{"id":16659,"date":"2013-09-26T13:18:28","date_gmt":"2013-09-26T13:18:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99274"},"modified":"2013-09-26T13:18:28","modified_gmt":"2013-09-26T13:18:28","slug":"extremismo-atrai-jovens-do-quenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/extremismo-atrai-jovens-do-quenia\/","title":{"rendered":"Extremismo atrai jovens do Qu\u00eania"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99276\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/kenia640.jpg\"><img class=\" wp-image-99276 \" alt=\"kenia640 Extremismo atrai jovens do Qu\u00eania\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/kenia640.jpg\" width=\"529\" height=\"254\" title=\"Extremismo atrai jovens do Qu\u00eania\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A comunidade mu\u00e7ulmana continua lamentando os atentados terroristas contra civis inocentes, e ressalta que o Isl\u00e3 condena a viol\u00eancia. Foto: Miriam Gathigah\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 26\/9\/2013 \u2013 Ali Hassan Gitonga, de 33 anos, pertence \u00e0 comunidade meru da Prov\u00edncia Oriental do Qu\u00eania, e h\u00e1 pouco se converteu ao Isl\u00e3. Comenta-se que em 2011 viajou \u00e0 Som\u00e1lia para treinar com a organiza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica Al Shabab. Agora est\u00e1 preso por suposta participa\u00e7\u00e3o no atentado terrorista do dia 21, no centro comercial Westgate, em Nair\u00f3bi. Em 2011, quatro mil soldados da For\u00e7a de Defesa do Qu\u00eania, no contexto de uma ofensiva chamada Opera\u00e7\u00e3o Proteger a Na\u00e7\u00e3o, viajaram \u00e0 Som\u00e1lia para expulsar a organiza\u00e7\u00e3o terrorista Al Shabab do sul desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Desde a opera\u00e7\u00e3o, essa organiza\u00e7\u00e3o realizou uma s\u00e9rie de ataques de repres\u00e1lia em v\u00e1rias partes do Qu\u00eania, que feriram, mutilaram e assassinaram civis. E, do Minist\u00e9rio de Seguran\u00e7a Interna surge que Gitonga \u00e9 apenas um dos cada vez mais jovens, com idades entre 15 e 34 anos, da \u00c1frica subsaariana que est\u00e3o se voltando para o radicalismo isl\u00e2mico. Qu\u00eania, Som\u00e1lia, Eritreia e Tanz\u00e2nia s\u00e3o alguns dos pa\u00edses que enfrentam o maior risco desta amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Abdi Muhamud, ativista e especialista em direitos humanos na Prov\u00edncia Costeira do Qu\u00eania, disse que \u201cmuitos jovens de fam\u00edlias pobres viajam \u00e0 Som\u00e1lia para treinar com o Al Shabab, que lhes promete empregos lucrativos fora do pa\u00eds e apoio econ\u00f4mico para suas fam\u00edlias\u201d. A ascens\u00e3o e o dom\u00ednio, que desde 2009 esse grupo exerce na Som\u00e1lia, t\u00eam s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es para os pa\u00edses vizinhos, particularmente o Qu\u00eania, destacou.<\/p>\n<p>O International Crisis Group (ICG), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que trabalha para resolver e prevenir conflitos, apontou que o grupo radical \u201ccriou, nos \u00faltimos quatro anos, uma infraestrutura formid\u00e1vel e secreta de apoio no Qu\u00eania, um ramo jihaidsta salafista diminuto, mas altamente radical, estreitamente unido e reservado, que toma o Al Shabab como exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o se discuta que haja atividade terrorista no Qu\u00eania, l\u00edderes mu\u00e7ulmanos, especialistas em direitos humanos e analistas pol\u00edticos discordam sobre a exist\u00eancia e o grau de radicalismo entre os mu\u00e7ulmanos quenianos. \u201cH\u00e1 radicalismo entre os mu\u00e7ulmanos do Qu\u00eania\u201d, afirmou Muhamud. \u201cO lema \u2018Pwani Si Kenya\u2019 (A Prov\u00edncia Costeira N\u00e3o \u00c9 o Qu\u00eania), usado pelo Conselho Republicano de Mombassa para que essa prov\u00edncia se separe do governo central, \u00e9 um bom indicador\u201d.<\/p>\n<p>Muhamud detalhou \u00e0 IPS que esse \u00f3rg\u00e3o, que se orgulha de ter mais de 1,5 milh\u00e3o de seguidores, foi criado em 1999, esteve paralisado at\u00e9 2008, quando ressurgiu com esse lema. \u201cFoi nessa \u00e9poca que a presen\u00e7a do Al Shabab na Som\u00e1lia come\u00e7ou a crescer de modo significativo. Estes fatos est\u00e3o relacionados\u201d, garantiu. \u201cOs mu\u00e7ulmanos do norte do Qu\u00eania e da Prov\u00edncia Costeira s\u00e3o os principais alvos do recrutamento para o extremismo do Al Shabab e de seus simpatizantes. Seus habitantes s\u00e3o predominantemente mu\u00e7ulmanos que se sentem marginalizados pelo governo central\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Cyprian Nyamwamu, diretor-executivo da East African Democracy Foundation, discorda. \u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais complexa do que o radicalismo, e deve ser abordada \u00e0 luz da geopol\u00edtica e da economia mundial. O Qu\u00eania \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do oriente africano, e o Ocidente tem um interesse significativo em converter esse pa\u00eds em um alvo f\u00e1cil\u201d, opinou. Segundo o ICG, desde 11 de setembro de 2001 (data dos atentados que deixaram mais de tr\u00eas mil mortos em Nova York e Washington), o Qu\u00eania ajuda ativamente nos esfor\u00e7os do Ocidente para identificar, prender e deter supostos terroristas.<\/p>\n<p>Muhamud disse que isso deixa o Qu\u00eania vulner\u00e1vel aos ataques de \u201cinimigos dos pa\u00edses ocidentais. Esta n\u00e3o \u00e9 uma guerra queniana, mas uma guerra global\u201d. Nyamwamu concorda. \u201cEstamos tratando com extremistas de fora do Qu\u00eania. Basta ver o ataque ao centro comercial Westgate. \u00c9 evidente que o capital humano \u00e9 significativamente externo. Os servi\u00e7os de seguran\u00e7a interna indicam que a maioria dos atacantes era de europeus. Talvez estejamos diante da reinven\u00e7\u00e3o da rede Al Qaeda\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Muhamud disse que ignorar o avan\u00e7o do radicalismo faz parte do problema. \u201cO Chifre da \u00c1frica, onde fica a Som\u00e1lia, tamb\u00e9m est\u00e1 geograficamente perto do Oriente M\u00e9dio. Os pa\u00edses ocidentais devem abordar os problemas do Oriente M\u00e9dio porque estes est\u00e3o se espalhando para a \u00c1frica subsaariana atrav\u00e9s da conflituosa Som\u00e1lia\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem culpe pelo crescente radicalismo nem tanto a religi\u00e3o, mas o desemprego. Estat\u00edsticas do governo mostram que, a cada ano, 500 mil jovens entram no mercado de trabalho. Dos 19,8 milh\u00f5es de pessoas em idade de trabalhar neste pa\u00eds, de 41 milh\u00f5es de habitantes, pelo menos 70% t\u00eam entre 18 e 34 anos. E mais de 65% destes jovens est\u00e3o desempregados. Al\u00e9m disso, as estat\u00edsticas mostram que, para cada dois crimes registrados na pol\u00edcia, um foi cometido por um jovem de 16 a 25 anos.<\/p>\n<p>\u201cTemos pessoas n\u00e3o somalianas explorando a crescente popula\u00e7\u00e3o de jovens desempregados. Estes terroristas n\u00e3o s\u00e3o jovens que v\u00e3o \u00e0 mesquita\u201d, opinou o sacerdote Gabriel Dolan, colunista do <i>Saturday Nation<\/i> e destacado ativista pelos direitos humanos. \u201cA maioria dos presos no passado por sua conex\u00e3o com as atividades do Al Shabab foi de jovens que disseram ter se convertido ao Isl\u00e3, e pertencentes a v\u00e1rias comunidades n\u00e3o somalianas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Dolan enfatizou que \u201cestamos tratando com pouqu\u00edssimos radicais. N\u00e3o \u00e9 um problema generalizado de radicalismo. Lamentavelmente, n\u00e3o se precisa de grandes quantidades para promover as ideologias extremas. A partir dos 15 atacantes que, se estima, participaram do ataque de Westgate, perdeu-se mais de 62 vidas e h\u00e1 pelo menos 200 feridos. E este \u00e9 apenas um incidente\u201d.<\/p>\n<p>Hussein Gullet, do F\u00f3rum Nacional de L\u00edderes Mu\u00e7ulmanos do norte do Qu\u00eania, regi\u00e3o onde predominam somalianos origin\u00e1rios, afirmou que \u201cn\u00e3o se pode responsabilizar o Isl\u00e3 pelo jovens estarem ociosos e vulner\u00e1veis \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Os mu\u00e7ulmanos n\u00e3o aderem ao terrorismo. Os terroristas que atuam no Qu\u00eania s\u00e3o estrangeiros. Estes s\u00e3o ataques patrocinados por estrangeiros\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Gullet, \u201co radicalismo n\u00e3o \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica. Tal extremismo \u00e9 comum em pa\u00edses onde h\u00e1 hostilidade entre mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os. Os mu\u00e7ulmanos neste pa\u00eds gozam dos mesmos direitos e liberdades que as pessoas de outras religi\u00f5es. As for\u00e7as de seguran\u00e7a devem investigar a causa dos ataques terroristas e chegar a uma solu\u00e7\u00e3o que aborde as realidades no terreno\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 26\/9\/2013 &ndash; Ali Hassan Gitonga, de 33 anos, pertence &agrave; comunidade meru da Prov&iacute;ncia Oriental do Qu&ecirc;nia, e h&aacute; pouco se converteu ao Isl&atilde;. Comenta-se que em 2011 viajou &agrave; Som&aacute;lia para treinar com a organiza&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica Al Shabab. 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