{"id":16548,"date":"2013-09-20T12:35:48","date_gmt":"2013-09-20T12:35:48","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=98833"},"modified":"2013-09-25T17:32:23","modified_gmt":"2013-09-25T17:32:23","slug":"forcas-norte-americanas-ociosas-buscam-o-que-fazer-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/forcas-norte-americanas-ociosas-buscam-o-que-fazer-na-america-latina\/","title":{"rendered":"For\u00e7as norte-americanas ociosas buscam o que fazer na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_98834\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/barreira.jpg\"><img class=\" wp-image-98834 \" alt=\"barreira For\u00e7as norte americanas ociosas buscam o que fazer na Am\u00e9rica Latina\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/barreira.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"For\u00e7as norte americanas ociosas buscam o que fazer na Am\u00e9rica Latina\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Barreira militar no rio Atrato, noroeste da Col\u00f4mbia. Foto: Jes\u00fas Abad Colorado\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 20\/9\/2013 \u2013 A pol\u00edtica dos Estados Unidos para a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 no piloto autom\u00e1tico, em grande parte devido aos poderosos interesses que as burocracias militares e da DEA (ag\u00eancia antidrogas norte-americana) solidificaram durante d\u00e9cadas. Esta \u00e9 uma das causas de a Casa Branca ter feito \u201couvidos surdos\u201d ao \u201cclamor\u201d de governos democr\u00e1ticos e da sociedade civil da regi\u00e3o por um relacionamento diferente, afirma o documento <em>Hora de Ouvir<\/em>, divulgado no dia 18, pelo Escrit\u00f3rio em Washington para Assuntos Latino-Americanos (Wola) e outros dois centros de pensamento.<\/p>\n<p>Embora a ajuda militar e de seguran\u00e7a dos Estados Unidos para a regi\u00e3o venha diminuindo desde 2010, as quantidades em d\u00f3lares podem ser enganosas, segundo um dos coautores do informe, Adam Isacson, analista da Wola e especialista em Col\u00f4mbia. Embora os grandes pacotes de assist\u00eancia, como o Plano Col\u00f4mbia anti-insurgente e antidrogas, diminuam ou cheguem ao fim, \u201cest\u00e3o em crescimento outras formas menos transparentes de coopera\u00e7\u00e3o entre for\u00e7as militares\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Isto se deve em parte ao fato de a administra\u00e7\u00e3o de muitos programas ter passado do Departamento de Estado, que tem normas de direitos humanos mais r\u00edgidas, para o Pent\u00e1gono. Al\u00e9m disso, as For\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais \u2013 unidades de elite como os Boinas Verde do ex\u00e9rcito ou os grupos Mar, Ar, Terra da marinha (Seal) \u2013 realizam mais treinamento de efetivos latino-americanos e caribenhos, em raz\u00e3o de sua retirada do Iraque e sua redu\u00e7\u00e3o paulatina no Afeganist\u00e3o. Na \u00faltima d\u00e9cada, esses grupos mais que duplicaram e agora somam cerca de 65 mil homens.<\/p>\n<p>Seu comandante, o almirante William McRaven \u2013 respons\u00e1vel pela a\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 morte de Osama bin Laden \u2013 se mostra especialmente agressivo, buscando miss\u00f5es para suas tropas em novos teatros de opera\u00e7\u00f5es, inclusive na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, onde est\u00e3o treinando milhares de militares. \u201cVoc\u00ea pode treinar muita gente pelo pre\u00e7o de um helic\u00f3ptero\u201d, indicou Isacson \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Este maior investimento em opera\u00e7\u00f5es especiais faz parte de uma estrat\u00e9gia mais ampla do Pent\u00e1gono (Departamento de Defesa), que consiste em manter uma presen\u00e7a de \u201cbaixo impacto\u201d em todo o mundo, refor\u00e7ando sua influ\u00eancia nas institui\u00e7\u00f5es militares locais. Por\u00e9m, o Pent\u00e1gono \u00e9 muito menos transparente do que o Departamento de Estado, e \u00e9 comum seus programas n\u00e3o estarem sujeitos \u00e0s mesmas exig\u00eancias de direitos humanos, nem ao mesmo grau de controle parlamentar, como os da chancelaria.<\/p>\n<p>E mais, McRaven tenta obter o poder de deslocar for\u00e7as especiais em diferentes pa\u00edses sem consultar embaixadores norte-americanos junto a esses governos e nem mesmo o Comando Sul dos Estados Unidos. Se conseguir isso, ser\u00e1 mais f\u00e1cil rastrear o que fazem estas unidades de elite e saber se trabalham com for\u00e7as locais cujos maus antecedentes em direitos humanos tornariam imposs\u00edvel receberem ajuda ou treinamento norte-americano, de acordo com a lei Leahy.<\/p>\n<p>Segundo Isacson, o comando de McRaven tentou neste ver\u00e3o boreal selar um acordo com a Col\u00f4mbia para estabelecer nesse pa\u00eds um centro de coordena\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es especiais regionais, sem consultar o Comando Sul nem a embaixada em Bogot\u00e1. \u201cEstes fatos significam que o papel militar na elabora\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa est\u00e1 ficando maior e que as rela\u00e7\u00f5es entre for\u00e7as militares come\u00e7am a ter mais import\u00e2ncia do que as diplom\u00e1ticas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>De acordo com o documento, outra tend\u00eancia preocupante \u00e9 que alguns pa\u00edses, especialmente a Col\u00f4mbia, come\u00e7am a treinar as for\u00e7as militares e policiais vizinhas, e \u00e9 frequente que por tr\u00e1s destas a\u00e7\u00f5es haja incentivo e financiamento dos Estados Unidos. Embora os militares colombianos tenham antecedentes muito pol\u00eamicos em mat\u00e9ria de respeito aos direitos humanos, a oficiais desse pa\u00eds foram dados pap\u00e9is importantes em pol\u00edticas destinadas a deter crimes fronteiri\u00e7os e o narcotr\u00e1fico, como a Iniciativa Regional de Seguran\u00e7a para a Am\u00e9rica Central, a Iniciativa M\u00e9rida e a reforma policial em Honduras, segundo o informe.<\/p>\n<p>As novas tecnologias de seguran\u00e7a, os drones (avi\u00f5es n\u00e3o tripulados) e a ciberespionagem \u2013 como a que causou o cancelamento da visita a Washington da presidente Dilma Rousseff \u2013 trazem novos e grandes riscos para o clima pol\u00edtico e as liberdades civis da regi\u00e3o, acrescenta o informe. A estes fen\u00f4menos soma-se a persist\u00eancia da \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d de Washington, imune aos cada vez mais ruidosos clamores por mudan\u00e7a feitos por presidentes e ex-presidentes, pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos e pela sociedade civil organizada da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As burocracias da DEA \u201cs\u00e3o notavelmente resistentes \u00e0 mudan\u00e7a e reticentes a repensar e reavaliar seus objetivos e suas estrat\u00e9gias\u201d, disse \u00e0 IPS a coautora do informe, Lisa Haugaard, diretora do Grupo de Trabalho para Assuntos Latino-Americanos. Consultados pela IPS, o historiador Carlos Medina Gallego, do Grupo de Seguran\u00e7a e Defesa, da Universidade Nacional da Col\u00f4mbia, foi mais longe. H\u00e1 den\u00fancias de um \u201cplano B\u201d para a guerra oficial contra as drogas, que opera nos territ\u00f3rios e pa\u00edses produtores e \u00e9 desenvolvido por \u201cmercen\u00e1rios\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos acordos oficiais de Bogot\u00e1 com ag\u00eancias antidrogas e for\u00e7as especiais dos Estados Unidos, h\u00e1 alguns \u201ccrit\u00e9rios\u201d de que esses acordos sejam acompanhados por \u201ca\u00e7\u00f5es de mercen\u00e1rios que operam sob determinadas caracter\u00edsticas e regula\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, com autonomia, em a\u00e7\u00f5es contra o narcotr\u00e1fico\u201d, acrescentou Gallego. \u201cIsto \u00e9 parte de uma estrat\u00e9gia integral na qual s\u00e3o combinadas a\u00e7\u00f5es formais e outras encobertas e que buscam alcan\u00e7ar objetivos importantes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No entanto, \u201cem mat\u00e9ria de direitos humanos, s\u00e3o profundamente violat\u00f3rias e nenhum acordo poderia contempl\u00e1-las\u201d, ressaltou o historiador. Como os informes mostram que \u201ca guerra antidrogas n\u00e3o teve \u00eaxito, al\u00e9m de comprometer territ\u00f3rios, popula\u00e7\u00f5es, meio ambiente e fumiga\u00e7\u00f5es\u201d, h\u00e1 grande dificuldade para justificar or\u00e7amentos e investimentos, destacou. Por essa raz\u00e3o busca, \u201cpela via encoberta, pr\u00f3pria dos mercados mercen\u00e1rios, desenvolver a\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o direta, que v\u00e3o levando grande parte das garantias de direitos humanos, mas tamb\u00e9m a institucionalidade\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Em 2010, a quantia da ajuda norte-americana \u00e0 Am\u00e9rica Latina atingiu seu ponto mais alto em mais de duas d\u00e9cadas, quase US$ 4,5 bilh\u00f5es, com desembolsos para a Iniciativa M\u00e9rida para o M\u00e9xico e a Am\u00e9rica Central e pelo maior fluxo de ajuda para a recupera\u00e7\u00e3o do Haiti ap\u00f3s sofrer devastador terremoto. Contudo, em 2011, a ajuda caiu drasticamente, para apenas US$ 2,5 bilh\u00f5es, e se espera que para o ano fiscal de 2014, que come\u00e7a em 1\u00ba de outubro, n\u00e3o passe de US$ 2,2 bilh\u00f5es, diz o informe.<\/p>\n<p>A ajuda militar e de seguran\u00e7a tamb\u00e9m teve seu pico em 2010, com US$ 1,6 bilh\u00e3o. Mas desde ent\u00e3o caiu para cerca de US$ 900 milh\u00f5es anuais, em grande parte pelo final do Plano Col\u00f4mbia e da Iniciativa M\u00e9rida. A Am\u00e9rica Central \u00e9 a \u00fanica sub-regi\u00e3o na qual a ajuda, em geral, est\u00e1 aumentando. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Com a colabora\u00e7\u00e3o de Constanza Vieira (Bogot\u00e1).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 20\/9\/2013 &ndash; A pol&iacute;tica dos Estados Unidos para a Am&eacute;rica Latina est&aacute; no piloto autom&aacute;tico, em grande parte devido aos poderosos interesses que as burocracias militares e da DEA (ag&ecirc;ncia antidrogas norte-americana) solidificaram durante d&eacute;cadas. Esta &eacute; uma das causas de a Casa Branca ter feito &ldquo;ouvidos surdos&rdquo; ao &ldquo;clamor&rdquo; de [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/forcas-norte-americanas-ociosas-buscam-o-que-fazer-na-america-latina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[989,3178],"class_list":["post-16548","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16548"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16548\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16584,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16548\/revisions\/16584"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}