{"id":1654,"date":"2006-04-06T00:00:00","date_gmt":"2006-04-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1654"},"modified":"2006-04-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-06T00:00:00","slug":"palestina-colaboracionistas-de-israel-entre-a-morte-e-o-limbo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/palestina-colaboracionistas-de-israel-entre-a-morte-e-o-limbo\/","title":{"rendered":"Palestina: Colaboracionistas de Israel entre a morte e o limbo"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 06\/04\/2006 &ndash; Quando Rashid Abu Shabak assumiu as for\u00e7as de seguran\u00e7a da Autoridade Nacional Palestina (ANP), no ano passado, a imprensa o chamou de &quot;ca\u00e7ador de colaboracionistas&quot;, porque havia prendido mais de cem suspeitos de passarem informa\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia para Israel. Muitos foram presos ilegalmente e executados. <!--more--> Mas muitos mais foram assassinados por mil\u00edcias da resist\u00eancia palestina, segunda organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Desde que come\u00e7ou em 2000 a segunda Intifada (levante contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense), pelo menos 72 palestinos foram fuzilados, esfaqueados e atacados com granadas por trabalharem para as for\u00e7as de Israel, um crime t\u00e3o velho quanto os 58 anos do Estado judeu.            <\/p>\n<p>&quot;Os palestinos nem mesmo podem apresentar den\u00fancias penais contra concidad\u00e3os acusados de espionar para as for\u00e7as de seguran\u00e7a de Israel&quot;, disse \u00e0 IPS Hamdi Shaqqura, diretor da unidade de desenvolvimento democr\u00e1tico do Centro Palestino para os Direitos Humanos em Gaza. Nem todos os colaboracionistas s\u00e3o assassinados. Os partidos pol\u00edticos costumam dar-lhes oportunidade de se reabilitarem para que &quot;virem a p\u00e1gina de suas vidas&quot;, disse \u00e0 IPS Shawan Jabarin, diretor-geral interino da al-Haq, uma organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos de Ramal\u00e1.<\/p>\n<p>Outro sinal positivo \u00e9 que h\u00e1 cada vez mais os suspeitos de espionagem que v\u00e3o a julgamento. Shaqqura disse que no ano passado houve apenas cinco assassinatos extrajudiciais, uma not\u00f3ria redu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos 22 de 2004 e os 12 de 2003. O respeito ao devido processo &quot;\u00e9 uma de nossas demandas \u00e0 ANP&quot;, acrescentou. &quot;Definitivamente, d\u00e1 frutos. Mas isto n\u00e3o significa que estamos a favor da pena de morte&quot;. O Centro Palestino para os Direitos Humanos considera que os colaboracionistas s\u00e3o criminosos de guerra e merecem penas de pris\u00e3o. Seu prop\u00f3sito \u00e9 pressionar o novo governo do Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica (Hamas) para que tome esse caminho legal.<\/p>\n<p>Julgamentos justos com senten\u00e7as adequadas podem salvar vidas inocentes. Nasser Nushtaha, por exemplo, foi seq\u00fcestrado pelo Hamas em 2004 e assassinado durante o interrogat\u00f3rio a que foi submetido. No final, ficou comprovado que era inocente. Azzam Azzam, um oper\u00e1rio t\u00eaxtil druso israelense, proclamou sua inoc\u00eancia ao ser acusado pelo Egito, em 1997, de ser espi\u00e3o de Israel. Seus oito anos na pris\u00e3o s\u00e3o uma amostra da sorte que podem ter os colaboracionistas. Seus raptores eg\u00edpcios o penduraram de cabe\u00e7a para baixo e lhe aplicaram choque el\u00e9trico e submarino, contou Azzam em um encontro com estudantes da Universidade de Hebron em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Azzam perdeu 18 quilos em uma semana e foi transferido para uma diminuta cela de 3,5 metros quadrados conhecida como &quot;o t\u00famulo&quot;. Dormiu no ch\u00e3o frio e foi obrigado a fazer suas necessidades em um balde. Azzam atribui o que passou ao come\u00e7o do governo de Benjamin Netanyahu naquele ano. &quot;Os eg\u00edpcios n\u00e3o gostaram que o (direitista) Likud governasse. Fui v\u00edtima disso&quot;, afirmou. Os verdadeiros traidores freq\u00fcentemente s\u00e3o obrigados pelas circunst\u00e2ncias, disse Jabarin. Os palestinos que passam por dificuldades econ\u00f4micas, e, sobretudo os que n\u00e3o podem trabalhar por causa das restri\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o impostas na fronteira pelo governo israelense, se v\u00eaem tentados por recompensas econ\u00f4micas, explicou.<\/p>\n<p>Muitas vezes, os palestinos tamb\u00e9m s\u00e3o torturados e extorquidos para que renunciem aos seus princ\u00edpios e espionem para Israel, uma situa\u00e7\u00e3o documentada por v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es juramentadas, afirmou Jabarin. &quot;Os israelenses os colocam em perigo. Os obrigam a fazer o trabalho sujo. N\u00e3o apenas que forne\u00e7am informa\u00e7\u00f5es, mas que matem outros&quot;. H\u00e1 opini\u00f5es coincidentes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o em que ficam as fam\u00edlias dos colaboracionistas palestinos, j\u00e1 que alguns de seus delitos as afetam injustamente. Alguns consideram que o delito \u00e9 um ato individual e n\u00e3o compromete o bom nome de todos os integrantes. Mas h\u00e1 fam\u00edlias que denunciam hostilidades de sua comunidade, que v\u00ea todos seus membros como culpados.<\/p>\n<p>Claro que nem todos os palestinos s\u00e3o compreensivos com os motivos dos informantes e se alegram quando o governo de Israel os leva. Isto aconteceu muitas vezes. Em 2002, militares israelenses invadiram pris\u00f5es e campos de deten\u00e7\u00e3o e resgataram seus ex-espi\u00f5es. Uma vez em Israel, o problema \u00e9 se integrar \u00e0 sociedade. Os servi\u00e7os de seguran\u00e7a intercedem junto aos tribunais para que consigam documentos de identidade e dinheiro, e procuram garantir-lhes direitos cidad\u00e3os e servi\u00e7os b\u00e1sicos. Mas estas tentativas nem sempre d\u00e3o resultado. &quot;Nenhuma sociedade do mundo respeita os colaboracionistas. Os consideram lixo&quot;, disse Jabarin. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 06\/04\/2006 &ndash; Quando Rashid Abu Shabak assumiu as for\u00e7as de seguran\u00e7a da Autoridade Nacional Palestina (ANP), no ano passado, a imprensa o chamou de &quot;ca\u00e7ador de colaboracionistas&quot;, porque havia prendido mais de cem suspeitos de passarem informa\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia para Israel. 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