{"id":1667,"date":"2006-04-10T00:00:00","date_gmt":"2006-04-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1667"},"modified":"2006-04-10T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-10T00:00:00","slug":"darfur-cartum-indiferente-a-pressao-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/darfur-cartum-indiferente-a-pressao-internacional\/","title":{"rendered":"Darfur: Cartum indiferente \u00e0 press\u00e3o internacional"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 10\/04\/2006 &ndash; Enquanto o governo dos Estados Unidos \u00e9 cada vez mais exortado a deter o que foi qualificado de genoc\u00eddio na zona sudanesa de Darfur, os \u00faltimos acontecimentos sugerem que o regime isl\u00e2mico de Cartum n\u00e3o est\u00e1 preocupado com a crise. Um dos muitos sinais desta situa\u00e7\u00e3o foi a decis\u00e3o do governo do Sud\u00e3o de bloquear a visita prevista para esta semana a Darfur do subsecret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assuntos Humanit\u00e1rios, Jan Egeland. O departamento de Estados norte-americano disse que esta medida \u00e9 &quot;profundamente perturbadora&quot;. <!--more--> O desafio de Cartum \u00e0 press\u00e3o internacional foi evidente, sobretudo considerando que tomou a decis\u00e3o \u00e0s v\u00e9speras de uma esperada vota\u00e7\u00e3o no Congresso dos Estados Unidos sobre uma mo\u00e7\u00e3o para expandir as san\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e econ\u00f4micas contra o Sud\u00e3o, incluindo medidas contra funcion\u00e1rios e l\u00edderes das mil\u00edcias \u00e1rabes respons\u00e1veis pela viol\u00eancia. &quot;O governo do Sud\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 nenhum sinal de reconhecer a press\u00e3o internacional&quot;, disse Eric Reeves, do Smith College, acad\u00eamico que teve um importante papel em for\u00e7ar Washington a tomar a\u00e7\u00f5es mais duras contra Cartum.<\/p>\n<p>Reeves criticou o governo de George W. Bush por n\u00e3o ter investido o capital pol\u00edtico e diplom\u00e1tico necess\u00e1rio para fazer com que a comunidade internacional obrigue as autoridades sudanesas a deterem a viol\u00eancia e aliviar a crise humanit\u00e1ria. Os problemas de Darfur, reino independente anexado pelo Sud\u00e3o em 1917, come\u00e7aram na d\u00e9cada de 70 como uma disputa por terras de pastoreio entre n\u00f4mades \u00e1rabes e agricultores ind\u00edgenas negros. As duas comunidades \u00e9tnicas compartilham a f\u00e9 isl\u00e2mica. Mas a tens\u00e3o se transformou em uma guerra civil em fevereiro de 2003, quando guerrilheiros negros responderam com viol\u00eancia \u00e0s hostilidades das mil\u00edcias Janjaweed.<\/p>\n<p>Os Janjaweed s\u00e3o acusados de levar adiante uma campanha de limpeza \u00e9tnica contra tr\u00eas tribos negras que ap\u00f3iam os dois grupos guerrilheiros. Presume-se que as mil\u00edcias \u00e1rabes t\u00eam apoio de Cartum, ou que fa\u00e7a vista grossa diante de seus crimes. Estima-se que entre 200 mil e 400 mil pessoas foram assassinadas em Darfur desde ent\u00e3o e mais de dois milh\u00f5es fugiram para o vizinho Chade. A situa\u00e7\u00e3o em Darfur, que o pr\u00f3prio governo de Bush qualificou de genoc\u00eddio h\u00e1 mais de dois anos, causa cada vez mais preocupa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos. Enquanto no Congresso se discutia as san\u00e7\u00f5es, ativistas lan\u00e7avam uma campanha contra as empresas com importantes investimentos em territ\u00f3rio sudan\u00eas.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, quatro Estados e 10 universidades, incluindo a gigantesca Universidade da Calif\u00f3rnia, ordenaram aos seus departamentos financeiros que vendesse a\u00e7\u00f5es, no valor de centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares, de companhias como Petrochina, Alstom, Alcatel, Siemens e outras que t\u00eam neg\u00f3cios com Cartum. Outra dezena de Estados norte-americanos considera medidas semelhantes. Na semana passada, a C\u00e2mara de Representantes aprovou por esmagadora maioria de 416 a 13 a Lei de Paz e Responsabilidade em Darfur, que al\u00e9m de impor san\u00e7\u00f5es contra funcion\u00e1rios do governo sudan\u00eas e l\u00edderes dos Janjaweed mencionados em um informe confidencial da ONU, fornece dinheiro \u00e0 limitada for\u00e7a de paz da Uni\u00e3o Africana presente na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A lei tamb\u00e9m inclui uma exorta\u00e7\u00e3o a Bush para que impe\u00e7a que navios de carga ou petroleiros envolvidos em opera\u00e7\u00f5es comerciais com o Sud\u00e3o parem em portos norte-americanos, bem como suspenda a ajuda econ\u00f4mica a pa\u00edses que vendam armas a Cartum. O Senado norte-americano aprovou uma lei semelhante no come\u00e7o deste ano, que agora dever\u00e1 ser harmonizada com a dos representantes. &quot;Comemoramos a a\u00e7\u00e3o do Congresso porque \u00e9 um claro sinal de que os Estados Unidos t\u00eam de fazer algo mais&quot;, disse Donald Steinberg, vice-presidente do Grupo Internacional de Crise (ICG), que exortou Washington a liderar esfor\u00e7os internacionais, particularmente dentro do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, para por fim \u00e0 viol\u00eancia em Darfur. <\/p>\n<p>O ICG &#8211; como o secret\u00e1rio-geral da ONU, Kofi Annan &#8211; prop\u00f4s que os soldados da Uni\u00e3o Africana sejam incorporados a uma for\u00e7a internacional mais numerosa e com um mandato mais severo do f\u00f3rum mundial. Al\u00e9m disso, exortou a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan), que at\u00e9 agora s\u00f3 deu apoio log\u00edstico \u00e0 opera\u00e7\u00e3o africana, que contribua para a forma\u00e7\u00e3o de &quot;uma for\u00e7a-ponte&quot; que seja enviada at\u00e9 a chegada dos soldados das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o pr\u00f3prio Bush aprovou esta id\u00e9ia depois de se reunir com Annan em fevereiro, quando chamou a Otan a adotar um papel mais ativo em Darfur.<\/p>\n<p>&quot;Creio que isto ir\u00e1 requerer uma administra\u00e7\u00e3o, um planejamento e uma organiza\u00e7\u00e3o da Otan, al\u00e9m de duplicar o n\u00famero de soldados de paz que se encontra ali agora, para come\u00e7ar a proporcionar alguma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a&quot;, disse Bush durante visita ao estado da Fl\u00f3rida. Mas Washington sofreu uma s\u00e9rie de reveses diplom\u00e1ticos nos esfor\u00e7os para ganhar apoio internacional. O embaixador norte-americano na ONU, John Bolton, conseguiu no come\u00e7o de fevereiro que o Conselho de Seguran\u00e7a come\u00e7asse a discutir uma eventual opera\u00e7\u00e3o em Darfur, mas n\u00e3o conseguiu que fosse aprovada uma resolu\u00e7\u00e3o autorizando o uso da for\u00e7a.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Uni\u00e3o Africana decidiu oficialmente no m\u00eas passado atrasar a interven\u00e7\u00e3o da ONU em Darfur at\u00e9 que sejam cumpridas certas condi\u00e7\u00f5es, entre elas a aceita\u00e7\u00e3o do governo sudan\u00eas, o que parece improv\u00e1vel. Cartum conseguiu outra vit\u00f3ria pol\u00edtica h\u00e1 cerca de duas semanas ao ser a sede da c\u00fapula da Liga \u00c1rabe, que apoiou sua oposi\u00e7\u00e3o ao envido da for\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Ap\u00f3s a c\u00fapula, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, um aliado de Washington, visitou Cartum para se reunir com seu colega Omar Al Bahsir pela primeira vez em uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Diante destes acontecimentos, analistas concluem que o governo Bush n\u00e3o est\u00e1 disposto a usar sua forte influ\u00eancia na \u00c1frica, no mundo \u00e1rabe e no Conselho de Seguran\u00e7a para garantir o envio de uma for\u00e7a internacional a Darfur. &quot;Cremos que o discurso da administra\u00e7\u00e3o \u00e9 admir\u00e1vel, mas as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o inadequadas. O governo deve usar todas suas for\u00e7as diplom\u00e1ticas&quot;, afirmou Steinberg. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 10\/04\/2006 &ndash; Enquanto o governo dos Estados Unidos \u00e9 cada vez mais exortado a deter o que foi qualificado de genoc\u00eddio na zona sudanesa de Darfur, os \u00faltimos acontecimentos sugerem que o regime isl\u00e2mico de Cartum n\u00e3o est\u00e1 preocupado com a crise. Um dos muitos sinais desta situa\u00e7\u00e3o foi a decis\u00e3o do governo do Sud\u00e3o de bloquear a visita prevista para esta semana a Darfur do subsecret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assuntos Humanit\u00e1rios, Jan Egeland. 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