{"id":16537,"date":"2013-09-17T12:45:51","date_gmt":"2013-09-17T12:45:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98572"},"modified":"2013-09-25T17:33:19","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:19","slug":"a-politica-fica-com-o-melhor-do-celeiro-palestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/a-politica-fica-com-o-melhor-do-celeiro-palestino\/","title":{"rendered":"A pol\u00edtica fica com o melhor do celeiro palestino"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_98573\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/aldeia.jpg\"><img class=\" wp-image-98573 \" alt=\"aldeia A pol\u00edtica fica com o melhor do celeiro palestino\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/aldeia.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"A pol\u00edtica fica com o melhor do celeiro palestino\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Tudo o que resta de uma casa demolida na aldeia de Jiftlick, no Vale do Jord\u00e3o. Foto: Jillian Kestler-D\u2019Amours\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jiftlick, Palestina, 17\/9\/2013 \u2013 No Vale do Rio Jord\u00e3o, as exuberantes hortas e as estufas rodeadas por cercas s\u00e3o dos assentamentos israelenses e se beneficiam da \u00e1gua abundante. J\u00e1 os palestinos, sem acesso \u00e0s suas terras e a outros recursos, lutam para obter os cultivos mais b\u00e1sicos. \u201cPara os agricultores \u00e9 uma luta\u201d, disse Ahmad Said Moahri \u00e0 IPS em sua casa em Jiftlick, uma aldeia palestina do Vale do Jord\u00e3o. \u201c\u00c0s vezes perdemos dinheiro trabalhando a terra, mas n\u00e3o podemos partir, porque se o fizermos Israel ficar\u00e1 com a terra\u201d, afirmou Moahri.<\/p>\n<p>Este homem de 46 anos possui quase cinco hectares em Jiftlick. Em uma parte planta verduras (berinjela, tomate, abobrinha) e o resto aluga para outro produtor local. A agricultura lhe rende anualmente entre US$ 4.200 e US$ 5.600, e, para manter sua fam\u00edlia, entre setembro e janeiro empacota t\u00e2maras em uma f\u00e1brica em Massu\u2019a, um assentamento ilegal perto de sua aldeia. \u201cDesde que essa col\u00f4nia foi criada, Israel lhe deu tudo. Para n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 nenhum apoio governamental, mas no assentamento tem\u201d, contou Moahri. Seu sal\u00e1rio \u00e9 de US$ 2,80 por hora e ganha entre US$ 3.400 e US$ 4 mil por ano trabalhando na f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Segundo um informe do Centro Ma\u2019an de Desenvolvimento, em Massu\u2019a, s\u00e3o destinados 180 hectares \u00e0 agricultura, onde s\u00e3o produzidos berinjela, piment\u00e3o, abobrinha, pepino, melancia, mel\u00e3o e t\u00e2mara. \u201cA localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos assentamentos no Vale do Jord\u00e3o est\u00e1 determinada pelo importante potencial agr\u00edcola da regi\u00e3o. Al\u00e9m do mais, estas col\u00f4nias se estabeleceram e mantiveram sua produ\u00e7\u00e3o para exportar\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>O Vale do Jord\u00e3o constitui quase 30% da Cisjord\u00e2nia; 87,5% desta regi\u00e3o corresponde \u00e0 \u00c1rea C, sob total controle militar de Israel. Nesta plan\u00edcie vivem cerca de 9.300 colonos israelenses e 65 mil palestinos. Estes \u00faltimos t\u00eam proibido o acesso a quase 95% do Vale, porque metade da terra \u00e9 usada pelos assentamentos judeus e o ex\u00e9rcito israelense declarou os outros 45% como zona militar fechada, proibida aos palestinos.<\/p>\n<p>O Vale do Jord\u00e3o \u00e9 conhecido como celeiro da Palestina, pois a maior parte das terras cultiv\u00e1veis da Cisjord\u00e2nia est\u00e1 aqui. Em um informe de 2010, o Banco Mundial indica que, se os palestinos tivessem acesso a cinco mil hectares a mais de terras e a mais recursos h\u00eddricos na \u00e1rea, poderiam obter renda de US$ 1 bilh\u00e3o ao ano. Esse potencial econ\u00f4mico n\u00e3o passa despercebido para os dirigentes palestinos e israelenses.<\/p>\n<p>Enquanto as conversa\u00e7\u00f5es de paz entre as duas partes seguem, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) voltou a insistir que a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino \u00e9 imposs\u00edvel se n\u00e3o for assegurado o controle de Jeric\u00f3 e do Vale do Jord\u00e3o. \u201cEstamos comprometidos a consegui-lo. Dissemos mais de uma vez\u201d, declarou no m\u00eas passado o presidente da ANP, Mahmoud Abbas. J\u00e1 o governo israelense v\u00ea o Vale como uma zona de seguran\u00e7a importante que o separa da Jord\u00e2nia, e d\u00e1 um generoso apoio econ\u00f4mico aos assentamentos e \u00e0s suas ind\u00fastrias na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Por seu lado, o governo da ANP fez muito pouco para apoiar os palestinos do Vale. Nunca destinou mais de 1% de seu or\u00e7amento ao setor agr\u00edcola, e entre 2001 e 2005 mais de 85% do or\u00e7amento foi para pagar sal\u00e1rio de funcion\u00e1rios p\u00fablicos. A contribui\u00e7\u00e3o da agricultura para o produto interno bruto (PIB) da Palestina caiu de 13,3%, em 1994, para 5,7%, em 2008, segundo informe da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Al Shabaka.<\/p>\n<p>\u201cO apoio que recebemos como agricultores \u00e9 menor do que precisamos. O governo n\u00e3o se importa com a situa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A atividade foi prejudicada porque a ANP a desatendeu. E n\u00e3o mudou de estrat\u00e9gia\u201d, denunciou Moahri. Por sua vez, Moayyad Bsharat, dirigente da Uni\u00e3o de Comit\u00eas de Trabalho Agr\u00edcola em Jeric\u00f3, apoia os agricultores palestinos na Cisjord\u00e2nia e em Gaza.<\/p>\n<p>Segundo os Acordos de Oslo de 1993 a ANP n\u00e3o pode apoiar os camponeses marginalizados que trabalham na \u00c1rea C, pontuou Bsharat \u00e0 IPS. \u201cA primeira solu\u00e7\u00e3o \u00e9 acabar com os Acordos de Oslo. A solu\u00e7\u00e3o no Vale do Jord\u00e3o \u00e9 100% pol\u00edtica. Estamos falando de direitos. Os agricultores querem ter acesso aos seus recursos naturais, terra, \u00e1gua, cultivos, e isto n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado sem uma grande solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>No entanto, Israel tenta for\u00e7ar os palestinos a abandonarem a \u00e1rea, e explora os recursos e o potencial econ\u00f4mico da \u00e1rea, indicou Bsharat. \u201cAs col\u00f4nias israelenses do Vale t\u00eam tr\u00eas milh\u00f5es de tamareiras, que d\u00e3o anualmente milh\u00f5es de d\u00f3lares ao governo israelense. T\u00eam as uvas, as flores. Todas essas coisas s\u00e3o exportadas e d\u00e3o grande lucro a Israel\u201d, acrescentou. Contudo, o Moahri v\u00ea seu trabalho como uma forma de resist\u00eancia. \u201cAmo a terra e nosso lar est\u00e1 aqui. Por isso, n\u00e3o posso abandon\u00e1-la. N\u00e3o h\u00e1 um dia que n\u00e3o visite, ou olhe ou me ocupe da minha terra\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Jiftlick, Palestina, 17\/9\/2013 &ndash; No Vale do Rio Jord&atilde;o, as exuberantes hortas e as estufas rodeadas por cercas s&atilde;o dos assentamentos israelenses e se beneficiam da &aacute;gua abundante. 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