{"id":16533,"date":"2013-09-17T14:15:21","date_gmt":"2013-09-17T14:15:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98464"},"modified":"2013-09-25T17:33:18","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:18","slug":"gra-bretanha-retrocede-para-a-era-vitoriana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/gra-bretanha-retrocede-para-a-era-vitoriana\/","title":{"rendered":"Gr\u00e3-Bretanha retrocede para a era vitoriana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/bandeira.jpg\"><img class=\"alignleft size-medium wp-image-98465\" alt=\"bandeira 300x199 Gr\u00e3 Bretanha retrocede para a era vitoriana\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/bandeira-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" title=\"Gr\u00e3 Bretanha retrocede para a era vitoriana\" \/><\/a>S\u00e3o Salvador, El Salvador, setembro\/2013 \u2013 Um informe recente do Centro de An\u00e1lises de Exclus\u00e3o Social na London School of Economics prev\u00ea que, se continuar no atual ritmo de desigualdade, em 2025 a Gr\u00e3-Bretanha voltar\u00e1 a viver a realidade social injusta que a caracterizava no final do s\u00e9culo 19. Em outras palavras, estamos retrocedendo aos tempos da rainha Vit\u00f3ria!<\/p>\n<p>Em 2010, a renda dos principais executivos das cem maiores empresas brit\u00e2nicas aumentaram 49%, enquanto o aumento salarial m\u00e9dio foi de 2,7%. Segundo um informe da Autoridade Banc\u00e1ria Europeia, em 2011 havia 2.436 banqueiros brit\u00e2nicos que ganhavam por ano mais de um milh\u00e3o de euros (US$ 1,3 milh\u00e3o), contra 162 na Fran\u00e7a e 36 na Holanda com essa renda.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia mundial \u00e9 a mesma. Na China h\u00e1 1,3 milh\u00e3o de milion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A <i>Forbes<\/i>, a revista dos ricos, informa alegremente que registra 1.426 multimilion\u00e1rios no mundo, inclu\u00eddos 122 na China, com patrim\u00f4nio l\u00edquido de US$ 5,4 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Isto significa que a riqueza combinada dos multimilion\u00e1rios da <i>Forbes<\/i> supera o or\u00e7amento federal dos Estados Unidos para este ano, de US$ 3,8 trilh\u00f5es. E se somarmos as fortunas conjuntas dos dez primeiros multimilion\u00e1rios teremos o resultado de US$ 451 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Se coloc\u00e1ssemos em um avi\u00e3o as 300 pessoas mais ricas do mundo, sua fortuna superaria o patrim\u00f4nio combinado de tr\u00eas bilh\u00f5es de pessoas, quase metade da humanidade.<\/p>\n<p>Paul Krugman e Joseph Stigliz, ganhadores do pr\u00eamio Nobel de Economia, escreveram extensivamente sobre como as injusti\u00e7as sociais freiam o desenvolvimento e fomentam crises econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Krugman documentou que as crises de 1929 e 2008 foram acompanhadas de aumento da desigualdade.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1930 foram tomadas medidas contundentes para enfrentar a desigualdade e os interesses ocultos. No mundo atual, esta deve ser nossa principal reflex\u00e3o, algo que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, n\u00e3o fez. N\u00e3o esque\u00e7amos que nos tempos de Charles Dickens, Karl Marx denunciava a explora\u00e7\u00e3o infantil nas minas brit\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Em 1848, a Europa foi sacudida por uma s\u00e9rie de convuls\u00f5es sociais provocadas pela explora\u00e7\u00e3o extrema dos trabalhadores. Apesar da repress\u00e3o, os sindicatos se expandiram e nasceu um movimento pol\u00edtico progressista. Marx deu um contexto cient\u00edfico a esta onda crescente, e em 1917, quando triunfou a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, o capitalismo se sentiu amea\u00e7ado.<\/p>\n<p>Para conjurar o perigo, muitos pa\u00edses adotaram reformas. Foram legalizados os sindicatos, integrando-os ao sistema pol\u00edtico, a esquerda entrou nos parlamentos e houve uma s\u00e9rie de iniciativas para dar respostas \u00e0s demandas populares.<\/p>\n<p>Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mundo se transformou rapidamente. Os valores de governan\u00e7a tinham uma forte carga social, que tamb\u00e9m constava das constitui\u00e7\u00f5es nacionais: a justi\u00e7a social, a igualdade, a participa\u00e7\u00e3o, os direitos trabalhistas, os direitos humanos, a promo\u00e7\u00e3o da mulher, a educa\u00e7\u00e3o para todos, etc.<\/p>\n<p>Mas, fa\u00e7amos uma pausa: seria poss\u00edvel hoje em dia adotar a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos? Os Estados Unidos se comprometeriam a pagar 25% do or\u00e7amento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)?<\/p>\n<p>Com a queda do Muro de Berlim (1989) surgiu um novo mundo. O capitalismo, e n\u00e3o o Ocidente, foi o ganhador. E quiseram nos fazer crer que a globaliza\u00e7\u00e3o, entendida como total liberdade para o capital e os investimentos (n\u00e3o para os bens e pessoas), produziria e difundiria bem-estar, segundo a teoria do derrame.<\/p>\n<p>O resultado foi diferente: concentra\u00e7\u00e3o, iniquidade e evas\u00e3o de impostos. E j\u00e1 que tanto se publicou sobre para\u00edsos fiscais, espero que baste recordar que eles abrigam US$ 32 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Bancos Americanos reconhece ter gasto US$ 800 milh\u00f5es no ano passado fazendo <i>lobby<\/i> contra a lei de reforma financeira norte-americana, chamada Dodd-Frank, aprovada h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. Mas, gra\u00e7as \u00e0 campanha dos banqueiros, 240 das 398 regras inclu\u00eddas nessa lei n\u00e3o entraram em vigor.<\/p>\n<p>Desta forma, a verdadeira pergunta \u00e9, se em uma sociedade profundamente injusta, a democracia pode funcionar. Ou simplesmente se converte em um mecanismo formal a servi\u00e7o dos que fazem parte do sistema, ignorando os exclu\u00eddos? Compartilham a mesma vis\u00e3o do mundo os 300 multimilion\u00e1rios a bordo do avi\u00e3o com os tr\u00eas bilh\u00f5es de pobres? E, se n\u00e3o \u00e9 assim, sua vis\u00e3o do mundo conta tanto como a dos 300 multimilion\u00e1rios?<\/p>\n<p>Sabemos que para o tipo de democracia da \u00e9poca vitoriana os indiv\u00edduos n\u00e3o eram iguais e estamos conscientes da quantidade de sangue e sacrif\u00edcios que foram necess\u00e1rios para alcan\u00e7ar o per\u00edodo de expans\u00e3o e harmonia social do qual pudemos desfrutar at\u00e9 1989. Mas, ouviu-se os Obama, as (Angela) Merkel, os (David) Cameron, questionarem sobre esta volta ao passado?<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos o caso de Silvio Berlusconi, o magnata italiano que criou e financiou seu pr\u00f3prio partido, exerceu quatro vezes o cargo de primeiro-ministro, foi declarado culpado de fraude contra o Estado e agora dele depende a estabilidade de seu pa\u00eds. \u00c9 um expoente da democracia atual, mas, esta \u00e9 um aut\u00eantica democracia? Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <b>Roberto Savio<\/b> \u00e9 fundador e presidente em\u00e9rito da ag\u00eancia de not\u00edcias IPS (Inter Press Service) e editor do Other News.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&atilde;o Salvador, El Salvador, setembro\/2013 &ndash; Um informe recente do Centro de An&aacute;lises de Exclus&atilde;o Social na London School of Economics prev&ecirc; que, se continuar no atual ritmo de desigualdade, em 2025 a Gr&atilde;-Bretanha voltar&aacute; a viver a realidade social injusta que a caracterizava no final do s&eacute;culo 19. 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