{"id":1660,"date":"2006-04-07T00:00:00","date_gmt":"2006-04-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1660"},"modified":"2006-04-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-07T00:00:00","slug":"economia-america-latina-falta-de-transparencia-prejudica-a-competitividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/america-latina\/economia-america-latina-falta-de-transparencia-prejudica-a-competitividade\/","title":{"rendered":"Economia-Am\u00e9rica Latina: Falta de transpar\u00eancia prejudica a competitividade"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 07\/04\/2006 &ndash; A transpar\u00eancia pode ser um fator decisivo para que a Am\u00e9rica Latina incremente sua competitividade no mundo, superando problemas como corrup\u00e7\u00e3o, baixa credibilidade dos governos e debilidades fiscais. Os fatores que afetam o crescimento econ\u00f4mico regional, que melhorou nos \u00faltimos anos &#8211; apesar de estar longe do registrado por China, \u00cdndia e Europa oriental &#8211; foram eixos de um informe divulgado na quarta-feira, primeiro dia do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial sobre a Am\u00e9rica Latina, no qual tamb\u00e9m foram discutidos os riscos e as oportunidades para o desenvolvimento da regi\u00e3o. <!--more--> O FEM, um encontro de financistas e executivos que acontece anualmente na esta\u00e7\u00e3o tur\u00edstica su\u00ed\u00e7a de Davos, realizou em S\u00e3o Paulo um f\u00f3rum latino-americano de dois dias, iniciado na quarta-feira. O informe &quot;A competitividade latino-americana&quot; em 2006 reconhece os avan\u00e7os macroecon\u00f4micos, como redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7os fiscais, que somados ao quadro internacional favor\u00e1vel impulsionaram o crescimento. Mas o desempenho econ\u00f4mico regional n\u00e3o corresponde \u00e0s expectativas, considerando os n\u00edveis de renda por pessoa, disse Augusto L\u00f3pez-Claros, economista-chefe do FEM e diretor do informe.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe apresentam uma situa\u00e7\u00e3o singular, com o Chile sendo uma &quot;exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra&quot; e que, por sua vez, comprova que \u00e9 poss\u00edvel desenvolver boas institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas na regi\u00e3o, afirmou L\u00f3pez-Claros. Em macroeconomia, um dos indicadores da competitividade, o Chile ocupa o primeiro lugar entre 117 pa\u00edses avaliados, incluindo os mais desenvolvidos, ressaltou. Mesmo assim, na classifica\u00e7\u00e3o geral aparece em 27&ordm; lugar. A avalia\u00e7\u00e3o considera nove &quot;pilares&quot;, entre eles a qualidade das institui\u00e7\u00f5es, a infra-estrutura, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior, efici\u00eancia dos mercados e respostas tecnol\u00f3gicas e inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o reflete necessariamente boa competitividade. A \u00cdndia, que est\u00e1 crescendo muito mais do que os pa\u00edses latino-americanos, apresenta p\u00e9ssimos indicadores em educa\u00e7\u00e3o, embora seja conhecida por seus avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, observou L\u00f3pez-Claros. &quot;Em infra-estrutura \u00e9 um desastre&quot;, acrescentou. Os numerosos indicadores considerados pelo estudo do FEM, v\u00e1rios para cada pilar, indicam &quot;as habilidades do pa\u00eds para manter seus n\u00edveis de prosperidade&quot;. Os que s\u00e3o &quot;decisivos para o crescimento econ\u00f4mico variam de um pa\u00eds para outro&quot;. Na Finl\u00e2ndia, por exemplo, pouco importa a macroeconomia, e o fator-chave \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, explicou o economista.<\/p>\n<p>A transpar\u00eancia pode significar muito para a Am\u00e9rica Latina, disse L\u00f3pez-Claros \u00e0 IPS. O Chile, por exemplo, tem um grau de corrup\u00e7\u00e3o baix\u00edssimo em compara\u00e7\u00e3o com seus vizinhos, depois de &quot;15 anos de governos que conquistaram credibilidade&quot; por parte da popula\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds tamb\u00e9m conta com a melhor infra-estrutura regional, acrescentou. O segundo pa\u00eds latino-americano mais competitivo, a Argentina, ocupa o 54&ordm; lugar na classifica\u00e7\u00e3o geral, superando o Brasil, que est\u00e1 em 57&ordm;, quase junto com Costa Rica, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o e um pouco de infra-estrutura explicam esse desempenho argentino, apesar de sua recente crise econ\u00f4mica e dos dados macroecon\u00f4micos desfavor\u00e1veis. A corrup\u00e7\u00e3o tem um peso importante nas avalia\u00e7\u00f5es feitas pelo FEM. &quot;Mina a democracia e inibe a economia&quot;, segundo Mois\u00e9s Naim, editor-chefe da Foreign Policy Magazine (Revista de Pol\u00edtica Exterior), dos Estados Unidos. O problema n\u00e3o \u00e9 apenas a corrup\u00e7\u00e3o em si mesma, mas &quot;a guerra contra a corrup\u00e7\u00e3o&quot;, que nos \u00faltimos 15 anos dominou o debate, em detrimento dos temas sobre desenvolvimento. Os esc\u00e2ndalos sucessivos n\u00e3o detiveram o problema; trata-se de &quot;um rem\u00e9dio que mata o paciente&quot;, resumiu Naim.<\/p>\n<p>Um segundo fator que considera prejudicial para o desenvolvimento regional s\u00e3o os desvios de uma &quot;guerra contra a desigualdade&quot;, que leva a pol\u00edticas intervencionistas, de controle de pre\u00e7os e do valor da moeda, que n\u00e3o s\u00e3o eficazes contra a iniq\u00fcidade j\u00e1 que reduzem os investimentos e, por fim, o crescimento econ\u00f4mico, al\u00e9m de ampliar a corrup\u00e7\u00e3o. A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a regi\u00e3o do mundo com maior brecha entre ricos e pobres. Tamb\u00e9m existe um &quot;vazio ideol\u00f3gico&quot; em uma regi\u00e3o que deseja o crescimento e a supera\u00e7\u00e3o de uma &quot;situa\u00e7\u00e3o social desesperadora&quot;, mas na qual erros do passado s\u00e3o repetidos, acrescentou Naim.<\/p>\n<p>Em conseq\u00fc\u00eancia, a Am\u00e9rica Latina vive um &quot;paradoxo&quot;: o chavismo, a corrente liderada pelo presidente venezuelano, Hugo Ch\u00e1vez, desperta muito mais entusiasmo do que o Chile, embora o &quot;modelo da Venezuela seja muito inferior ao chileno&quot;, lamentou Naim. Isso se reflete nos novos l\u00edderes, como o ind\u00edgena Evo Morales, eleito presidente da Bol\u00edvia, e outros nacionalistas e esquerdistas que disputar\u00e3o elei\u00e7\u00f5es com possibilidades de vit\u00f3ria no M\u00e9xico e Peru, ressaltou o especialista.<\/p>\n<p>A pobreza, embora n\u00e3o impe\u00e7a o crescimento, &quot;\u00e9 um obst\u00e1culo&quot;, disse, por sua vez, Guillermo Perry Rublo, economista-chefe do Banco Mundial para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe. Sua recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 engrossar o capital humano, mais educa\u00e7\u00e3o e infra-estrutura, conjugados com a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio que, em sua opini\u00e3o, &quot;gera oportunidades&quot;. Em um debate sobre os riscos que afetam a regi\u00e3o, o chileno Jos\u00e9 Miguel Insulza, secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, destacou que &quot;h\u00e1 boa democracia&quot; na Am\u00e9rica Latina, o problema agora \u00e9 a instabilidade que se nota em muitos pa\u00edses com as proximidades das elei\u00e7\u00f5es e &quot;a qualidade dos governos&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 07\/04\/2006 &ndash; A transpar\u00eancia pode ser um fator decisivo para que a Am\u00e9rica Latina incremente sua competitividade no mundo, superando problemas como corrup\u00e7\u00e3o, baixa credibilidade dos governos e debilidades fiscais. 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