{"id":16530,"date":"2013-09-16T12:46:28","date_gmt":"2013-09-16T12:46:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98321"},"modified":"2013-09-25T17:33:22","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:22","slug":"dilemas-e-vantagens-do-protecionismo-a-maneira-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/dilemas-e-vantagens-do-protecionismo-a-maneira-argentina\/","title":{"rendered":"Dilemas e vantagens do protecionismo \u00e0 maneira argentina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_98322\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/importacoes.jpg\"><img class=\" wp-image-98322 \" alt=\"importacoes Dilemas e vantagens do protecionismo \u00e0 maneira argentina\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/importacoes.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Dilemas e vantagens do protecionismo \u00e0 maneira argentina\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O controle de importa\u00e7\u00f5es para favorecer a ind\u00fastria na Argentina provoca problemas para o governo em suas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Foto: Marcela Valente\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 16\/9\/2013 \u2013 Com o objetivo de manter o super\u00e1vit comercial, a Argentina persiste em um controle comedido de suas compras externas, o que, embora seja virtuoso para a ind\u00fastria nacional, \u00e9 questionado por importadores, s\u00f3cios do Mercosul e pelos pa\u00edses ricos. \u201cO que ocorre hoje na Argentina \u00e9 uma guerra para proteger o trabalho, da\u00ed a necessidade de administrar o com\u00e9rcio\u201d, explicou \u00e0 IPS o empres\u00e1rio t\u00eaxtil Marco Meloni, por telefone, da It\u00e1lia, para onde viajou a fim de vender suas camisas Premium.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o importamos, pelo contr\u00e1rio. Somos muito melhores clientes para o mundo do que h\u00e1 dez anos. Mas \u00e9 preciso ter cuidado com a superprodu\u00e7\u00e3o mundial da \u00c1sia\u201d, alertou o empres\u00e1rio, se referindo aos excedentes gerados pela persistente crise da Uni\u00e3o Europeia (UE) e dos Estados Unidos. Ao sair para o exterior vendendo seus produtos, encontra camisas feitas na \u00c1sia a pre\u00e7o muito baixo. \u201cMinhas camisas s\u00e3o competitivas nos Estados Unidos, Canad\u00e1, M\u00e9xico, Brasil, Portugal e Espanha\u201d, afirmou Meloni.<\/p>\n<p>Entretanto, em muitos desses pa\u00edses n\u00e3o compete com a ind\u00fastria local, mas com a permeabilidade de suas fronteiras diante de mercadorias da China ou de Bangladesh. \u201cA camisa feita com trabalho escravo custa menos da metade\u201d, denunciou o empres\u00e1rio. Meloni, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Pro Tejer, acrescentou que o sal\u00e1rio de um oper\u00e1rio t\u00eaxtil na Argentina equivale a cerca de US$ 1.400 mensais, e com os encargos correspondentes custam para a empresa US$ 1.800. Em outros pa\u00edses pode ser 40 vezes menor, assegurou.<\/p>\n<p>A falta de acesso ao financiamento internacional e a perda de reservas monet\u00e1rias levaram o governo centro-esquerdista de Cristina Fern\u00e1ndez a adotar medidas para manter uma balan\u00e7a comercial favor\u00e1vel. As reservas argentinas ca\u00edram de US$ 52,654 bilh\u00f5es, no dia 26 de janeiro de 2011, quando atingiu a maior quantia na hist\u00f3ria do pa\u00eds, para pouco mais de US$ 36 bilh\u00f5es atualmente, segundo o Banco Central. N\u00e9stor Kirchner, marido e antecessor de Cristina Fern\u00e1ndez, falecido em 2010, iniciou seu mandato em maio de 2003 com menos de US$ 12 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, Fern\u00e1ndez conseguiu o equil\u00edbrio comercial restringindo as compras externas e a venda de divisas. O super\u00e1vit comercial da Argentina alcan\u00e7ou os US$ 5 bilh\u00f5es no primeiro semestre deste ano, segundo a C\u00e2mara Argentina de Com\u00e9rcio. Mas alerta-se que esse resultado positivo \u00e9 26% menor do que o de igual per\u00edodo em 2012. Para alguns importadores, a alternativa que as autoridades aceitam \u00e9 compensar compras com vendas externas. Assim, cresceram os acordos entre produtores para, por exemplo, exportar vinhos em troca de importar pe\u00e7as para motocicletas.<\/p>\n<p>A luta para manter o equil\u00edbrio entre exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es na Argentina provoca protestos na UE, cujo \u00f3rg\u00e3o executivo divulgou, no dia 2, um informe que coloca este pa\u00eds em primeiro lugar entre as economias emergentes que aplicam mais medidas protecionistas. Tamb\u00e9m motiva queixas dos Estados Unidos e de s\u00f3cios no Mercosul, especialmente Uruguai e Brasil.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, em seu \u00faltimo Panorama da Inser\u00e7\u00e3o Internacional, tamb\u00e9m assinala que a Argentina atravessa \u201cseu per\u00edodo mais ativo em termos de lit\u00edgios\u201d comerciais com Estados Unidos, UE e Jap\u00e3o. Entretanto, Buenos Aires responde com den\u00fancias similares a respeito de barreiras para a venda de carne e lim\u00e3o para os Estados Unidos e travas \u00e0s suas exporta\u00e7\u00f5es de biodiesel para a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>A Argentina aumentou fortemente suas exporta\u00e7\u00f5es na \u00faltima d\u00e9cada, bem como as importa\u00e7\u00f5es apesar das regula\u00e7\u00f5es. Em 2003, se comprava com US$ 13,85 bilh\u00f5es e em 2012 esse setor havia crescido para US$ 68,507 bilh\u00f5es. Mas a pol\u00edtica de administra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio causa mal-estar externo e interno. Para os importadores, \u00e9 complicado e arbitr\u00e1rio depender de declara\u00e7\u00f5es juradas antecipadas de suas compras, que podem ser aprovadas ou n\u00e3o pelo Estado.<\/p>\n<p>\u201cSem acesso ao cr\u00e9dito externo e sem um fluxo importante de investimentos estrangeiros, a Argentina requer um forte super\u00e1vit comercial e isso se traduz em um r\u00edgido controle de importa\u00e7\u00f5es\u201d, explicou \u00e0 IPS o economista Maur\u00edcio Claveri, coordenador de com\u00e9rcio exterior da consultoria Abeceb. At\u00e9 h\u00e1 algum tempo, a administra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio apontava para setores sens\u00edveis, a fim de conseguir a reindustrializa\u00e7\u00e3o, mas agora essa pol\u00edtica tem um \u201cduplo papel\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por um lado, proteger certas ind\u00fastrias, mas, sobretudo, regular importa\u00e7\u00f5es. Este pa\u00eds deve pagar d\u00edvidas em d\u00f3lares e est\u00e1 proibido de se endividar em b\u00f4nus pela suspens\u00e3o de pagamentos que decretou no final de 2001. As regula\u00e7\u00f5es servem a empresas que produzem para o mercado interno, mas n\u00e3o atraem investidores de multinacionais, que temem n\u00e3o poder importar insumos, pontuou Claveri. Esta pol\u00edtica, que o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio considera transit\u00f3ria pelos compromissos junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, gera incerteza.<\/p>\n<p>\u201cSe pensa muito antes de aumentar a escala produtiva\u201d, alertou Claveri. Por\u00e9m, tamb\u00e9m beneficia provisoriamente setores que ficam a salvo dos saldos export\u00e1veis do exterior, como as ind\u00fastrias de brinquedos, cal\u00e7ados, t\u00eaxteis, m\u00e1quinas e ferramentas, acrescentou. Meloni admitiu dificuldades para comprar m\u00e1quinas no exterior e que os exportadores est\u00e3o obrigados a compensar essas aquisi\u00e7\u00f5es com vendas externas. Contudo, destacou que sua empresa t\u00eaxtil tinha 30 empregados em 2002 e agora tem 120. Meloni explicou \u00e0 IPS que, gra\u00e7as \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, a ind\u00fastria t\u00eaxtil argentina multiplicou por quatro suas compras no exterior nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>Outro setor que cresceu nestas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 o das motocicletas. Em 2002, eram vendidas na Argentina cerca de 30 mil unidades, muitas delas importadas, e este ano se prev\u00ea que as vendas chegar\u00e3o a 800 mil, e todas fabricadas no pa\u00eds. \u201cS\u00e3o montadas na Argentina, embora tenham apenas 30% de pe\u00e7as nacionais\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor-executivo da C\u00e2mara Industrial da Moto, Daniel Tigani, que tamb\u00e9m defende as prote\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tigani assegurou que os empres\u00e1rios se re\u00fanem a cada tr\u00eas meses com autoridades do Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio para estabelecer o que ser\u00e1 importado, e tamb\u00e9m interv\u00eam nessa decis\u00e3o outros organismos do Estado que exercem controle para evitar uma disparada dos pre\u00e7os internos. \u201cA importa\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera emprego, enquanto a produ\u00e7\u00e3o local gera. E isso n\u00e3o significa que n\u00e3o se importe, porque o componente principal das motocicletas \u00e9 comprado no exterior. Em 2012, foram vendidas mais de 650 mil e este ano o crescimento ser\u00e1 de 20%\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Tigani acrescentou que, em 2003, quase n\u00e3o havia ind\u00fastria local de bicicletas. Ent\u00e3o foram adotadas normas de seguran\u00e7a t\u00e9cnica similares \u00e0s aplicadas em pa\u00edses desenvolvidos, que n\u00e3o podem ser apontadas como travas comerciais. \u201cIsso foi a ressurrei\u00e7\u00e3o. Hoje se vende um milh\u00e3o de bicicletas e apenas 2% s\u00e3o importadas\u201d, ressaltou. Foram criados tr\u00eas mil empregos diretos no setor das bicicletas, e, se for inclu\u00eddo o mercado de reposi\u00e7\u00e3o, os benef\u00edcios chegam a cerca de 15 mil fam\u00edlias, todos pequenos empres\u00e1rios, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 16\/9\/2013 &ndash; Com o objetivo de manter o super&aacute;vit comercial, a Argentina persiste em um controle comedido de suas compras externas, o que, embora seja virtuoso para a ind&uacute;stria nacional, &eacute; questionado por importadores, s&oacute;cios do Mercosul e pelos pa&iacute;ses ricos. &ldquo;O que ocorre hoje na Argentina &eacute; uma guerra para [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/dilemas-e-vantagens-do-protecionismo-a-maneira-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[979,1585,1014,989,3178,1586],"class_list":["post-16530","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-argentina","tag-importacoes","tag-industria","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-protecionismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16530"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16602,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16530\/revisions\/16602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}