{"id":16671,"date":"2013-10-01T12:51:12","date_gmt":"2013-10-01T12:51:12","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99583"},"modified":"2013-10-01T12:51:12","modified_gmt":"2013-10-01T12:51:12","slug":"sobreviventes-do-trafico-questionam-a-onu-sobre-legalizar-a-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/sobreviventes-do-trafico-questionam-a-onu-sobre-legalizar-a-prostituicao\/","title":{"rendered":"Sobreviventes do tr\u00e1fico questionam a ONU sobre legalizar a prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99584\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/prostitutas640.jpg\"><img class=\" wp-image-99584 \" alt=\"prostitutas640 Sobreviventes do tr\u00e1fico questionam a ONU sobre legalizar a prostitui\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/prostitutas640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Sobreviventes do tr\u00e1fico questionam a ONU sobre legalizar a prostitui\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Das 20 mil trabalhadoras sexuais da Fran\u00e7a, 70% s\u00e3o imigrantes. Foto: A. D. McKenzie\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 1\/10\/2013 \u2013 O longo debate sobre como regular o trabalho sexual chegou a um ponto de ruptura entre a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e organiza\u00e7\u00f5es que combatem o tr\u00e1fico de pessoas. Estas acreditam que o f\u00f3rum mundial deve rever sua posi\u00e7\u00e3o, refletida em dois informes que promovem a despenaliza\u00e7\u00e3o de todos os aspectos da prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando vimos os informes nos preocupamos\u201d, pontuou Lauren Hersh, diretora do escrit\u00f3rio nova-iorquino da organiza\u00e7\u00e3o Igualdade J\u00e1, que lidera a campanha p\u00fablica lan\u00e7ada em setembro. \u201c\u00c9 atroz haver ag\u00eancias da ONU pedindo para manter os bord\u00e9is\u201d, disse \u00e0 IPS. Esta coaliz\u00e3o de 98 organiza\u00e7\u00f5es pede \u00e0 ONU que revise os informes, divulgados no ano passado, para que reflitam as experi\u00eancias de sobreviventes da prostitui\u00e7\u00e3o e para incluir uma gama mais ampla de pontos de vista sobre o impacto de legalizar a ind\u00fastria do sexo.<\/p>\n<p>Um deles, intitulado <i>O Trabalho Sexual e a Lei na \u00c1sia Pac\u00edfico<\/i>, foi apoiado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), pelo Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) e pelo Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids (Onusida). O segundo, <i>O HIV e a Lei: Riscos, Direitos e Sa\u00fade<\/i>, foi publicado pela Comiss\u00e3o Global sobre HIV e Direito do Pnud.<\/p>\n<p>Ambos se centram em reduzir o v\u00edrus HIV e a doen\u00e7a que causa, a aids, protegendo simultaneamente os direitos dos que trabalham na prostitui\u00e7\u00e3o. As sobreviventes do tr\u00e1fico sexual dizem ser imperativo abordar a demanda que mant\u00e9m vivo o neg\u00f3cio da prostitui\u00e7\u00e3o, e que isso n\u00e3o \u00e9 adequadamente abordado nos informes. A um pedido de declara\u00e7\u00f5es, um porta-voz do Pnud disse que os informes examinam os problemas do trabalho sexual pelas lentes espec\u00edficas da epidemia de HIV, e que condenam fortemente o tr\u00e1fico sexual.<\/p>\n<p>\u201cO Pnud defende e promove o respeito pelos direitos humanos para todos, especialmente os mais exclu\u00eddos e marginalizados. O informe <i>O Trabalho Sexual e a Lei&#8230;<\/i> distingue claramente entre trabalho sexual adulto consensual e tr\u00e1fico humano com fins de explora\u00e7\u00e3o sexual\u201d, explicou o porta-voz. Fontes do UNFPA e da Onusida disseram \u00e0 IPS que a declara\u00e7\u00e3o do Pnud reflete de modo preciso a posi\u00e7\u00e3o de suas ag\u00eancias.<\/p>\n<p>Os estudos tamb\u00e9m prop\u00f5em a despenaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria sexual como uma forma de promover a capacidade das pessoas que se prostituem de negociar o uso de preservativos. A Igualdade J\u00e1 afirma que a quest\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 que exerce press\u00e3o para manter rela\u00e7\u00f5es sexuais sem preservativo, pois frequentemente os clientes oferecem mais dinheiro para que seja dessa forma. Se as mulheres s\u00e3o escravizadas ou controladas por um proxeneta, t\u00eam menos capacidade de insistir no uso de preservativos.<\/p>\n<p>Em um comunicado, o Pnud declarou que a penaliza\u00e7\u00e3o do trabalho sexual aumenta a vulnerabilidade perante o HIV e limita o acesso aos preservativos e aos servi\u00e7os de sa\u00fade sexual. Hersh acredita que \u201ccomumente s\u00e3o os proxenetas e os clientes que ditam o uso de preservativos, porque as mulheres podem conseguir mais dinheiro deixando de us\u00e1-los\u201d, e ressaltou que a coaliz\u00e3o n\u00e3o tenta prejudicar os esfor\u00e7os da campanha contra o HIV\/aids. A Igualdade J\u00e1 tenta, h\u00e1 quase um ano, chegar \u00e0 ONU por meio de canais internos, inclusive mediante o envio de uma carta assinada por mais de 80 organiza\u00e7\u00f5es a Michel Sidib\u00e9, diretor-executivo da Onusida.<\/p>\n<p>A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 legal em muitos pa\u00edses, entre eles a Su\u00ed\u00e7a. H\u00e1 pouco foram instaladas em Zurique \u201ccabines sexuais\u201d para promover a seguran\u00e7a das prostitutas. Mas a situa\u00e7\u00e3o continua sendo dif\u00edcil para homens e mulheres em Estados que legalizam ou despenalizam a prostitui\u00e7\u00e3o, segundo a Igualdade J\u00e1. \u201cUm dos principais problemas \u00e9 que os informes n\u00e3o inclu\u00edram consultas aos nossos s\u00f3cios no terreno, particularmente as organiza\u00e7\u00f5es lideradas por sobreviventes\u201d, disse Hersh \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Stella Marr, diretora-executiva e cofundadora da organiza\u00e7\u00e3o internacional Sex Trafficking Survivors United, \u00e9 uma sobrevivente da explora\u00e7\u00e3o sexual. Foi aliciada aos 20 anos e exerceu a prostitui\u00e7\u00e3o durante uma d\u00e9cada. \u201cSe n\u00e3o abordarmos a demanda, sempre haver\u00e1 tr\u00e1fico\u201d, advertiu Marr \u00e0 IPS, acrescentando que os informes da ONU a \u201centristecem\u201d.<\/p>\n<p>Marr acredita que a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o modelo n\u00f3rdico, que penaliza a compra de sexo, mas despenaliza a pr\u00e1tica da prostitui\u00e7\u00e3o. Ela abandonou a prostitui\u00e7\u00e3o quando um cliente lhe ofereceu ajuda e um lugar seguro para viver por dois anos. N\u00e3o conhece ningu\u00e9m mais que tenha conseguido isso. \u201cO fato de eu ter sa\u00eddo n\u00e3o significa que fui forte. Tive sorte\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As vozes das sobreviventes da ind\u00fastria do sexo n\u00e3o s\u00e3o ouvidas t\u00e3o fortemente como as de quem continua na atividade, pela vergonha que as persegue, apontou Rachel Moran, integrante e fundadora da Survivors of Prostituiton-Abuse Calling for Ellightenment (Space) International, que foi prostituta dos 15 aos 22 anos.<\/p>\n<p>Outra faceta dos informes que a Igualdade J\u00e1 quer abordar \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de \u201ctr\u00e1fico\u201d dada pela ONU. No Protocolo para Prevenir, Reprimir e Sancionar o Tr\u00e1fico de Pessoas, Especialmente Mulheres e Crian\u00e7as, das Na\u00e7\u00f5es Unidas, os Estados membros acordaram uma defini\u00e7\u00e3o ampla, que reflete uma variedade de experi\u00eancias vividas por sobreviventes da explora\u00e7\u00e3o sexual. Os informes da ONU do ano passado recomendam reduzir e reelaborar a defini\u00e7\u00e3o, o que pode significar que muitas pessoas que foram submetidas j\u00e1 n\u00e3o sejam consideradas v\u00edtimas e que os traficantes n\u00e3o sejam responsabilizados.<\/p>\n<p>\u201cEntendo que \u00e9 dif\u00edcil. \u00c9 preciso ter uma maneira de ajudar as pessoas a sa\u00edrem dessa vida. Precisam ser reconhecidas como v\u00edtimas de tr\u00e1fico. N\u00e3o acreditamos que algu\u00e9m a escolha\u201d, ressaltou Marr. Contudo, a Igualdade J\u00e1 \u00e9 otimista em rela\u00e7\u00e3o a pr\u00f3ximos documentos, e d\u00e1 como exemplo um estudo da \u00c1sia Pac\u00edfico, recentemente lan\u00e7ado por Pnud, UNFPA e ONU Mulheres, segundo o qual a compra de sexo na regi\u00e3o est\u00e1 fortemente associada \u00e0s viola\u00e7\u00f5es e \u00e0 viol\u00eancia sexual generalizada contra as mulheres. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 1\/10\/2013 &ndash; O longo debate sobre como regular o trabalho sexual chegou a um ponto de ruptura entre a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e organiza&ccedil;&otilde;es que combatem o tr&aacute;fico de pessoas. 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