{"id":16663,"date":"2013-09-27T12:55:49","date_gmt":"2013-09-27T12:55:49","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99351"},"modified":"2013-09-27T12:55:49","modified_gmt":"2013-09-27T12:55:49","slug":"o-sul-da-libia-espera-outra-primavera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/09\/ultimas-noticias\/o-sul-da-libia-espera-outra-primavera\/","title":{"rendered":"O sul da L\u00edbia espera outra primavera"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99352\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Berber-small-629x4191.jpg\"><img class=\" wp-image-99352 \" alt=\"Berber small 629x4191 O sul da L\u00edbia espera outra primavera\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Berber-small-629x4191.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"O sul da L\u00edbia espera outra primavera\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O coronel Barca, comandante de Mourzouk, est\u00e1 em contato com federalistas do leste l\u00edbio. Foto: Maryline Dumas\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sebha, L\u00edbia, 27\/9\/2013 \u2013 \u201cO governo n\u00e3o se preocupa com a gente porque somos do sul\u201d, disse \u00e0 IPS o chefe do conselho local de Oubari, na L\u00edbia, Mohammad Salah Lichej, expressando o abandono que sente esta parte do pa\u00eds. A convic\u00e7\u00e3o crescente de terem sido esquecidos por Tr\u00edpoli est\u00e1 unindo os tr\u00eas grupos \u00e9tnicos da regi\u00e3o de Fez\u00e1n, \u00e1rabes, tubus e tuaregues, contra o Estado l\u00edbio.<\/p>\n<p>Apesar de terem se enfrentado entre si depois da rebeli\u00e3o que p\u00f4s fim ao regime de Muammar Gadafi (1969-2011), estes grupos \u00e9tnicos agora vivem em relativa calma e t\u00eam reclama\u00e7\u00f5es comuns contra o novo governo. Oubari, onde os tuaregues s\u00e3o maioria, fica 200 quil\u00f4metros a oeste de Sebha, capital de Fez\u00e1n. Nesta localidade de 40 mil pessoas h\u00e1 problemas com a rede telef\u00f4nica, a presen\u00e7a policial \u00e9 escassa e as ruas est\u00e3o destru\u00eddas.<\/p>\n<p>\u201cMeu primo \u00e9 policial, mas s\u00f3 vai \u00e0 delegacia para receber o sal\u00e1rio\u201d, disse o presidente do conselho local de Sebha, Ayoub Zaroug. Algo semelhante ocorre em Murzuq, o distrito mais ao sul de Fez\u00e1n. Nesta \u00e1rea de maioria tubu, os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o existem.<\/p>\n<p>Ibrahim Ahmed, chefe local de Agar, pequena aldeia \u00e1rabe pr\u00f3ximo a Murzuq, contou \u00e0 IPS que \u201contem houve um inc\u00eandio. N\u00e3o contamos com uma brigada de bombeiros, por isso apelamos para Murzuq. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam. N\u00e3o temos nada, nem ex\u00e9rcito nem uma for\u00e7a policial que funcione. Nossa delegacia n\u00e3o tem carros, nem radiocomunicador. N\u00e3o h\u00e1 apoio de Tr\u00edpoli. Na verdade, todos os servi\u00e7os p\u00fablicos est\u00e3o ruins\u201d.<\/p>\n<p>Diante de tais car\u00eancias, os l\u00edbios do sul decidiram desenvolver sistemas de organiza\u00e7\u00e3o paralelos, baseados nas tradi\u00e7\u00f5es tribais, explicou \u00e0 IPS Agila Majou, representante da tribo \u00e1rabe Ouled Slimane. \u201cComo o governo \u00e9 incapaz, resolvemos os problemas entre as tribos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por exemplo, em Qahira, bairro pobre de Sebha, \u201cum grupo de 60 pessoas, entre revolucion\u00e1rios e residentes volunt\u00e1rios\u201d, cuidam da seguran\u00e7a, disse o chefe tubu da \u00e1rea, Adam Ahmed. \u201cPatrulham a \u00e1rea e usam suas pr\u00f3prias armas. Quando h\u00e1 um problema, os l\u00edderes tribais se re\u00fanem\u201d, explicou \u00e0 IPS. Ahmed garante que a maioria dos criminosos foge e se esconde em pr\u00e9dios em constru\u00e7\u00e3o abandonados por uma empresa indiana que se retirou do pa\u00eds antes da revolu\u00e7\u00e3o. \u201cSabemos onde est\u00e3o, mas ningu\u00e9m os prende\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Youssef Souri, do conselho local de Murzuq, acrescentou que, \u201cmesmo quando s\u00e3o presos&#8230; pedimos tr\u00eas vezes ao governo que reinstale o tribunal (dessa localidade), mas n\u00e3o tivemos resposta. Quando h\u00e1 um roubo, se a pessoa \u00e9 detida, passa apenas alguns dias na pris\u00e3o. Depois sua fam\u00edlia se apresenta como garantia e paga uma fian\u00e7a, que \u00e9 devolvida depois do julgamento\u201d. Em casos de assassinato, o procedimento \u00e9 diferente. \u201cEnvia-se os (supostos) homicidas para Sebha, onde os ju\u00edzes adiam constantemente os processos por medo de repres\u00e1lia\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Essa autonomia, de fato, alimenta a ideia de que uma federa\u00e7\u00e3o poderia ser a melhor forma de governo para o pa\u00eds. Essa possibilidade, que est\u00e1 ganhando protagonismo na regi\u00e3o de Cirenaica, no leste, recebe mais e mais apoio no sul. \u201cSou federalista porque quero que Fez\u00e1n se beneficie de sua riqueza, que atualmente vai toda para Tr\u00edpoli. Mas quero uma federa\u00e7\u00e3o real, n\u00e3o tr\u00eas pa\u00edses diferentes, como est\u00e3o pedindo no leste\u201d, disse Ibrahim Youssef, diretor de uma organiza\u00e7\u00e3o em Muzurq.<\/p>\n<p>O coronel Wardacoo Barca, encarregado da seguran\u00e7a em Murzuq, admite ter \u201cse reunido com federalistas do leste\u201d. Ele disse \u00e0 IPS que \u201cvamos nos reunir tamb\u00e9m com os tuaregues para redigir uma proposta ao governo. Queremos que o dinheiro do petr\u00f3leo de Fez\u00e1n volte para n\u00f3s, e tamb\u00e9m queremos melhor representa\u00e7\u00e3o no governo e nos corpos diplom\u00e1ticos. Se Tr\u00edpoli n\u00e3o responder, apoiaremos a forma\u00e7\u00e3o de uma federa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Barca, \u201cestamos convencidos de que, se exigirmos a cria\u00e7\u00e3o de um Estado federal, todos nossos vizinhos africanos nos apoiar\u00e3o. O que realmente desejamos \u00e9 um governo que esteja presente em todas as partes e alguma forma de reconhecimento\u201d. Para os tuaregues, o reconhecimento tamb\u00e9m implica a nacionalidade. Jeli Ali, membro da Comiss\u00e3o de Reconcilia\u00e7\u00e3o de Oubari, garante que 14 mil fam\u00edlias tuaregues n\u00e3o puderam apresentar provas do lugar de nascimento de seus ancestrais e, portanto, carecem do documento de identidade necess\u00e1rio para se matricular na universidade ou trabalhar no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cSomos v\u00edtimas do racismo\u201d, disse o tuaregue Ali. \u201cQuem s\u00e3o os habitantes originais da L\u00edbia? N\u00e3o s\u00e3o os \u00e1rabes, mas os tuaregues, os tubus e os bereberes (amazighs). N\u00f3s temos a terra como prova de nossa nacionalidade, eles (os \u00e1rabes) t\u00eam pap\u00e9is\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cN\u00e3o deixaremos que isto continue assim. A hist\u00f3ria mostra que no final se obt\u00e9m os direitos, pela for\u00e7a se necess\u00e1rio\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sebha, L&iacute;bia, 27\/9\/2013 &ndash; &ldquo;O governo n&atilde;o se preocupa com a gente porque somos do sul&rdquo;, disse &agrave; IPS o chefe do conselho local de Oubari, na L&iacute;bia, Mohammad Salah Lichej, expressando o abandono que sente esta parte do pa&iacute;s. 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