{"id":16559,"date":"2013-09-24T14:40:57","date_gmt":"2013-09-24T14:40:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99158"},"modified":"2013-09-25T17:32:18","modified_gmt":"2013-09-25T17:32:18","slug":"refugiados-buscam-chegar-a-europa-por-qualquer-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/refugiados-buscam-chegar-a-europa-por-qualquer-caminho\/","title":{"rendered":"Refugiados buscam chegar \u00e0 Europa por qualquer caminho"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99159\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/apostolis640-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-99159 \" alt=\"apostolis640 629x419 Refugiados buscam chegar \u00e0 Europa por qualquer caminho\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/apostolis640-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Refugiados buscam chegar \u00e0 Europa por qualquer caminho\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um jovem caminha perto do posto policial de Gundik Shalal, nordeste da S\u00edria. A guerra nesse pa\u00eds aumentou o n\u00famero de pessoas que buscam ref\u00fagio na Europa. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atenas, Gr\u00e9cia, 24\/9\/2013 \u2013 Enquanto a implac\u00e1vel guerra na S\u00edria segue engrossando as filas dos refugiados que se dirigem \u00e0 Europa, a Gr\u00e9cia se converte rapidamente em uma porta de entrada que \u00e9 prefer\u00edvel evitar. A maioria dos s\u00edrios e outros que fogem de seus pa\u00edses tentam alcan\u00e7ar o norte da Europa por diferentes rotas. E os terr\u00edveis B\u00e1lc\u00e3s s\u00e3o uma dessas alternativas.<\/p>\n<p>Com mais imigrantes do que pode manejar e uma prolongada crise econ\u00f4mica que aprofundou a xenofobia da popula\u00e7\u00e3o local, a Gr\u00e9cia decidiu endurecer o controle de suas fronteiras na primavera boreal deste ano. Al\u00e9m disso, alojou os imigrantes sem documentos em centros de deten\u00e7\u00e3o e nos \u00faltimos meses vieram \u00e0 luz desrespeito aos direitos humanos, cometidos por policiais contra essas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para muitos, o territ\u00f3rio grego \u00e9 o caminho menos seguro e uma viagem cheia de horrores, disse Hasam Nazari, m\u00fasico afeg\u00e3o de 25 anos, que tentou por v\u00e1rias vezes chegar ao norte da Europa, ap\u00f3s passar 18 meses na Gr\u00e9cia. Seu objetivo era chegar \u00e0 Hungria e dali ir para a \u00c1ustria. Tentou por cinco vezes antes de ficar sem dinheiro e voltar para a Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>\u201cVimos um bando violando um adolescente de 13 anos depois de cruzar a fronteira\u201d com a ex-rep\u00fablica iugoslava da Maced\u00f4nia, contou Nazari \u00e0 IPS. \u201cSe n\u00e3o tem euro para dar, eles mutilam voc\u00ea\u201d. Esperam do outro lado da fronteira, em uma regi\u00e3o de casas abandonadas, caminho para o interior do territ\u00f3rio, \u201candam de bicicleta, em grupos de dez ou 12, e t\u00eam armas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os saques s\u00e3o comuns. \u201cLevam voc\u00ea para o mato, deixam voc\u00ea nu e roubam tudo o que tiver. E s\u00f3 n\u00e3o apanha por muita sorte\u201d, detalhou Nazari. A pol\u00edcia sabe disso. Certa vez \u201cbateram em n\u00f3s na frente dos policiais, e eles olharam para o outro lado. Est\u00e3o mais preocupados em aplicar m\u00e3o dura aos refugiados e imigrantes ilegais\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia pela rota dos B\u00e1lc\u00e3s come\u00e7ou a figurar nas estat\u00edsticas desde o come\u00e7o do ano, segundo Izabella Cooper, porta-voz da Frontex, a ag\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia para a seguran\u00e7a das fronteiras externas. \u201cA rota dos B\u00e1lc\u00e3s ocidentais teve um aumento de tr\u00e2nsito de 300% desde o come\u00e7o do ano\u201d, disse \u00e0 IPS. A Bulg\u00e1ria \u00e9 o pa\u00eds com maior crescimento: o n\u00famero de pessoas que chegam da S\u00edria, Arg\u00e9lia, Iraque e Paquist\u00e3o aumentou seis vezes, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cEntre 60 e 70 pessoas, \u00e0s vezes at\u00e9 cem, cruzam diariamente a fronteira\u201d, desde o come\u00e7o do ano, informou Cooper. \u201cVemos uma mudan\u00e7a para o leste\u201d, reconheceu Boris Cheshirkov, da unidade de informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) na Bulg\u00e1ria. \u201cAgora, os grupos maiores atravessam as densas florestas das montanhas de Strandzha (rumo ao limite sudeste da Bulg\u00e1ria com a Turquia). \u00c9 um terreno extremamente dif\u00edcil, com pouqu\u00edssima visibilidade\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os contrabandistas j\u00e1 se adaptaram a estas novas rotas e come\u00e7aram a pedir mais dinheiro aos imigrantes desesperados para lev\u00e1-los \u00e0 fronteira. Antes cobravam 500 euros (US$ 677) por pessoa para um traslado aos limites entre Turquia e Gr\u00e9cia, ao longo do rio Evros, e agora querem quase 3.500 euros (US$ 4.736). Apesar do que cobram, \u201cos contrabandistas levam os grupos apenas at\u00e9 pr\u00f3ximo da fronteira, n\u00e3o cruzam com eles nem os guiam\u201d, explicou Cheshirkov.<\/p>\n<p>Cheshirkov citou como exemplo Uaheyda Nur, uma refugiada s\u00edria que agora cumpre pena de pris\u00e3o em Silven, cidade b\u00falgara a 130 quil\u00f4metros da fronteira com Gr\u00e9cia e Turquia. Essa mulher de 35 anos, m\u00e3e de quatro filhos, \u201cchegou \u00e0 Bulg\u00e1ria com seu marido, Abdul Hanan Nur, de 38 anos, em dezembro de 2012\u201d, contou \u00e0 IPS. A fam\u00edlia recebeu alojamento no centro de refugiados da localidade fronteiri\u00e7a de Pastrogor.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em janeiro Nur tentou partir para a S\u00e9rvia com uma filha e um filho. Foi detida pela pol\u00edcia de fronteira, condenada a oito meses de pris\u00e3o e est\u00e1 em Silven desde fevereiro. \u201cSua liberta\u00e7\u00e3o estava prevista para agosto, mas at\u00e9 agora n\u00e3o aconteceu\u201d, disse Cheshirkov, acrescentando que \u201ch\u00e1 30 solicitantes de asilo na Pris\u00e3o Central de Sofia\u201d.<\/p>\n<p>Cerca de dois mil imigrantes ilegais chegaram ao pa\u00eds em 2010, no ano seguinte foram 9.500, e em 2012 o n\u00famero foi de 15 mil, segundo o Centro S\u00e9rvio para as Migra\u00e7\u00f5es, criado pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Grupa 484. Estima-se que outros 20 mil entrar\u00e3o neste ano no pa\u00eds. Entretanto, Nenad Banovic, chefe da pol\u00edcia fronteiri\u00e7a da S\u00e9rvia, disse que \u201cvimos uma pequena redu\u00e7\u00e3o das chegadas nos primeiros seis meses de 2013\u201d. Ela atribui \u00e0 abertura da rota Turquia-Bulg\u00e1ria-Rom\u00eania, bem como \u00e0 de Gr\u00e9cia-Maced\u00f4nia-Kosovo-Montenegro-B\u00f3snia Herzegovina-Cro\u00e1cia.<\/p>\n<p>No entanto, como ocorre na Gr\u00e9cia, a press\u00e3o dos imigrantes supera a capacidade das instala\u00e7\u00f5es dedicadas ao asilo na Bulg\u00e1ria e na S\u00e9rvia. Os tr\u00eas centros de refugiados da Bulg\u00e1ria \u2013 um em Sofia e dois mais perto da fronteira turca, em Banya e Pastrogor \u2013 operam acima de sua capacidade, com 1.l70 pessoas. H\u00e1 duas semanas, o governo b\u00falgaro destinou o equivalente a US$ 340 mil para custear alojamento para outras 500 pessoas.<\/p>\n<p>O sistema s\u00e9rvio tamb\u00e9m tenta enfrentar o fluxo de refugiados. \u201cNos esfor\u00e7amos para mant\u00ea-los\u201d, declarou Banovic, da pol\u00edcia de fronteira da S\u00e9rvia, mas o pa\u00eds \u201ctem recursos limitados e nenhuma ajuda da Europa\u201d. As dificuldades n\u00e3o desanimam os imigrantes de se dirigirem para a cidade fronteiri\u00e7a de Subotica, 184 quil\u00f4metros ao norte de Belgrado, pontuou Nazari.<\/p>\n<p>Muitas fam\u00edlias residem em uma velha f\u00e1brica de tijolos na cidade. Outras permanecem na floresta que fica junto \u00e0 cidade at\u00e9 poderem testar a sorte na fronteira h\u00fangara, poucos quil\u00f4metros para o norte. A maioria \u00e9 pega quando tenta cruzar, e \u00e9 mandada de regresso. \u201cA maior parte destes retornos n\u00e3o \u00e9 oficial, mas, para cada tanto, alguns s\u00e3o formalmente devolvidos\u201d, afirmou Miroslava Jelacic, analista legal no Grupa 484. Por\u00e9m, os que conseguem cruzar s\u00e3o um incentivo para que outros voltem a tent\u00e1-lo, uma e outra vez. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Atenas, Gr&eacute;cia, 24\/9\/2013 &ndash; Enquanto a implac&aacute;vel guerra na S&iacute;ria segue engrossando as filas dos refugiados que se dirigem &agrave; Europa, a Gr&eacute;cia se converte rapidamente em uma porta de entrada que &eacute; prefer&iacute;vel evitar. 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