{"id":16545,"date":"2013-09-19T11:48:27","date_gmt":"2013-09-19T11:48:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98730"},"modified":"2013-09-25T17:33:16","modified_gmt":"2013-09-25T17:33:16","slug":"sementes-de-conflito-germinam-nos-balcas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/sementes-de-conflito-germinam-nos-balcas\/","title":{"rendered":"Sementes de conflito germinam nos B\u00e1lc\u00e3s"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_98731\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 478px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/vesna.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-98731\" alt=\"vesna Sementes de conflito germinam nos B\u00e1lc\u00e3s\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/vesna.jpg\" width=\"468\" height=\"360\" title=\"Sementes de conflito germinam nos B\u00e1lc\u00e3s\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Segundo especialistas da Faculdade de Agricultura da Universidade de Belgrado, as esp\u00e9cies aut\u00f3ctones de frutas e verduras dos B\u00e1lc\u00e3s perderam a batalha contra as grandes produtoras internacionais de sementes. Foto: Cortesia de Vesna Peric Zimonjic<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Belgrado, S\u00e9rvia, 19\/9\/2013 \u2013 Este ano o ver\u00e3o nos B\u00e1lc\u00e3s foi agrad\u00e1vel, deixando abund\u00e2ncia e alimentos suficientes nas mesas. Mas a popula\u00e7\u00e3o se queixa que os tomates \u201cn\u00e3o t\u00eam o mesmo sabor de antes\u201d, as melancias est\u00e3o muito aguadas, as couves s\u00e3o dif\u00edceis de cortar e as cebolas j\u00e1 n\u00e3o fazem ningu\u00e9m chorar. \u00c9 um rumor indignado, que ressoa nos f\u00f3runs populares e nas redes sociais da internet na S\u00e9rvia. Os agricultores s\u00e3o acusados de se renderem \u00e0s press\u00f5es dos importadores de sementes, deixando de lado as esp\u00e9cies aut\u00f3ctones que at\u00e9 agora davam bons resultados.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente h\u00e1 poucas possibilidades de constatar se o que se compra \u00e9 um tomate real, colhido localmente\u201d, disse Jasmina Zdravkovic, do Instituto de Agricultura da cidade S\u00e9rvia de Smederevska Palanka, 63 quil\u00f4metros a sudeste de Belgrado. \u201cO mais prov\u00e1vel \u00e9 acabar comprando um cujo centro seja branco e imposs\u00edvel de se comer. Isto se deve ao gene introduzido para manter o tomate firme\u201d, explicou \u00e0 IPS, acrescentando que esses tomates nunca est\u00e3o maduros; ficam vermelhos apenas por fora.<\/p>\n<p>Segundo Jasmina e especialistas da Faculdade de Agricultura da Universidade de Belgrado, as esp\u00e9cies origin\u00e1rias perderam a luta contra as grandes companhias internacionais produtoras de sementes. O cultivo de esp\u00e9cies nativas se reduziu a hortas particulares ou outras \u00e1reas pequenas. Desde 2000, quando foram levantadas as san\u00e7\u00f5es internacionais impostas \u00e0 S\u00e9rvia ap\u00f3s a guerra de 1998-1999 em Kosovo, as sementes importadas irromperam sem nenhum controle nem oposi\u00e7\u00e3o no mercado s\u00e9rvio.<\/p>\n<p>As h\u00edbridas, produzidas por gigantes biotecnol\u00f3gicos como Monsanto, DuPont ou Syngenta, assumiram as r\u00e9deas por completo. Segundo as \u00faltimas estat\u00edsticas da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio, o pa\u00eds importou 230 toneladas de sementes e materiais de multiplica\u00e7\u00e3o por US$ 810 mil apenas nos tr\u00eas primeiros meses deste ano. \u201cAssim, n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7as de que se produza comercialmente nenhuma esp\u00e9cie aut\u00f3ctone\u201d, disse \u00e0 IPS Djordje Glamoclija, da Faculdade de Agricultura.<\/p>\n<p>Entretanto, o pa\u00eds vem realizando um esfor\u00e7o sustentado para preservar seu patrim\u00f4nio fitogen\u00e9tico. Um programa nacional para a conserva\u00e7\u00e3o e o uso sustent\u00e1vel desses recursos est\u00e1 em suas fases finais. E uma de suas principais propostas \u00e9 consolidar um banco gen\u00e9tico nacional. Os recursos fitogen\u00e9ticos da S\u00e9rvia atualmente est\u00e3o \u201cdispersos pelo pa\u00eds, em institutos agr\u00edcolas e faculdades\u201d, afirmou Milena Savic, futura diretora desse banco.<\/p>\n<p>A cole\u00e7\u00e3o nacional tem cinco mil amostras de 273 esp\u00e9cies de plantas nativas da S\u00e9rvia. \u201cElas representar\u00e3o a base para os recursos fitogen\u00e9ticos, de acordo com a pol\u00edtica nacional e mundial de preservar esp\u00e9cies originais\u201d, ressaltou Milena. \u201cAt\u00e9 agora, as amostras s\u00e3o guardadas para m\u00e9dio e longo prazos\u201d, explicou \u00e0 IPS, ou seja, de 20 a 50 anos. Os genes vegetais s\u00e3o mantidos em c\u00e2maras frias especiais, a temperaturas de 20 graus negativos, e as amostras de plantas s\u00e3o conservadas a quatro graus.<\/p>\n<p>Trabalhando com estas esp\u00e9cies origin\u00e1rias, a S\u00e9rvia espera desenvolver variedades melhoradas de sementes, cruzando-as com tipos de plantas de alto rendimento. O pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 parte da iniciativa regional de recursos fitogen\u00e9ticos chamada Rede de Desenvolvimento do Sudeste da Europa. A ocidente da S\u00e9rvia, os protestos na Cro\u00e1cia contra o dom\u00ednio das sementes importadas atingiram seu cl\u00edmax antes que esse pa\u00eds entrasse na Uni\u00e3o Europeia, no dia 1\u00ba de julho deste ano.<\/p>\n<p>Isto aconteceu ao longo do ver\u00e3o: 18 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais pediram \u00e0s autoridades que impedissem \u201ca cobi\u00e7a das multinacionais que amea\u00e7am p\u00f4r em perigo os recursos que representam a base da ind\u00fastria alimentar croata\u201d. A Cro\u00e1cia j\u00e1 n\u00e3o tem nem uma f\u00e1brica produtora de sementes, e depende completamente das importadas. Essa na\u00e7\u00e3o gasta US$ 60 milh\u00f5es anuais na importa\u00e7\u00e3o de sementes e em materiais de multiplica\u00e7\u00e3o, segundo a Sociedade Croata de Agronomia.<\/p>\n<p>Um motivo particular de preocupa\u00e7\u00e3o foi a nova regulamenta\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia sobre as duas coisas, que exigiu, em nome do consumidor e da seguran\u00e7a alimentar, o registro de todas as frutas, verduras e \u00e1rvores que antes se podia reproduzir ou distribuir. Por fim, a regula\u00e7\u00e3o mudou em raz\u00e3o de press\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais europeias, inclu\u00eddas as 18 da Cro\u00e1cia. Agora, \u00e9 permitido que os donos de hortas dom\u00e9sticas guardem e troquem sementes n\u00e3o registradas, e que organiza\u00e7\u00f5es pequenas, com menos de dez empregados, cultivem sementes que tampouco estejam registradas.<\/p>\n<p>\u201cAs sementes representam a riqueza de hoje e de amanh\u00e3\u201d, ressaltou Denis Romac, jornalista e ambientalista croata. \u201cA produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de verduras saud\u00e1veis e cultivadas localmente significa a salva\u00e7\u00e3o para muitas pessoas em tempos de crise. N\u00e3o surpreende que estejam recorrendo a terras nas cidades ou mesmo cultivando algo em suas sacadas e jardins, quando os t\u00eam\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica do ano passado prejudicou muito a regi\u00e3o. O desemprego na S\u00e9rvia chegou a 27% de seus 7,22 milh\u00f5es de habitantes, e na Cro\u00e1cia atingiu 18,5% de sua popula\u00e7\u00e3o de 4,26 milh\u00f5es. Enquanto isso, agricultores e donos de hortas dom\u00e9sticas na S\u00e9rvia recorrem ao m\u00e9todo mais antigo mas tamb\u00e9m o mais seguro: o de guardar sementes no final da temporada para plant\u00e1-las na seguinte.<\/p>\n<p>\u201cFico com as sementes de um ano para outro e as uso no jardim\u201d, disse Milentije Savovic \u00e0 IPS. Ele tem v\u00e1rios hectares com hortas de diferentes verduras perto de Belgrado, e vende o que produz no popular mercado verde de Kalenic. Em sua banca encontra-se os populares tomates cora\u00e7\u00e3o de boi, diferentes variedades de cebola, pequenos feij\u00f5es p\u00e9rola e mel\u00f5es \u201ccerovaca\u201d muito secos, que os mais velhos consumiam quando jovens. \u201cQuanto \u00e0s esp\u00e9cies aut\u00f3ctones, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que s\u00e3o as melhor adaptadas ao nosso clima, solo e meios de prote\u00e7\u00e3o. Assim, por que mud\u00e1-las se s\u00e3o boas?\u201d, opinou Savovic.<\/p>\n<p>Entretanto, Glamoclija se mostrou precavido a respeito. \u201cN\u00e3o se deve confundir o cultivo de esp\u00e9cies tradicionais ou antigas com as modernas tend\u00eancias de cultivo de alimentos saud\u00e1veis\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cAs esp\u00e9cies cultivadas localmente e que est\u00e3o bem adaptadas necessitam bons cuidados e prote\u00e7\u00e3o adequada. As frutas n\u00e3o tratadas podem conter bact\u00e9rias t\u00f3xicas em lugar de pesticidas. Por isso o chamado \u2018regresso \u00e0 natureza\u2019 pode ser como andar de bicicleta no centro de uma cidade em meio aos gases emitidos por ve\u00edculos pesados\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Belgrado, S&eacute;rvia, 19\/9\/2013 &ndash; Este ano o ver&atilde;o nos B&aacute;lc&atilde;s foi agrad&aacute;vel, deixando abund&acirc;ncia e alimentos suficientes nas mesas. 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