendas continuam diminuindo. Este fen\u00f4meno tem impacto na produtividade dos 33 milh\u00f5es de pequenos produtores respons\u00e1veis por at\u00e9 90% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do continente. A Alian\u00e7a estima que um crescimento agr\u00edcola de 1% aumentaria em mais de 2,5% a renda dos pobres, embora apenas 0,25% dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios no Mercado Comum para a \u00c1frica Oriental e Austral sejam para pequenos agricultores.<\/p>\n<p>A comiss\u00e1ria de Economia Rural e Agricultura da UA, Rhoda Peace Tumusiime, disse \u00e0 IPS que investir na agricultura africana se tornou mais urgente do que antes, e que isto se reflete no movimento pol\u00edtico para o desenvolvimento de planos nacionais. Isto \u00e9 promovido pelo Programa Geral para o Desenvolvimento da Agricultura na \u00c1frica (CAADP) da Uni\u00e3o Africana, para a elimina\u00e7\u00e3o da fome e a redu\u00e7\u00e3o da pobreza. \u201cSetenta por cento da popula\u00e7\u00e3o depende da agricultura. \u00c9 uma porcentagem muito grande, por isso se nos concentramos em melhorar a situa\u00e7\u00e3o destes 70% se erradicar\u00e1 a pobreza. N\u00e3o queremos uma situa\u00e7\u00e3o em que as economias estejam crescendo mas a agricultura n\u00e3o\u201d, ressaltou Rhoda.<\/p>\n<p>Em um informe de mar\u00e7o deste ano, intitulado <i>Cultivando \u00c1frica: Desbloqueando o Potencial dos Agroneg\u00f3cios<\/i>, o Banco Mundial exortou os governos a melhorarem suas pol\u00edticas e promoverem os agroneg\u00f3cios como vetores de crescimento. Abraham Sarfo, conselheiro agr\u00edcola, t\u00e9cnico e assessor vocacional na Nova Alian\u00e7a para o Desenvolvimento da \u00c1frica, afirmou \u00e0 IPS que a agricultura costuma ser parte de um planejamento de desenvolvimento, mas que agora estava na agenda continental mediante o CAADP para eliminar a fome e reduzir a pobreza.<\/p>\n<p>\u201cUm setor que contribui com mais de 30% da economia de um pa\u00eds e ainda est\u00e1 no n\u00edvel de subsist\u00eancia mostra at\u00e9 que ponto est\u00e1 subdesenvolvido, na compara\u00e7\u00e3o com a minera\u00e7\u00e3o ou com as tecnologias para a informa\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o, que atraem o setor privado\u201d, pontuou Sarfo \u00e0 IPS. O conselheiro tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o para que se aumente os modelos inovadores de financiamento que eliminem os riscos nos investimentos agr\u00edcolas para atrair o setor privado.<\/p>\n<p>Phillip Kiriro, presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Agricultores da \u00c1frica Oriental, que representa cerca de 200 entidades do setor, declarou \u00e0 IPS que o acesso a insumos cruciais e a melhores tecnologias avan\u00e7ou levemente nos \u00faltimos dez anos, mas que os governos ainda precisam ajudar os produtores a viverem de suas terras. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Maputo, Mo&ccedil;ambique, 12\/9\/2013 &ndash; A &Aacute;frica importa quase US$ 40 bilh&otilde;es em alimentos por ano, mas deveria implantar medidas para atrair investimentos do setor privado na agricultura, para reduzir essas compras e aumentar sua autossufic&ecirc;ncia, afirmaram &agrave; IPS especialistas do setor. &ldquo;Nos pr&oacute;ximos dez anos, os pa&iacute;ses africanos n&atilde;o deveriam depender da ajuda alimentar, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/agricultores-africanos-buscam-dinheiro-privado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":36,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,1],"tags":[1274,1145,989,1281,3178,1573,1574],"class_list":["post-16521","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ultimas-noticias","tag-agricultores","tag-agricultura","tag-inter-press-service-reportagens","tag-investimentos","tag-ips","tag-mocambique","tag-setor-privado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16521"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16521\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16610,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16521\/revisions\/16610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}