{"id":1659,"date":"2006-04-07T00:00:00","date_gmt":"2006-04-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1659"},"modified":"2006-04-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-07T00:00:00","slug":"mudanca-climatica-gelos-derretem-cada-vez-mais-rapido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/america-latina\/mudanca-climatica-gelos-derretem-cada-vez-mais-rapido\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica: Gelos derretem cada vez mais r\u00e1pido"},"content":{"rendered":"<p>Toronto,  Canad\u00e1, 07\/04\/2006 &ndash; Praias, ilhas e continentes diminuem enquanto o n\u00edvel dos oceanos aumenta devido ao acelerado derretimento de gelos polares e geleiras. Muitas das principais cidades do mundo, entre elas Bangcoc, Londres, Miami, e Nova York, podem ser inundadas at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, segundo uma nova an\u00e1lise das atuais temperaturas na regi\u00e3o do mar \u00c1rtico publicada na revista cient\u00edfica norte-americana Science. Nessa oportunidade, as temperaturas globais ser\u00e3o, em m\u00e9dia, tr\u00eas graus mais elevadas do que as registradas atualmente, ou t\u00e3o quentes quanto a 130 mil anos atr\u00e1s, quando o n\u00edvel dos oceanos estava entre quatro e seis metros mais elevado. <!--more--> &quot;Provavelmente nossas estimativas sobre o aumento do n\u00edvel do mar feitas h\u00e1 cinco anos foram muito conservadoras&quot;, disse Jonathan Overpeck, pesquisador da Universidade do Arizona que participou do estudo divulgado pela Science no dia 24 de mar\u00e7o. Pesquisas anteriores previam uma eleva\u00e7\u00e3o do mar de menos de um metro at\u00e9 2100. O estudo de Overpeck e de outros autores revela que as temperaturas mais quentes est\u00e3o em vias de derreter boa parte do gelo do mar \u00c1rtico, incluindo a camada de gelo da Groel\u00e2ndia, al\u00e9m de derreter e causar colapso de partes da camada de gelo ant\u00e1rtica, no P\u00f3lo Sul, que \u00e9 menos est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os novos dados deveriam chamar a aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia de se reduzir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono na atmosfera, afirmou o especialista. O di\u00f3xido de carbono \u00e9 um dos gases causadores do efeito estufa, que capturam o calor dos raios solares e reaquecem a atmosfera, provocando complexas modifica\u00e7\u00f5es conhecidas como mudan\u00e7a clim\u00e1tica. &quot;Mais de cem milh\u00f5es de pessoas poderiam ser afetadas pelo aumento de quase um metro no n\u00edvel do mar&quot;, afirmou Gary Griggs, diretor do Instituto de Ci\u00eancias Marinhas na Universidade da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>&quot;N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7as pr\u00e1ticas de salvar pequenos pa\u00edses insulares como as Ilhas Maldivas&quot;, no oceano \u00cdndico, disse Griggs \u00e0 IPS. &quot;Este \u00e9 um problema novo e de grande import\u00e2ncia&quot;. Os impactos da eleva\u00e7\u00e3o do mar j\u00e1 s\u00e3o um perigo pr\u00f3ximo e atual. Nos \u00faltimos 12 anos, ilhas do Pac\u00edfico Sul, como Tonga e Tuvalu, experimentaram aumento de 10 cent\u00edmetros, segundo o Projeto de Controle do N\u00edvel do Mar e do Clima no Pac\u00edfico Sul. Em fevereiro, uma inunda\u00e7\u00e3o sem precedentes nas ilhas Salom\u00e3o fez com que fossem evacuadas duas mil pessoas. Boa parte da terra cultiv\u00e1vel dessas ilhas agora est\u00e1 contaminada pelo sal marinho.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos, as praias de areias brancas de algumas ilhas sofreram eros\u00e3o e foram arrastadas pelas correntes oce\u00e2nicas, por ondas enormes e pelo mar que avan\u00e7a, informou Loti Yates, diretor do Escrit\u00f3rio Nacional para a Administra\u00e7\u00e3o de Desastres das Ilhas Salom\u00e3o. No final de mar\u00e7o, mar\u00e9s de 3,48 metros de altura alagaram a maior parte de Tuvalu, uma s\u00e9rie de at\u00f3is do Pac\u00edfico cujo ponto alto tem 4,5 metros acima do n\u00edvel do mar. Muitas das praias com palmeiras desapareceram e a eleva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas torna mais perigosas as tempestades. Est\u00e1 em debate o reassentamento de toda a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, cerca de 11.600 pessoas. Varias centenas de abandonaram a ilha.<\/p>\n<p>A cerca de 1.200 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, em Fiji, um arquip\u00e9lago do Pac\u00edfico com superf\u00edcie de 18.250 quil\u00f4metros quadrados, a eleva\u00e7\u00e3o do mar \u00e9 de oito cent\u00edmetros e espera-se que aumente mais 30 cent\u00edmetros at\u00e9 2050. As inunda\u00e7\u00f5es foram um fen\u00f4meno de custo multimilion\u00e1rio nos \u00faltimos anos. Devido \u00e0 sua geografia, toda a regi\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel aos impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, com a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, as tempestades mais intensas e manifesta\u00e7\u00f5es mais extremas de seca e inunda\u00e7\u00f5es, segundo recente relat\u00f3rio do Banco Mundial.<\/p>\n<p>&quot;A maior parte das megacidades (da regi\u00e3o), especialmente na China, fica no litoral, e estas s\u00e3o as principais candidatas a sofrer com o aumento do n\u00edvel do mar e desastres clim\u00e1ticos a ele relacionados&quot;, diz o informe. Vietn\u00e3, Tail\u00e2ndia, Indon\u00e9sia e Camboja, junto com a China, poderiam sofrer severas perdas em seu produto interno bruto como resultado destes fen\u00f4menos, j\u00e1 que as principais atividades produtivas se concentram em zonas costeiras, acrescentou o Banco Mundial. Do outro lado do mundo, as \u00e1guas afogar\u00e3o muitas praias atl\u00e2nticas do Canad\u00e1 at\u00e9 2030, disse \u00e0 IPS John Shaw, integrante da Pesquisa Geol\u00f3gica deste pa\u00eds. A essa tend\u00eancia se soma o fato de que grande parte do territ\u00f3rio oriental da Am\u00e9rica do Norte est\u00e1 afundado devido \u00e0 \u00faltima era do gelo.<\/p>\n<p>&quot;As praias est\u00e3o bastante baixas, e com este r\u00e1pido aumento do n\u00edvel do mar simplesmente ficar\u00e3o debaixo d? \u00e1gua&quot;, disse Shaw em uma entrevista. Devido \u00e0s mais freq\u00fcentes e intensas tempestades est\u00e1 sendo batido o recorde de inunda\u00e7\u00f5es na \u00e1rea, acrescentou. Essas mesmas tempestades causam eros\u00e3o das linhas costeiras e as empurram terra adentro cerca de 12 metros por tempestade. Estas s\u00e3o not\u00edcias muito ruins para quem tem propriedade no litoral por sua magn\u00edfica vista. As linhas costeiras e as praias sempre se movem, mas atualmente o fazem mais r\u00e1pido do que nunca, ressaltou Shaw. Desde a \u00faltima era do gelo, os n\u00edveis globais dos mares aumentaram lentamente, o que permitiu o desenvolvimento costeiro em boa parte do mundo sem grandes dificuldades, explicou Griggs. Mas o ritmo da eleva\u00e7\u00e3o marinha cresceu muito nas \u00faltimas d\u00e9cadas, gerando um problema multimilion\u00e1rio, acrescentou.<\/p>\n<p>As cidades localizadas no litoral marinho baixo sofrer\u00e3o importantes desastres devido \u00e0s tempestades, previu Griggs. As ondas de oito metros provocadas pelo furac\u00e3o Katrina, que em agosto passado a\u00e7oitaram a costa do golfo do M\u00e9xico, ao sul dos Estados Unidos, mataram 1.400 pessoas e provocaram preju\u00edzos de US$ 200 bilh\u00f5es. Os planos anunciados para construir diques que protejam a devastada Nova Orleans (uma das mais afetadas) custar\u00e3o US$ 10 bilh\u00f5es e nem mesmo proteger\u00e3o toda a cidade. &quot;Eu n\u00e3o reconstruiria Nova Orleans no lugar onde est\u00e1&quot;, afirmou Griggs. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto,  Canad\u00e1, 07\/04\/2006 &ndash; Praias, ilhas e continentes diminuem enquanto o n\u00edvel dos oceanos aumenta devido ao acelerado derretimento de gelos polares e geleiras. Muitas das principais cidades do mundo, entre elas Bangcoc, Londres, Miami, e Nova York, podem ser inundadas at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, segundo uma nova an\u00e1lise das atuais temperaturas na regi\u00e3o do mar \u00c1rtico publicada na revista cient\u00edfica norte-americana Science. 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